| Resumindo: qualquer que seja a vis�o empregada dentre as quatro respostas acima, � crucial que os jogos tenham valor e despertem o interesse dos jogadores e, para tanto, que o campeonato pelo qual o jogo esteja sendo disputado tamb�m tenha valor, elegendo O MELHOR time do estado, pa�s, continente ou planeta. Por esse motivo, respondendo � quest�o inicial sobre quais competi��es devam ser erradicadas do calend�rio, os torneios regionais (Rio-S�o Paulo, Copa Sul-Minas, Copa Nordeste, Copa Centro-Oeste e Copa Norte) e a Copa Mercosul n�o valem absolutamente nada, pois n�o elegem O MELHOR de �mbito algum. A inutilidade da Copa Mercosul (que n�o possui rigorosamente nenhum significado t�cnico) felizmente j� foi percebida pelos idealizadores do novo calend�rio, sendo extinta (ao menos para as equipes brasileiras) a partir da temporada 2002. Quanto �s Copas Regionais, o recente sucesso do Campeonato do Nordeste mostra que talvez essas competi��es (que, pode-se argumentar, elegem O MELHOR time da regi�o) possam merecer um espa�o no calend�rio como torneios de pr�-temporada, por exemplo. Para isso, torna-se fundamental uma revis�o nos crit�rios de participa��o substituindo-se os abomin�veis convites e 'cadeiras cativas' que garantem participa��o perp�tua aos times chamados 'grandes' por crit�rios t�cnicos atrelados �s classifica��es nos campeonatos estaduais. A excess�o � regra fica por conta da Copa do Brasil que, embora n�o eleja O MELHOR de algum �mbito, permite aos times mais desconhecidos e distantes se confrontarem com os chamados grandes e terem sua exist�ncia divulgada ao mundo. � primeira vista, os par�grafos acima poderiam constituir uma perfeita defesa do badalado sistema de disputa "todos-contra-todos-em-turno-e-returno-por-pontos-corridos", mas h� alguns fatores que tornam invi�vel a disputa desse sistema: Em primeiro lugar, existem times que participam simultaneamente dos campeonatos estaduais / regionais e da Copa do Brasil. Portanto, esses campeonatos devem ter formatos razoavelmente curtos para que os times que participem de ambos possam disput�-los (al�m da Ta�a Libertadores, eventualmente) sem atropelos no calend�rio. Al�m disso, todos devem se lembrar de que todos os campeonatos s�o disputados em um largo per�odo de tempo durante o qual nenhuma equipe e nenhum torcedor desconhece a evolu��o da pontua��o e das chances de cada equipe. E o sistema de pontos corridos tem o p�ssimo efeito colateral de 'afunilar' (se n�o matematicamente, pelo menos na pr�tica) a disputa muito precocemente. No Campeonato Brasileiro de 1999, por exemplo, o Corinthians abriu tamanha vantagem sobre os advers�rios nas primeiras vantagens (e conseq�ntemente tornou t�o previs�vel a constata��o de ser O MELHOR time da campeti��o), que se n�o existisse a disputa pelas sete vagas restantes nos play-offs, o campeonato perderia grande parte de sua disputa antes mesmo de se atingir a metade. Outro exemplo: no in�cio do ano 2001, cinco meses antes do encerramento da temporada, o Campeonato Italiano (que conta com 18 participantes) estava com a disputa do t�tulo restrita a quatro ou cinco equipes; h� dois meses do final, a competi��o j� estava polarizada entre Roma, Juventus e Lazio. H� quem possa argumentar que a classifica��o para as Copas Europ�ias valoriza a disputa das posi��es inferiores. A isso pode-se responder lembrando que, al�m de n�o existir uma Copa UEFA na Am�rica do Sul, a cabe�a do torcedor brasileiro � totalmente diferente da cabe�a do europeu. Para os brasileiros, o 'vice-campeonato' n�o vale nada e ponto final. Mais: querer 'educar' o brasileiro a valorizar as posi��es inferiores atrav�s de campeonatos por pontos corridos ou por Copas UEFA ser� pura e completa perde de tempo. Al�m disso, h� o erro de se dar mais uma vaga para o mesmo pa�s na competi��o de �mbito imediatamente superior, como fazem na Copa da Europa (arrogantemente tratada como Champions League) e na Ta�a Libertadores. � um erro do ponto de vista l�gico-filos�fico, pois apenas um time pode ser O MELHOR de um pa�s. Conseq�entemente, se os outros j� t�m, dentro dentro de seu pr�prio pa�s uma equipe que os supere, jamais jamais poderiam ser O MELHOR do continente. Resumindo: como o vice-campe�o espanhol poderia ser O MELHOR da Europa, se apenas dentro da Espanha j� existe uma equipe MELHOR (o campe�o) que o superou? Na Am�rica do Sul (e particularmente no Brasil), esse erro se faz perceber tamb�m no aspecto de valoriza��o de campeonatos. N�o s�o raras as vezes em que o Campe�o da Copa do Brasil dedica pouca import�ncia ao Campeonato Brasileiro. Tampouco foram escassas as vezes em que jogadores e jornalistas se referiram ao Campeonato Brasileiro de 1999 e � Copa Jo�o Havelange de 2000 usando express�es do tipo 'basta ser vice para se classificar para a Libertadores'. Isso mostra a evidente desvaloriza��o que a principal competi��o de futebol do pa�s sofre em fun��o das v�rias vagas oferecidas � Ta�a Libertadores. E mostra tamb�m que, se um dia os quatro primeiros lugares do Campeonato Brasileiro valerem vaga para a competi��o sul-americana, a briga pelo quarto lugar acabar� adquirindo maior intensidade do que a disputa pela primeira posi��o, o que � uma enorme e indesej�vel invers�o de valores. Por tudo isso pode-se afirmar que se o Campeonato Italiano da temporada 2000/2001 (por exemplo) fosse disputado no Brasil, ter�amos das 18 equipes participantes 15 (ou 83,33% do total) jogando os �ltimos meses da competi��o � toa ou, no m�ximo, contra o rebaixamento. E nada � melhor para desvalorizar a partida, desincentivar os jogadores, empobrecer o espet�culo, desmotivar o comparecimento de torcedores (seja nos est�dios, seja pela TV) e diminuir as receitas do que um jogo � toa. Sendo assim, pode-se concluir, por tudo o que j� foi dito aqui, quais requisitos devem ser obedecidos pela estrutura ideal do futebol: 1) Todos os campeonatos devem ter valor, apurando 'O MELHOR' time de seu �mbito. 2) Todos os campeonatos devem conservar o interesse pela disputa pelo m�ximo tempo poss�vel; deve ser evitada ao m�ximo a possibilidade de a disputa ficar polarizada entre poucas equipes. 3) Todos os campeonatos devem credenciar apenas o seu Campe�o � disputa do campeonato do �mbito imediatamente superior. continua... |