Theodureto Souto

(séc. XIX)

 

Presidente do Amazonas que aboliu a escravidão nesta Província. O cargo hoje correspondente ao de Governador. Nasceu no Ceará e foi nomeado por D. Pedro II para suceder o Presidente José Paranaguá que, devido à ascensão do Partido Conservador, fora levado a se exonerar, possivelmente em virtude de seu manifesto abolicionismo. Proveniente do Rio de Janeiro, Theodureto Souto presidiu a província por apenas quatro meses (de 11 de março a 12 de julho de 1884) e seguiu a política de Paranaguá. Fez explícita campanha abolicionista, acompanhado de sua esposa, Dona Elisa Souto, que teria feito visitas a outras "damas da sociedade" tentando convencê-las a libertas seus escravos. Em 24 de maio, Theodureto Souto comprou com verbas públicas os últimos 184 escravos da Província, e em 10 de julho, já antecipando de sua demissão certa, decretou o fim da escravidão num evento à praça Vinte e Oito de Setembro, onde mandara erguer um "Pavilhão da Liberdade":

"Aos dez dias do mês de julho de 1884, do nascimento do N. S. Jesus Cristo, sexagésimo terceiro da Independência e do Império, trigésimo terceiro da fundação da Província, às 12 horas do dia, na cidade de Manaus, na Praça Vinte e Oito de Setembro, onde se achavam reunidos o Excelentíssimo Senhor Theodureto Carlos de Faria Souto, Presidente da Província, os diversos chefes do Serviço Público, autoridades civis, militares e eclesiásticas..., foi, pelo mesmo Excelentíssimo declarado, em homenagem à Civilização e à Pátria e em nome do Povo Amazonense que pela Vontade Soberana do mesmo e em virtude de suas Leis, não existir escravos no território desta Província e de hoje para sempre, abolida a escravidão e proclamada a liberdade dos direitos de todos os seus habitantes".

Da mesma forma que ocorrera com o Presidente Sátiro Dias - após abolir a escravidão na Província do Ceará, em 25 de março daquele mesmo ano -, Theodureto Souto teve de deixar o cargo; o passou já dois dias depois ao Tenente Joaquim Sarmento, afirmando ter tomado conhecimento na véspera de haver sido "exonerado" (sic). Afirmou num ofício endereçado ao seu sucessor: "A Província do Amazonas está redimida. No dia 10 do corrente foi esse acontecimento o maior de sua história, solenemente declarado (...). Tudo se fez em nome da Lei, em observância de suas prescrições, em perfeita calma e tranqüilidade, com o concurso eficaz dos sentimentos humanitários do Povo Amazonense. Não há nenhum escravo nesta Província, nem pode haver mais nenhum escravo, observadas as leis que vedam o tráfico inter-provincial".

Retornou ao Rio de Janeiro onde foi presenteado por amazonenses que lá residiam com uma caneta de ouro e um tinteiro em cuja base estava escrito: "Ao benemérito abolicionista, Dr. Theodureto Souto, a Província do Amazonas agradecida".    

Leia também:

BITTENCOURT, Agnello. Dicionário amazonense de biografias - vultos do passado. Rio de Janeiro: Conquista, 1973.

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