REPORTAGENS
UMA VOZ NA NOITE, SÓ PARA QUEM QUER OUVIR GERALDO CUNHA
JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO – 10/11/1973
Depois de firmar-se como um dos melhores cantores da noite paulista, Geraldo Cunha realiza aquele que é o sonho da maioria dos seus colegas: ter sua própria boate.

De tocador de cavaquinho elétrico, na Bahia, a cantor intimista dos mais conhecidos da noite paulista, foi uma grande mudança na carreira de Geraldo Cunha. Uma mudança que ele não esperava: pretendia ser um concertista de violão. Como não deu, vai cantando as suas músicas em duas etapas. Na primeira parte da noite (das 20h às 23 h), canta no Paddock (Av. São Luís, 258) Depois, até às 6h da manhã, está em sua casa, o Terceiro Whisky, “um lugar de relax na rua do samba”, a Santo Antonio, 573.

Apesar de ter a sua própria casa de música, Geraldo não pretende parar com outras atividades. “Cantando no Paddock, eu promovo mais a minha casa, que ainda é nova, foi inaugurada dia 18 de outubro. Mas o verdadeiro motivo é que eu gosto demais de lá. Só saio se não der para continuar”.
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Depois de 14 anos de São Paulo, esse baiano descoberto por Agostinho dos Santos, realizou o grande sonho de todo cantor de noite: ter um lugar certo para cantar, a sua própria casa.

Depois de firmar-se como um dos melhores cantores da noite paulista, Geraldo Cunha realiza aquele que é o sonho da maioria dos seus colegas: ter sua própria boate.

De tocador de cavaquinho elétrico, na Bahia, a cantor intimista dos mais conhecidos da noite paulista, foi uma grande mudança na carreira de Geraldo Cunha. Uma mudança que ele não esperava: pretendia ser um concertista de violão. Como não deu, vai cantando as suas músicas em duas etapas. Na primeira parte da noite (das 20h às 23 h), canta no Paddock (Av. São Luís, 258) Depois, até às 6h da manhã, está em sua casa, o Terceiro Whisky, “um lugar de relax na rua do samba”, a Santo Antonio, 573.

Apesar de ter a sua própria casa de música, Geraldo não pretende parar com outras atividades. “Cantando no Paddock, eu promovo mais a minha casa, que ainda é nova, foi inaugurada dia 18 de outubro. Mas o verdadeiro motivo é que eu gosto demais de lá. Só saio se não der para continuar”. Depois de 14 anos de São Paulo, esse baiano descoberto por Agostinho dos Santos, realizou o grande sonho de todo cantor de noite: ter um lugar certo para cantar, a sua própria casa.

O Terceiro Whisky é a segunda que ele monta. A primeira foi o “Bar Bossinha”, que não deu certo. “O bar ficava no segundo andar da Galeria Metrópole e o pessoal tinha que subir dois lances de escada. Não havia indicações, embaixo, sobre o bar, que a administração da galeria não deixava colocar. Mas não deu certo principalmente porque fui roubado. Eu era sozinho e os garçons tomavam conta. Não havia controle do caixa e os garçons ganhavam mais do que eu. Mesmo assim foi uma fase muito boa porque eu apresentei o Gilberto Gil cantando profissionalmente pela primeira vez em São Paulo. E todo o grupo baiano freqüentava a minha casa”.

Valeu como experiência, e Geraldo Cunha decidiu abrir a segunda casa por que agora tem quem tome conta: sua esposa Rose, que além de cuidar de toda a parte administrativa, também é uma das cantoras do Terceiro Whisky. O bar também foi solução por ter uma vida em comum com sua mulher. “Cantor da noite é um marginal, não pode se dedicar à família, quando tem. Agora, eu e Rose trabalhamos no mesmo horário e estamos sempre juntos”. Mesmo que isso não acontecesse, Geraldo diz que não troca à noite por nada, nem pela televisão ou pelo disco: “na noite, tenho condições de mostrar melhor o que eu sou, um cantor intimista. Além do mais, todos os amigos que conheci na noite eu não vou abandoná-los”.

Geraldo Cunha já cantou nas casas mais importantes de São Paulo. Conheceu a fase áurea do João Sebastião Bar, que não era “ideal pro meu estilo intimista”, e do Jogral, onde foi acompanhado, numa noite, pelo piano de Oscar Peterson. O passado, para ele, é coisa que não conta. O que importa é o presente e “está sendo muito legal”.
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