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Trabalho no âmbito da Disciplina de Processos de Liderança no Mestrado em
Treino de Alto Rendimento - Actividades Gímnicas de Competição - FMH - UTL
Lisboa 1998
Índice
Introdução
Relação
treinador-atleta
O
treinador como líder
Conclusão
Sugestões
de investigação
Bibliografia

Introdução
A preocupação e até
mesmo a valorização do desporto tem sido cada vez mais crescente, quer
tenhamos em atenção o aspecto lúdico quer o aspecto competitivo. Por um lado
o desporto é visto como um refúgio ou fuga ao stress diário e como alívio
das tensões desenvolvidas no dia a dia, e por outro, e partindo para a competição
(na procura da excelência), surge o espectáculo desportivo onde o que
realmente importa é o alto rendimento. No entanto o rendimento no desporto não
é um problema simples, antes pelo contrário, ele resulta da interacção de inúmeras
variáveis.
É na procura da resolução
destes problemas que se instalam as principais preocupações dos treinadores,
atletas, dirigentes e público em geral. Para a sua resolução recorre-se ao
aperfeiçoamento técnico e táctico das acções. Técnico para a resolução
de questões individuais e tácticos para a resolução de problemas colectivos.
Só que estes são problemas que com a natural prática desportiva têm
possibilidade de resolução.
No entanto, por vezes
observa-se que o aperfeiçoamento técnico e táctico, recorrendo-se às áreas
da fisiologia e metodologia do treino, não são a única solução para obter a
performance desportiva ideal. A área da psicologia surge então aqui como
"a outra" possível explicação para a influência positiva ou
negativa das prestações desportivas. Se por um lado os aspectos técnicos e tácticos
do treino são mais objectivos e fáceis para analisar e explicar o bom ou mau
resultado desportivo, os aspectos psicológicos são mais subjectivos e por isso
mesmo verifica-se uma crescente investigação nesta área no sentido de melhor
a compreender.
Ao treinador cabe o
papel, entre muitos outros, de gerir o trabalho de um indivíduo ou grupo, no
sentido de procurar obter um resultado positivo, mesmo que isso não signifique
a vitória.
É sobre esta relação
entre treinador-atleta que o presente trabalho irá incidir, com o intuito de
procurar analisar o conhecimento já existente sobre esta relação profunda e
fundamental de um processo onde duas pessoas estão empenhadas num único
objectivo, e por outro lado analisar a influência do treinador, enquanto líder,
nesta relação, dentro de um contexto muito especial como é a competição
desportiva.
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Relação
Treinador -Atleta
Segundo M. H. Brousse
(1990), a lógica da competição induz "uma ligação social extrema"
entre dois parceiros (treinador e atleta) na conquista da performance. (cit.
Leveque, 1995).
O aumento do número de
treinos, estágios, deslocações para competições fornecem ao treinador e ao
atleta uma forma de vida comum, onde o face-a-face é permanente, a intimidade
afectiva incontornável e a interacção relacional torna-se intensa, rica e
complexa. Por outro lado a dificuldade de aceder aos objectivos da excelência e
a dramatização das competições, pode acentuar a colisão emocional entre
treinador e atleta. (in, Leveque, 1995)
Leveque (1992) refere
mais, o carácter único e específico da realização desportiva, reside no
facto de haver um objectivo único idealizado por duas pessoas (o atleta e o
treinador), onde só através da performance desenvolvida por um deles (o
atleta) é possível alcançar esse mesmo objectivo (in Serpa, 1995b).
Deste modo, a colaboração
entre treinador e atleta constitui a base psicológica da individualização do
treino que se relaciona com a habilidade do treinador em seleccionar as estratégias
de treino mais convenientes numa comunicação multidimensional da personalidade
do atleta. As decisões do treinador sendo muitas vezes aleatórias e em função
das próprias interpretações e atitudes, interferem profundamente na vida
desportiva e pessoal dos desportistas que orientam, daí resultando consequências
positivas ou negativas para estes (Vanek, 1989; cit. Serpa, 1995a).
Há também que
relembrar que cada relação que liga um treinador a um atleta, cada díade é
singular, única, original na sua economia afectiva. (...) São os factores
afectivos não previsíveis que vão funcionar e dar a esta díade uma coloração
emocional (Leveque, 1995).
A importância desta
relação pode ser vista tendo em conta as diferentes fases da carreira do
atleta. Salmela (1994) (in Serpa, 1995a) realça a importância do treinador ao
longo do processo da carreira do desportista. Desde a fase de iniciação,
passando pela fase de desenvolvimento, até à fase de especialização, o
treinador assume diferentes papéis.
Estes diferentes papeis
não são mais do que uma capacidade de adaptação (ou até mesmo uma característica
pessoal) que o treinador tem que possuir para trabalhar em diferentes fases do
desenvolvimento motor, cognitivo do jovem desportista, no sentido de procurar
motivar o atleta para a prática.
Assim, na fase de iniciação
o treinador não necessita necessariamente de ser um grande especialista técnico.
É fundamentalmente uma pessoa com um estilo paternal, alegre, carinhoso
procurando a aprendizagem a partir da estimulação da motivação intrínseca.
O treinador envolvido da
fase de desenvolvimento é mais conhecedor dos aspectos técnicos, mais exigente
e respeitado pelos seus atletas, tornando-se deste modo uma fonte de orientação
e de disciplina para estes.
Nestas duas primeiras fases da
carreira a palavra chave é o jogo, onde o treino é encarado de um ponto
de vista mais lúdico do que na fase seguinte, onde a palavra chave passa a ser
o trabalho.
Nesta última fase, a
fase de especialização encontramos treinadores de sucesso, meticulosos e com
um conhecimento global e exigente do processo de treino visando a competição.
Mesmo no momento de
abandono da prática por parte dos atletas, os treinadores têm sido
referenciados como factores determinantes, quer positiva quer negativamente (Smith,
1986; Orlick, 1986; cit. Serpa, 1995a).
Influenciada fortemente
pelas características da situação em que se desenvolve, a relação
treinador-atleta tem vindo a ser estudada de acordo com várias concepções. A
abordagem desta relação através da concepção clássica significa
abordar de uma forma demasiado analítica e isolada do contexto de treino, tendo
sido criticada pelo facto de, por um lado se apoiar na separação entre concepção
e execução, e por outro na componente afectiva e instrutiva.
A concepção "Tayloriana"
do treino assenta numa divisão de papeis entre o treinador, encarado como
aquele que concebe o treino, e o atleta como simples executante. Esta é no
entanto uma concepção com alguns limites, nomeadamente no que se refere às
incertezas das sessões de treino e dos conteúdos das interacções
treinador-atleta pelo facto de existir uma incerteza ligada às condições
envolventes e à evolução dos comportamentos do atleta. É limitada igualmente
por se considerar o atleta como um executante passivo quando este é um actor
que participa e decide no processo de treino.
Uma outra concepção
é a relação/instrução, organizada segundo dois polos de pesquisa
distintos: um polo relacional ou afectivo e um polo instrutivo.
As investigações centradas na instrução pretendem essencialmente o
desenvolvimento de teorias e métodos que permitem guiar a concepção de
programas e procedimentos de treino (Manno, 1992; Platonov, 1988; Weineck, 1990;
in Durand & Saury, 1995) e identificar os comportamentos e estratégias de
intervenção pedagógica eficazes (Crevoisier, 1995; Piéron, 1992; Tinning,
1982; in Durand & Saury, 1995).
Os estudos centrados no
polo afectivo baseiam-se nos efeitos da liderança na performance e satisfação
dos atletas (Chelladurai & Saleh, 1980; Terry & Howe, 1984; in Durand
& Saury, 1995), nas estratégias de desenvolvimento da auto-estima ou da
motivação dos atletas (Gould, Hodge, Peterson & Giannini, 1989; Weinberg
& Jackson, 1990; cit. Durand & Saury, 1995) e na dinâmica afectiva e
inconsciente da relação treinador-atleta (Brousse & Labridy, 1985; Leveque,
1992; cit. Durand & Saury, 1995).
A relação
treinador-atleta é um elemento de treino que, influencia e é influenciado por
outras componentes desta actividade (...) e deste modo deve ser encarado de uma
forma integrada (Durand & Saury, 1995).
Assim o treino é
visto como um trabalho colectivo (Leplat, 1994; in Durand & Saury,
1995) com um fim preciso e ambicioso: a performance em competição.
Esta concepção do
processo de treino (como um trabalho colectivo), assente num referencial comum,
passa pela partilha de conhecimentos e experiências e ainda pela análise e
capacidade de resolução de problemas. Nesta concepção defendida por Durand
& Saury (1995) o treinador deverá desenvolver uma atitude empática com o
seu atleta, negociar as condicionantes e tarefas de treino, oferecendo-lhe uma
margem de autonomia no sentido de procurar uma maior eficácia nesta acção
colectiva (Processo relacional no treino, in Serpa, 1995a).
Para Serpa (1995a) esta
díade treinador-atleta passa por três tipos de abordagens: a sócio-emocional,
a comportamental e a organizacional.
A abordagem sócio-emocional
é onde a multidimensionalidade dos papeis do treinador e, nomeadamente a
componente emocional desta relação, pode ter efeitos negativos ou positivos
nos comportamentos adaptativos dos praticantes e no equilíbrio da díade.
Considerando o treinador
como modificador de comportamentos, passamos para a abordagem comportamental
onde se pretende sistematizar as pesquisas centradas no tipo de influência que
os treinadores têm nos comportamentos e atitudes dos seus atletas.
Na abordagem
organizacional o treinador surge como líder (com uma conduta de acordo com
as suas próprias características) de uma organização com características próprias
como é a equipa ou grupo desportivo. Nesta abordagem são analisados os
antecedentes e as consequências da intervenção do líder, bem como os
comportamentos por ele manifestados, através do "modelo multidimensional
de liderança no desporto" de Chelladurai, usando a "escala de liderança
no desporto" (Chelladurai & Saleh, 1978; in Serpa, 1995a) como
instrumento de avaliação. Os estudos realizados dentro desta abordagem serão
analisados mais à frente neste trabalho.
Importa ainda referir,
dentro desta análise da relação treinador-atleta, as três grandes correntes
de opiniões encontradas por Crevoisier (1985) (in Serpa, 1995b) num estudo
desenvolvido com treinadores franceses de futebol. Assim esta díade
treinador-atleta deve em primeiro lugar ser intensa, indo para além dos
aspectos profissionais e dever estar essencialmente orientada para as relações
humanas. Deve em segundo lugar manter uma certa distância e uma reserva entre
os dois actores, focalizando-se na tarefa. Finalmente, deve ser realizada tendo
em conta os desejos e características do desportista.
Crevoisier salienta
igualmente que um certo número de indivíduos avaliam o autoritarismo como uma
necessidade numa relação subordinante do atleta relativamente à competência
superior do treinador. Contudo alguns indivíduos reconhecem a utilidade da
comunicação intensa entre treinador e atleta.
A afirmação de
Crevoisier é congruente com os resultados encontrados em vários estudos de
liderança. Referimo-nos aos estudos de Chelladurai & Saleh (1978), Erle
(1981), Chelladurai & Carron (1981), dos quais se pode retirar a seguinte
conclusão: à medida que os atletas ganham experiência ou habilidade, parece
preferirem os seus treinadores mais autocráticos (cit. Chelladurai, 1993).
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O
treinador como líder
-
a análise da díade treinador-atleta-
A análise da relação
entre o treinador e o atleta é um campo multifacetado e influenciado por um sem
número de variáveis que podem contribuir para a harmonia ou ruptura desta díade.
De acordo com o
conhecimento actual sobre a díade treinador-atleta, o comportamento adequado do
técnico é específico de cada díade resultando de quatro factores: características
da actividade desportiva, características do atleta e características do
treinador, num determinado enquadramento situacional. Este comportamento do
treinador exercerá influências ao nível comportamental, cognitivo e afectivo
no atleta determinando a sua adaptação técnica e emocional, das quais resulta
a sua prestação desportiva (Modelo de influências do Treinador, in Serpa,
1995a).
O comportamento do
treinador, enquanto líder de um grupo cujos membros são atletas, tem sido uma
das áreas que maior produção tem originado na investigação da relação
treinador-atleta (Serpa, 1995; Chelladurai, 1994; in Serpa, 1995a).
O estilo de liderança
pode sem dúvida afectar a atmosfera emocional, quer em sessões de treino quer
em competição.
A maior parte dos
estudos desenvolvidos nesta linha de investigação, são estudos que partem do
"modelo multidimensional de liderança no desporto", de Chelladurai,
usando a "escala de liderança no desporto" (instrumento criado por
Chelladurai) e que classifica o comportamento do treinador de acordo com o seu
estilo de interacção (instrução, reforço social e apoio social) e com o seu
estilo de tomada de decisão (autocrático ou democrático).
Os resultados dos
estudos levados a efeito utilizam diferentes variáveis, agrupadas em:
* diferenças
individuais, entre as quais o género ou sexo (Chelladurai & Saleh,
1978; Erle, 1981; Serpa & Antunes, 1989; Liukkonen & Salminen, 1990;
Serpa, Pataco & Santos, 1991), a personalidade, focando a motivação e a
estrutura cognitiva(Chelladurai & carron, 1981; Erle, 1981), a idade (Serpa
1990) experiência desportiva (Chelladurai & Carron, 1981; Erle, 1981), a
maturidade (Chelladurai & Carron, 1983) e a habilidade desportiva (Robinson
& Carron, 1982; Garland & Barry, 1988; Liukkonen & Salminen, 1990).
A percepção dos comportamentos do treinador por parte deste e do atleta foi
também análise de estudo (Horne & Carron, 1985; Gordon, 1986; Salminen,
Liukkonen & Telama, 1990) (in Chelladurai, 1993);
* variáveis
situacionais, tais como os objectivos organizacionais (Erle, 1981), tipo de
tarefa, relacionando diferentes áreas desportivas (Chelladurai, 1978; Liukkonen
& Salminen, 1990; Kim , Lee & Lee, 1990; Serpa, 1990), e diferentes
culturas (Terry, 1984; Chelladurai et al., 1987; Chelladurai et al., 1988) (in
Chelladurai, 1993).
Ainda dentro desta
problemática, foram ainda estudadas três diferentes consequências da liderança:
* a satisfação (Chelladurai,
1978; Summers, 1983; Chelladurai, 1984; Horne & Carron, 1985; Weiss &
Friedrichs, 1986; Schliesman, 1987; Chelladurai et al., 1988; Dweir &
Fischer, 1990; McMillin, 1990; cit. Chelladurai, 1993). Os resultados até
agora obtidos revelam que os atletas sentem-se satisfeitos com o estilo de
liderança desde que o treinador dê mais ênfase às componentes (1)
treino/instrução para uma aumento das suas capacidades e (2) feedback positivo
como reconhecimento e recompensa de uma boa performance (in. Chelladurai, 1993).
* a performance, apesar
de inadequadamente tratada na literatura (Horne & Carron, 1985; Weiss &
Friedrichs, 1986; Gordon, 1986; cit. Chelladurai, 1993). Apesar dos estudos
realizados ainda não é possível verificar se as diferenças nos
comportamentos dos treinadores conduzem para diferentes performances por parte
dos atletas ou se os treinadores tendem a alterar os seus comportamentos de
acordo com o nível de performance das suas equipas (in. Chelladurai, 1993).
* a compatibilidade
treinador-atleta (Horne & Carron, 1985; cit. Chelladurai,1993). Os
resultados deste estudo mostram-nos que em díades compatíveis, os atletas
percepcionavam os seus treinadores como dando feedback’s positivos tanto ou
mais quanto eles desejavam, e como sendo menos autocráticos quanto eles
desejariam (in. Chelladurai, 1993).
Importa talvez referir a
existência de uma outra linha de investigação da liderança (seguida por
Smith & Smoll), orientada essencialmente para os jovens desportistas, com
uma maior elaboração dos comportamentos do líder, utilizando a observação
como instrumento de recolha de dados e com base no Modelo Mediacional de
Comportamentos do Treinador, dando maior ênfase às reacções dos atletas (Chelladurai,
1993).
Por um lado, e como
anteriormente foi referido, o estilo de liderança pode afectar a atmosfera
emocional em sessões de treino e por outro esta mesma atmosfera emocional pode
ser afectada em competição.
Uma outra linha de
investigação tem sido levada a cabo para analisar os comportamentos do
treinador que têm impacto emocional negativo no atleta em situação de competição.
Este modelo (Modelo de Comportamentos Ansiogénicos do treinador) assenta num
postulado de que a percepção do comportamento verbal e não verbal do seu
treinador determina as cognições, emoções e comportamentos de competitivo na
qual esta interacção tem lugar (Serpa, 1995b).
Neste modelo o atleta
procura referências sobre a competição através do comportamento do treinador
para diminuir os seus níveis de ansiedade. Se existir consonância entre as
expectativas do atleta e o comportamento do treinador, não há ansiedade; o
contrário elevará os seus níveis de ansiogenia.
Por outro lado, os
comportamentos do treinador são entendidos como reforço ou punição daquilo
que o atleta faz. Se existir um comportamento considerado inesperado ou injusto
para o atleta, este facto provocará um conflito interno com o treinador,
determinando tensão e consequentemente elevação dos níveis ansiogénicos.
O modelo de
comportamentos ansiogénicos do treinador favorece uma melhor compreensão das
emoções negativas ressentidas pelos atletas a partir da formulação cognitiva
do comportamento do treinador exprimida pelos atletas (Serpa, 1995b).
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Conclusão
A actividade do
treinador consiste numa actividade adaptativa (Madella, Manno, Beccarini,
Carbonaro & Cei, 1994), de definição e enquadramento dos problemas (Coté
& al., 1995), na qual os treinadores põem em jogo os seus conhecimentos práticos
fortemente determinados pela sua experiência como atleta e como treinador (Salmela,
Draper & Laplante, 1993) muitas vezes afastando-se dos preceitos das teorias
do treino e em grande parte implícitas (Gould, Giannini, Krane & Hodge,
1990; Salmela, Russel, Coté & Baria, 1991) (in Durand & Saury, 1995).
A capacidade do
treinador para atingir os seus objectivos passa pelos seus conhecimentos científico
e ainda pela sua capacidade em gerir da forma mais adequada a relação que tem
que estabelecer com um outro, que depende dele, e que interagem em situações
rodeadas de incertezas.
O trabalho do treinador
deve ser no sentido de desenvolver uma orientação para a tarefa e de
desenvolver uma motivação intrínseca. Pensamos que este é um objectivo que só
pode ser alcançado com uma relação treinador-atleta bastante profunda e em
completa harmonia.
Esta harmonia é possível
de ser alcançada através de um conhecimento das preferências do atleta, da
adequação dos comportamentos às diversas situações e de uma negociação
das tarefas e estabelecimento conjunto de objectivos conseguida através da
comunicação entre os elementos desta díade.
O autocontrole do
treinador enquanto líder pode ser fundamental para o equilíbrio desta díade.
O facto de existirem comportamentos "anormais" ou pouco usuais do
treinador podem ter um com impacto emocional negativo nos atletas. Por outro
lado, pensamos que pelo facto de as características pessoais dos atletas serem
diferentes, certo tipo de comportamentos poderá ter um impacto positivo ou
negativo.
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Sugestões
de investigação
Compreender a díade
treinador-atleta não uma tarefa simples e fácil, uma vez que as influências
exercidas por um (o treinador) sobre outrem (o atleta) variam de acordo com múltiplas
variáveis, em determinados contextos.
As sugestões de
investigação aqui propostas passam essencialmente por preocupações em que
estão envolvidos os treinadores desta área especifica do desporto, que são as
actividades gímnicas.
Por um lado, pelo facto
de na ginástica acrobática existirem os grupos, e de nos trampolins ou na ginástica
artística o trabalho desenvolvido ser mais individual:
* Análise das diferenças
dos comportamentos entre treinadores envolvidos em diferentes áreas da ginástica
(Acrobática e Trampolins ou Artística), através do modelo multidimensional de
liderança, com vista a obter resultados sobre a percepção dos atletas e
preferências dos mesmos.
Por outro lado, por se
estar envolvido num trabalho de grupo (par, trio ou quadra) e por se ter alguém
ao lado que pode diminuir o nível de ansiogenia, saber se o impacto dos
comportamentos ansiogénicos do treinador é idêntico ao de alguém que está
completamente só no momento da competição, através da:
* Análise do impacto de
comportamentos ansiogénicos dos treinadores envolvidos em diferentes áreas da
ginástica (Acrobática e Trampolins ou Artística) nos seus atletas.
Finalmente, e devido às
diferentes características da situação:
* Análise do impacto de
comportamentos ansiogénicos dos treinadores envolvidos em diferentes áreas da
ginástica (Acrobática e Trampolins ou Artística) nos seus atletas quando
envolvidos em competições regionais, nacionais e internacionais.
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Bibliografia
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