Santa Claus Is Comming To Town
Santa Claus Is Comming To Town
Por Mah&Giu
A sala era pequena e abafada. O calor de dentro contrastava com o frio de fora, mas não se importava com isso.
Seus olhos se encontravam fixos nas chamas que subiam pela lareira, fazendo do ambiente fechado um lugar totalmente confortável. A única coisa gelada ali era a cerveja que ele segurava, as vezes levando a boca e tomando um gole.
Pela sala, enfeites de natal. Uma árvore um pouco menor que o pé direito do apartamento estava no canto, iluminada com luzinhas hipnotizantes que brilhavam quando refletiam nas bolas. Por sua vez, as bolas foram colocadas com tanto cuidado para serem bem distribuídas e encherem o ambiente de uma forma alegre.
Na parte de dentro da porta de entrada, uma guirlanda totalmente feita em casa, e de total bom gosto.
A sacada do apartamento (que estava com a porta fechada) tinha luzes decorando a barra de proteção e um Papai Noel iluminado no canto, ao lado do vaso de plantas. E assim ia. Cada cômodo da casa tinha seus enfeites, combinando com os outros, como se quem tivesse arrumado realmente se importasse com isso. As luzes refletidas pareciam querer brincar com o carpete grosso e macio enquanto dançavam juntas pela parede.
E se importava. Para ele, Natal não era uma data normal. Era uma data mágica, e de enorme significado para ele. Não era simplesmente uma ocasião destinada a troca de presentes, ou a enorme ceia que todos esperavam ansiosamente. Não, para ele, o Natal nunca havia se limitado a isso; era algo a mais, algo em que valia a pena acreditar, que merecia os restos de esperança que existiam dentro dele. estava disposto a trazer de volta todas as lembranças boas que ele tinha, disposto a esquecer, pelo menos por uma noite, da situação lamentável em que se encontrava. Por uma noite, apenas.
Interrompendo o chiar da lareira, o telefone tocou do outro lado da sala. Insistente, como sempre, tocou até o ultimo suspiro. Quando ele percebeu que não seria atendido, rapidamente se silenciou. nem ouvido ele havia. Já estava adormecido, com a cabeça inteiramente torta na poltrona, e a cerveja caída para o lado, molhando todo o carpete.
- ! - Uma voz sussurrou urgente e repreendedora.
Ele levantou a cabeça, imediatamente arrumando a garrafa, agora vazia. Olhou devagar, abrindo os olhos aos poucos e pode reconhecer a forma que ele tanto amava. Ela estava ali.
- ? - Ele sussurrou em resposta.
- É, sou eu - ela disse, dando uma risadinha tímida. O som mais agradável que tinha ouvido nesses últimos dias - , amor, você está todo torto, vai descansar na cama... - disse, segurando nas mãos dele.
- Não - respondeu, assustado. Ele segurou os pulsos de , e encarava o rosto dela - Não, eu vou ficar aqui. Com você. Vou ficar assim, você não pode ir de novo...
- Mas eu nunca fui... eu estive sempre por perto, amor - disse, sorrindo o sorriso angelical de sempre.
- Eu sei - sussurrou, ainda segurando-a pelos pulsos - Mas você nunca esteve...tão perto.
- Você devia abrir seus olhos, de vez em quando.Você precisa encarar a realidade.
- A realidade dói - Ele disse, firme.
- Mas te deixa mais forte - disse, defendendo seu argumento.
- Eu não quero ser forte.. - disse, abaixando a cabeça.
- Pode pelo menos sentar corretamente na poltrona?
Ele se ajeitou na poltrona, ainda segurando os pulsos dela de forma que não a machucasse, mas não deixasse ela escapar. Trouxe ela para o seu lado, fazendo-a senta no braço do sofá.
- Oh, vejo que você fez uma sujeira aqui. - Ela disse, rindo novamente ao reparar o carpete encharcado.
- Faria de novo, se fosse para você ficar mais tempo.
- Você sabe que eu não posso. - Ela disse, encostando a cabeça em cima da dele.
- Por quê? - Ele implorou.
- Porque isso não te faz bem. E você também sabe disso.
- Você não quis me fazer bem quando desistiu. - Ele sussurrou entre os dentes, raivoso por um segundo.
- Oh, você não disse isso. Você sabe que eu não queria desistir. Você sabe que eu lutei tudo que pude. - Ela respondeu, se levantando. - Desculpe-me se não sou tão forte quanto deveria ser. Mas você também não é assim tão forte.
- Como você sabe? - disse, ainda tenso.
- No telefone, um convite para sair com seus amigos. No correio, milhares de cartões e nenhuma resposta sua. Você acha que isso é ser forte, ? - o fuzilou com o olhar, sua voz angelical uma nota mais firme.
Ele não respondeu, somente abaixou a cabeça.
- Como você acha que eu me sinto, vendo você assim. A quanto tempo voce não faz a barba? A quanto tempo você não respira as fresco ? Ou se alimenta decentemente? Isso tudo, ironicamente, esta me matando. Esta matando a você mesmo. Você não quer isso, quer?
Ele continuou com a cabeça baixa. Esticou a mão, e passou os dedos levemente pelos traços do rosto dela. O rosto que ele nunca esqueceria, que nunca saiu de sua mente por um segundo sequer.
- Tudo o que eu quero, e sempre quis, é você.
- E você sabe que tem. Eu sei que sabe. Mas por favor, por favor, eu te peço pra sair dessa. Se não fizer por você, faça por mim.
- Não me peça pra...
- Não estou pedindo pra você ignorar o que aconteceu - Ela disse, seriamente, prevendo oque ele falaria - Estou te pedindo pra ser maduro o suficiente, para não desistir, para seguir em frente.
- Eu não posso.
- Você pode. E vai. Eu vou estar esperando por você. Se um dia, você ainda me quiser.
- É claro que eu vou te querer. - Ele respondeu rapidamente. Ela não conteve o sorriso, acalmando novamente seus olhos.
- Você me deve um carpete novo. - Ela disse, mantendo o sorriso, e então sumiu.
A primeira reação de foi pular, olhando em volta para procurá-la. Não a achou, tudo que conseguiu foi meter o pé na poça de cerveja que o carpete continha. Ele olhou para baixo e sentiu um calafrio percorrer o corpo. Não era pela substancia gelada tocando o pé dele - era porque ele sabia que ela não havia partido.
Se agarrando nesse pensamento, ele caminhou até o quarto. Tomou um banho quente e colocou uma calça de moletom surrada, muito antiga. Ele se lembrava exatamente da última vez que havia utilizado-a. Era como se aquele dia fosse eterno, entrando na memória dele inconscientemente, dominando-o de uma forma inimaginável. Consumia- o por dentro, fazendo com que ele se reprimisse cada fez mais.
Mas agora, ele não podia fazer isso. Não por ele, mas por ela.
Deitado na cama, não sentia sono. Ainda estava atordoado com a presença de . Aquilo tudo podia não ter passado de um sonho, uma ilusão, uma alucinação criada por seu subconsciente, que dava a ele tudo oque ele necessitava.
Mas e se tivesse sido mesmo real? E se ela realmente tivesse voltado. Voltado para ele. Muito distante, ele pode ouvir a voz serena novamente, como um sussurro, dentro da cabeça dele ''Isso depende exclusivamente de você", a voz macia disse. Era como se ela estivesse viva, em um lugar onde era apenas uma memória.
E depois disso, mais do que nunca, acreditava no Natal. Ele tinha trazido-a de volta, não importa como, mas ele pode senti-la novamente. Esquecendo do lado racional, adormeceu, com as mais vivas lembranças que ele tinha dela. As lembranças que alguém, por algum motivo, trouxe de volta para ele. Exatamente na noite de Papai Noel.
Fim
n/a Mah: ownn, acabou i.i Obrigada a TOOODOS os comentários, tiop, foram MUITOS posts desde o primeiro dia. Foi maravilhoso escrever e postar, e eu quero que logo venham mais nessa parceria. vocês são as melhores, e espero que tenham gostado. Porque eu gostei /apanha (L)
n/a Giu: ACABOU, é triste. eu adorei o final q *-* enfim, essa fic foi linda, e muuuuito especial, minha primeira com a mah, EU SEI, podem me invejar. Enfim, obrigada pelos posts, up's e elogios, agente agradece *-* uma short com um topico tao grande, own *-* OK, parei. Boas férias, feliz natal ♥
Leia aqui, a fic Sk8er Malicious, da Mah.
E aqui, Our Dirty Little Secret, da Giu.