OS IMIGRANTES TRENTINOS DA FAMÍLIA

 

TATARAVÔ GIOVANNI BATTISTA Tiecher, com o filho Pe. Bartolomeu,

e a esposa Domenica Uez, no ano de 1871, na Itália.

 

 

            Durante centenas de anos, o Tirol Austríaco, região hoje pertencente à Itália e chamada de Trentino, manteve uma economia agrícola quase auto-suficiente.  Formada por pequenos povoados situados em vales estreitos e isolados, junto a montanhas altas cobertas de bosques, a região preservava a essência de sua cultura agrícola, familiar e católica. 

              No século 18, porém, com o advento da Revolução Industrial, a classe camponesa foi levada a uma profunda crise econômica, obrigando muitos agricultores tiroleses a migrarem temporariamente para outras regiões da Europa em busca de trabalho e condições de subsistência.  Na década de 1870, a situação tornou-se de tal forma insuportável que muitos vislumbraram como solução a emigração permanente.  Diante disso, tentadora proposta vinha dos países da América, que careciam colonos para povoar suas terras virgens.

              Assim, em 24 outubro de 1875, o tataravô Giovanni Battista Tiecher e sua esposa Domenica Uez, residentes no povoado de Caldonazzo, pertencente ao então Principado de Trento, região do Tirol, juntamente com centenas de trentinos partiram rumo à França para embarcar ao Brasil, em busca de dias melhores no Novo Continente.  Em 30 de outubro de 1875, no porto de Havre (França), 392 tiroleses e 208 italianos embarcaram no Navio François I rumo ao Brasil (Arquivo Nacional de Rio de Janeiro, código 807, volume 14, folhas 213 e seguintes). 

 

CALDONAZZO SITUA-SE NA HOJE PROVÍNCIA DE TRENTO, NO NORTE DA ITÁLIA.

 

            Em 01 de dezembro de 1875 chegaram ao Rio de Janeiro, de onde, depois de breve demora, partiram no vapor Warneck para o estado Rio Grande do Sul, chegando a Porto Alegre em dia 13 de dezembro de 1875 (dados retirados das páginas 48 e 49 do livro “Clero Secular Italiano no Rio Grande do Sul: 1815-1930”, de Arlindo Rubert, e de anotações do Monsenhor João Maria Balem).

            Junto com o casal vieram os filhos: Padre Bartolomeu, Angelo, Ilário, Epifania, Fortuna e Lorenzo.  A família estabeleceu-se em Santa Maria da Soledade (Forromeco), na margem direita do arroio Forromeco, à época município de Montenegro.  Giovanni manteve um moinho na localidade, onde faleceu.   Domenica, viúva, foi morar com o filho Ilário na Colônia de Ijuí, onde faleceu em 10 de outubro de 1905* (outra anotação: 05 de agosto de 1905).  (Anotações do bispo Dom Paulo De Conto, descendente de Giovanni Battista Tiecher).

 

 

O PADRE BARTOLOMEU TIECHER  è

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