| Calendário do Futebol Reúno aqui uma compilação de mais três artigos da série "Acertando as Contas", todos dizendo respeito ao mesmo assunto: calendário. Como visto no quinto artigo, o autor não concorda com a disposição dos jogos pelo decorrer do ano em parte nenhuma do mundo. E propõe aqui soluções para este problema. Note, mais uma vez, que as copas regionais e a Copa dos Campeões não haviam sido abolidas ainda, já que estes documentos datam de 2001: |
| "Apesar da Copa dos Campeões ter acabado de degolar metade de seus participantes e da iminência de a Copa América passar a ser sediada no Brasil, o grande assunto da semana é, sem dúvida, o calendário quadrienal divulgado pelos 'notáveis' do pool CBF / Clube dos 13 / Rede Globo / Ministério dos Esportes. Dificilmente esse famoso calendário instaurará a estrutura dos sonhos de ao menos um torcedor brasileiro. A estrutura que espera o futebol brasileiro dos próximos anos conserva uma série de vícios dos quais o futebol brasileiro tem tiso extrema dificuldade em abandonar. Um desses vícios (talvez o principal) é o fato de não ter se baseado 100% na lógica e no bom senso, mas 99% nos intere$$es das emissoras de TV e dos chamados clubes grandes. Como construir um bom calendário Inicialmente, a primeira atitude a ser tomada seria uma centralização/unificação de poderes. Ninguém discute que um dos maiores problemas do futebol brasileiro é o calendário abarrotado de competições. E parte desse abarrotamento se deve à existência de muitos 'caciques' (Clube dos 13, CBF, federações estaduais, Traffic, Confederação Sul-Americana) querendo organizar cada qual o seu campeonato e montando cada qual a sua tabela sem se importar com as super-posições. Por esse motivo, urge a existência de um único 'cacique', ou 'imperador', ao qual caberia a organização de TODOS os campeonatos profissionais realizados em solo brasileiro. Aparentemente, o novo calendário atende a essa necessidade, centralizando a organização dos campeonatos nas mãos da CBF. Da mesma forma, o calendário mundial sofre com os eternos braços-de-ferro disputados entre FIFA, UEFA, G-14 (para quem não conhece, o G-14 é o 'Clube dos 13' da Europa) e Federações Continentais. Pelo mesmo motivo do parágrafo anterior, o presidente da FIFA deveria se converter em um 'imperador mundial', organizando TODOS os campeonatos profissionais de nível continental, inter-continental e mundial do planeta. Raciocinando com a lógica e perguntando-se qual a finalidade do futebol e dos campeonatos, não é difícil determinar quais campeonatos devem ser extirpados do calendário, quais devem permanecer e como essas competições remanescentes devem ser estruturadas. Em primeiro lugar, é importantíssimo ter-se em mente que a estrurura do futebol mundial (seja ela qual for) não existe apenas para os Palmeiras, os River Plates e os Barcelonas, mas existem também para os Moto Clubes, os Calais e os South Melbournes. É dessa regra básica que muitos 'torcedores' (que vibram muito mais com um balanço superavitário do que com um ol decisivo) têm se esquecido ao formular suas teorias sobre o profi$$ionalismo do futebol. Em segundo lugar, deve-se fazer uma pergunta cujas respostas nortearão toda a estrutura lógica subseqüente: qual é o objetivo de um campeonato de futebol? Diversas respostas podem ser formuladas: RESPOSTA 1 - Proporcionar o espetáculo O espetáculo não surge se os jogadores estiverem desinteressados; o interesse não surge se os jogadores estiverem desmotivados; a motivação não surge se o jogo não tiver valor e despertem o interesse dos jogadores. RESPOSTA 2 - Servir como atividade profissional permanente de onde os jogadores possam tirar seu ganha-pão Os salários tendem a ser maiores se os jogadores tiverem bom desempenho. Bons desempenhos não surgem se os jogadores estiverem desinteressados; a motivação não surge se o jogo não tiver valor. Logo (e novamente), é fundamental que os jogos tenham valor e despertem o interesse dos jogadores. RESPOSTA 3 - Gerar receitas para clubes, cartolas, empresários, patrocinadores e televisões As receitas tendem a ser maiores se os jogos forem bons; os jogos não serão bons se os jogadores não tiverem bons desempenhos; bons desempnhos não surgem se os jogadores estiverem desinteressados e assim por diante. Logo, esta resposta é a mesma das outras duas. Conclusão lógica: seja qual for a resposta da finalidade de um campeonato, é estruturalmente fundamental que os jogos tenham valor e despertem o interesse dos jogadores. Para que os jogos tenham valor, o mínimo que se espera é que o campeonato pelo qual o jogo esteja sendo disputado tenha tenha valor. E o que determina se um campeonato tem ou não valor? Isso é muito fácil de responder. Em última análise, o que todo torcedor quer e o que o time almeja é ser melhor que os demais. Portanto, os campeonatos que têm valor são aqueles que conferem a seus vencedores o posto de O MELHOR em algum âmbito: - Campeonato Estadual (que eleja O MELHOR time do estado) - Campeonato Brasileiro (que eleja O MELHOR time do país) - Taça Libertadores da América (que eleja O MELHOR time da América Latina) - Campeonato Mundial (que eleja O MELHOR time do mundo) RESPOSTA 4 - Apurar o melhor time Evidentemente, pelo que foi argumentado acima, um campeonato que tenha valor elegerá O MELHOR time do âmbito em questão. continua... |