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Sigmund Freud (1856-1939) |
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Médico austríaco fundador da psicanálise. Nasceu em Viena, Áustria, numa família judia, em 1856. Em 1881, formou-se em medicina pela Universidade de Viena. Trabalhou inicialmente com Josef Breuer, que usava técnicas de hipnose para tratar histeria. Breuer defendia que os sintomas da histeria derivavam de energias psíquicas não descarregadas. Freud afastou-se de Breuer e desenvolveu a psicanálise, uma técnica baseada na teoria segundo a qual os sintomas da histeria são manifestações de conflitos sexuais infantis não resolvidos. Abandonando a hipnose que, entre outras dificuldades, nem sempre era aplicável a todos, Freud adotou a técnica da livre associação, que visava trazer à consciência materiais reprimidos no inconsciente. Inicialmente quase ignorado, principalmente fora da comunidade judaica, a ele associaram-se outros psiquiatras, como Jung e Adler. Em 1910, fundou-se a International Psychoanalytic Association, mas já três anos depois, rejeitando a ênfase de Freud na sexualidade infantil e no complexo de Édipo, Jung e Adler haviam abandonado a associação. Em 1911, Freud fez-se também membro da Sociedade Internacional de Proteção às Mães e Reforma Sexual, uma organização eugenista que defendia "saúde racial e reprodução seletiva"1. O racialismo (às vezes chamado de etnopsicologia) de Freud dirigia-se ao psíquico, e não à aparência física externa. Embora afirmasse em várias oportunidades rejeitar o nacionalismo, manteve relações próximas com grupos sionistas. Apesar de ateu, foi um dos poucos psicanalistas a ser membro da B'nai B'rith, uma organização judaica internacional, ligada ao movimento sionista. Dirigindo-se à ela em 1926, Freud expressou que ser judeu significava partilhar "muitas forças emocionais obscuras [viele dunkle Gefühlsmächte], que eram tanto mais poderosas quanto menos podiam ser expressas em palavras, bem como uma clara consciência de identidade interna, a segura privacidade de uma construção mental comum [die Heimleichkeit der Gleichenseelischen identität]"2. Respondendo a um apelo de uma agência sionista a judeus proeminentes contra a intenção do Primeiro Ministro britânico de limitar a imigração de judeus para a Palestina, Freud respondeu, em 26.02.1930, "Qualquer um que deseje influenciar as massas deve ter algo sonoro e entusiástico para dizer a elas e meu julgamento sóbrio do sionismo não permite isso. (...) Eu não creio que a Palestina possa vir a se tornar um estado judeu, nem que o mundo cristão e islâmico venham a estar preparados para deixar seus lugares sagrados em atenção aos judeus. Pareceria mais sensível para mim encontrar um lar judeu numa terra historicamente descongestionada. (...) E admito com tristeza que o fanatismo não mundano de nosso povo carrega parte da culpa pelo despertar da desconfiança árabe"3. Sua aproximação com o sionismo pode ter sido mais motivada por uma reação a ataques racistas do que uma simpatia pelas propostas do movimento. Em carta a J. Dwossis, tradutor de Totem e Tabu para o hebraico, datada em 15.12.1930, Freud afirmou que "O sionismo causou-me grande simpatia que eu continuo a sentir até hoje. Desde bem do começo eu associei isso àquelas ansiedades que a atual situação parece justificar. Eu preferiria estar errado"4. Em seu 80.º aniversário foi congratulado por representantes da Kadimah (palavra hebraica que significa 'para a frente' e 'para o leste'), uma organização judaica fundada na Universidade de Viena, em 1883, para defender judeus contra agressões, mas que cinco anos depois serviu de berço a um grupo sionista chamado Alte Herren (expressão alemã que em português significa 'senhores mais velhos'), a qual considerava Theodor Herzl seu líder. Em resposta à gentileza, Freud declarou à Kadimah desejar tornar-se um membro da Alte Herren, sendo atendido: foi feito Membro Honorário e em 06.09.1936 recebeu sua faixa de membro5. Martin Freud, seu filho, fora tanbém membro da Kadimah quando estudante. Com a unificação da Áustria e Alemanha durante a expansão nazista, Freud fugiu, em 1938, para a Inglaterra, onde no ano seguinte faleceu. 1 WEINDLING, Health, race, and German politics, p. 250; citado por Sander Gilman, Freud, raça e sexo, Rio de Janeiro: Imago, 1994, p. 38. 2 FREUD, Sigmund. Standard Edition, 20:274, GW 17:49-53; Sander Gilman, op. cit., p. 40. 3 FREUD, Sigmund. The diary of Sigmund Freud, 1929 to 1939: a record of the final decade translated and annoted by Michel Molnar. London: Freud Museum Publication, 1992, p. 274. 4 FREUD, Sigmund. Op. cit., p. 280. 5 FREUD, Sigmund. Op. cit., p. 206. |
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Leia também: GILMAN, SANDER. Freud, raça e sexos. Rio de Janeiro: Imago, 1994. |
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