O CREPÚSCULO DOS SUPER-HERÓIS


OS "DIREITOS AUTORAIS" DA DC

Neste ponto, quero esclarecer que estas são transcrições do texto feito pelo autor do site original. De acordo com estes textos, ele ousou pressionar a poderosa DC em busca de respostas sobre a propriedade da proposta. Infelizmente, como são informações antigas e muita água já passou debaixo da ponte, agora nós, leitores brasileiros, apenas podemos descobrir a verdade e nos indignarmos com a imposição dos interesses de grandes corporações, em particular as do quadrinhos, que exploram tantos os verdadeiros criadores de seus universos quanto subestimam seus leitores.

 

22 de março de 1998

Eu ainda estou adquirindo muitos pedidos para a proposta. Dê uma olhada na rede; vá para o Deja News e procure por isto, você achará pelo menos algumas pessoas que a têm, mas que não foram tão públicos em sua oposição às declarações da DC.

Como foi dito antes, a DC registrou os direitos autorais; embora eu acredite que é uma inscrição nula, eu não sou o autor. Eu passaria por tempos difíceis contestando isto no tribunal, já que eu não escrevi a coisa. Eu informei ao Escritório de Proteção dos Direitos Autorais que acho que a declaração dos direitos autorais da DC é inválida e que a pessoa que acredito ser o verdadeiro dono dos direitos autorais é na verdade um residente da Inglaterra.

No entanto, o fato é que, mesmo se Moore estivesse nos Estados Unidos, ele não teria muito o que ganhar competindo pelos direitos autorais. A DC está declarando direitos autorais sobre uma proposta. Eles estão declarando direitos autorais em uma instancia bastante inútil de uma idéia. Até mesmo se Moore fosse prosseguir e usar esta idéia com personagens de sua autoria, ele não estaria publicando a proposta, ele estaria publicando uma história inteira. A proteção de direitos autorais cobre apenas uma única instancia da idéia, não todas as instancias da idéia.

Assim você poderia estar se perguntando o que a DC sai ganhando com suas ações, se eles não estão impedindo ninguém de publicar histórias semelhantes. Minha suposição é que eles estão constrangidos em ter dado mancada no passado, após ter alienado Moore dos direitos de sua obra, mas isso é apenas uma suposição.

Em todo caso, se você quer uma cópia da proposta, você tem vários escolhas:

  • Ache alguém na rede que a possui;

  • Tente pedí-la à DC;

  • Entre na Biblioteca de Congresso, em Washington, e procure por ela.


9 de fevereiro de 1998

Ei, vocês! Recebi uma carta pelo correio da DC hoje. Nem imagino o que os levaram a ir tão longe: especialmente que achem que a prova que eles de fato possuem o direito autorais (tal prova eu estou cada vez mais seguro de que não existe), eles na verdade enviaram a proposta para o escritório protetor dos direitos autorais norte-americano em seu nome... dez anos depois que fosse criado. Moralmente, isto não significa nada, é claro: qualquer um poderia fazer isso. Você poderia postar a mais recente história do Super-homem para o escritório protetor dos direitos autorais em seu nome e eles provavelmente apenas carimbariam isto e o arquivariam, e tudo seria peixe pequeno até que DC descobrisse e deixasse os federais saberem. Neste ponto, você seria condenado em uns $2.500 (na última vez que eu conferi) de multa. Que é uma quantia grande para você mas provavelmente bem pequena para DC.

Infelizmente, a única pessoa que realmente poderia competir pela proposta é Alan Moore, e ele está lá fora, na Inglaterra. Assim a Proposta do Crepúsculo é extra-oficial, pelo menos neste site, indefinidamente. Eu não prevejo nenhum modo razoável para mim em desafiá-los. (Por outro lado, a menos que eles na verdade tenham prova que este foi um trabalho encomendado, Alan Moore poderia tê-los de calças na mão.)


Natal de 1998

Passaram-se mais de seis meses desde que o advogado de DC tinha prometido a prova de propriedade dos direitos autorais “dentro de algumas semanas”. Eu tive que admitir que ou eles descobriram que não a possuem ou sabem disto desde o princípio. O que quer que seja, as páginas estão agora novamente disponíveis por inteiro.


Verão de 1999

Bem, depois de (ainda) outro mês de espera, eu reabilitei a proposta do Crepúsculo de Moore na Rede. Mais de um mês atrás, o advogado de DC prometeu a prova de propriedade dos direitos autorais "dentro de algumas semanas". Ela ainda não chegou. Então, posso presumir que Moore ainda é dono dos direitos autorais da apresentação da proposta.

Imagino que eles ainda não registraram os direitos autorais.

Porém, a proposta só estará disponível durante as horas de trabalho padronizadas, na costa Leste: entre 9:00 e 17:00. Estará, assim, apenas disponível durante as horas em que os advogados de DC possam apresentar provas que os direitos autorais foram de fato transferidos.

Recapitulando: A proposta de Crepúsculo está esporadicamente indisponível neste site: As reivindicações dos advogados da DC de que eles (a) comissionaram o trabalho de Alan Moore, (b) compraram o trabalho de Alan Moore, e que (c) isto significa que eles possuem os direitos autorais. Eles ainda têm que prover qualquer documentação, mesmo que eles tenham oficialmente registrado os seus direitos autorais; eles parecem estar usando táticas de atraso por alguma razão desconhecida; cada promessa de apresentação de prova deixa de ser cumprida. Se a DC mostrar que é proprietária deste trabalho, será removido permanentemente qualquer reinvidicação, é claro. Mas até que tal prova apareça, só posso assumir que o trabalho ainda pertence ao seu autor.

Eu voltarei a isso mais tarde, sem levar em consideração de como o assunto dos direitos autorais ainda permanece de molho. O Crepúsculo proposto por Moore teria fechado com chave de ouro a trilogia que ele começou com V de Vingança e continuou com Watchmen. Eu vou dar uma olhada nisso, e no caminho eu também os informarei sobre os personagens propostos e enredo do Crepúsculo. Enquanto isso, a DC extraordinariamente não cooperou com nada, assim a coisa toda provavelmente retornará logo e permanentemente, em âmbito oficial. Que Alan Moore escreveu está claro; que ele tenha transferido os direitos autorais é improvável, o que pode explicar a relutância da DC para agir e providenciar evidências, ou registrar os direitos autorais. Ambos seriam ilegais, afinal de contas, se eles não possuem a proposta de fato. Isso nós veremos.


Ok, pessoal do Brasil. Agora vamos nós. Vocês não acharam nenhuma semelhança com qualquer coisa que a DC tenha publicado nos últimos tempos? Pensem bem. Perceberam?

Pois é...

A proposta lembra muito a aclamada série REINO DO AMANHÃ. Aqui estão algumas semelhanças: divisão em facções dos heróis do universo DC; as manipulações às escondidas de vilões e heróis aparentemente traidores; a distanciação do Super-homem e demais super-heróis poderosos do gênero humano; os segredos e surpresas sobre a verdadeira condição do Capitão Marvel; o confronto entre dois dos mais poderosos personagens da DC; a rixa do Asa Noturna com o Batman e a carência que a ausência da Estelar provocou nele; os filhos dos heróis; um personagem neutro tentando consertar as coisas; Batman liderando os heróis sem poderes. Estas são alguns dos muitos pontos semelhantes entre elas. Se você observar bem, encontrará muitos outros.

É claro que o Reino do Amanhã é uma excelente história, bem acima da média, e que todo mundo, inclusive eu, gostou dela. Porém, depois de tudo o que se viu aqui, podemos supor que: (a) Alex Ross, um ilustrador de sucesso e assumido fã de Moore, ou viu a proposta na Internet ou mais provavelmente a encontrou após chafurdar os arquivos da DC e decidiu usá-la como referência para fazer uma história de sua autoria; (b) Mark Waid, um dos poucos escritores americanos que realmente sabem escrever boas HQ’s, após ser indicado para dar sentido ao emaranhado de idéias de Ross, teve acesso a proposta, adaptando algumas das idéias contidas nela (até porque ele próprio admitiu tê-la lido).

Outra curiosidade é o trecho que fala do Tio Sam, muito parecida com a minissérie ilustrada por Ross.

É Claro que isso é apenas uma suposição, já que não há provas concretas que a validem. No entanto, não é muito difícil imaginar Alan Moore como um mentor intelectual indireto dos conceitos expostos no Reino do Amanhã. Se isto for verdade, nem a DC, aproveitando uma lasquinha do sucesso de uma estrela em ascensão como Alex Ross nem os próprios autores do Reino do Amanhã tentaram atribui de onde partiu a idéia de publicar a série ou reconhecer a contribuição (mesmo que involuntária) de Moore.

E, para os fãs dos quadrinhos, fica o fato de que, devido a esta e outras safadezas que a DC Comics fez com o melhor escritor de HQ de todos os tempos, nós, os leitores dos bons quadrinhos, ficamos privados daquela que poderiam ter uma das melhores séries existentes, assim como também nunca vamos ver a minissérie do Bizarro, ou a edição one-short dos Minutemen, nem as histórias impressionantes dos Contos do Cargueiro Negro, nem mais história alguma feita por Alan Moore para a DC.

 

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