História da Educação Física
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Testes e Provas Físicas

 

Desde a Era Primitiva até à Antiga Grécia
            De um modo geral, as actividades lúdicas estavam estritamente ligadas aos esforços de sobrevivência e, também, às cerimónias religiosas.
            As práticas relacionadas com os problemas primordiais da alimentação, do abrigo e do vestuário, como a caça, a pesca e a guerra, não se desligava das lutas, danças e jogos, que desempenhavam um papel destacado a nível das representações da vida e do mundo.
            Para satisfazer as suas necessidades vitais e proteger-se de uma natureza hostil, o homem não se limitava à colheita de frutos e raízes, sendo obrigado a praticar a caça e a pesca.

           Na caça tinha a oportunidade de comprovar a importância da força, da rapidez e da agilidade e, portanto, tomava consciência do aperfeiçoamento das capacidades físicas.
           O manejo das lanças e o arremesso de pedras exigiam força e habilidade.
           A travessia de planos de água recomendava a natação e, em muitos casos, grandes aptidões para uma imersão prolongada.
           O encontro com outros grupos humanos suscitava a luta corporal.
Em qualquer dos casos, os homens tinham a experiências constante do valor das capacidades físicas.
  
         Os jogos de movimento constituíam as grandes oportunidades de exercício corporal, tornando-se difícil separar nestas actividades o conteúdo lúdico  do que se relacionava mais directamente com o trabalho.
  
         Entretanto, os jogos e outros exercícios corporais utilizavam-se também na preparação militar, em especial depois da descoberta da metalurgia e da produção de utensílios de metal e na sequência do aparecimento cada vez mais elevado de excedentes.  Os homens passaram a confrontar-se com maior frequência e então o que antes era treino para o aperfeiçoamento do processo produtivo passou a ser igualmente educação para a guerra.  Nesta linha, a preparação militar teria sido a primeira forma especializada de educação corporal, linha que seria aprofundada com a progressiva desigualdade entre as funções sociais, com as oposições entre trabalhadores manuais e os detinham poderes sobre terras e comércio.
  
     Os jogos e as danças eram cerimónias ricas de significação religiosa.  Os jogos e as danças guerreiras, a caça, as danças do amor, do nascimento e da morte, os jogos realizados por ocasião das sementeiras e das colheitas eram momentos importantes na vida dos chamados grupos primitivos.
        Os testemunhos mostram a existência de jogos que solicitavam grande disponibilidade corporal, habilidade e força, os quais se traduziam muitas vezes em competições ou lutas individuais.  Nestes jogos utilizavam-se com frequência instrumentos de caça e acessórios diversos ligados à actividade produtiva: o arco e a flecha, a lança, objectos de pedra.
  
O desenvolvimento progressivo da agricultura e o abandono da caça e da pesca como fontes essenciais da alimentação constituíram os factos mais decisivos na transformação das sociedades.  Os homens puderam fixar-se em aglomerados, elevando a produção e aumentando os excedentes, na sequência da utilização mais eficaz dos recursos à sua disposição.
    A melhoria das condições de vida traduziu-se no aparecimento de certos grupos que, podendo viver mais facilmente dos excedentes e do esforço dos outros, passaria a dedicar a maior parte do tempo de vida aos divertimentos.  Os agricultores, os pastores e os artesãos constituíam a base indispensável à criação de riquezas, das quais beneficiavam, em especial, os padres, os juristas e os chefes militares rodeados de soldados.  Os grupos privilegiados mantinham os outros num regime de escravidão. mantendo-se no poder com ajuda das armas e anunciando, também , o seu parentesco com os deuses.
  
As classes dirigentes puderam consagrar-se aos divertimentos, à ostentação das riquezas e das suas maneiras de viver devido à injustiça do seu procedimento relativamente aos artesãos e camponeses, reduzidos pela força a um trabalho penoso e sem sentido.
  
No domínio dos exercícios físicos, a aristocracia ocupava os seus tempos livres na caça, na equitação e na dança, actividades através das quais aprofundavam o treino físico e a preparação militar.
  
A nobreza na China dedicava-se à caça, aos duelos, aos jogos de combate, justificando as suas maneiras de viver numa hereditariedade sem contestação.  As principais actividades dos chineses eram: a luta, o tiro com arco, a esgrima de sabre (actividade de preparação militar), as danças das espadas (que faziam parte dos programas das escolas e do exército) e o boxe chinês.
  
O Egipto deixou numerosos documentos sobre as suas actividades corporais: exercícios físicos realizados em contacto com a natureza, jogos de bola, lançamentos, exercícios de ginástica aproximando-se das formas mais recentes, a natação e, em especial, o boxe, a esgrima e a luta livre.
  
Na Índia antiga, a população tinha interesse pelas actividades físicas e práticas higiénicas, associando a preparação militar e a formação para a saúde.  As práticas mais divulgadas eram as corridas, a equitação, a caça, o boxe e a luta.
  
Os japoneses inspiraram-se nos exemplos dos hindus, mas aqui destacava-se o Jiu-Jitsu, inicialmente reservado aos samurais e depois mais divulgados entre a população, sempre contribuindo para a formação total dos indivíduos tal como as restantes práticas.

 Grécia Antiga

    O seu ideal educativo era a formação do homem completo por forma chegar-se ao estado de sabedoria.
  
O grego, como dispunha de tempo livre, dado que os escravos lhe asseguravam os trabalhos indispensáveis, pôde potenciar-se em relação à beleza, à arte, à educação, numa constante criação, que transcendeu a rotina da simples preservação das tradições,
  
A educação grega assentava na realidade física e intelectual.  Quer o espírito, quer o corpo, necessitavam de treino, de permanente cultivo.
   A educação estava dimensionada exclusivamente aos homens livres e nunca aos servos e escravos.  Procurou-se sempre a formação integral, como transparece de uma mâxima da época: «FORÇA. SABEDORJA. BELEZA»'.
  
# Esparta
   O habitante espartano era essencialmente um soldado:
-         até aos 20 anos treinava-se para a vida militar;
-         até aos 30 anos prestava serviço militar efectivo;
-         até aos 60 anos ficava na reserva, embora sempre disponível.
  
As crianças ficavam sob a autoridade familiar até aos 7 anos, passando depois para comunidades a cargo do Estado.
   As práticas físicas ocupavam o primeiro plano na formação guerreira dos jovens. que eram: a corrida. salto. luta e manejo de armas.
   O ensino das Letras e das Ciências não tinha grande relevo na educação espartana.
  
Para além da prática militar, desenvolveram outras actividades físicas e desportivas. como demonstram os inúmeros vencedores espartanos em várias provas dos jogos Olímpicos. onde divulgaram as suas qualidades de atletas.
   # Atenas
            Atenas teve uma hábil política cultural que assentava nas grandes construções, como é o caso da acrópole, e na organização de festas religiosas.
            Na educação surge já um conceito de educação liberal e humanista.  O próprio exercício físico é reflexo disso mesmo, uma vez que, mais do que desenvolver a capacidade atlética, o que se desejava era conseguir a perfeição do movimento.  Só assim se concretizada o ideal educativo grego, que pretendia transformar em virtudes os erros e vícios, para permanente melhoria da própria raça.
  
Nesta época (séc. VI a.c.- séc. IV a.c.). entendia-se como justificável e mesmo necessário o regime da escravidão que assegurando os trabalhos domésticos artesanais, etc. libertava o homem grego para a criação.
  
Nomes como Sócrates, Platão, Aristóteles, Luciano, Hipócrates (filosofia e medicina) e Péricles (política), bem como Enclides e Pitágoras (matemática) e tantos outros, são exemplo de homens que pela grandeza dai sua formação, se tornaram imortais.

   O jovem ateniense até aos 7 anos era deixado aos cuidados da família; a criança desenvolvia o aspecto lúdico e psicomotor através de jogos (cabra-cega. argolas. bonecas. carros...).
  
Dos 7 aos 12 anos era acompanhado pelo pedagogo (geralmente. escravo condutor de alunos) e nesta etapa verificavam-se duas fases:
   - Na primeira fase,  dividia o tempo pela escola do gramático onde aprendia a ler, a escrever, o cálculo, a que se seguiria a geometria e o desenho e pela palestra, onde praticava o que podemos considerar de educação física de base.;
   - Na segunda, reforçava o aprendido na fase anterior e desenvolvia uma formação cívica e mora] através da leitura dos poetas históricos (Homero, Hesíodo...). e das fábulas de Esopo.  Tudo isto é bem demonstrativo do cuidado em defender e aprofundar o estudo das origens da pátria, da religião, da ciência, cultivando o respeito pela tradição, pelas virtudes dos antepassados, que assim perduravam no tempo.
   Aos 13 anos, concluía-se a educação elementar.  Aqueles que tivessem menos possibilidades económicas abandonavam a escola e aprendiam um oficio manual que socialmente não era conceituado.  Os jovens mais abastados prosseguiam numa fase de intensificação educativa.
   Nesta fase aprendiam o domínio da música, ensino de instrumentos (flauta e lira), movimento pela música, canto e declamação de poemas.
   
A partir dos 15 anos. o pedagogo deixa de acompanhar o jovem e ele desloca-se sozinho para o Ginásio, onde se desenvolvia física e intelectualmente.
  
As raparigas não tinham aqui a mesma educação que os rapazes.  Era-lhes ministrado todo o conhecimento da lida da casa (a leitura e a escrita constituíam apanágio apenas das jovens aristocratas), a dança e a música. Embora lhes fosse vedada a entrada no ginásio e nos grandes jogos,  podiam contudo frequentar banhos e natação.
   Como complemento para a entrada na vida adulta, dos 18 aos 20 anos, os jovens recebiam uma formação militar, cívica e moral no corpo dos efebos (escolta de guerra), onde praticavam o pentatlo, o pancrácio (misto de pugilato e luta livre), manejo de armas pesadas e arco, equitação e marchas.
   O objectivo da educação ateniense era. formal integralmente cidadãos conscientes responsáveis que procuram atingir a sabedoria através do desenvolvimento harmonioso, quer do espírito, quer do corpo para a melhoria da raça.

A decadência da civilização grega

Os Gregos, desunidos entre si e em constantes lutas internas, vão inviabilizar a manutenção da independência.  Cidades pedem a protecção da Macedónia,  que progressivamente irá dominar a Grécia.
  
A decadência grega vai presenciar uma diminuição da importância das actividades corporais, em benefício da educação intelectual.  Enquanto os jovens aristocratas procuravam cada vez mais, em clubes privados. os lazeres, o comércio invadia as práticas físicas através do pagamento a escravos que se dispunham assim a colaborar no espectáculo da degradação social. As preocupações com o corpo começaram a ser sobrevalorizadas, entrando-se na atribuição de remunerações aos atletas, que se tornariam profissionais.
   A obsessão da vitória passou a ser uma constante, até como meio de aumentar o prestígio político das cidades e, assim surgem casos de suborno aos atletas, de corrupção dos juizes, de falsificação das origens dos concorrentes,  enfim, a procurar-se o êxito fácil.
   A Grécia. em meados do Séc. II a.c. torna-se urna província romana.
  

Roma

 Segundo a lenda, Roma terá nascido no século VIII a.c. (21/104/753 a.c.)
  
O cidadão romano era essencialmente um soldado, que procurava desenvolver a coragem, a tenacidade, a disciplina,  no cumprimento escrupuloso da lei.
  
Consideravam o pai como a autoridade máxima que a tudo superintendia.
   A partir do séc. III a.c.,  Roma já dominava quase toda a Itália.

Educação romana
  
Era uma educação militar e religiosa a cargo da família, que consideravam uma unidade importante na construção da Pátria.
   Ne primeira infância, a tarefa de educar competia à mãe, que desempenhava um papel de destaque na família.
   Depois. seria o pai a ensinar-lhe os deveres de cidadão para com a Pátria, bem como a ler, escrever e calcular. Aprendiam também a declamar os feitos heróicos dos antepassados e iniciavam-se na Oratória.
   A Partir dos 12-13 anos, os jovens frequentavam o Gramático. Aí, a disciplina era rígida e prática comum os castigos corporais.  Pretendia-se formar cidadãos/soldados, para os quais o Estado representava o valor máximo e, por isso, os fins justificavam os meios.
   A partir dos 17-18 anos, o jovem tronava-se cidadão e, assim. numa cerimónia específica, passava a ter o direito de usar a toga dos adultos.
   Os Romanos, praticavam várias actividades físicas que não eram entendidas corno factos educativos mas, unicamente, como meio de preservação da saúde e desenvolvimento da coragem do guerreiro.
   Os jovens executavam no campo de Marte, sem grandes preocupações estéticas, exercícios de preparação para a guerra, tais como: manejo das armas, lançamentos, esgrima, equitação, saltos, jogos de bola, corrida, pugilato, luta, natação no Tibre e caça.
   Defendiam a prática de exercícios físicos violentos que levassem à transpiração, seguidos de banhos e massagens. Procuravam, com isso. fortalecer a coragem, preparar o corpo e o espírito para vencerem as contrariedades da vida.
   Apreciavam, como qualidades do homem, a lealdade, a honra. e coragem. Na mulher, limitada a uma formação familiar de cariz doméstico, apreciava-se a austeridade, sendo-lhe permitido, como forma de actividade física, jogos de bola, natação, longas caminhadas, por vezes equitação e mesmo exercícios com halteres.
   Após a conquista dos países mediterrâneos, especialmente a Grécia (séc. II a.c.) dá-se uma transformação na forma de vida dos Romanos.
  
A educação passa a despender mais do Estado, proliferando as escolas, que servirão como elemento unificador do Império.  Roma teve o mérito de compreender o valor da civilização grega, de a assimilar e da divulgar, embora nem sempre nas sua forma mais complexa.
  
Numa breve síntese pode-se considerar que o objectivo principal na educação em Roma era formar cidadãos agricultores/soldados, respeitando a tradição, a família e a Pátria, para os quais a coragem e valentia eram metas a atingir.

Embora os cristãos, no tempo de Augusto, beneficiassem da paz geral romana, progressivamente vão sendo marginalizados, dado não aceitarem muitas das práticas pagãs de então e até porque, no fundo a sua doutrina religiosa, para os poderes políticos constituídos,  representava um risco para a manutenção de privilégios.  Irão ser perseguidos, selvaticamente chacinados, tendo-se transformado em elementos de atracção nos circos, ao serem atirados às feras.
  
Com o tempo, os próprios imperadores romanos cristianizaram-se e apoiaram a religião.
   Tão vasto império tinha em si graves contradições: por um lado. abandonam o gosto pela vida simples, passando a preferir os vícios sumptuosos, a corrupção, o aviltamento dos costumes, a degradação moral e as lutas internas pelo poder; por outro lado, surgem as tentativas de emancipação dos povos subjugados.
  
A decadência dos costumes e virtudes cívicas é paralela à decadência da cultura física.
   Aos Romanos eram fornecidos, gratuitamente, jogos, comida, divertimentos, teatro, etc. o que provocava no cidadão um desinteresse e uma ausência de necessidade de lutar por algo.
   Muitos feriados, muito tempo de ócio e a falta de movimento próprio do trabalho, vai provocar um abandono da prática sistematizada de exercícios físicos.
  
Após as sucessivas invasões bárbaras no ano de 476 d.c,. dá-se a Queda do império Romano.

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