FLORES DO CORAÇÃO

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Na Fazenda do Pintado.
A João Batista.

Levaram-me um dia num sítio aprazível,
De altas montanhas e verde gramado.
Não sei se outrora, nas selvas frondosas,
Veados galheiros de pelo pintado
Ali se achavam.

No céu, já bem tarde, atrás da montanha,
A lua surgia garbosa e risonha.
No azul resplendia o ebúrneo clarão
E todos cantavam ao som do violão.

Havia no grupo um tom bem poético:
Um jovem Esculápio, de nome já feito,
Cantava canções com voz tão canora, tão doce...
Que até se tornou de fato patético.

Lá, cedo se ouvia o galo cantar
E João de mansinho, do leito fugia,
Deixando a Ledinha tão bela a sonhar...
Então, pelos campos se punha a contar
As boas vaquinhas que ia ordenhar!

Um dia, com o sol, já bem alto,
Saíram a cavalo, num trote garboso e afeito,
Alcina, Ledinha e a Lúcia na súcia
Montaram tão bem, que nem rei da Prússia!...

Chegaram a um sitio de velhos ricaços,
Corteses e amáveis, bastante eles foram.
As três visitantes que lá se acharam
Voltaram contentes com tantos agrados.

Das três a mais bela, não sei qual acharam,
Se a boa viuva, a Lúcia ou Ledinha,
O certo é que as três, aos velhos agradaram...
De volta chegando alegres cantaram.

Na hora do almoço, regado a bom vinho,
Os três rapagões com lindos filhinhos
E esposas, formosas, amáveis, gentis,
Gozaram as delicias dos belos quitutes
E eu, nas pegadas também me refiz.

24/04/1956

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