O PADRE BARTOLOMEU TIECHER

 

 

            Irmão do trisavô Angelo, o Padre Bartolomeu Tiecher foi o 1º sacerdote dos imigrantes italianos do Rio Grande do Sul.   Nascido em Caldonazzo no dia 13 de dezembro de 1848, foi ordenado padre na Catedral de São Vigílio, da mesma cidade, em 02 de julho de 1871.  Pela efervescência migratória de muitos conterrâneos, resolveu partir para o Brasil, a fim de ajudar espiritualmente seus patrícios.

           Chegando ao Brasil, por falar também a língua alemã, foi designado para assumir o posto de Capelão da Colônia Santa Maria da Soledade (Forromeco), pertencente ao então município São João de Montenegro, tomando posse em 23 de dezembro de 1875. 

Encarregado pelo bispo e a pedido dos colonos, em março de 1876, atravessando serras e florestas, visitou os incipientes núcleos de Conde D’Eu (hoje Garibaldi), Figueira de Melo, Princesa Isabel (hoje Bento Gonçalves) e outros, celebrando, a Santa Missa sob o azul do céu e orientando os pioneiros, ainda saudosos da pátria que há pouco haviam deixado.  Segundo o livro “Cinquantenario Della Colonizzazione Italiana nel Rio Grande Del Sud”, Padre Bartolomeu Tiecher rezou a 1ª Santa Missa da Colônia Italiana do Rio Grande do Sul em um altar improvisado com caixas e baús dos imigrantes em meio à “picada” (estrada) existente, no dia 21 de março de 1876.  (informações retiradas da seguinte página na Internet: http://www.economia.unitn.it/etourism/rassegna/numero20.html)

Como visitador das colônias alemãs e italianas, induziu o bispo a criar novas freguesias e curatos (dados retirados de homenagem do Circolo Trentino di Garibaldi, feita em 15 de dezembro de 1996).  Crismou numerosos imigrantes e filhos deles.  No ano seguinte, novamente visita as colônias e passa a exercer as atividades ministeriais em Caxias do Sul.  De 1878 a 1881 foi pároco de Santo Inácio da Feliz, passando em seguida a Gravataí até 1884.  Em 1886 foi nomeado pároco de São Pedro de Conde d’Eu (Garibaldi), há pouco criada.  Mais tarde, tendo em vista a falta de clero nacional e por necessidades prementes do bispado diocesano, começou o padre trentino a percorrer longo itinerário por paróquias praticamente sem imigrantes.  Assim, paroquiou em Pedras Brancas (hoje Guaíba), Cachoeira do Sul, Triunfo, Porto Alegre, novamente Gravataí, Santo Antonio da Patrulha, Conceição do Arroio (hoje Osório), Canoas e Torres. 

Beirando os 80 anos de idade, foi, com justiça, dispensado pelo arcebispo de paroquiar.  Mas Pe. Tiecher não se aposentou nem ficou inativo.  Dom João Becker, reconhecendo-lhe a longa folha de serviços prestados, nomeou-o “Cônego Honorário do Cabido Metropolitano”.  Pe. Bartolomeu distinguiu-se ainda como naturalista, sendo um grande estudioso da flora rio-grandense, sobre a qual escreveu muitos artigos, uma obra (“Relação das Plantas”, Tip. Do Centro, Porto Alegre, 1917), e deixou outro trabalho inédito e coleções.   Vale citar ainda que, durante muito tempo, através do Jornal “La Voce Cattólico”, informou, aos domingos nas igrejas da Itália, sobre a vida dos que aqui chegavam em busca de novos horizontes.

Depois de ter sido ainda Capelão do Colégio São José dos Irmãos Lassalistas de Canoas, do Hospital da Brigada Militar, no Cristal – Porto Alegre, e do Hospital de Roca Sales (na época, pertencente a Estrela), veio a falecer nesta última localidade, em 27 de fevereiro de 1940, com a veneranda idade de 92 anos.  Apesar de, na época, os padres poderem capitalizar bens, Pe. Bartolomeu morreu pobre.  Embora tivesse paroquiado em 15 freguesias, distribuíra todos os rendimentos em obras pias, auxiliando especialmente as vocações sacerdotais no Brasil e na Itália (informações retiradas das páginas 49 e 50 do livro “Clero Secular Italiano no Rio Grande do Sul: 1815-1930”, de Arlindo Rubert). 

Em artigo publicado no Correio do Povo de 19 de Março de 1975, com o título “Nova ofensiva dos tiroleses”, Miranda Netto escreveu sobre o Pe. Tiecher: “Foi o primeiro sacerdote italiano a acompanhar os imigrantes que vieram para o Rio Grande. Italiano e tirolês, acrescento eu, e de cepa austríaca, Tiecher é nome dos mais característicos na região. (...)  ...devotado sacerdote, cujo nome mereceria um destaque muito especial nas festas do Centenário da Colonização Italiana.”

Detalhe interessante que ainda vale ser citado é o de que Pe. Bartolomeu Tiecher é homenageado na suntuosa bandeira da porta central da Igreja de São Pelegrino, de Caxias do Sul, integrante do patrimônio cultural oficial do Estado do Rio Grande do Sul, através da figura do sacerdote que acompanha os imigrantes italianos retratados (informação retirada da seguinte página: http://www.al.rs.gov.br/proposicoes/2000/pl/pl225_2000.htm).

 

 

O TRISAVÔ ANGELO TIECHER E FAMÍLIA  è

ç   OS IMIGRANTES TRENTINOS

 

 

RESPONSÁVEL PELA PÁGINA:  Fábio J. Tiecher

ATUALIZAÇÃO: 06 de agosto de 2004.

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