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Duvidas, Perguntas e Respostas sobre Fora de Estrada e 4x4

O que � cambio sincronizado e n�o-sincronizado ?
Boa tarde ALL.
Durante o almo�o estava lendo uma materia sobre um carro antigo que falava sobre seu c�mbio com marchas n�o sincronizadas. A� me toquei que j� li isso "trocentas" vezes e nunca parei para perguntar o que � isso? Sincronizadas, n�o sincronizadas.... Quais tipos de c�mbios/marchas existem? Qual a evolu��o disso no tempo?
Hoje aqui em Sampa est� frio, nublado....�timo para ficar no balc�o do Bar do Sukys ouvindo as li��es de nossos ilustres frequentadores. A primeira rodada � por minha conta.
[]s
Silvio Duarte
NIVA 91/92 - Teimoso
Vinhedo/SP

Silvio,
N�o vou entrar em mirabolantes explica��es t�cnicas, at� porque n�o tenho compet�ncia para tal, mas simplificando a coisa eu poderia dizer que para o motorista os sincronizadores (aneis de sincroniza��o) s�o auxiliares da embreagem na troca de marchas. Voc� j� passou marchas no tempo? Mesmo que n�o tenha passado sabe que se trata da troca de marchas sem uso de embreagem. � preciso um bom ouvido e alguma intimidade com o ve�culo para se trocar uma marcha no tempo com sucesso, ou seja sem quebrar nem danificar engrenagens da caixa. E por que no tempo? Porque de uma marcha para a outra h� uma eleva��o ou queda na rota��o quando se troca de marcha. Assim de 1� p/2� a rota��o cai. Se vc est� sem embreagem e n�o pode ficar parado onde est�, o que faz? Engata uma primeira roda o arranque e com um pequeno solavanco o carro sai. Vc estica ligeiramente a marcha e puxa a alavanca p/ponto morto e de ouvido atento � queda de rota��o puxa p/a segunda na hora que acha certa. Se estiver mesmo certa, a marcha entra igual faca quente na manteiga, caso contr�rio CRUNCH!! E assim sucessivamente para as outras marchas. A�, l� vai vc feliz, rodando em quarta (sem embreagem ainda) e o carro da frente vai diminuindo a marcha at� que o seu n�o aguenta mais a quarta. Que faz vc? Tapa na alavanca p/ponto morto, pisadinha no acelerador para levantar a rota��o e naquele m�gico momento da rota��o da terceita empurra a alavanca para mais um cloc ou um CRUNCH !! Nada mais excitante. Se todo mundo soubesse trocar marchas certinho no tempo e n�o fosse t�o caro consertar os �rros, n�o precisariamos de embreagens nem sincronizadores (uma desacopla o prim�rio do movimento do motor e os outros param a engrenagem para o perfeito acoplamento, sem necessidade de esperar o tempo certo).
Por favor, professores, qualquer barbaridade corrijam impiedosamente!! Mas prosseguindo a palestra  de ignorante para ignorante " quero acrescentar que ao contr�rio do dilema do �vo e da galinha, quem nasceu primeiro nesse caso foi a embreagem que mesmo desacoplando o motor da caixa n�o impedia que m�os mais insens�veis, ao tracionar a alavanca para a troca de marchas acabassem produzindo uma sinfonia de sons �speros e desagrad�veis conhecidos como ARRANHADA com rea��es do tipo: - Barbeiro(a)!! A� � samba, a marcha � mais embaixo!! e por a� afora...
Dessa forma, para m�os e ouvidos insens�veis, engenheiros mec�nicos produziram essa maravilhosa melhoria que s�o os sincronizadores. Tal avan�o da modernidade permitiu que m�os mais acostumadas com detergentes, cabos de panelas, agulhas, alfinetes e outros instrumentos diferentes da fina arte do volante, empunhassem uma alavanca de marchas sem m�do e fizessem trocas de marchas, desde que n�o esquecessem da sincroniza��o do pedal da esquerda com a m�o direita.
As queridas motoristas que me perdoem mas n�o resist�: p.a.a.m.n.p.a.p.!!!
Alvaro Melo/RJ

Silvio,
J� que ningu�m se habilitou, senta que l� vem ab�brinha! :-)
O termo c�mbio sincronizado significa que as marchas do c�mbio possuem an�is de sincronismo. Entendeu? N�o? Ent�o vou tentar de novo...
Aproveitando as tampinhas de duas garrafas de cerva tipo Long Neck (que saem sem entortar), vamos fazer um furo bem no centro delas e encaixar um canudinho de pl�stico. Palito de dentes tamb�m serve. Montamos, assim, dois conjuntos de eixo (palito) e engrenagem (dentes da tampinha).
Segurando um dos eixos...ops...palito, com os dedos, � f�cil fazer a engrenagem ficar girando, e vamos manter esta engrenagem em movimento. Com a outra m�o, vamos aproximar o outro eixo, girando em sentido oposto, e tentar fazer um engate entre os dentes. Muito provavelmente a velocidade dos eixos � diferente, e a tentativa de acoplar as engrenagens vai destruir o brinquedinho, j� que n�o houve sincronismo no engate. Com um dos eixos parado e o outro em movimento a tentativa de engate fica praticamente imposs�vel.
No interior do c�mbio ocorre exatamente o mesmo. As engrenagens tem que estar na mesma velocidade para que ocorra o acoplamento, caso contr�rio voa dente pr� todo lado!
Agora vamos sofisticar nosso c�mbio et�lico. Vamos precisar de mais uma tampinha e de uns dois vedadores de tampa (aqueles pl�sticos que substitu�ram a corti�a no interior das tampinhas). Tanto nesta tampinha como nos vedadores vamos fazer um furo maior que o di�metro do eixo. Desta forma, fica f�cil encaixar os vedadores sobre a tampinha que j� est� solid�ria ao eixo, e em seguida colocar a outra tampinha sobre o conjunto. Com esta montagem, a segunda tampinha (que vamos chama-la de sincronizadora) fica ligeiramente distante da primeira e podemos gira-la livremente.
Temos ent�o um conjunto de eixo e engrenagem normal (vamos chamar de eixo carretel) e outro equipado com engrenagem (ou anel) de sincronismo (eixo piloto).
C�mbio montado, vamos manter o carretel em movimento e o piloto parado. Aproximando as engrenagens, os dentes do carretel v�o tocar inicialmente nos dentes do anel de sincronismo. Como este anel gira livremente e a lateral dos dentes � facetada, o engate ocorre sem maiores problemas e o anel de sincronismo passa a girar na mesma velocidade do eixo carretel continuando, todavia, o eixo piloto parado. Como os dentes do anel de sincronismo s�o facetados (inclinados), o movimento do anel de sincronismo aumenta o atrito com os espa�adores, que por sua vez acabam transferindo o movimento para o eixo piloto. Passados alguns instantes, o eixo piloto passa a girar na mesma velocidade do eixo carretel, permitindo que os dentes da engrenagem do carretel se desloquem sobre os dentes do piloto, completando o engate sem problemas.
Simplificadamente, o eixo carretel est� solid�rio ao card� e o eixo piloto a embreagem. Marcha engatada e ve�culo em movimento, os dois eixos est�o em movimento sincronizado. Pisa-se na embreagem, desengata-se a marcha. O carretel mant�m a rota��o (uma vez que est� solid�rio ao card�) mas o carretel vai diminuindo de rota��o, j� que n�o tem mais um acoplamento direto com o volante do motor. Ao engatar uma outra marcha, o carretel entra primeiro em contato com o anel sincronizador e este, por acoplamento viscoso (o �leo do c�mbio em substitui��o aos vedadores de tampinha), aos poucos transfere o movimento do eixo carretel para o piloto, sincronizando a rota��o e permitindo o engate das engrenagens. Acoplamento feito, � s� tirar o p� da embreagem e transferir o torque do motor para o pneu.
Agora fica f�cil entender porque nos ve�culos antigos a primeira marcha e a r� n�o tinham sincronizadores, j� que s�o marchas em que o engate normalmente � feito com o ve�culo parado.
Se voc� ainda n�o entendeu pr� que servem os sincronizadores do c�mbio, n�o tem problema, vamos come�ar tudo de novo. Mas como a esta altura do campeonato o metanol come�ou a fazer efeito, vamos usar rolhas de garrafa, assim n�o corremos o risco de estragar os dentes das tampinhas! :-)
Abra�os,
Sukys

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