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Deu na BBC: "Empresa do Jap�o cria m�quina que faz sonhar o que se quer".
Fico atento � relevante mat�ria. Afinal, qualquer ser humano tem sonhos. Especialmente os que moram em casas populares, v�o trabalhar � bordo de um Corcel 76 e torcem pelo Corinthians. Lamento com os meus bot�es que tia Dolores - pobre dela - n�o tenha vivido o suficiente para zombar dessa not�cia. Conforme a reportagem, a m�quina de sonhar � relativamente simples. O usu�rio olha para uma foto daquilo que pretende apreciar quando estiver entregue aos bra�os de Morfeu - acrescento: a Daniele Winits, por exemplo. Mas se voc� prefere o Stalone, tudo bem, o engenho n�o discrimina op��es pessoais porque j� nasceu na gera��o do "politicamente correto". O segundo passo � criar um roteiro da hist�ria on�rica e grav�-la no Yumemi Kobo, ou: "oficina dos sonhos". A mat�ria n�o explica se � poss�vel terceirizar a grava��o a fim de obter-se resultados, digamos, mais profissionais. Uma narra��o do William Bonner poderia dar mais realidade aos fatos, enquanto uma locu��o da Sandy forneceria um tom primaveril �s quimeras dos usu�rios. J� a voz da sogra ou do chefe atenderia aos apelos dos masoquistas e assim por diante. Volto a recordar a esperan�osa tia Dolores quase aos setentinha com um calend�rio de Santo Antonio sob o travesseiro. O artigo esclarece ainda que o processo tecnol�gico utiliza a combina��o de grava��es, luzes e odores a fim de direcionar os sonhos durante os per�odos do sono conhecidos como "REM", quando os olhos apresentam movimentos r�pidos. Todos sabem - porque a TV j� exibiu isso mil vezes - que o sonho est� mais propenso a ocorrer nessa fase. Tia Dolores, ex�mia dormideira n�o entendia nada de "REM" nem de Yumemi Kobo. Menos ainda compreendia as luzes son�feras e as fragr�ncias direcionais. Por�m, a figurinha de Santo Antonio sob o travesseiro de todas as noites nunca lhe privou dos melhores aug�rios. Atrav�s das madrugadas, usou e abusou dos devaneios sentimentais. Casou-se muitas vezes e com quem quis: Rodolpho Valentino, Clark Gable, Walter Foster, Carlos Gardel, Gregory Peck e at� Frank Sinatra. Mas fazia quest�o de afirmar: "Isso foi s� depois que o tio Astolfo finou!" Certamente, em estando ela neste mundo, jamais acreditasse que uma m�quina japonesa pudesse sobrepujar os poderes de Santo Antonio - casamenteiro da melhor cepa. C�mplice das solteironas empedernidas e vi�vas solit�rias. Contudo, seguramente, faria uma daquelas suas observa��es impag�veis: "Essa coisa pode at� funcionar l� na terra deles, onde n�o h� Santo Antoninho!" E depois, com a m�ozinha vacilante em concha diante da boca, tornaria como quem segreda: "Muita mulher bem casada vai gastar dinheiro com essa porcaria!" Ent�o, faria uma longa pausa - bem a seu feitio - mirando um ponto infinito al�m da janela para s� depois murmurar a si mesma, como um esmaecido eco do pr�prio pensamento: "� at� capaz de dar choque!" O fato � que a m�quina j� est� inventada e restam apenas alguns ajustes finais, conforme divulgou a Takara, empresa produtora da "Oficina dos Sonhos". A�, a saudosa tia Dolores ainda leva vantagem: a figurinha do padroeiro h� muito est� pronta, foi testada e aprovada milhares de vezes. Outra observa��o cruel, por�m necess�ria � o confronto de pre�os. Enquanto o santinho impresso a cores no papel custa apenas alguns centavos, a m�quina, sem d�vida, deve ter o seu valor baseado no pr�prio nome da f�brica. Ou seja, voc� discute o pre�o ao vendedor e ele, meio sem jeito, admite: "�... Takara". � claro que ningu�m tem que acreditar assim, sem mais nem menos, na devo��o exacerbada da boa e velha tia Dolores, mas pelo sim, pelo n�o, eu j� comprei sete santinhos. Se der certo vou ter uma semana daquelas por apenas 1 Real. A Playboy que se cuide. |
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