Poesias

      Bocas


Empaladas sem carmim
mergulham até clarear
no escudo desta cara

duas penetram em mim
procuram teus acordes
línguas, perversas vogais

circulam, abrem tuas pernas
rasgam, escrevem, enfiam
liberdade e língua morta


      Lodo


Paraíso mundo visível,
Ilha das Flores escorrega
a plástica do olhar sensível

Separa o estreito Guaíba
morto em sorrisos navegam
submergem à ilha, Pintada

As águas correm paradas
passam pra outro nível
delírios três jeito de rir

   

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