Lenin (1870-1924)
     Pseudônimo do estadista russo Vladimir Ilitch Ulianov, líder bolchevista e uma das principais figuras da Revolução Russa. Nasce em Ulianovsk, filho de um professor. Adversário do regime czarista desde a juventude, começa a cursar direito no mesmo ano em que um de seus irmãos é enforcado por conspirar contra o governo. É expulso da universidade por participar de manifestações políticas. Estuda a obra de Karl Marx e procura adaptar o marxismo à realidade russa. Termina o curso de direito e passa a morar em São Petersburgo (capital da Rússia, na época) dirigindo jornais clandestinos de propaganda marxista. É preso em 1895 e deportado para a Sibéria. Em 1901 lança a revista Zaria (o alvorecer) e depois o jornal Iskra (a centelha), onde passa a assinar com o pseudônimo Lenin. É um dos fundadores do Partido Operário Social-Democrata Russo e, desde 1903, o principal dirigente da ala bolchevique. Depois da revolução de 1905, é obrigado a exilar-se na França e na Suíça, onde organiza os emigrados russos e desenvolve trabalho de propaganda contra o czarismo. Em 1912 orienta a criação do jornal clandestino Pravda (a verdade). Quando o czar Nicolau II é deposto em fevereiro de 1917, Lenin está em Zurique, mas volta à Rússia com ajuda dos alemães. Em outubro, dirige o golpe bolchevista e instala o Estado soviético. Em 1918 Lenin leva um tiro de uma militante de direita e há versões de que tenha morrido por intoxicação do chumbo da bala, que nunca pôde ser retirada. Em 1923 sofre um derrame do qual não se recupera totalmente. Morre em Gorki, perto de Moscou, em 1924, sem forças para impedir a designação de Stalin para secretário-geral do Partido Comunista. Seu corpo é embalsamado e exposto ao público no Kremlin.

Primeiras medidas – Os bolcheviques iniciam a mudança do sistema político e econômico da Rússia. Já em novembro de 1917 o governo nacionaliza as terras – 40% do solo era de propriedade da nobreza – e cede aos camponeses o direito exclusivo de sua exploração. O controle das fábricas é transferido aos operários, os estabelecimentos industriais são expropriados pelo governo e os bancos nacionalizados. Moscou passa a ser a capital do país. Em março do ano seguinte os bolcheviques assinam a paz em separado com a Alemanha, em Brest-Litovsk, aceitando entregar a Polônia, a Ucrânia e a Finlândia.

Guerra Civil – Em 1918, após a assinatura da paz com a Alemanha, a Rússia vê-se tomada por uma sangrenta guerra civil. Capitalistas e proprietários de terras, auxiliados por generais czaristas, políticos liberais, social-revolucionários, mencheviques e setores do campesinato, tentam retomar o poder dos bolcheviques. Os contra-revolucionários são chamados de Brancos e os bolcheviques de Vermelhos. É uma oportunidade para o Reino Unido, França e Japão e, mais tarde, a Polônia tentarem derrubar o governo russo e colocar o país novamente na guerra contra a Alemanha. Para tanto, ajudam os contra-revolucionários Brancos com tropas, armas, munições e provisões.

Exército Vermelho – Trotsky apela ao povo russo, tanto em nome da Revolução quanto do patriotismo e do nacionalismo, e organiza o Exército Vermelho, responsável pela derrota dos contra-revolucionários Brancos e das forças externas invasoras.

Fuzilamento da família imperial – A conseqüência da vitória bolchevique é a instituição do Terror, com o fuzilamento sumário de milhares de pessoas. O czar Nicolau II e sua família são executados pelos bolcheviques em Ekaterinburgo. Ainda em 1918, uma socialista-revolucionária de direita, Fany Kaplan, comete um atentado contra Lenin, provocando um massacre em Petrogrado por parte da polícia bolchevique. O processo revolucionário já não pode mais ser contido, as dissidências são esmagadas e a ameaça da contra-revolução afastada.

Colapso econômico – O perigo de uma vitória contra-revolucionária, porém, obriga o governo a tomar medidas de exceção para reduzir a fome e modernizar o país. A indústria recebe estímulos para aumentar a produção, com a adoção de métodos de racionalização do trabalho. Técnicos estrangeiros são contratados para auxiliar na recuperação do parque industrial. O Estado confisca o trigo e torna sua produção monopólio estatal. A terra dos kulaks, médios proprietários rurais, é dividida e os camponeses pobres estabelecem governos locais para reunir o trigo excedente e administrar sua circulação e consumo.

NEP – Em 1921, com a Revolução consolidada, Lenin institui a Nova Política Econômica, uma volta ao capitalismo de Estado, como solução para vencer o impasse econômico. A indústria ainda vai mal e a Rússia continua um país atrasado. A população está descontente com os problemas de produção e abastecimento. Em Petrogrado, os operários se insurgem contra o governo e ocorrem outras rebeliões internas, logo contidas. Com a NEP, cujo objetivo é planejar a economia e a sociedade, é permitida a criação de empresas privadas, como a manufatura e o comércio em pequena escala. As liberdades salarial e a de comércio exterior são retomadas sob a supervisão do Estado. Os camponeses são obrigados a pagar taxas, em espécie, e são autorizados os empréstimos externos, como os negociados com a Inglaterra e a Alemanha.

Formação da URSS – A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas é criada em 1924 com a adoção de nova Constituição. A criação de uma União é a fórmula encontrada pelos bolcheviques para conseguir manter unidos nacionalidades, etnias e territórios que pouco têm em comum. Segundo a Constituição de 1924, as repúblicas têm autonomia, proposta que nunca saiu do papel. O poder é mantido por alguns líderes do Comitê Central por intermédio do Partido Comunista.

Luta pela sucessão de Lenin – Lenin morre em 1924 e sua morte desencadeia uma violenta luta pelo poder entre Trotsky e Stalin. É uma luta entre concepções diferentes de política e revolução. Para Trotsky, o sucesso do socialismo na URSS depende da vitória de revoluções operárias nos países vizinhos. Defende, portanto, a revolução mundial. Stalin, ao contrário, pretende implantar o socialismo apenas na URSS, arquivando a tese da revolução mundial até conseguir a industrialização do país, com a União Soviética em pé de igualdade com as nações capitalistas. Trotsky é um intelectual de formação sofisticada, viajado, criador do Exército Vermelho e respeitado teórico marxista. Stalin é um revolucionário sem sofisticação, que soube construir uma máquina política dentro do partido. É duro e brutal, como demonstra nos anos posteriores. Vence Trotsky, que é expulso do partido em 1927 e do país em 1929. Em 1940 é assassinado no México por ordem de Stalin.

Stalin (1879-1953), como fica conhecido o político soviético Josef Vissarionovitch Djugashvili, que governa a URSS por 30 anos. Nasce na Geórgia, filho de um sapateiro e de uma lavadeira. Órfão de pai logo cedo, é enviado a um seminário ortoxo, mas é expulso no último ano e começa a militar no movimento social-democrático. Em 1902 é preso e deportado para a Sibéria, de onde foge em 1904. Depois de organizar greve geral em 1905, é novamente preso, e outra vez consegue fugir. Eleito para o Comitê Central do Partido Comunista (bolchevique), volta à prisão em 1910 e escapa de novo, um ano depois. Em 1912 participa da fundação do jornal clandestino Pravda (a verdade). No ano seguinte, adota o nome de Stalin (homem de aço), é preso e deportado para a região polar. É libertado apenas em 1917, depois da deposição do czar. Em 1917 integra o Comitê Central do Partido Bolchevique. Na guerra civil, comanda as tropas do Exército Vermelho na região do Volga. Assume o Comissariado do Povo para as Nacionalidades em 1918 e a Secretaria-Geral do PC em 1923. Sucede Lenin em 1924. Em 1928 promove a coletivização forçada da terra, com a morte de mais de 6 milhões de camponeses, a industrialização acelerada e o planejamento centralizado. Consolida seu poder nos anos 30, mandando matar seus adversários por intermédio dos Processos de Moscou. Toda a velha guarda bolchevique é assassinada por sua ordem. Passa a controlar os partidos comunistas de todo o mundo através da Terceira Internacional) – levando, por exemplo, a esquerda alemã a disputar dividida as eleições de 1932, o que permite a vitória do partido nazista. Durante a 2a Guerra Mundial, acumula as funções de ministro de Defesa e comandante das Forças Armadas. Após a guerra, impõe o domínio soviético sobre as novas nações socialistas da Europa. Permite e estimula o culto à sua personalidade. Com o tempo, sua paranóia aumenta e, nos últimos anos de vida, vê inimigos em todos os lugares. Morre de hemorragia cerebral aos 73 anos. Após sua morte, os crimes que cometeu são denunciados por seus sucessores .

Movimento comunista internacional
     A idéia de que a implantação do socialismo só seria possível em escala mundial, por força de um movimento internacional de trabalhadores, é defendida por Marx e Engels no Manifesto comunista, de 1848.
   Primeira Internacional – Em 1864 Marx funda, em Londres, a Associação Internacional dos Trabalhadores, que congrega sindicalistas e líderes operários e intelectuais dos principais centros europeus. O objetivo da Internacional é constituir um movimento operário entre as nações industrializadas para concretizar, em escala mundial, o lema do Manifesto comunista: “Proletários de todo o mundo, uni-vos.” Mais tarde, a Associação fica conhecida como a Primeira Internacional. Enfraquecida por disputas entre comunistas e anarquistas, é dissolvida em 1876.
   Segunda Internacional – É fundada em 1889, na França, por representantes dos partidos social-democratas, que retomam a Associação Internacional dos Trabalhadores. O movimento operário alemão é representado por grande número de delegados. O plenário está dividido em duas correntes, a dos representantes ingleses e franceses – defensores do marxismo revolucionário –, e a dos socialistas alemães, que aceitam a via gradual para o socialismo, pela ação parlamentar. Nasce o Partido Social-Democrata (PSD) alemão, partidário da reforma social e que se torna um dos mais importantes partidos socialistas da Europa. A 2a Guerra promove divergências insanáveis no interior da Segunda Internacional. Lenin prega a não-participação dos operários numa “guerra capitalista”, mas o PSD alemão acaba apoiando a conflagração. Com a Revolução, a Rússia fica isolada internacionalmente e não acontecem nos outros países as revoluções planejadas pela Internacional. As divisões e antagonismos internos anulam a Segunda Internacional.
   Terceira Internacional – A vitória da Revolução de Outubro na Rússia reaviva o internacionalismo comunista e, em 1919, Lenin funda a Terceira Internacional (Comintern), em Moscou. O objetivo da Terceira Internacional é apoiar a Revolução Russa e promover a revolução socialista nos outros países por intermédio de partidos comunistas centralizados e fiéis a Moscou. A ascensão de Stalin ao poder soviético, após a morte de Lenin, anula a perspectiva internacionalista do movimento socialista. Stalin assume o controle sobre a atividade dos partidos comunistas em todo o mundo e a Internacional passa a refletir as guinadas políticas da União Soviética. O Comintern é dissolvido em 1943, como gesto de amizade em relação aos aliados da 2a Guerra Mundial.
   Quarta Internacional – Exilado no México, Trotsky funda a Quarta Internacional em 1938. O movimento, no entanto, é esvaziado a partir de 1939 pelo início da 2a Guerra e pela morte de Trotsky (1940), assassinado a mando de Stalin. A Quarta Internacional coloca em discussão a degeneração do poder soviético sob o stalinismo, o papel da burocracia soviética, a nova configuração do movimento comunista internacional, a interpretação mecanicista da História e a realização de uma “revolução permanente”. As teses da Quarta Internacional voltam à discussão após a queda de Stalin e durante o movimento de maio de 1968, na França

 Leon Trotsky (1879-1940)
     Como fica conhecido o revolucionário e teórico russo Lev Davidovitch Bronstein. Nascido na Ucrânia, de uma família de agricultores judeus, inicia sua atividade contra o czarismo aos 17 anos. É preso e deportado para a Sibéria, foge e fica no exílio até 1905, quando volta para a primeira revolução contra a monarquia russa. Preside o primeiro soviete de Petrogrado até a derrota da revolução de 1905, em dezembro. Novamente deportado, foge da Sibéria em 1907 e passa os anos seguintes no exílio, tendo estado também nos Estados Unidos. Volta à Rússia em março de 1917 e reassume o soviete de Petrogrado. Com a vitória da Revolução de outubro, torna-se comissário das Relações Exteriores e assina a paz com a Alemanha em Brest-Litovsk. Em 1918, como comissário da Guerra, organiza o Exército Vermelho para a guerra civil. A partir de 1923, com a doença de Lenin, organiza a oposição a Stalin. É expulso do Partido Comunista em 1927 e deportado para a Turquia em 1929. Passa os anos seguintes no exílio em vários países, chegando ao México em 1937. É assassinado no México, em agosto de 1940, pelo agente stalinista Ramón Mercader.

 Texto de Trotsky sobre a Revolução 



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