"Desde os primeiros dias da Revolução, o nosso partido teve a firme convicção de que a lógica dos acontecimentos o levaria ao poder. Não quero falar aos teóricos do nosso partido que, muitos anos antes desta Revolução e anteriormente à de 1905, analisando as relações entre as classes sociais russas, tinham afirmado que um movimento revolucionário vitorioso colocaria inevitavelmente o poder do Estado nas mãos dos proletários, apoiados pela grande massa dos camponeses pobres.
Esta afirmação apoiava-se na insignificação da burguesia democrática e na concentração da indústria em poucas mãos, determinava a importância enorme da classe operária. A insignificância da classe média não é mais do que o reverso do poder do proletariado. A guerra originou aparências enganadoras a este respeito, porque atribuiu um papel decisivo ao exército que, na realidade, era formado por camponeses. Se a Revolução tivesse acontecido em época mais normal, se tivesse começado em tempo de paz, como em 1912, o proletariado teria assumido uma atitude diretiva desde o primeiro momento e teria arrastado gradualmente os camponeses.
A guerra, porém, modificou a lógica dos acontecimentos. Os camponeses estavam organizados militarmente no exército.
Antes que as aspirações e idéias os unissem, já estavam organizados em regimentos.
Os pequenos burgueses espalhados nesses exércitos experimentavam quase todos os sentimentos revolucionários próprios da sua classe.
O descontentamento social das massas aumentava e adensava-se com o desastre militar.
Apenas começou o movimento revolucionário, a guarda avançada do proletariado restaurou as tradições de 1905 e incitou as massas para se ornanizarem em corpos representativos, isto é, em sovietes."
(TROTSKY, Leon, Como fizemos a Revolução
2º ed.,São Paulo,Global,1978,pp.11-2)