| CAP�TULO UM - AS LUZES DE LA FONTANA Esta fora uma das mais iluminadas e coloridas noites de La Fontana. Uma cidadezinha de ruas largas, casas altas e ch�o cinzento de pedras, localizada ao norte da It�lia. Havia poucos moradores na pequena, por�m nobre, cidade de La Fontana. Mas cada um desempenhava um papel importante na sociedade. Cada fam�lia possu�a alguma propriedade, grande ou pequena, que servia �s necessidades dos habitantes. Entre os mais influentes e respeitados estavam: Gi�como - o padeiro, respons�vel por fazer as melhores e mais variadas massas da regi�o; Luigi e Vin�cius Rizzotti - herdeiros de uma empresa de vinhos bastante apreciado no pa�s; e Giuseppe Borelli, dono da maior f�brica de sapatos italianos na �poca. Este ano, tomados pelo esp�rito de Natal, eles resolveram organizar uma grande festa. Cada um colaborou com o que podia oferecer de melhor. Contaram com a ajuda de toda a cidade, todos estavam muito animados, afinal n�o era todos os dias que a cidade inteira se reunia para organizar uma festa. Pessoas de todas as idades, ziguezagueando, carregados de sacolas e pacotes de diversas cores e tamanhos. As crian�as euf�ricas, correndo, ansiosas pelo in�cio da grande festa. Pareceiam formigas se preparando para a estiagem do inverno. O s�mbolo mais marcante de La fontana, era uma antiga fonte, onde as crian�as costumavam jogar moedas, acreditando que seus desejos seriam realizados. Geralmente a fonte reinava fria e s�litaria no centro da pra�a. Mas hoje estava coberta de luzes e enfeites natalinos. Radiante e iluminada como um farol. A rua inteira estava enfeitada, rodeada de mesas e cadeiras por todos os lados. As mesas fartas. Panetones decorados, de todos os tipos e tamanhos, p�es, bolos, aperitivos, uma vasta variedade de massas, bebidas, sobremesas e muitos, muitos presentes que repousavam sobre elas esperando pelo grande momento. Mas nada, nem ningu�m, estava ansiando mais pelo in�cio da festa do que a pequena Elizabeth: - Mam�e! Mam�e! O meu vestido! - suplicava a garota � m�e. Helena era esposa de Giuseppe, o dono da f�brica de cal�ados. Era um casal muito feliz e apixonado. Helena era uma das mais belas mulheres da cidade, com seus longos cabelos castanhos e ondulados e pele alva. Olhos azuis, pequenos e obl�quos, nariz afilado e a boca delicadamente curvada nos cantos. Digna de muitos pretendentes surpreendeu � todos por escolher, entre rapazes belos e ricos, casar-se com Giuseppe. Um rapaz de poucas posses, carrancudo. Nariz protuberante, como C�sar, cabelos ondulados, queixo pontudo, e olhos castanhos. Mas giuseppe era muito respons�vel, trabalhador e sabia como ser um cavalheiro. Com seu jeito simples e am�vel, conquistou n�o s� a Helena, como a seu pai. Com criatividade e talento para neg�cios, investiu toda sua economia numa pequena sapataria que n�o demorou a se transformar na maior f�brica e exportadora de cal�ados italianos. Helena e Giuseppe tinham 3 filhos. Federico, o mais velho, fiel escudeiro do pai. Parecid�ssimo com ele em todos os sentidos, semopre seguia � risca tudo o que o pai mandava. Catherine, a preferida de Giuseppe, tamb�m muito parecida com o pai. Uma garota de g�nio forte, extremamente ciumenta e um tanto mal�fica. E Elizabeth, a ca�ula e preferida de Helena. Uma menina doce, meiga, carinhosa e t�o bela quanto a m�e. Pele clara, cabelos escuros e ondulados, olhos cor de mel, nariz afilado e a boca, um de seus tra�os mais marcantes, exatamente igual � da m�e. Mas apesar de toda sua do�ura, Beth n�o era uma crian�a como as outras. Era uma garota dif�cil, preocupava-se com assuntos que n�o cabiam � ela como por exemplo, os direitos femininos na sociedade. e isso era motivo de muita dor de cabe�a para seu pai. Desde muito pequena, nunca aceitou as diferen�as entre mulheres e homens. Sempre questionava porque n�o poderia fazer certas coisas, consideradas como "coisas de menino" e sempre arranjava uma maneira de se fazer ouvir. Uma agitadora nata! Por um lado, Beth era protegida pela m�e. Por outro era v�tima de inveja da irm�, que fazia de tudo para met�-la em encrenca, e das injusti�as do pai. Para Giuseppe a �ltima palavra era sempre de Catherine, n�o importava o que dissesse Elizabeth ou sua m�e. Ele sabia que Helena sempre a defendia e encobria suas traquinagens. Ent�o confiava cegamente na filha mais velha, cometendo grandes injusti�as � ca�ula que recebia broncas e castigos calada. - Mam�e, meu vestido j� est� pronto? - perguntava Elizabeth pela mil�sima vez. - Calma minha bambina, ainda faltam algumas horas para a festa. Vai brincar l� fora por enquanto. - responde Helena. Mas nada no mundo seria capaz de tirar a menina dali. Tudo o que Beth queria era colocar seu vestido azul novo e ir para a festa de Natal. Sentou-se emburrada, debru�ando-se sobre a mesa, observando a m�e trabalhar na cozinha. Catherine espiava num canto entre a cozinha e a sala de estar, pensativa e bastante s�ria, com jeito de quem est� tramando alguma coisa.. __________________________ Dez horas, as crian�as todas prontas para a festa. Nenhuma poderia estar mais euf�rica do que Beth, que apertava a m�o da m�e. Segurando-a com seus dedinhos ansiosos. A menina exibia um vestido azul com um grande la�o na parte de tr�s. Uma fita no cabelo e belos pares de sapato. Catherine exibia os melhores sapatos, que ganhara do pai, e um belo vestido amarelo e branco. Federico tamb�m estava bastante elegante, assim como seus pais. Todos estavam muito satisfeitos. Beth n�o via a hora de chegar � pra�a: - Vamos logo mam�e! - dizia ela. - V� na frente com sua irm�. Beth olhou meio desconfiada, de Helena � Catherine, mas n�o exitou em correr, segurando a m�o da irm�. Quando estavam bem � frente dos pais, perto da fonte, Beth parou. - Espera, espera! exclamou � irm�. Elizabeth tirou uma moedinha que escondera no sapato e no momento em que estava se posicionando para fazer um pedido e .... TIBUM!!! PR�XIMA P�GINA |