MARCO AURÉLIO

Marco Aurélio Antonino nasceu em 121 e morreu em 180. Pertenceu a uma família de aristocratas e muito cedo perdeu os pais. Foi então adotado pelo tio Aurélio Antonino que mais tarde tornou-se imperador, nomeando-o seu sucessor. Aos onze anos conheceu o estoicismo e adotou hábitos de vida austera. Após os anos de sua formação passou a colaborar intimamente com o imperador, seu pai adotivo, ocupando o cargo de cônsul por três vezes. Em 161, Aurélio Antonino morre e Marco Aurélio torna-se imperador. O governo de Marco Aurélio, que se estendeu por quase vinte anos (até sua morte), foi perturbado por guerras sangrentas e prolongadas, com as conseqüentes dificuldades internas. Ele conseguiu enfrentar todas as dificuldades, tendo sido excelente guerreiro e administrador e, ao mesmo tempo, humanizando profundamente o exercício do poder. Nos poucos momentos que permitiam os encargos de governo, recolhia-se à reflexão filosófica e escrevia seus pensamentos em língua grega. Com isso, tornou-se o terceiro e último expoente do estoicismo romano. O conteúdo de suas Meditações (como ficaram conhecidos posteriormente seus pensamentos), é a filosofia estóica, mas um estoicismo distante das doutrinas de Zenão. As especulações físicas e lógicas cedem lugar ao caráter prático dos romanos e ao aconselhamento moral. Em Marco Aurélio, como também nas máximas de Epicteto, a questão central da filosofia é o problema de como se deve encarar a vida para que se possa viver bem. Esse problema é tratado com grande esforço e interesse por Marco Aurélio, homem religioso e pouco interessado na investigação científica. Em seus pensamentos, são bem visíveis as tendências ecléticas. Ele não hesita em acolher posições de sabedoria que vêm até mesmo de Epicuro. Mas, uma das características que mais impressiona o leitor de suas Meditações, é a insistência com a qual é tematizada e afirmada a "caducidade" das coisas. Eis uma passagem que ilustra esse pensamento: "Quão rapidamente, num segundo, desvanecem todas as coisas, os corpos no espaço, e a memória desses no tempo! E o que são todas as coisas sensíveis e, especialmente, as que nos seduzem com a voluptuosidade ou nos amedrontam com a dor ou são exaltadas pelos homens! Quão vis são, desprezíveis, horríveis, corrompidas, mortas!". Marco Aurélio também rompe com o antigo Pórtico, quando distingue no homem: o corpo, que é carne, a alma, que é sopro ou pneuma (ar) e, superior à própria alma, o intelecto ou mente. Enquanto o antigo Pórtico identificava o princípio dirigente do homem com a parte mais elevada da alma, Marco Aurélio o põe fora da alma e o identifica com o intelecto. Por essa razão, o estoicismo de Marco Aurélio freqüentemente apresenta discrepância em relação às suas origens gregas. Por certo, a verdadeira chave para a compreensão das oscilações de Marco Aurélio deve ser procurada menos em suas características psicológicas do que nas circunstâncias históricas em que viveu. Embora sua colaboração tenha sido de grande importância, ele não chegou a ser um pensador original.
Pensamentos
Os homens existem uns para os outros; logo, ou instrua-os ou suporta-os.
Penetre na razão de cada um e deixe também que cada um penetre na tua razão.
O melhor modo de nos vingarmos é não nos assemelharmos a quem nos faz mal.
O que não é bom para o enxame não é bom para a abelha.
Hoje saí de todas as dificuldades; ou melhor, expulsei todas as dificuldades, pois elas não estavam no exterior, mas no interior, em minhas opiniões.
Apagar o que vem da imaginação; reprimir os impulsos; eliminar os apetites; ater-se por si mesmo à razão.
Quem ama a fama faz sua felicidade depender dos outros; quem ama o prazer, de suas próprias sensações; quem é inteligente, de seus próprios atos.
Que as coisas futuras não te preocupem. Chegarás a elas, se tiver de ser assim, levando a mesma razão que agora usas para as coisas presentes
Não juntar-se aos outros nas lamentações nem nas emoções violentas.
Explora-te por dentro. É dentro que está a fonte do bem e ela pode jorrar sempre, se a explorares sempre.
Homem nenhum te impedirá de viver segundo a razão de tua natureza; nada te acontecerá contra a razão da natureza universal.
Procuro a verdade, pela qual nenhum homem jamais foi ferido.
Mantenha-se simples, bom, puro, sério, livre de afetação, amigo da justiça, temente aos deuses, gentil, apaixonado, vigoroso em todas as suas atitudes. Lute para viver como a filosofia gostaria que vivesse. Reverencie os deuses e ajude os homens. A vida é curta.
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