REPORTAGENS
ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO NASCIA UM ARTISTA
JORNAL FIM DE SEMANA/SP – 27/04/1979
"Um dia peguei um violão e comecei a tocar por brincadeira; no final com 14. anos tornava-me um profissional tocando no Trio Elétrico em todas as festas de Salvador"

Assim começou a carreira de Geraldo Cunha, que há 20 anos está em São Paulo mostrando todo seu talento.

A primeira grande oportunidade surgiu com o convite do Chacrinha para uma participação no seu Programa do Rio, e lá tez amizade com os grandes nomes da música Popular Brasileira, como Tom Jobim Vinícius de Morais, Sílvia Telles, Luiz Bonfá, Baden Powell e outros.
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Um outro fato que merece destaque é a sua Participação no programa Parada de Sucesso da Rádio Mauá, onde defendia a música "Felicidade" de João Gilberto. 

No ano de 1959 veio finalmente para São Paulo, onde acertaria uma gravação pela Chantecler Tudo deu certo e no início de 1960 gravava um compacto que lhe trouxe muito sucesso, com "O menino Desce o Morro" da Vera Brasil e do outro lado "Esperança" de Geraldo Cunha e Laércio Vieira.

"Depois desse disco, outra oportunidade surgiu, mas o disco não aconteceu e eu parei de gravar, pois havia decidido manter uma linha musical entre a bossa-nova e a moderna e senti que não existia público para isso” fala Geraldo, “mas em 1964 as coisas começaram a mudar — abri o meu primeiro bar -- O Terraço — na rua Augusta, em sociedade com Roberto Neslinger e voltei a gravar, dois compactos e um LP com músicas minhas onde foi incluído o Rancho dos Namorados de Ary Barroso e Vinícius de Moraes".

No Bar Bossinha - onde além de proprietário, era a atração com seu violão e voz. Novos amigos foram feitos, Caetano Veloso, Edu Lobo, Marília Medalha, Torquato Neto, Chico Buarque, Geraldo Vandré e Milton Nascimento, que faziam do local o ponto de encontro. "Até Gilberto Gil trabalhou no Bossinha". Depois o bar fechou e eu fui trabalhar no Fuga - junto ao Teatro Maria Della Costa, no Jogral e na Casa Forte, que era de sua propriedade e onde Vando cantou pela primeira vez profissionalmente. Montou então o III Whisky - casa dedicada exclusivamente à boa MPB, vendeu-a, e até pouco tempo atrás ainda trabalhava lá.

De 1971 a 1979 era a atração do restaurante Paddock, juntamente com mais algumas casas. Hoje, diz ele, parei com tudo e estou somente no restaurante O Profeta Jardim, feliz, pois já tenho um público definido e sou multo prestigiado pelas várias gerações, além de dar aulas particulares de violão, que deixou de ser necessidade, mas sim uma mania, mania gostosa.

O papo é muito agradável, e ele aproveita agora para talar de suas dificuldades. "Quando em 59 em vim para São Paulo, não existia cantor de voz pequena como a minha e a música que mais influenciava o pessoal era a estrangeira, tanto que só trabalhavam na noite cantores paraguaios, uruguaios, argentinos e norte-americanos. Como eu tinha um outro estilo foi muito difícil. Fui contratado ainda para ser o acompanhante de Maísa e durante três anos trabalhamos juntos. É uma época inesquecível".

A próxima realização será a gravação de um compacto e LP na GTA com músicas suas e de Enéas Machado de Assis, no estilo romântico. Enquanto isso, apresenta-se diariamente no restaurante O Profeta (Jardim).
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