CULTURA NO BRASIL
É
interessante destacar que o arroz foi introduzido na América do Norte,
na colônia de Carolina do Sul, por volta de 1685. Entretanto,
há evidências históricas de seu cultivo no estado de
São Paulo antes de 1660, comprovação de que a cultura
do arroz data dos primeiros tempos da colonização brasileira.
Isso coloca o Brasil como o primeiro país do continente americano
a importar esse cereal.
O desenvolvimento da cultura praticou-se de
início com algumas espécies nativas e com as trazidas de Cabo
Verde pelos portugueses. Há notícias fragmentárias
a respeito do plantio dessa gramínea em certos pontos do território.
Conforme documento da administração
colonial da Bahia (1759), a agricultura nos distritos de Cairu, Camaru,
Maraú e Rio de Contas tomara alento com a introdução
do “arroz de Veneza”.
No Maranhão, por seu
turno, já se havia muitos anos a variedade indígena, que chegou
aos nossos dias com a denominação de “arroz vermelho”.
Mas em todo o curso do período colonial,
e ainda por uma longa fase do Brasil independente, o arroz não fez
grande progresso. Até o princípio do século XX,
o país adquiriu no exterior boa quantidade do produto (mais de 100.000t
em 1903), mas já em 1904, em virtude da instituição
de pesada tarifa alfandegária, as compras declinaram para 73.000t
e, em 19910, para 17.000 .
Enquanto isso, a produção nacional
cresceu em segurança, registrando-se um surto que, iniciado em fins
do decênio de 1930, em parte sobre o influxo momentâneo da
procura externa, se prolongou por muitos anos.
A mais importante área orizícola está
no extremo meridional do país, o Rio Grande do Sul, onde se tornou
comum a cultura irrigada por gravidade ou inundação, realizando-se
investimentos de monta em instalações, motores, máquinas
e veículos.
Após ocupar os vales do Jacuí,
do Camaquã e outros, bem como a região lacustre nas imediações
do litoral, o arroz invade zonas tradicionalmente dedicadas à pecuária,
cujos proprietários passam a plantá-lo ou arrendar terra com
esta finalidade. O segundo estado produtor, Goiás, desenvolveu
a cultura com variedade especial plantada nas encostas de outeiros.
Municípios de antiga tradição pastoril tiveram suas
principais características alteradas em poucos anos.
Seguem-se Minas Gerais, onde a lavoura é
predominantemente praticada em baixadas e várzeas aparelhadas com
valas de irrigação e de drenagem, e São Paulo, onde,
além deste sistema, observa-se o plantio em terrenos frescos, consorciado
ou não a outras espécies vegetais.
São também
produtores de vulto o Maranhão (cultura em terrenos embrejados) e
o Paraná (cultura não irrigada em terras recém-desbravadas).