Revolução Russa


        Marca o fim do império dos czares, sendo a primeira tentativa bem-sucedida de implantação de um regime comunista. Divide-se em duas etapas, a democrática, em fevereiro de 1917, e a socialista, com a instalação da ditadura do proletariado, em outubro do mesmo ano.

ANTECEDENTES
     No início do século XX a Rússia é um conjunto heterogêneo de etnias, povos e culturas, ocupando um território de 22 milhões de quilômetros quadrados sob regime absolutista e pouco desenvolvida economicamente. As terras estão concentradas nas mãos da nobreza, com uma população rural que atinge 80% do total geral de 170 milhões de habitantes. O Partido Social Democrata, desarticulado pela polícia em 1898, reorganiza-se no exterior tendo Lenin como principal articulador. A derrota na guerra contra o Japão (1904-1905) pelo domínio da Coréia, a Revolução de 1905 e as perdas na 1a Guerra Mundial, somadas à precária situação política e econômica, resultam na revolução comunista.

Revolução de 1905
     Em 22 de janeiro de 1905 mais de mil operários são massacrados em uma manifestação pacífica em São Petersburgo, no episódio conhecido como Domingo Sangrento. Seguem-se outras revoltas, como a dos marinheiros do encouraçado Potemkim em Odessa, e a da guarnição da base de Kronstadt. Diante da reação popular, o czar permite a formação da Duma (Parlamento) mas às vésperas da 1a Guerra Mundial as forças policiais do governo voltam a agir com violência. O governo de Nicolau II é autocrático e corrupto e o czar é suspeito de ser simpático aos alemães. O ministério é dominado pela estranha figura de Grigor Rasputin, um camponês siberiano e ocultista cuja libertinagem e poder político despertam o ódio da população. Rasputin é assassinado em 1916.

Participação na 1a Guerra – A mobilização de cerca de 13 milhões de soldados desfalca os setores mais produtivos da sociedade. Os gastos com a guerra diminuem os investimentos em bens de consumo, elevando os preços e provocando inúmeros conflitos internos. Os soldados russos morrem nas frentes de batalha por falta de equipamentos, alimentos e vestuário. A fome chega às grandes cidades, onde também falta carvão no inverno. Em 1916 o país é varrido por greves. A greve dos operários de Petrogrado, por exemplo, mobiliza cerca de 200 mil trabalhadores.


Industrialização tardia – A industrialização russa é tardia, realizada sob a liderança do capital europeu ocidental, sobretudo alemão, belga e francês. Assim, a remessa de lucros para o exterior é muito grande. O proletariado é pouco numeroso, cerca de 3 milhões, e concentrado em Moscou, Petrogrado e Odessa. É, porém, avançado e sensível à pregação anarquista, socialista, sindicalista e comunista, graças às péssimas condições de trabalho, com salários miseráveis e jornadas de 11 ou 12 horas. A burguesia russa é composta de comerciantes, funcionários estatais e industriais. É uma burguesia fraca, sem projeto político próprio, esmagada entre a aristocracia de terras, o proletariado urbano e o campesinato.


Organização política – A oposição ao czar Nicolau II é dividida em duas correntes: a liberal reformista, favorável a um regime parlamentar burguês e apoiada pela burguesia; e a revolucionária, que compreende os socialistas-revolucionários e os social-democratas. Os primeiros são contrários à industrialização da Rússia e defendem um regime socialista agrário, caracterizado pela exploração coletiva das terras após o confisco das grandes propriedades. Os segundos são adeptos das teorias socialistas de Marx e Engels e se organizam no meio do proletariado urbano. O segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata, reunido em 1903, divide-se em duas facções quanto às táticas de tomada do poder, os mencheviques e os bolcheviques.


Mencheviques – Uma das duas correntes principais do Partido Operário Social-Democrata Russo. Os mencheviques (termo que significa minoria) são marxistas, defendem um grande partido de massas, com base social ampla e alianças com os progressistas e democratas, inclusive com a burguesia liberal. Não acreditam na possibilidade de implantação imediata do socialismo na Rússia por falta das condições objetivas previstas por Marx e Engels. Para os mencheviques, um longo processo de transformações econômicas e sociais conduziria à revolução. Os principais líderes mencheviques são Martov, Axelrod e Trotsky (1903-1904).


Bolcheviques – Corrente majoritária do Partido Operário Social-Democrata Russo que defende a implantação de um governo de ditadura do proletariado por intermédio da ação de um partido centralizado, fortemente disciplinado, capaz de conduzir a classe operária. Para os bolcheviques (palavra que significa maioria), os operários devem fazer a revolução imediatamente e implantar o socialismo. O principal líder bolchevique é Lenin. As idéias do grupo são propagadas na Rússia por meio de jornais clandestinos, como o Pravda (a verdade).

REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO
     Em fevereiro de 1917 as greves tomam conta das principais cidades russas. A insatisfação com a guerra e com o colapso do abastecimento chega ao seu ponto máximo. A greve da usina metalúrgica de Putilov, com a participação de 90 mil trabalhadores, recebe o apoio de organizações femininas e a insurreição se espalha. A capital é tomada pelos rebeldes em 25 e 26 de fevereiro. A sublevação chega a Petrogrado em 27 de fevereiro (12 de março no calendário ocidental). É a Revolução de Fevereiro. Os revolucionários recebem apoio de parte do Exército. Em Moscou, tomam o Kremlin, antiga fortaleza no centro da cidade e símbolo do poder absolutista dos czares.

Formação dos sovietes – Depois da revolução dois poderes disputam o comando do governo: o Comitê Executivo Provisório da Duma, constituído por liberais e favorável à negociação com os insurretos; e o Soviete dos Operários e Soldados, eleito a 27 de fevereiro (12 de março) e formado por socialistas-revolucionários e mencheviques.

Fim da monarquia russa – O Czar Nicolau II comanda a resistência, mas é abandonado pelos chefes militares e abdica em favor de seu irmão, o grão-duque Miguel, que não aceita assumir o poder. A monarquia está extinta na Rússia.

Governo Provisório – Um governo provisório é instalado de comum acordo entre o Soviete dos Operários e Soldados e o Comitê Executivo Provisório da Duma (o Parlamento), sob a presidência do príncipe Lvov. A esquerda é representada na Duma pelo socialista moderado Kerenski. Como os líderes bolcheviques estão presos ou exilados, os operários não estão presentes no governo. Em conseqüência disso, o poder ficou com o Soviete de Petrogrado. O governo provisório vai de 17 de março a 15 de maio de 1917, não consegue debelar a crise interna e ainda insiste na continuação da guerra contra a Alemanha. A liderança de Lenin cresce. O líder bolchevista prega a saída da Rússia da guerra, o fortalecimento dos sovietes e o confisco das grandes propriedades rurais, com a distribuição das terras aos camponeses. Cresce a influência dos sovietes nas fábricas e na Marinha. Em 4 de maio, o governo é vítima de suas próprias contradições e se demite. O príncipe Lvov se mantém à frente de um novo governo de coalizão, formado por mencheviques e socialistas-revolucionários e com Kerenski à testa do Ministério da Guerra. A crise social e as derrotas na guerra contra a Alemanha provocam diversas sublevações, como as Jornadas de Julho, que tiveram a participação dos marinheiros de Kronstadt. As insubordinações são controladas, mas a pressão da população leva ao poder um governo majoritariamente socialista moderado, sob a chefia de Kerenski. Lvov deixa o poder e Lenin busca asilo na Finlândia.

REVOLUÇÃO DE OUTUBRO
     Um levante popular aniquila um golpe de direita desfechado por militares contra-revolucionários de Petrogrado. Os cossacos, soldados recrutados entre as populações nômades ou semi-sedentárias e que fazem parte de regimentos especiais da cavalaria russa, passam para o lado dos revolucionários e a esquerda ganha força entre os trabalhadores. O governo Kerenski não consegue se manter, isolado das principais facções em luta. Da Finlândia, Lenin comanda o avanço da Revolução. Os bolcheviques ingressam em massa nos sovietes e Trotsky é eleito presidente do Soviete de Petrogrado. Lenin entra clandestinamente na Rússia e leva o comando bolchevique a encampar a idéia de revolução. A resistência de Kerenski, em Moscou, é debelada e no dia 25 de outubro os bolcheviques tomam o Palácio de Inverno do czar. Kerenski foge da Rússia. Os bolcheviques, largamente majoritários no Congresso Panrusso dos Sovietes, tomam o poder em 7 de novembro de 1917. É criado um Conselho dos Comissários do Povo, presidido por Lenin. Trotsky assume o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Stalin o das Nacionalidades (Interior). A Revolução Russa é vitoriosa e instala o primeiro Estado socialista do mundo.


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