A EVOLUÇÃO DA ESCRITA
 A evolução da escrita

Segundo RAMAL, nas culturas em que não conheciam a escrita, a transmissão da história se dava através das narrativas orais: o narrador relatava a experiências passadas a ouvintes que participavam do mesmo contexto comunicacional. O saber e a inteligência praticamente se identificavam com a memória, em especial a auditiva.

A escrita inaugurou uma segunda etapa na história humana. Com ela, mudaram as relações entre o indivíduo e a memória social. O sujeito pode projetar sua visão de mundo, as culturas, seus sentimentos e vivências, no papel. Entretanto, a escrita trouxe o sentido da linearidade. Ou seja, na memória de uma cultura já não caberia mais em apenas um conto, mas em documentos e registros históricos, inscritos em uma cronologia.

Desta forma, o conhecimento escolar da cultura letrada se estruturou como as páginas de um livro: linear, encadeado e segmentado. Num livro é difícil, mesmo incômodo, consultar dois trechos de páginas diferentes ao mesmo tempo, bem como na escola. É preciso passar primeiro pelo pré-requisito, e só depois ver o seguinte. Desta forma, a escola costuma limitar a possibilidade de penetrar na experiência do outro: com seus currículos rígidos, fundamentados sobre uma concepção racionalista e linear.

Define-se, portanto, a escola de hoje como possuidora de características monológicas (onde um único sentido se sobressai, impedindo os demais) e não polifônicas (dramático jogo de vozes que torna multidimensional a representação), baseando-se nos conceitos de lingüística do russo Mikhail Bakhlin.

“Anular a possibilidade da polifonia é anular o diálogo e a reconstrução possível de sentidos, fechando ao acesso ao que só poderia ser completado pelo leitor”.(RAMAL)

A conexão simultânea dos atores a uma mesma rede traz uma relação nova com os conceitos de contexto, espaço e temporalidade. Do horizonte do eterno retorno das narrativas e da linearidade das culturas letradas, passamos a uma percepção do tempo, mais do que como linhas, como pontos ou segmentos da imensa rede pela qual nos movimentamos.

A linearidade dará lugar ao hipertextual, ao móvel e flexível. É neste momento que apresentamos a estrutura do hipertexto como sendo a mediação para a produção de conhecimento implicando em novas formas de ler, escrever e aprender.

 

   
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