Carreira Desportiva
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Testes e Provas Físicas

 

Trabalho no âmbito da Disciplina de Carreira Desportiva no Mestrado em Treino de Alto Rendimento - Actividades Gímnicas de Competição - FMH - UTL
Lisboa 1998

(Nota: Devido às alterações ao código de pontuação ocorridas em 2000, algumas das referências, nomeadamente no que diz respeito à dificuldade das séries, consideram-se desactualizadas)

Carreira Desportiva do Saltador de Tumbling

 

Índice

Introdução

Objectivos

O Percurso Competitivo Nacional do Saltador de Tumbling

Proposta de Alteração

Conclusão

Bibliografia

 

Introdução

O Tumbling é uma das modalidades mais recentes da Ginástica, nomeadamente da área dos Desportos Acrobáticos. É difícil, quase impossível, serem determinadas com precisão as origens do Tumbling. Porém, na Idade Média, pensa-se ter sido utilizado pelos bobos da corte durante as suas apresentações uma espécie de tábua de mola. Para poderem executar saltos novos e mais difíceis, estes acrobatas usavam uma tábua flexível apoiada sobre dois cavaletes. Poderá assim admitir-se que esta forma de saltos tenha sido percursora, de entre outras modalidades acrobáticas, o actual Tumbling.

No entanto, como actividade gímnica formal, a sua história é bastante mais recente. Apenas em 1963 surgem as primeiras provas de Tumbling nos Jogos Pan-Americanos, nos Estados Unidos da América. Assim podemos observar que é uma modalidade que em termos regulamentares é muito recente, onde os reajustamentos ao regulamento são uma constante.

De referir também que, até há bem pouco tempo, os saltadores de Tumbling eram ginastas que provinham de outras áreas da Ginástica, e fundamentalmente da Ginástica Artística. Apenas há alguns anos começaram a surgir as primeiras escolas de Tumbling, como uma especialidade e não com uma actividade "pós-reforma" de outras áreas gímnicas.

A carreira dos saltadores de Tumbling é algo muito recente e que só daqui a alguns anos se poderão retirar algumas conclusões acerca da mesma. No entanto há que encarar a carreira dos jovens saltadores como um projecto de vida (do ginasta) e há que procurar ajustá-la o melhor possível para que este projecto de vida seja um projecto de sucesso.

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Objectivos

O presente trabalho enquadra-se na cadeira de Carreira Desportiva do Mestrado em Treino de Alto Rendimento – Actividades Gímnicas de competição.

Pretende-se com este trabalho analisar o programa técnico das competições nacionais de Tumbling e propor uma nova progressão na carreira do saltador de Tumbling a nível nacional.

Esta preocupação prende-se fundamentalmente com facto de, actualmente em Portugal, existirem exercícios obrigatórios algo desajustados com a realidade do Tumbling a nível internacional. As séries obrigatórias actualmente em vigor existem desde há alguns anos em com a crescente evolução, quer em termos técnicos, quer em termos de dificuldade dos exercícios no Tumbling, quer por outro lado pela evolução e transformação do código de pontuação internacional do Tumbling, pensamos que já seria altura de se produzir uma nova grelha de séries obrigatórias para esta modalidade acrobática.

O trabalho aqui apresentado poderá ser um pouco ambicioso, mas pensamos que só assim poderemos alcançar títulos internacionais perspectivando a carreira do saltador de Tumbling de uma forma mais real e de acordo com a realidade internacional.

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O Percurso Competitivo Nacional do Saltador de Tumbling

 

O passado

Há quatro anos atrás os ginastas que participavam nas competições da Federação Internacional de Trampolins (F.I.T.) tinham que realizar uma série obrigatória de 8 elementos técnicos e duas séries facultativas (uma com 5 elementos e uma com 8 elementos). Por outro lado, os saltadores que participavam em provas da Federação Internacional de Desportos Acrobáticos (I.F.S.A. ) tinham que realizar uma série de mortais, uma de piruetas e uma combinada, cada uma destas com os seus pré-requisitos.

As séries apresentadas pelos ginastas nas competições da F.I.T. eram séries, no máximo, com dois saltos múltiplos, tendo por isso mesmo pouca dificuldade. Nas competições da I.F.S.A., por não existir número de elementos a realizar, podia-se já observar séries com triplos mortais.

O presente

Com a fusão entre o Tumbling da F.I.T. e o Tumbling da I.F.S.A o regulamento internacional das provas de Tumbling foi alterado consideravelmente, ao ponto de existir apenas um Tumbling.

Actualmente um ginasta que participe em provas de Tumbling internacionais tem que realizar duas séries de oito elementos cada, tendo a primeira pré-requisitos de mortais e a segunda pré-requisitos de piruetas. Se passar às finais terá que realizar mais uma série de oito elementos.

Com todas estas alterações o Tumbling a nível internacional evoluiu consideravelmente e actualmente podemos já observar ginastas a realizar séries com notas de dificuldades muito elevadas, nomeadamente séries com um duplo mortal (com piruetas) no início e com um triplo mortal no fim da série ou ainda séries com três duplos mortais.

A realidade nacional

Actualmente, e a nível nacional, o nosso país possui bons saltadores de Tumbling, alguns deles muito bem cotados internacionalmente. São saltadores que tiveram o seu início de carreira há alguns anos atrás e que passaram por todas as transformações que se registaram no Tumbling, e que tiveram um percurso regular no cumprimento dos exercícios obrigatórios existentes na altura. Pese embora o facto de no nosso país as dificuldades em termos materiais/instalações serem grandes, estes atletas conseguiram acompanhar o nível dos saltadores internacionais. No entanto, parece-nos que existe já uma grande lacuna entre os nossos saltadores com nível internacional e os ginastas mais jovens que aspiram a esse lugar. É fundamentalmente aqui que reside a nossa preocupação e que de alguma forma procuramos resolver.

O objectivo fundamental de qualquer ginasta quando entra em competição, é o de participar nos campeonatos nacionais da sua modalidade. No caso específico da competição de Tumbling, e falamos agora do nosso país, o ginasta tem que participar nas competições distritais, após o seu apuramento passa para as competições regionais e só posteriormente tem hipótese de participar nos campeonatos nacionais. Após estes campeonatos poderá ainda participar nos Campeonatos de Portugal, e chegar ao ambicioso título de campeão de Portugal (Anexo 2).

A participação nas competições de Tumbling obedecem ao código de pontuação actualmente em vigor e os ginastas que nelas participem fazem parte de um escalão de acordo com a tabela 1:

Escalões

Forma de ingresso no escalão

Idades

Infantis

Ingresso obrigatório conforme a idade

9 / 10 anos

Iniciados

Ingresso obrigatório conforme a idade

11 / 12 anos

Juvenis

Ingresso obrigatório conforme a idade

13 / 14 anos

Juniores B

Ingresso obrigatório conforme a idade

15 / 16 anos

Seniores B

Ingresso obrigatório conforme a idade

17 anos e +

JunioresA*1

Ingresso obrigatório quando cumpridos os requisitos a seguir indicados a partir dos 15 anos até aos 17 anos.

SenioresA*2

Ingresso facultativo quando cumpridos os requisitos mínimos a seguir indicados a partir dos 16 anos.

Tabela1

O percurso do ginasta desde o Campeonato Distrital até ao Campeonato de Portugal é o que passamos a descrever seguidamente.

No Campeonato Distrital, cada ginasta tem que realizar uma série obrigatória e uma série facultativa com o mesmo número de elementos técnicos da série obrigatória. Vejamos então o programa da competição:

Escalão

Séries

Série obrigatória (actual)

Nº elem.

Infantis

1 obrigatória

+ 1 facultativa

Rodada, flic, flic, salto em extensão

3

Iniciados

1 obrigatória

+ 1 facultativa

Rodada, flic, flic, Mortal engrupado à retaguarda

4

Juvenis

1 obrigatória

+ 1 facultativa

Rodada, tempo, flic, flic, Mortal engrupado à retaguarda

5

Juniores B

1 obrigatória

+ 1 facultativa

Rodada, tempo, flic, flic, flic, Mortal engrupado à retaguarda

6

Seniores B

1 obrigatória

+ 1 facultativa

Rodada, tempo, tempo, flic, flic, Mortal encarpado à retaguarda

6

Juniores A (*)

2 facultativas

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

8

Seniores A (*)

2 facultativas

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

8

Tabela 2

(*)Nota: A participação dos ginastas destas categorias é facultativa.

Após o Campeonato Distrital, os ginastas serão apurados para o Campeonato Regional o seguinte número de ginastas por distrito/categoria/sexo (Tabela 3) e que tenham a pontuação mínima no total das duas séries (Tabela 4):

Região

Distritos

N.º de ginastas

 

Escalão

Pontuação mínima

Norte

Aveiro

4

 

Infantis

34.50

Coimbra

10

 

Iniciados

35.50

Porto

14

Juvenis

36.00

Viana do Castelo

-

 

Juniores B

36.50

Vila Real

12

 

Seniores B

37.50

Centro

Leiria

10

 

Tabela 4

Lisboa

17

 

Portalegre

3

 

 

 

Santarém

10

 

 

 

Sul

Évora

-

 

 

 

Faro

9

 

 

 

Setúbal

31

 

 

 

Açores

Ilhas

10

 

 

 

Tabela 3

O Campeonato Regional tem o seguinte programa competitivo:

Escalões

Séries

N.º de elem./série

Infantis

 

4

Iniciados

 

4

Juvenis

 

5

Juniores B

2 séries facultativas

6

Seniores B

 

6

Juniores A

 

8

Seniores A

 

8

Tabela 5

Após o Campeonato Regional, e consoante a sua ordem de classificação (Tabela 6), os ginastas serão apurados para o Campeonato Nacional.

Região

N.º de ginastas por categoria/sexo

Norte

3

Centro

15

Sul

12

Açores

-

Tabela 6

Nota: São directamente apurados para o Campeonato Nacional os Campeões Nacionais da época anterior, sendo no entanto obrigatória a sua participação nos Campeonatos Distritais e Regionais e o cumprimentos do respectivo programa técnico, regra esta que só se aplica aos ginastas que não transitam de categoria.

O programa competitivo do Campeonato Nacional é o seguinte:

Escalões

Séries

Nº de elem./série

Infantis

 

5

Iniciados

 

5

Juvenis

2 séries facultativas

6

Juniores B

 

8

Seniores B

 

8

Juniores A

2 séries preliminares +

8

Seniores A

2 séries finais

8

Tabela 7

Finalmente, e se o ginasta se classificar entre os 5 primeiros da sua categoria, será apurado para os Campeonatos de Portugal. Esta é uma competição que se desenrola em dois escalões ordenados da seguinte forma e com o seguinte programa técnico:

 

Escalões

 

Esperanças

(Infantis, Iniciados e Juvenis)

Absolutos

(Juniores e Seniores)

 

Série

Nº elem.

Série

Nº elem.

Preliminares

Fac. 1

6

Fac. 1

8

Fac. 2

6

Fac. 2

8

Finais

Fac. 3

6

Fac.3

8

           

Tabela 8

Vejamos de um modo esquemático o percurso de cada ginasta até chegar ao Campeonato de Portugal:

A título de exemplo, observemos o trajecto de um ginasta desde o campeonato distrital até ao campeonato de Portugal:

Ex1.: Um ginasta do escalão Iniciado, do distrito de Coimbra:

Campeonato Distrital:

Realiza série obrigatória da sua categoria (R,f,f,Mg) e uma série facultativa com 4 elementos técnicos, classificando-se em terceiro lugar com 36.00 pts.

 

Passa ao Campeonato Regional porque se classificou entre os 10 primeiros da sua categoria e porque obteve classificação superior a 35.50 pts.

Campeonato Regional:

Passa ao Campeonato Nacional porque se classificou entre os 3 primeiros da sua categoria.

 

Realiza duas séries facultativas com 4 elementos cada uma e classifica-se em 2º lugar.

Campeonato Nacional:

Realiza duas séries facultativas com 5 elementos técnicos cada uma, e classifica-se em 5º lugar.

 

É apurado para o Campeonato de Portugal porque se classificou entre os 5 primeiros da sua categoria.

Campeonato de Portugal:

Participa nas finais de esperanças porque se classificou entre os 8 primeiros e realiza mais uma série de 6 elementos, ficando em 1º lugar: é Campeão de Portugal na categoria de Esperanças.

 

Participa na categoria de Esperanças por ser Iniciado e realiza duas séries de 6 elementos nas preliminares e classifica-se em segundo lugar nas preliminares.

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Proposta de Alteração

Como já foi referido anteriormente, o objectivo fundamental do nosso trabalho é o de construir uma nova grelha de séries obrigatórias para o Tumbling, como também reajustar alguns pontos nos programas técnicos de algumas provas incluídas na progressão desde o Campeonato Distrital até ao Campeonato de Portugal.

Em primeiro lugar explicamos que não é nossa intenção modificar os escalões desenvolvidos pela Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos (F.P.T.D.A.), uma vez que estes escalões foram criados à imagem do que pratica nos outros países.

Assim, o novo percurso de progressão do ginasta que propomos, desde o Campeonato Distrital até ao Campeonato de Portugal é o que passamos a descrever seguidamente (ver Anexo 4).

No Campeonato Distrital, cada ginasta tem que realizar uma série obrigatória* e uma série facultativa com o mesmo número de elementos técnicos da série obrigatória. Vejamos então o programa da competição:

Escalão

Série obrigatória (proposta)

N.º elem.

Série Facultativa

N.º elem.

Infantis

Rodada, flic, flic, flic, Salto em extensão.

4

Dificuldade máxima:

1,0 pts.

4

Iniciados

Rodada, flic, flic, flic, Mortal engrupado à rectaguarda

5

Dificuldade máxima:

1,4 pts.

5

Juvenis

Rodada, tempo, flic, flic, flic, Mortal encarpado à retaguarda

6

Dificuldade máxima:

2,0 pts.

6

Juniores B

Rodada, tempo, tempo, flic, flic, Mortal encarpado à rectaguarda

6

Dificuldade máxima:

2,2 pts.

6

Seniores B

Rodada, tempo, tempo, flic, flic, tempo, flic, Mortal empranchado à rectaguarda.

8

Dificuldade máxima:

3,0 pts.

8

Juniores A (*1)

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

8

S/ limite de dif.

8

Seniores A (*1)

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

8

S/ limite de dif.

8

Tabela 9

Notas: (*) Novas séries propostas.

(*1) A participação dos ginastas destas categorias é facultativa.

Se o ginasta realizar uma série com dificuldade superior à máxima imposta, só será avaliado, em dificuldade, até ao limite máximo da sua categoria.

            A nossa alteração das séries assenta no facto de actualmente, e internacionalmente, as séries têm que ter obrigatoriamente oito elementos, e assim estamos convictos que quanto mais cedo os ginastas realizarem séries mais longas, mais facilmente atingirão o objectivo das séries com oito elementos. Por outro lado, não aumentamos a dificuldade da série obrigatória nos escalões mais jovens para que o conhecimento técnico dos elementos básicos do Tumbling (Flic-flac’s e Tempos), seja assimilado da forma mais perfeita possível, não havendo interferência na execução devido à dificuldade de um ou de outro elemento mais complexo. Da mesma forma incluímos um limite de dificuldade nas séries facultativas para que esta competição seja mais centrada na técnica e menos na dificuldade.

De forma idêntica ao que se processa actualmente, após o Campeonato Distrital, os ginastas serão apurados para o Campeonato Regional o seguinte número de ginastas por distrito/categoria/sexo (Tabela 3) e que tenham a pontuação mínima no total das duas séries (Tabela 4), facto este que não será influenciado pela imposição de uma dificuldade máxima.

Região

Distritos

N.º de ginastas

 

Escalão

Pontuação mínima

Norte

Aveiro

4

 

Infantis

34.50

Coimbra

10

 

Iniciados

35.50

Porto

14

 

Juvenis

36.00

Viana do Castelo

-

 

Juniores B

36.50

Vila Real

12

 

Seniores B

37.50

Centro

Leiria

10

 

Tabela 11

Lisboa

17

 

Portalegre

3

     

Santarém

10

     

Sul

Évora

-

     

Faro

9

     

Setúbal

31

     

Açores

Ilhas

10

     

Tabela 10

            Não pretendemos realizar qualquer alteração aqui porque esta é uma forma de apuramento que se baseia na percentagem de atletas inscritos em cada distrito e desta forma concordamos com a forma de apuramento que actualmente se pratica. Deixamos apenas algumas alterações na passagem para o Campeonato Nacional.

O Campeonato Regional terá o seguinte programa competitivo:

Escalão

Série obrigatória

N.º elem.

Série Facultativa

N.º elem.

Infantis

Rodada, flic, flic, flic, Salto em extensão.

4

Dificuldade máxima:

1,2 pts.

4

Iniciados

Rodada, flic, flic, flic, Mortal engrupado à rectaguarda

5

Dificuldade máxima:

1,6 pts.

5

Juvenis

Rodada, tempo, flic, flic, flic, Mortal encarpado à retaguarda

6

Dificuldade máxima:

2,2 pts.

6

Juniores B

Rodada, tempo, tempo, flic, flic, Mortal encarpado à rectaguarda

6

Dificuldade máxima:

2,4 pts.

6

Seniores B

Rodada, tempo, tempo, flic, flic, tempo, flic, Mortal empranchado à rectaguarda.

8

Dificuldade máxima:

3,2 pts.

8

Juniores A (*1)

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

8

S/ limite de dif.

8

Seniores A (*1)

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

8

S/ limite de dif.

8

Tabela 12

            O facto de continuar a existir a série obrigatória no Campeonato Regional, é porque pensamos que trabalhar mais vezes na execução (realizando uma série mais fácil, como é a obrigatória), trará maiores benefícios na futura aquisição de novos elementos técnicos por parte do ginasta. Referimos também que esta será mais uma competição com uma aposta forte na execução (com a imposição da dificuldade máxima), apesar do limite ser superior ao que foi imposto para o Campeonato Distrital.

Após o Campeonato Regional, e consoante a sua ordem de classificação (Tabela 13), os ginastas serão apurados para o Campeonato Nacional. Como iremos observar, o Campeonato Nacional passará a contar com uma 1ª Divisão, onde irão competir os ginastas classificados nas primeiras oito posições e uma 2ª Divisões, com os ginastas classificados entre o 9º e o 16º lugar no Campeonato Regional. Assim:

Região

N.º ginastas por escalão/sexo

1ª Divisão

N.º Ginastas por escalão/sexo

2ª Divisão

Norte

1º î 8º

9º î 16º

Centro

1º î 8º

9º î 16º

Sul

1º î 8º

9º î 16º

Açores

1º î 8º

9º î 16º

Tabela 13

            O facto de passarem a existir duas divisões passa, por um lado pela procura de maior qualidade (1ª Divisão), e por outro por tentar que um ginasta que não tenha capacidade de se classificar entre os melhores, possa ainda ter acesso à categoria de campeão nacional da 2ª Divisão. Pensamos que esta forma poderá ser um factor de maior motivação dos jovens ginastas, porque mesmo não se classificando entre os melhores, podem ainda ser campeões e porque podem sempre ter o objectivo de participar nas competições da 1ª Divisão.

O programa competitivo do Campeonato Nacional é o seguinte:

Escalões

Séries 1ª Divisão

Séries 2ª Divisão

N.º de elem./série

Infantis

 

 

5

Iniciados

 

 

5

Juvenis

2 séries facultativas

2 séries facultativas

6

Juniores B

 

 

8

Seniores B

 

 

8

Juniores A

2 séries preliminares

2 séries preliminares

8

Seniores A

+ 2 séries finais

+ 2 séries finais

8

Tabela 14

Nota: Os ginastas da categoria A participam apenas na 1ª Divisão.

O apuramento para os Campeonatos de Portugal será feito nos Campeonatos Nacionais (tal como acontece actualmente) e processa-se da mesma forma, ou seja, se o ginasta se classificar entre os 5 primeiros da sua categoria, será apurado para os Campeonatos de Portugal.

Esta é uma competição que se passará a desenrolar-se em duas divisões (tal como o Campeonato Nacional), e em dois escalões ordenados da seguinte forma e com o seguinte programa técnico:

 

Escalões

 

Esperanças

(Infantis, Iniciados e Juvenis)

Absolutos

(Juniores e Seniores)

 

Série

N.º elem.

Série

N.º elem.

Preliminares

Fac. 1

6

Fac. 1

8

Fac. 2

6

Fac. 2

8

Finais

Fac. 3

6

Fac.3

8

Finais Dificuldade

Fac. 4

3

Fac. 4

3

           

Tabela 15

            Como se pode observar, passa a existir mais uma final que será de participação facultativa, onde o ginasta terá que realizar uma série facultativa apenas com três elementos técnicos. Esta final tem o objectivo de apurar o Campeão de Portugal em Dificuldade, ou seja, é uma série onde o ginasta realizará três elementos técnicos com a maior dificuldade possível, série esta que será ajuizada também em termos de execução.

            Será esta uma forma de consagrar ginastas que têm capacidade de realizar saltos com elevado grau de dificuldade, mas que por não ser fácil de aplicá-los numa série com seis ou oito elementos, o ginasta não os realiza.

            Neste novo Campeonato de Portugal passarão a ser consagrados oito campeões de Portugal masculinos e oito femininos. 

            Finalmente passamos a descrever de um modo esquemático o novo percurso pelo qual passará o ginasta até chegar ao Campeonato de Portugal. Utilizamos a título de exemplo, um ginasta da mesma categoria na qual foi explicado o percurso actualmente em vigor.

 

Ex.: Um ginasta do escalão Iniciado, do distrito de Coimbra:

Campeonato Distrital:

Realiza série obrigatória da sua categoria (R,f,f,f,Mg) e uma série facultativa com 5 ele-mentos técnicos, classificando-se em terceiro lugar com 36.00 pts.

 

Passa ao Campeonato Regional porque se classificou entre os 10 primeiros da sua categoria e porque obteve classificação superior a 35.50 pts.

Campeonato Regional:

Passa ao Campeonato Nacio-nal da 1ª Divisão porque se classificou entre os 8 primeiros da sua categoria.

 

Realiza uma série obrigatória (R,f,f,f,Mg) e uma série facul-tativa com 5 elementos cada uma e classifica-se em 2º lugar.

 

Campeonato Nacional 1ª Divisão:

Realiza duas séries facultativas com 5 elementos técnicos cada uma, e classifica-se em 5º lugar.

 

É apurado para o Campeonato de Portugal da 1ª Divisão porque se classificou entre os 5 primeiros da sua categoria.

Campeonato de Portugal 1ª Divisão:

Participa nas finais de esperanças porque se classificou entre os 8 primeiros e realiza mais uma série de 6 elementos, ficando em 4º lugar.

 

Participa na categoria de Esperanças por ser Iniciado e realiza duas séries de 6 elementos nas preliminares e classifica-se em terceiro lugar nas preliminares.

 

Opta por participar nas Finais de Dificuldade onde realiza uma série facultativa de 3 elementos. Fica em 1º lugar e torna-se Campeão de Portugal de Esperanças em Dificuldade – 1ª Divisão.

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Conclusão

Após a apresentação da nossa proposta de alteração ao percurso competitivo nacional do saltados de Tumbling, resta-nos apenas este espaço para algumas considerações finais.

            Em primeiro lugar referir que as principais alterações que propusemos têm a ver com a constituição das séries obrigatórias, onde aumentámos o número de elementos técnicos para que mais rápida e facilmente os ginastas consigam realizar séries de oito elementos.

            Em segundo lugar, apresentámos um limite de dificuldade nas séries facultativas dos Campeonatos Distritais e dos Campeonatos Regionais, procurando fazer com que estas competições sejam centradas na execução, e com pouca preocupação de dificuldade. Esta nossa preocupação vai de encontro à opinião de Rost (1995), em que refere que o desenvolvimento dos fundamentos técnico-coordenativos é o objectivo principal de uma especialização que surge no momento apropriado. O incremento destas bases pode ser conseguido através de competições de técnica, ou provas em que a prestação desportiva venha associada à atribuição de uma pontuação para o valor técnico de execução.

            Em terceiro lugar, criámos a 1ª e a 2ª Divisões, após o Campeonato Regional, no sentido de criar mais qualidade nas competições nacionais (1ª Divisão) e ainda para que os ginastas que não tenham acesso à primeira divisão possam ser campeões nacionais (2ª Divisão). Pensamos que este factor pode ser altamente motivante, especialmente para as camadas mais jovens, onde a conquista de uma medalha é extremamente motivante e fornecedor de uma grande autoconfiança.

            Finalmente, o aparecimento de mais uma final nos Campeonatos de Portugal, é a forma que encontrámos para premiar os ginastas potencialmente mais fortes em exercícios de elevado grau de dificuldade. Esta final foi pensada porque a nossa experiência reconhece que este tipo de provas, apenas com 3 elementos técnicos, é uma prova onde os ginastas têm um comportamento completamente diferente das provas formais. Aqui, existe uma maior cooperação entre ginastas e um maior espírito de entre-ajuda, e pensamos que assim poderão estar criadas condições bastante favoráveis para o aparecimento espírito de equipa (tão importante para o desenvolvimento do jovem desportista) numa modalidade essencialmente individual. Por outro lado, é uma forma de dar importância a outra característica das competições internacionais – a dificuldade.

            Como diz Rost (1995), os jovens atletas seleccionados e preparados precocemente, perdem-se no caminho que os poderia levar ao cume da realização desportiva nacional e internacional. A diminuição dos efeitos obtidos nesta direcção através do recurso a meios específicos aplicados muito precocemente; uma base da prestação demasiado pobre; os problemas da motivação, são todos argumentos que impedem a expressão completa das respectivas potencialidades e a possibilidade de obtenção de resultados a longo prazo.

            Algumas das nossas preocupações na realização desta proposta, foi exactamente de evitar que a base de prestação seja demasiado pobre e que a motivação do ginasta não seja um problema para o treinador.

            Pensamos que com este tipo de percurso competitivo, estes e outros problemas mais dificilmente aparecerão, e mais facilmente poderemos obter resultados quer nacionais que internacionais.

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Bibliografia

F.P.T.D.A. (1998) – Manual 1998, Lisboa 1997.

Pozzo, T.; Studeny, C. (1987) – "Théorie et pratique des sports acrobatiques". Editions Vigot, Paris, França.

Rost, K. (1995) – "As competições no Desporto Juvenil". Treino Desportivo, Julho 1997, Lisboa, pp. 3 – 10.

 

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