Perdas

 

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o santinho de Fefeu

A imensa fila para a eternidade em que nos encontramos até que é divertida. Ao contrário das outras filas em que nos postamos nos dias atuais, não há pressa, mas risos, conversas sobre todos os temas, trocas de informações sobre as experiências vividas, histórias de amor e até de sofrimento, de alegria e de tristezas, mas com a absoluta certeza de que seremos chamados de surpresa, no tempo certo, preciso, sem ordem definida.
O último poderá ser o primeiro a transpor o degrau. Os mais moços poderão preceder os mais velhos. Ninguém precisa apresentar RG, CPF, diploma de doutor, título de honor, passaporte, atestado de saúde nem certidão de renda ou de bom moço. Expira-se! Torna-se, sim, imagem e semelhança de Deus!
Desde 17 de abril de 2006, ALFREDO, ultrapassou-me na fila. Recita versos e faz piadas no céu! Ficou a saudade. A lembrança de Fefeu ainda criança, aos dois anos, cabeça coberta de cachos, agora sei, para cobrir e preservar seu conteúdo, a fazer suas primeiras traquinagens. Lembro de Fefeu aprendendo com facilidade as primeiras letras. Testemunhei o desabrochar da sua inteligência, sua perspicácia, suas respostas pertinentes, o bom humor com que encarava a vida. Logo cedo, no Seminário São José, em Salvador, destacou-se nos estudos e dominou o latim e o português como poucos. Aí nasceu o poeta. Como poetas e pássaros precisam de liberdade deixou a batina. Ganhou o mundo. Semeou sonhos. E, como ele próprio registrou em sua poesia :

"Não vão dizer, depois, em disparate
Que amar não foi a sina deste vate
Cuja única ambição foi ser poeta"

Agora ganhou o céu. Feliz estada, meu irmão!
Luiz Carlos 13/05/06

 
 

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