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    A Fazenda

     A Fazenda da Barra possui estilo colonial. Foi construída em 1850 pelo tenente Francisco Alves de Magalhães, com o objetivo de produzir café, o grande negócio da época. O tenente Magalhães, como era conhecido, chegara nessa época, acompanhando sua mãe Porcina Alves de Magalhães, viúva, que após a morte do marido, resolvera mudar com a família, de Minas para São José do Barreiro. As informações da época são poucas e controversas. Consta que os irmãos Roque e Francisco construíram, respectivamente, as fazendas Catadupa e Barra, e que anos mais tarde, teriam construído a fazenda Guanabara, também na Serra do Formoso, para casar um filho.
    O estilo colonial de construção inclui "pé direito" alto, janelas e portas grandes e numerosos cômodos que se comunicam, salões espaçosos, uma capela e nenhum banheiro(na época). O material usado era: adobe (tijolo grande feito de barro e capim), "pau a pique" (trançado de varas, de madeira ou bambu, cobertos com barro), pedra bruta ou cortada em blocos e madeira, abundante à época.
     As telhas, "de bica", eram feitas aqui mesmo, e as fôrmas utilizadas para moldá-las eram as coxas dos escravos. Assim, além da casa sede, construíram-se diversos muros de arrimo, três terreiros de café, uma tulha equipada com tanques de lavagem e uma grande roda d'água, uma senzala e várias casas de empregados livres. Um sistema de galerias subterrâneas feitas de pedra, abaixo do terreiro e em frente à tulha, garantia a drenagem da água.
    O ambiente onde essa história se desenrolava era muito diferente do atual, onde predominam muitas pastagens e raros capões de mata secundária. Havia então uma exuberante e inviolada floresta de árvores com dezenas de metros de altura, vários metros de diâmetro e centenas de anos de existência, pertencente ao ecossistema conhecido como Mata Atlântica.
    As cinzas da floresta tornavam os solos extremamente férteis e as primeiras safras eram fartas e promissoras. Contudo, o relevo inclinado, as fortes chuvas de verão, o solo frágil e descoberto pelo plantio esparso e em "linhas de morro acima", causavam o rápido empobrecimento do solo e o seu abandono para a formação de pastagens. A riqueza que o café produziu tinha origem nos minerais presentes nas cinzas da floresta queimada, e se esgotava rapidamente com a erosão dos solos. Os cafeicultores faliram, os madeireiros e carvoeiros, que vieram depois, faliram, a pecuária leiteira, atual atividade econômica, está falindo.
    A região é hoje muito pobre, graças ao desaparecimento da floresta que enriquecia e dava proteção ao solo. Existe contudo um potencial turístico representado pelas belas paisagens e pela presença de inúmeros ribeirões repletos de cachoeiras onde corre a mais legítima água potável.
    A Fazenda da Barra dedica-se atualmente a atividades ligadas ao turismo, à produção, em pequena escala, de mel, própolis, leite, queijo, verduras, legumes, algumas frutas, à criação de cavalos para passeios equestres e à recuperação e conservação da Mata Atlântica.

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