História dos Jogos Olímpicos
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Testes e Provas Físicas

 

Breve resenha histórica

- O PERÍODO ARCAICO (ATÉ AO FINAL DO SÉCULO VI a. C.)

Este primeiro período foi marcado pela criação do elemento mais importante da vida grega: a Cidade-Estado ou polis, que era constituída por um centro urbano e por uma zona interior rural.  Na polis coexistiam três grupos sociais: a aristocracia, que possuía o poder político e social; os cidadãos livres, que possuíam os direitos e deveres próprios da sua condição de cidadãos; os estrangeiros ou metecos e os escravos, que não tinham quaisquer direitos.
   Deste modo, o agôn desportivo é a tradução directa do agôn político-militar, sendo que o estádio substituía o campo de batalha.  Os jogos deste período, que estavam sob o controle de Pisa, eram modestos, durando apenas um dia. Estes eram sobretudo dominados pelos atletas de Esparta (716-604 a. C.).

- O PERÍODO DO APOGEU (SÉCULO V a. C.)

Este período coincide com o auge da cultura e das grandes vitórias militares dos Gregos sobre os Persas.  Estes factos vieram consolidar a noção de superioridade que os Gregos sentiam em relação aos Bárbaros, aos não Gregos.

 

- O PERÍODO DA DECADÊNCIA (SÉCULOS V E VI a. C.)

    O conflito de 431 a 404 a.C., que opôs Atenas e Esparta quanto ao controlo do mundo grego, terminou com a derrota da primeira e o desmantelamento do seu império.
    A queda de Atenas abalou seriamente a ideologia olímpica.  Embora as provas se desenrolassem como anteriormente, o olimpismo perdeu muito do seu prestígio junto de um largo público.
  
Para tal, muito contribuiu a primeira aparição de fraude e corrupção, sendo um dos exemplos mais conhecidos os subornos oferecidos por um jogador de boxe ao seus adversários para conseguir alcançar a vitória.
  
Esta época foi igualmente o período do desenvolvimento do profissionalismo desportivo.

 

.- O PERÍODO ROMANO E O FINAL DOS JOGOS

    Os Romanos tentaram reavivar os jogos Olímpicos, reorganizando e aumentando a cidade de Olímpia e o santuário.  Mas, em 86 a. C., Sila lembrou-se de arrasar a cidade para humilhar os Gregos.  Em 80 a. C., os jogos foram transferidos para Roma, para onde os atletas foram obrigados a dirigir-se, enquanto que em Olímpia os jogos acabaram por se tornar locais.
   A partir de 76 a. C., o olimpismo foi recuperado pelos imperadores romanos com o objectivo de apoiar o poder imperial.
  
Os jogos, porém, eram apenas uma pálida imagem do que tinham sido anteriormente.  Tornaram-se uma imensa feira internacional, repleta de negócios, arranjos, fraudes e cobardia entre os atletas, como é exemplo o Egípcio Sarapião que fugiu quando viu o seu adversário (!), etc.  Os atletas passaram a participar nos jogos somente por interesse.
  
Os últimos jogos tiveram lugar em 393 d. C. (29305 jogos).  Teodósio II, o Grande, que se tronou imperador em 379 sob a influência do papa Santo Sírio, eliminou afincadamente os últimos vestígios de paganismo. Em 394, um édito imperial declarou a supressão dos jogos.

ELEMENTOS DOS JOGOS

     A organização dos jogos Olímpicos teve a sua forma mais perfeita no século V a. C., período do apogeu desta instituição.  Deste modo, tomaremos como base do nosso estudo sobre os diversos elementos dos jogos esta época.

 A DATA E A DURAÇÃO

A data de celebração desta reunião sagrada de todo um povo variava segundo os anos.  Esta era regulada por um ciclo de noventa e nove meses e tinha lugar no final do mês de Julho ou no início do mês de Setembro.   semelhança do que sucedia com a data, também a duração dos jogos se foi alterando.  Limitados a um só dia na época arcaica, os jogos passaram em seguida a durar dois, três, cinco e, por fim, sete dias, número que simbolizava uma mudança total através de um ciclo consumado e de uma renovação completa e perfeita. .

A PROCLAMAÇÃO DA TRÉGUA

Quando a data dos jogos estava marcada, os spondophes, os arautos sagrados, eram enviados de Élis a todas as cidades gregas para anunciarem e proclamarem a trégua sagrada, que teoricamente suspendia todos os conflitos entre os Gregos.  Os enviados sagrados eram recebidos nas cidades com grande honra.
  
Dois meses antes da abertura dos jogos, os atletas iam escrever-se em Élis nas provas por eles escolhidas.
  
Os atletas inscritos deviam mudar-se para Olímpia um mês antes do jogos:  os treinos tinham lugar na palestra, no ginásio ou no estádio desta cidade.  Após o treino os atletas eram divididos segundo a sua categoria correspondente (idade e força).  Estes tinham de ser Gregos de nascimento, livres e nunca terem sido condenados.

OS RITUAIS DE ABERTURA

Dois dias antes da abertura dos jogos, os oficiais, os atletas, os embaixadores e os treinadores reuniam-se em Élis.  Este era também o momento em que convergiam para Olímpia milhares de pessoas, espectadores e comerciantes vindos de todas as regiões.  Era, então, montado um enorme acampamento para albergar toda esta gente duração dos jogos.  Em seguida, o cortejo olímpico, que era composto por sacerdotes, oficiais, atletas, embaixadores, etc., iniciava "uma marcha de dois dias que partia de Élis em direcção aos lugares sagrados de Olímpia”.  A distância percorrida rondava os 57 Km e tinha várias paragens para se cumprirem certos rituais sagrados.

 
A NUDEZ DESPORTIVA

A nudez desportiva tem uma natureza mítica e cultural.  Contudo, apareceu apenas nos 1505 jogos quando um dos corredores perdeu a sua tanga e saiu vitorioso. Os Gregos tomaram isso como um sinal dos deuses e, a partir daí, a nudez tornou-se obrigatória

A EXCLUSÃO DAS MULHERES E DOS ESTRANGEIROS

O regulamento olímpico especificava que as mulheres casadas, assim como as não casadas e as jovens, não tinham direito a assistir aos jogos, nem a participar nas provas, sob pena de serem lançadas do alto do rochedo do Tipaion.  Têm sido I propostas algumas hipóteses de justificação mais ou menos sérias ou até mesmo completamente descabidas como, por exemplo, a ideia de que as mulheres casadas não podiam ver homens nus para não fazerem comparações com o seu próprio marido (!), o que é idiota e atribui aos Gregos antigos uma noção moderna de pudor que eles definitivamente não tinham.  De facto, a exclusão das mulheres foi originalmente sagrada.

AS SANÇÕES

Os catorze artigos do regulamento pretendiam fazer respeitar as finalidades espirituais e desportivas dos jogos.
  
Os infractores, batoteiros ou corruptos estavam sujeitos a diversas punições.  Para além da exclusão dos jogos, por vezes para sempre, o atleta declarado culpado era obrigado a pagar multas elevadas, as quais eram muitas vezes estendidas à sua família e à sua cidade que eram tidos colectivamente como responsáveis pela falta, logo pelo seu pagamento.  Para as faltas graves podia utilizar-se o chicote.


O ENCERRAMENTO DOS JOGOS

O encerramento dos jogos, revestido de um carácter particularmente sacralizado e solene, tinha lugar no sétimo e último dia.  Sob a direcção dos hellanodikes (Juízes), os vencedores, envergando túnicas douradas e prateadas, desfilavam pelo estádio onde recebiam uma palma e uma coroa de oliveira "composta por folhas da árvore sagrada”.
  
     Ser vencedor nos jogos trazia muitas vantagens.  Graças à sua fama desportiva, o olímpico conseguia frequentemente, muitas vezes já no final da sua carreira, um posto invejável no seio da sociedade civil como treinador ou médico, sobretudo para os que não eram nobres, conselheiro junto do centro do poder público, etc.  Outros eram chamados a comandar os exércitos e outros ainda tiveram grandes carreiras políticas.

AS PROVAS

OS DIVERSOS TIPOS DE PROVAS

Até aos 13°s jogos em 728 a. C., estes limitavam-se a uma única prova, a (corrida simples ou de velocidade no estádio que percorria uma distância de 192,25 m
  
Em 724 a. C. (14°5 jogos), foi introduzido o duplo estádio ou diaulos (400 m.), seguido em 720 a. C. pela corrida de fundo que, segundo consta, variava entre 7 e 24 estádios.
  
Em 708 a. C. (18°S jogos) foram instituídos a luta o pentatlo, composto por cinco provas (corrida, salto em comprimento, luta, lançamento do disco e do dardo.
  
Ao longo do desenrolar dos jogos foram sendo sucessivamente acrescentadas outras provas:
·         o pugilato (688 a. C., 23°s jogos);
·         a corrida de quadrigas (680 a. C., 25°s jogos);
·        
o pancrácio e a corrida de cavalos montados (648 a. C., 33°s jogos);
·        
a corrida com armas ou hiplitodromos, com capacete, escudo, cnémides e, por vezes, com couraça, onde os atletas percorriam uma distância de 2 a 4 estádios (520 a. C., 65°s jogos);
·         a corrida de bigas com mulas (500 a. C., 70os jogos), suprimida em 444 a. C. (84°s jogos);
·        
a corrida de éguas (496 a. C., 71°s jogos);
·         a corrida de bigas para cavalos com dois anos (408 a. C., 93°s jogos);
·         a corrida de bigas com potros (520 a. C., 65°S jogos);
·         a corrida de potros montados (520 a. C., 65°S jogos).

A duração dos Jogos era de 7 dias, desta forma distribuídos;

* Primeiro dia: Realização dos rituais de abertura;
* Segundo dia: Após a abertura oficial dos jogos, este dia era consagrado às provas realizadas no interior do estádio onde os espectadores se sentavam nas bancadas de terra batida.  Cada um apoiava, através de gritos e de gestos, os atletas da sua cidade, sendo que este fervor desportivo e patriótico podia por vezes degenerar em insultos e rixas nas bancadas ou até mesmo no estádio. Quando um atleta entrava no estádio, era anunciado o seu nome, o do seu pai e o da sua cidade.
* Terceiro dia:  Este coincidia com a lua cheia.  Era o dia da modalidade de pentatlo cujas provas descrevemos anteriormente. Os Gregos consideravam-no como o desporto mais completo pois favorecia a harmonia perfeita do corpo.  Sabe-se que a luta era a prova final, embora a sucessão das outras quatro disciplinas (três lançamentos e uma corrida) e a sua respectiva classificação sejam incertas.
* Quarto dia:  Este era dedicado à final da corrida a pé, assim como ao pugilato, a luta e o pancrácio (todas elas com origem militar).
   Na luta, para se vencer bastava conseguir lançar 3 vezes o adversário ao solo.  As formas de aprisionamento são idênticas às de hoje.
  
O pancrácio era mais violento, sendo que todos os golpes eram permitidos, excepto arrancar os olhos e introduzir os dedos nos orifícios dos adversários.
  
O pugilato era ainda mais brutal, pois os atletas envolviam as mãos com correias de couro, que na era romana, foram reforçadas com bicos de ferro.
* Quinto dia: Este era o dia dedicado às provas reservadas aos adolescentes (corrida, luta e pugilato).
* Sexto dia: Consagrado às provas hípicas, sendo a mais popular a corrida de quadrigas.
* Sétimo dia: Realização da cerimónia de encerramento dos jogos.

A PROFISSIONALIZAÇÃO

Até ao final do Século V a. C., o espírito do agon aristocrático marcava ainda os jogos.  Somente os membros da antiga aristocracia podiam participar nas provas, uma vez que era muito dispendioso.  Era necessário ter tempo livre para assegurar os treinos permanentes e frequentar o ginásio, ter meios para pagar um treinador, sendo que o participante era ainda suposto suportar os custos das viagens de ida e volta, da sua estadia e das oferendas a efectuar durante o desenrolar dos jogos.
  
     No entanto, o desporto sofreu uma mudança de origem social que começou a manifestar-se no final do séc. VII a. C. E que se acentuou no século seguinte, apesar do elemento aristocrático se manter nessa época, como em todas as outras, preponderante.
  
     Esta evolução está relacionada com o facto de a guerra deixou de estar reservada aos nobres, passando os plebeus a podem ingressar na falange, a partir do momento em que fossem capazes de custear o seu próprio armamento e que tivessem um mínimo de educação física.
  
     Os ginásios e os estádios tornaram-se então centros militares e desportivos frequentados quer por nobres, quer por plebeus, permitindo que alguns deles seguissem uma carreira desportiva, o que abriu decididamente as portas à profissionalização.

 

O RENASCIMENTO DOS JOGOS OLÍMPICOS

OS PRIMEIROS PASSOS

O proselitismo (religião) desportivo de Coubertin estava, na verdade, direccionado para um único objectivo: a restauração dos jogos Olímpicos e o restabelecimento do ideal do olimpismo antigo.
    A sua demanda foi reforçada por diversas e infrutuosas tentativas de reconstituição dos jogos que este tinha podido analisar durante as suas viagens ao estrangeiro.  Aos poucos, o seu projecto foi tomando forma, faltando-lhe apenas o momento oportuno para o tornar público.  Esta ocasião aconteceu durante a reunião comemorativa do quinto aniversário da USFSA. que teve lugar no anfiteatro da Sorbonne, a 25 de Novembro de 1892.
   
O barão revelou, então, o seu projecto: "Desejo que o renascimento do atletismo leve, em última instância, ao restabelecimento dos jogos Olímpicos.". A resposta que obteve por parte da assistência foi, contudo, uma indiferença educada e generalizada.  Dois anos mais tarde, a 16 de Junho de 1894, novamente na Sorbonne, Coubertin organizou um "Congresso de restabelecimento dos jogos Olímpicos".  Encantado, o público, constituído por delegações francesas e estrangeiras, adoptou unanimemente o projecto do barão.
    Um Comité Internacional - o futuro COI - foi instituído por pessoas amigas de Coubertin (um Argentino, um Sueco, um Húngaro, um Russo e um Americano), assumindo ele próprio o cargo de Secretário Geral e o Grego Dimitrios Bikelas o de Presidente.  Obedecendo à vontade de Coubertin, que se recordava da derrota francesa de 1870, nenhum Alemão fazia parte do Comité e a participação da Alemanha nos "seus" jogos não era bem-vinda, muito embora esta fosse uma nação desportiva.
   
A periodicidade quadrienal dos jogos antigos foi mantida e o Comité, cujos estatutos foram inúmeras vezes modificados, ficou encarregue de escolher entre as cidades candidatas a que acolheria os jogos. O barão desejava que estes tivessem lugar em terras helenas e, como seria de esperar, Atenas foi a cidade eleita para receber, em 1896, os primeiros jogos Olímpicos modernos.

OS JOGOS OLÍMPICOS ATÉ 1914

 ·         ABRIL DE 1896 - JOGOS DE ATENAS (GRÉCIA).

·         13 países (295 desportistas)

Foi um regresso, desejado por Coubertin, às fontes helénicas.  Nesta ocasião, graças ao banqueiro grego G. Averoff, por 920.000 dracmas de ouro e um subsídio do Estado grego, o antigo estádio de mármore branco de Licurgo situado junto à acrópole foi restaurado.
   
13 países (295 desportistas) participaram nestes jogos perante mais de 50.000 espectadores.  O número de provas era limitado:
-          Atletismo (100 m., 400 m., 800 m., 1500 m., 110 m. barreiras, maratona, salto em comprimento, salto em altura, triplo salto, salto à vara, lançamento do peso, lançamento do disco);
-          Ginástica (por equipas, argolas, barras fixas, barras paralelas, cavalo de arções e salto de cavalo);
-          Luta (luta livre, mais de 100 kg.)
-          Halterofilia (levantamento com um braço, levantamento com ambos braços);
-          Natação (100 m. livres, 100 m. reservados aos marinheiros);
-          Ciclismo (1.000 m. velocidade, contra relógio, 1.500 m., 100 m., 12 h., corrida individual em estrada);
-          Esgrima (florete individual, sabre individual)
-          Ténis (ao ar livre: individuais e pares );
-          Tiro (carabina de ar comprimido, pistola de cinco silhuetas, livre 50 m., espingarda de guerra, pistola de duelo, revólver).
   
A equitação, originalmente prevista, foi suprimida por falta de infra-estruturas.  Todos os participantes eram homens.  Certas provas, presentes nos jogos antigos, estiveram ausentes em Atenas, tais como o dardo, o pentatlo, o boxe e a corrida com armamento.
   
Na memória destes jogos ficou sobretudo viva a vitória do Grego Spiridon Loüys que venceu a maratona (40 km.) em 2h.58m e 50s.

 ·         1900 - JOGOS DE PARIS (FRANÇA)

·         20 países (1.060 participantes).

Intercalados com a Exposição Universal, que atraiu a grande maioria dos espectadores em detrimento dos jogos, tiveram um sucesso limitado.
   
Mal organizados (falta de espaço, infra-estruturas defeituosas, provas anuladas no último minuto, etc.), estes jogos improvisados não tiveram nem cerimónia de abertura, nem cerimónia de encerramento.
   
Apareceram outras provas: 200 m., 3.000 m., e 4.000 m. steeple, lançamento do dardo, golfe, 100 m. e 4.000 m. de natação livre, estafetas de 4x100 m. de natação, 200 m. com obstáculos, pólo aquático, remo (skiff, dois com e sem timoneiro, oito), equitação (alta escola equestre e saltos de obstáculos), esgrima (espada), ténis (misto), tiro (fosso, por equipas aos pombos de barro, etc.), pólo, rugby e uma corrida com sacos! Nestes jogos, contra a opinião do Barão, participaram 12 mulheres no golfe e no ténis, sendo a inglesa Ch. Cooper a primeira medalhada.

 ·         1904 - JOGOS DE SAINT-LOUIS (EUA)

·         11 países (496) desportistas.

Pela primeira vez, os jogos atravessaram o Atlântico e instalaram-se em Saint-Louis (Missouri). Estes ocorreram em simultâneo com a Exposição Universal e os Anthopological Days (12-13 Agosto).
   
Apareceram novas provas: a corrida de 60 m., a marcha de 3000 m. por equipas, o lançamento da pedra de 25,5 kg., golfe feminino por equipas, as barras fixas, maças, diversas categorias de luta (52 kg., 62 kg., etc.) e de boxe (mosca, galo, pluma, etc.), natação (100 m. costas, 1/4 de milha bruços), remo (duplo scull), ciclismo (10.000 m., 2 milhas).
   
O barão, desiludo com a escolha da cidade, não compareceu, assim como os desportistas franceses, italianos e ingleses assustados com a duração e com o custo da viagem.
   
Nestes jogos, dominados pelos Americanos, assistiu-se pela primeira vez à fraude (F. Lorz que efectuou parte da maratona de carro), e à dopagem (Th. Hicks, dopado com conhaque e com sulfato de estriquinina).

·         1906 E 1908 JOGOS DA GRÉCIA E JOGOS DE LONDRES (INGLATERRA)

·         22 países (2.059 desportistas).

A Grécia querendo recuperar os "seus" jogos, organizou a sua própria competição em 1906 afim de comemorar o 10º aniversário dos primeiros jogos modernos.  Apesar do seu sucesso, o COI recusou-se a atribuir- lhe o estatuto olímpico. Deste modo, foi em 1908 que tiveram lugar os jogos oficiais em Londres, intercalados com a Exposição Franco-Inglesa.
   
O futebol, o hóquei em campo e os 200 m. bruços tornaram-se provas olímpicas.  Apareceu uma outra inovação: a pista de corrida dividida em corredores, na sequência de um dos três desportistas americanos ter voluntariamente agredido pelo seu adversário inglês.  Na maratona, o italiano P. Dorando foi aclamado unanimemente, acabando por ser desclassificado por ter sido apoiado durante a corrida.  Esta foi igualmente a última vez que esta disciplina foi efectuada em linha recta.  Outra novidade: a celebração dos primeiro jogos de Inverno, integrados nos jogos clássicos, com a participação de 6 países (20 desportistas, 14 homens e 6 mulheres).  Estes foram constituídos por uma única prova: a patinagem individual masculina, feminina e mista.  Os Suecos, protegendo os seus jogos Nórdicos previstos para 1913, recusaram-se a renovar a experiência nos jogos de Estocolmo.

 ·         1912 - JOGOS DE ESTOCOLMO (SUÉCIA)

·         28 países (2 541 desportistas), entre eles o Japão e a Rússia.

Os jogos conseguiram emanciparam-se de todas as pressões exteriores.  As mulheres, que já participavam no ténis, no tiro ao arco, no golfe e na patinagem, passaram a participar igualmente na natação (100 m. livres e salto de grande altitude).  Contudo foram as provas de atletismo que tiveram um maior desenvolvimento (5 000 m., 4x400 m. estafetas, etc.), sobretudo o pentatlo e o decatlo, onde o vencedor J. Thorp, um Índio americano, foi desclassificado por profissionalismo.
   
Deu-se a primeira morte olímpica: o corredor português F. Lázaro, morreu de desidratação e cansaço.
   
Coubertin juntou às provas desportivas as provas artísticas (pintura, música, literatura, etc.), tendo conquistado a medalha de ouro em literatura, sob o pseudónimo de Hohrod e Eschbach, com uma Ode ao desporto.

  OS JOGOS OLÍMPICOS DE 1920 A 1998

    Em 1914, a realidade política deitou por terra as ideias utópicas e generosas dos homens, estilhaçando por completo o olimpismo apesar deste sempre se ter apresentado como humanista e pacifista, capaz de aproximar os povos.
   
O campo de batalha foi substituído pelo estádio ou pelo campo de futebol.  Contudo, a Alemanha imperial tinha conseguido obter a realização dos jogos de 1916 em Berlim, com o auxílio dos membros alemães do COI.  Os "pré-jogos" foram realizados em Junho de 1914.  O desencadear do conflito mundial, a 1 de Agosto desse mesmo ano, pôs fim a essas esperanças.  Os Americanos propuseram, então, transferir os jogos para Cincinnati, pedido este que foi rapidamente rejeitado pela Alemanha que ainda não tinha renunciado ao seu mandato.  Esta cláusula era importante, tendo sido destacada pelo próprio Coubertin, que argumentava que o olimpismo era independente da política dos Estados e que mesmo uma única prova das olimpíadas valia a pena ser realizada apesar das circunstâncias serem adversas à celebração dos jogos. No ano de 1914, assistiu-se à adopção da bandeira olímpica.

 ·         1920 - JOGOS DE ANTUÉRPIA (BÉLGICA)

·         20 países (2606 participantes), onde a URSS, a Alemanha e a Áustria estiveram ausentes.

Uma vez reencontrada a paz, o COI, instalado desde então em Lausanne, confiou à Antuérpia a realização dos 80S jogos.
   
Uma novidade: A primeira realização do juramento olímpico pronunciado pelo Belga V. Boin.
   
Novas provas foram introduzidas: os pares mistos no ténis, o boxe (interdito desde 1808), e o hóquei no gelo.

  • 1924 Jogos de Paris

·         44 países (13.092 desportistas) e jogos de Inverno de Chamonix, 16 países (294 participantes).

A Alemanha e a URSS foram novamente afastadas.
   
Certas provas desapareceram (rugby, tiro aos pombos de barro, tiro livre a 300 m. e singulares de ténis ao ar livre, femininos e masculinos, os pares e os mistos, etc.), enquanto outra foram adoptadas, como o salto equestre masculino em comprimento, os 100 m. costas feminino, o florete individual feminino.
   
No desporto, ficaram para história os desempenhos dos Finlandeses P. Nurmi e V. Ritola (18 medalhas) e a vitória de J. Weissmüller, o futuro Tarzan, nos 100 m. livres de natação.
   
Mas o ano de 1924 é principalmente recordado pela organização dos primeiros jogos Olímpicos de Inverno, em Chamonix, que tiveram lugar antes e independentemente dos de Verão. As provas incluíam a patinagem (figuras livres e impostas), o hóquei sobre o gelo, velocidade masculina, esqui nórdico (18 km., 50 km., de fundo, salto e salto no trampolim), o bobsleigh de quatro e a corrida de ronda militar. Os Escandinavos, os Canadianos e os Suíços destacaram-se perante um público entusiasta.

 ·         1928 - JOGOS DE AMSTERDÃO (HOLANDA)

·         46 países (3.292 desportistas) e jogos de Inverno de Saint-Moritz (Suíça), 25 países (362 desportistas).

A Alemanha regressou às competições olímpicas.
   
Uma novidade foi adoptada: a chama olímpica passou a manter-se acesa durante o decorrer das provas.
   
Os jogos de Verão assistiram à entrada em força das mulheres nas provas de atletismo. Estas passaram a participar nos 100 m., nos 800 m., nos 4x100 m. estafetas, no lançamento do disco e no salto em comprimento.
   
O ténis, impregnado de profissionalismo, desapareceu.
   
Os facto mais marcantes foram as vitórias dos Finlandeses Nurmi e Ritola e dos Japoneses no triplo salto e nos 200 m. bruços femininos.
   
Os jogos de Inverno, onde foram adoptados os 19,700 km. de esqui masculino, tiveram grande sucesso embora o público continuasse a preferir os jogos de Verão.

 ·         1932 - JOGOS DE LOS ANGELES (EUA)

·         40 países (1.429 desportistas), entre os quais a China e Colômbia, e jogos de Inverno em Lake Placid (EUA), 17 países (278 participantes).

Com o objectivo de fazer esquecer a Grande Depressão, a "quinta-feira negra" de 1929, a América utilizou os jogos de Los Angeles para demonstrar o seu poder político e económico reencontrado.
    Tudo era grandioso e imbuído do pomposo estilo hollywoodesco (estádio com cem mil lugares, aldeia olímpica guardada por cowboys (!), milhares de cantores, de músicos e de bandeiras, desfiles intermináveis, etc.).
   
Poucas provas foram adoptadas (dardo para senhoras, corrida de 50 km. masculina, luta greco-romana, etc.), mas cada país passou apenas a poder inscrever três concorrentes nas provas individuais.  
    A maioria das provas de atletismo foram ganhas pelos Americanos, no seio dos quais se iniciou o reinado dos corredores de raça negra (E. Tolan, R. Metcalphe, etc.), enquanto os Japoneses se destacaram na natação e os Franceses se distinguiram na equitação.
   
Nos jogos de Inverno, as competições, exceptuando a de patinagem, atraíram pouco público.  O bobsleigh a dois tornou- se olímpico.  Os Americanos e os Escandinavos impuseram-se novamente.

 ·         1936 - Jogos de Berlim (Alemanha)

·         49 países (4.793 desportistas) e os jogos de Inverno de Garmish-Partenkirchen (Alemanha), 28 países (600 participantes).

Segundo a opinião de vários especialistas fidedignos, os jogos de Berlim foram os mais faustosos e melhor organizados do olimpismo moderno.
   
Estes jogos tiveram duas inovações: a primeira estafeta da tocha a partir de Olímpia e a primeira transmissão televisiva.
   
Certas modalidades tornaram-se olímpicas: o caiaque, o basquetebol e o andebol, ambos masculinos.
   
Uma das vedetas foi o corredor negro americano J. Owen (4 medalhas de ouro). 
   
Os atletas alemães venceram por superioridade de classe a quase totalidade dos atletas estrangeiros, tendo contabilizado 89 medalhas (33 de ouro, 26 de prata e 30 de bronze) e 181 pontos, bem mais à frente dos EUA (124 pontos) e a França que obteve apenas 39 pontos.
   
Os jogos de Inverno acolheram as provas de esqui alpino (descida masculina e feminina, slalom, combinado alpino, etc.), cujos grandes vencedores foram os Noruegueses, tendo Sonia Henie alcançado a sua terceira medalha de ouro.

 ·         1940 e 1944: 

Este período foi caracterizado por um novo fracasso da trégua olímpica.  Os 12ºs jogos deviam ser realizados no Japão, que festejava o 2600º aniversário da dinastia reinante, mais precisamente em Tóquio (jogos de Verão) e Sapporo (jogos de Inverno).
   
Todavia, dificuldades financeiras e técnicas, assim como um boicote organizado pelos EUA e pela Inglaterra na sequência do atentado japonês contra a China, forçaram o Japão a retirar-se oficialmente dos jogos.
   
Apesar do início do segundo conflito, o COI designou, então, Helsínquia para os jogos de Verão e Garmish- Partenkirchen para os de Inverno.
   
No entanto, Hitler ordenou finalmente o encerramento dos trabalhos em Outubro de 1939, tendo a Finlândia interrompido os seus em Abril de 1940.
   
Os jogos Olímpicos de Verão de 1944, que eram supostos ter lugar em Londres, assim como os de Inverno em Garmish-Partenkirchen, foram igualmente anulados.

·         1948 - JOGOS DE LONDRES

·         59 países (4.106 desportistas) e os jogos de Inverno de Moritz, 28 países (878 participantes).

Após a tormenta, a dispersão dos seus membros e morte do seu presidente, o conde de Baillet-Latour, sucessor de Coubertin, o COI estava perplexo em relação ao futuro do olimpismo.
   
O seu novo presidente, o Sueco J. Sigfrid Edstrom reorganizou o Comité e lançou as candidaturas.  Só duas cidades, Londres e Saint-Moritz, se apresentam como candidatas.
   
Os jogos de Londres, os jogos da reconstrução, realizaram-se num ambiente sombrio.  A ausência da Alemanha, do Japão e da URSS, assim como o desaparecimento de numerosos desportistas permitiram aos americanos restabelecer a sua supremacia no atletismo e na natação, enquanto a França se classificava em terceiro lugar com 11 medalhas de ouro, 8 de prata e 15 de bronze.
   
Algumas provas tornaram-se modalidades olímpicas: salto em comprimento feminino, lançamento do peso feminino, a categoria galo em halterofilia, swallon, firefey e dragões em iate, etc.
   
Duas mulheres atraíram as atenções: F. Blankers-Koen, a "Holandesa Voadora", com 4 medalhas de ouro em atletismo, e M. Ostermeyer com 2 medalhas de ouro e uma de bronze no lançamento do peso e do disco e no salto em altura.
   
Os jogos de Inverno mobilizaram poucas pessoas. São de assinalar as vitórias do Francês H. Oreiller com 3 medalhas em esqui alpino.

 ·         1952 - JOGOS DE HELSÍNQUIA (FINLÂNDIA) 

·         69 países (4.925 desportistas) e jogos de Inverno de Oslo (Noruega), 30 países (732 desportistas).

Os jogos de Verão contaram com a participação em massa de atletas do Leste comunista (URSS, RFA, etc.).
   
Novas modalidades foram introduzidas: 20 km. marcha, o concurso individual feminino de ginástica, trave, barras assimétricas, salto de cavalo, exercícios no solo, etc., os superwelters no boxe, etc.
   
Os Soviéticos foram os protagonistas destes jogos, sobretudo no atletismo e na ginástica, tendo ganho quase todas as medalhas.
   
Mas a atracção mais célebre foi o duelo Mimoun/ Zatopek, a "Locomotiva Checa", que ganhou as provas dos 5.000 e 10.000 m., assim como a maratona.
   
Quanto à França, são de salientar as vitórias dos primos d'Oriola - Christian no florete e Pierre Jonquieres na equitação - e a vitória de J. Boiteaux nos 400 m. livres, em que o pai se atirou completamente vestido para a piscina para felicitar o filho!
   
Neste ano, o Americano A. Brundage, hostil ao profissionalismo e à ingerência da política no desporto, tornou-se o novo presidente do Col.
   
Os jogos de Inverno de Oslo viram a primeira estafeta da tocha.
   
O slalom gigante masculino e feminino e os 10 km. de esqui nórdico tornaram-se modalidades olímpicas.

 ·         1956 JOGOS DE MELBOURNE (AUSTRÁLIA)

·         67 países (3.184 desportistas) e os jogos de Inverno de Cortina d'Ampezzo (Itália), 33 países (923 participantes).  

Estes 16ºs jogos de Inverno conheceram uma série de pequenos boicotes: por parte da China comunista que se recusou a participar ao lado da China nacionalista da Taiwan, do Egipto, do Iraque e do Líbano que desejavam a exclusão da França, da Inglaterra e de Israel devido ao conflito do Suez e, por fim, da Espanha, da Holanda e da Suíça para protestar contra a repressão soviética da insurreição húngara em Budapeste.
   
Mas mais grave foi o encontro de futebol aquático em que se opunham os Húngaros e os Soviéticos, que terminou num combate de boxe tanto entre os jogadores, como entre os espectadores.
   
Para além disso, dos 112 membros da delegação húngara, somente 44 regressaram ao seu país.
   
Os Americanos brilharam no atletismo, os Australianos na natação e os Franceses no ciclismo, nomeadamente com M. Rosseau.
   
Note-se que as provas de equitação, devido a uma lei de quarentena para os animais, tiveram lugar em Estocolmo.
   
Os jogos de Inverno assistiram à primeira participação dos Soviéticos. Os Alemães, os Austríacos e os Suíços dominaram as provas.

 ·         1960 JOGOS DE ROMA (ITÁLIA)

·         84 países (5 337 desportistas) e jogos de Inverno de Squaw Valley (EUA), 31 países (648 participantes).

Os jogos de Verão foram mediatizados pela primeira transmissão da Eurovisão, reforçada pelo facto de todos os atletas terem sido recebidos numa audiência pelo Papa João XXIII.
   
Os Italianos alcançaram inúmeras vitórias na esgrima, no ciclismo, no boxe, na equitação e no atletismo.  São de referir as vitórias dos Americanos D. Bragg, o futuro Tarzan (salto em altura), R. Boston (salto em comprimento) e C. Clay (boxe), assim como do Etíope Abebe Bikila (maratona), W. Rudolph (3 medalhas de ouro no atletismo) e da equipa Paquistanesa que jogou contra a Índia na prova de hóquei em campo.
   
Estes jogos foram ensombrados pela morte, provavelmente na sequência de dopagem, do ciclista dinamarquês Jensen.
   
O jogos de Inverno assistiram à aparição do biatlo.

 ·         1964 JOGOS DE TÓQUIO (JAPÃO)

·         94 países (5 558 desportistas) e os jogos de Inverno de Innsbrück (Áustria), 38 países (933 desportistas).

Estes foram os primeiros jogos a serem realizados na Ásia, beneficiando também de uma primeira transmissão mundial.
   
O ideal olímpico sofreu um novo atentado: a África do Sul foi excluída dos jogos.
   
Sendo que estes tiveram lugar em Tóquio, os Japoneses conseguiram que o judo fosse inscrito no programa, esperando conquistar 4 medalhas de ouro. No entanto, os judocas nipónicos foram batidos pelo Holandês A. Geesink.

O voleibol tornou-se igualmente modalidade olímpica, tendo a URSS triunfado na provas masculinas e o Japão nas femininas.  No atletismo, os 100 m. foram percorridos pela primeira vez em menos de 10 s. por B. Hayes, cognominado "The Duck" devido ao seu estilo de corrida semelhante a um pato.  A única medalha de ouro francesa foi alcançada por P. Jonquieres d'Oriola na equitação.
   
Os jogos de Inverno assistiram à introdução de novas provas: 5 km. de esqui nórdico feminino, trenó individual, duplo masculino e individual feminino. Estes jogos foram dominados pelos Austríacos, pelos Italianos e pelos Suíços.

 ·         1968 - JOGOS DO MÉXICO (MÉXICO)

·          109 países (6 082 atletas) e jogos de Grenoble (França), 38 países (1 293 desportistas).

A escolha do México suscitou inúmeras polémicas: por parte dos EUA que teriam preferido a cidade de Detroit e que acusaram o México de ter comprado os membros do COI, por razões de saúde relacionadas com a altitude da cidade (2 240 m.), desfavorável a todos os desportistas excepto aos lançadores, devido à sua elevada taxa de poluição mas, principalmente, como consequência da repressão sangrenta de uma manifestação estudantil, a 3 de Outubro, que fez perto de 300 mortos e cerca de 1 200 feridos.
   
Contudo, o COI ignorou estas questões e a cerimónia de abertura aconteceu na data prevista com grande pompa.
   
Foram adoptadas novas provas de natação (100.m. bruços e 100 m. mariposa masculina, 800 m. livres, etc.) e uma nova técnica de salto em altura, feito de costas, o "Fosbury flop", do Americano A. Fosbury. No lado francês, é de realçar a vitória de C. Besson no 400 m. Femininos.
   
Mas o acontecimento marcante foi extra-desportivo: a manifestação de desportistas americanos negros pertencentes as Black Power, que protestaram contra a segregação racial vigente nos EUA.  Foi nomeadamente o caso de Evans, James, Freeman e, principalmente T. Smith e J. Carlos, os quais no momento da entrega das medalhas, enquanto se ouvia o hino americano, foram recebê-las com luvas pretas.
   
Para grande satisfação de De Gaulle, que prendia afirmar a França na cena internacional, os 12°s jogos de Inverno foram realizados em Grenoble, tendo beneficiado da primeira transmissão televisiva a cores.  
   
Nada foi deixado ao acaso, com o objectivo de tornar estes jogos memoráveis a começar por um custo financeiro enorme - mais de 500 milhões de francos - e uma cerimónia de abertura original (lançamento de flores de papel perfumadas, para pára-quedistas que formaram os anéis olímpicos etc.).
   
Estes jogos foram essencialmente "franceses", tendo ficado marcados pelas vitórias de Jean- Claude Killy, Guy Perillat, Marielle Goitschel, Annie Famose, Isabelle Mir no esqui e P. péra na patinagem. É de referir ainda a vitória do Italiano F. Nones nos 30 km. de esqui nórdico, face aos seu rivais finlandeses e noruegueses.

 ·         1972 - JOGOS DE MUNIQUE (ALEMANHA)

·         122 países (7.147 participantes) e jogos de Inverno de Sapporo (Japão), 35 países (1.128 participantes).

Embora um novo atentado ao ideal olímpico tenha acorrido com a exclusão da Rodésia a pedido de alguns países africanos, os jogos de Munique foram sobretudo marcados pelo rapto de nove desportistas israelitas, a 5 de Setembro, pelos Palestinianos do "Setembro Negro".  Em consequência de conversações mal sucedidas, a polícia atacou e o resultado foi a morte de 16 pessoas (2 polícias, 5 Palestinianos e 9 sequestrados).  No dia seguinte, as provas recomeçaram.
   
Os Americanos impuseram-se na natação, nomeadamente com M. Spitz (7 medalhas de ouro), que bateu 7 recordes do mundo.
   
Na ginástica teve início o reinado das crianças-mulheres desportistas, como a Soviética O. Korbut na trave e no solo ou, nos jogos seguintes, a Romena N. Comaneci.
   
O atletismo foi dominado pelos Alemães (W. Nordwig, H. Rosendahl, U. Meyfarth, etc.) e pelos desportistas da Europa de Leste. O Francês G. Drut ganhou a medalha de prata dos 110 m. barreiras.
   
Os jogos de Inverno ficaram marcados pela supremacia dos Alemães, dos Austríacos, dos Suíços e dos Canadianos.

 ·         1976: JOGOS DE MONTREAL (CANADÁ)

·         88 países (6.189 participantes) e jogos de Inverno de Innsbrück, 37 países (1 261 participantes).

Estes jogos foram marcados pelo desequilíbrio, tendo Montreal chegado mesmo a pensar em renunciar aos jogos por duas razões: o enorme défice financeiro que eles representavam para o Canadá e os inúmeros problemas políticos.  Embora o COI tenha aceite a exclusão da Tailândia, recusou a da Nova Zelândia, cuja equipa de rugby tinha jogado contra os Springboks Sul africanos, pouco depois do "Caso Soweto", o que levou ao boicote de 27 países africanos, com excepção da Costa do Marfim e do Senegal.
   
Iniciados a 17 de Julho na presença da rainha Elizabete, assistiu-se nestes jogos à supremacia quase total - e algo suspeita - dos atletas femininos e masculinos da URSS e da RDA no atletismo, na natação e na ginástica, com o "fenómeno" N. Comaneci (14 anos).
   
O Finlandês L. Viren ganhou os 5.000 m. e os 10.000 m. e G. Drut os 110 m. barreiras.
   
Na classificação por nações, a URSS contabilizava 48 medalhas de ouro, a RDA 40 e os EUA 34.
Nos jogos de Inverno não ocorreram quaisquer recordes espectaculares, embora estes tenham sido marcados por medidas de segurança draconianas: os desportistas eram escoltados por militares e polícias armados e acompanhados por cães, coisa nunca antes vista no mundo olímpico!

 ·         1980: Jogos de Moscovo (URSS)

·         81 países (5.503 participantes) e jogos de Inverno de Lake Placid, 37 países (1.283 participantes).

Mais uma vez surgiram problemas políticos. Embora os países africanos tivessem regressado às provas, em contra partida 58 nações, com excepção da França e da Grã- Bretanha, boicotaram os jogos por duas razões: "o caso Sakharov" e a entrada das tropas da URSS no Afeganistão em Dezembro de 1979.
   
Os investimentos foram colossais, mas o Comité encarregue da organização fez uma concessão à economia de mercado, fazendo apelo à ajuda financeira das multinacionais (Adidas, Coca-Cola, etc.).
   
A URSS, a RDA, a Bulgária, a Hungria, a Roménia, a Polónia e Cuba foram os vencedores incontestáveis no atletismo, natação e ginástica.
   
A França sobressaiu no judo (Rey, Parisi, etc.) e na esgrima (florete e espada). O COI elegeu um novo presidente J. A. Samaranch.
   
Os jogos de Inverno caracterizaram-se por pontuações medíocres e, principalmente, por uma organização defeituosa a nível do alojamento (a aldeia olímpica foi uma futura prisão!), dos transportes, da alimentação, e da comunicação, acontecendo que os oficiais se esquecessem frequentemente de prevenir os desportistas quanto às competições e os vencedores quanto à hora e local da entrega das medalhas!  Em contrapartida, a segurança teria merecido uma medalha de ouro (alta vigilância assumida por mais de 1.500 polícias, aldeia- prisão, controlos constantes, redes electrificadas, etc.).
   
A nível desportivo, os jogos de Inverno foram pouco interessantes, com excepção do desempenho do Americano E. Heiden que alcançou 5 vitórias na patinagem de velocidade e a Soviética I. Rodnina que ganhou a sua terceira medalha de ouro consecutiva na patinagem artística.  A França contentou-se apenas com uma medalha de prata, a de P. Pelen, no slalom gigante feminino.

 ·         1984: JOGOS DE LOS ANGELES (E.U.A.)

·         140 países (7.078 participantes) e jogos de Inverno em Sarajevo (Jugoslávia) 49 países (1.480 participantes).

O Presidente da Câmara de Los Angeles concordava com a realização dos jogos, mas recusava-se a pagar o preço.  O resultado foi que as multinacionais, dirigidas pelo empresário P. Ueberroth, se encarregaram da questão financeira para seu grande proveito.  A MacDonalds, por exemplo, encarregou-se da construção da piscina.
   
17 países, entre os quais a URSS, a RDA, a Coreia do Norte, Cuba, etc. boicotaram os jogos invocando o smog (nevoeiro químico), o mercantilismo, o profissionalismo do futebol e a instalação dos Pershing na Europa. 
   
Em contrapartida, a China Popular esteve presente, tendo alcançado uma medalha de ouro na pistola.
   
Apareceu a primeira maratona feminina ganha pela Americana J. Benoit e o tiro feminino.  Os Americanos conquistaram a maior parte da medalhas no atletismo, nomeadamente com C. Lewis (4 medalhas de ouro), com E. Moses, V. Brisco Hooks e M. Lou Retton na ginástica e com M. Gross na natação.  A França sobressaiu na esgrima (Lamour, Boisse, Riboud, etc.) no judo e no futebol.
   
A Roménia, o único país comunista presente impôs-se no atletismo, na ginástica e no futebol, conquistando o maior número de títulos logo a seguir aos EUA.
   
Os jogos de Inverno tiveram como principais vencedores ao Austríacos, os Suíços e os Americanos.

 ·         1988: JOGOS DE SEUL (COREIA DO SUL)

·         160 países (9.500 participantes) e jogos de Inverno de Calgary (Canadá).

A atitude ameaçadora da Coreia do Norte e os movimentos de oposição interior de esquerda, justificaram o emprego de forças e de medidas de segurança sem precedentes na história do olimpismo.
   
Os desportistas e as infra-estruturas foram protegidas por mais de 120.000 militares e polícias armados, com cães, detectores de metais, etc.
   
A Coreia do Norte, a Albânia, Cuba, a Etiópia e a Nicarágua boicotaram os jogos.
   
24 desportos (237 provas) foram representados, tendo igualmente ocorrido demonstrações de basebol, judo feminino, badmington, bowling e taekondo.
   
Após 64 anos de ausência, o ténis foi reposto, em simultâneo com o ténis de mesa, revelando nomes como o Checo M. Mecit, a Alemã S. Graf e o Argentino G. Sabatini.
   
Os EUA viram a sua supremacia ser derrotada pelos Soviéticos nos desportos em equipa, pelos Quénianos na corrida de fundo e de semi-fundo e pelos Franceses na equitação e na esgrima.
   
A natação foi dominada pelas duas Alemanhas, nomeadamente para nadadora de Leste K. Otto, que alcançou 6 vitórias.
    No atletismo, são de referir as vitórias dos Americanos J. Joyner e C. Lewis e da Americana F. Griffith Joyner.
   
O Canadiano B. Johnson foi desqualificado por dopagem, entregando a sua medalha de ouro nos 100 m.

 ·         1992: JOGOS DE BARCELONA (ESPANHA)

·         jogos de Inverno de Alberville (França).

Para além dos jogos, a Espanha associou a Exposição Universal de Sevilha e a comemoração do 500 anos da viagem de Cristovão Colombo às Índias.
   
25 desportos estiveram presentes em Barcelona, onde foram entregues mais de 250 medalhas de ouro.
   
Houve várias demonstrações desportivas: pelota basca, hóquei em patins e soft-ball, versão feminina do basebol.
   
A África do Sul foi readmitida nas provas olímpicas, enquanto as duas Alemanhas e as duas Coreias estiveram presentes, cada uma delas apresentando apenas uma única equipa.
   
Os jogos de Alberville (Sabóia) reuniram 2.500 desportistas em cinco disciplinas (57 provas): o esqui nórdico, alpino e artístico, o bobleigh, o trenó, as várias modalidades de patinagem, o hóquei e o short track (pista curta), com demonstrações de esqui de velocidade e artístico (sala e ballet) e o curling.
   
Após a exclusão em 1940, em consequência da sua anexação por parte da URSS, os Estados Bálticos (Lituânia, Letónia e Estónia) furam novamente reintegrados nas competições olímpicas.  O sucesso destes jogos foi o resultado da acção dinâmica do Comité Organizador (COJO) e de uma importante iniciativa de sponsoring que reagrupou doze grandes grupos franceses, reunidos no Clube Coubertin, que pagaram 720 milhões de francos pelo direito de exploração comercial da competição.
   
Em Outubro de 1986, tendo em conta o crescimento desmesurado e os custos dos concursos olímpicos, o COI decidiu que, a partir daí, os jogos de Inverno passariam a ser alternados com os jogos de Verão.
   
Deste modo, a sucessão foi a seguinte: os jogos de Inverno de Lillehammer (Noruega) em 1994; os jogos de Verão de Atlanta (EUA) em 1996, onde se assistiu à vitória dos desportistas americanos e do deus dólar; os jogos de Inverno em Nagano (Japão) em 1998, e finalmente os jogos de Verão do ano 2000 que tiveram lugar em Sidney, na Austrália.

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