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# 14.04.2007 #

Se o nada me quiser. Se ele me aceitar. Com um abraço forte e tudo; me envolvendo; me amassando com o seu todo. Aí você terá que me procurar em cantos avessos. Isso no caso de eu ainda existir.





 



# 20.01.2007 #

Os meus temas. Terra. A terra das tuas botas está borrando o meu tapete branco. Feito em crochê. Foi feito. É, minha mãe, minha, ela que costurou. Num verão que esteve com a perna quebrada e. Você precisa arrastar os pés desse jeito? Isso me incomoda mais que um bocado. Se eu soubesse ao menos por onde você tem andado. Quando e porque se desenterra e vem me ver? E todo sujo. Que lama! Olha, não estou com tempo pra você. Tenho outros caras agora. E eles me tratam bem. E não pense que por isso não são tão interessantes. Saiba que um deles, um deles, é educador e sabe? Deu continuidade no desenvolvimento das técnicas freireanas. É. E você? Fez jornalismo? Não conseguiu emprego? Cheio de sonhos e de desistências, não é? Trabalha de favor, com parentes e mora com a mãe, vem me visitar quando precisa de alguém. Mas eu não preciso mais de você, consegui, finalmente consegui me livrar. Já não me cativas, não te suporto mais. Seu jeito, como me maltrata, como me devora, mastiga e me mostra como um monstro. Vou até pedir que você saia e vou lavar esse tapete imundo. Sabe? Não quero mais nada de você aqui.

***



# 31.07.2006 #


Quero receber mundos até me arrebentar; assim deixo de ser vaso e passo a ser parte, só parte, orgânico, pura planta, me torno árvore.

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# 19.01.2007 #

Andando de poxa vida, num puxa vida de cara de andaluz, de anda na luz na trilha na trilha que era um relâmpago da minha cara e tinha ziquizira da volta do maço de cigarro que não era outro senão um porém grande e dizia que a negação de um bem era preciosa para atingir que atingir era atingir e não olhar por uma forma diferenciada de olhar que um brilho solto na minha alma me conduzia para as palavras conduítes da minha mensagem que não era senão reflexo do que eu tentantava do que tentava mostrar agora pouco, mas você grita que não entende, que não entende o que eu digo e me acha chato na minha tentativa de mostrar de mostrar o que olha, o que olha para onde eu estou apontando que você vai ver um lagarto grade e imenso e que está querendo subir no poste de luz.

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# 29.01.2007 #

Comer um foguete a jato não é saudável. E é por isso, não é Tom Zé? Oi? Não, eu não sei. Devagarzinho. Você brinca comigo tão sério. E assim esse sorriso. Irene! Irene preta não precisa bater pra entrar. Sem pressa, gente! E a fila foi andando. Ô, meu homem: Tu largaste a bandeja lá, quem é que vai pegar? Lá-vanderia. Pois volte! Enquanto não limparmos a própria sujeira, não vamos ter modo de mudar nada não. Já sei, e essa lógica vai longe... Se vai. De parecer tão tudo sério. Vá comer foguete assim, lá. Onde que é? Não alembra não? No inferno.



# 03.02.2007 #

- Como fazemos com o beijo desconstruído, amor?

- Bota pra reciclar ou joga fora no lixo.

 



# 16.01.2007 #

- Abre a leiteria, hómi de Deus! Cê tá nas querença de me deixá sem quejo nessa sumana?

- Arre de égua, Mas-maria! Eu não ia morar numa côsa dessas. Se qué u quantos litro?

- Vinte-dez.

- Vai quejo, hein?

- É pra vendê. Dona Deise gostou do produto.

- Produtão, hein? Te fasso dez mirreis mais baratim e se me traz uns tamém, traz não?

- Se trago!

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# 03.03.2007 #

Meu reduto. Meu reduto. Um sulco. Uma metade de. Um ã. Eu vou começar a construir. E olhando para. E a metade dos olhares para os descamisados, os descamisados, o calor. Olhando para fora num azul setentrional, saído de uma reta que acompanha o canto do olho e se estende pela cúpula celeste. O rato. Ave de céus. Amores, afoguem os amores. No prato de comida, uma pílula de Sonrisal, a tevê, o bule. A cerca na janela prende o impulso do plano. Penteie os meus cabelos, camarada Sandro. E cada vez. Mais.



# 05.02.2007 #

- "É uma idéia tola, a da segurança".

- "Eu quero saber: com quantos quilos de medo se faz uma tradição?"



# 19.01.2007 #

Asa. Que teme. Imprime-me nessas páginas, tecelã da minha vida. Não come do meu bolo, que este é o último pedaço! Mostre-me por entre as estações, no espaço que haverá. O tempo quente, maciço, lento.

(O vazio das minhas palavras me deprime, me inverte, me divisa).

Meus óio se arde. Lacrima.

(Passa o tempo, alguém chega).

Eu me esparramo nas conchas de suas mãos.

(Ele ou ela deve, nessa hora, rir do ridículo da minha entrega, da minha vulnerabilidade).

Dei uma pedrada na minha cabeça.

(Vítima do dramático, atuação embotada pela banalidade do ser).

Eu sei, beiro o burlesco.

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