A fabrica de automóveis francesa Citroën sempre surpreendeu o mundo com seus modelos revolucionários, audaciosos e pouco comuns. Carros como o popular 2CV, o sensacional Traction 11/15 e a inconfundível linha DS sempre se destacaram pela originalidade, seja aplicada a soluções mecânicas ou estéticas.
Com a árdua tarefa de suceder ao DS, um clássico lançado em 1955 que já tinha quase duas décadas, o Citroën CX era mostrado ao publico em 28 de agosto de 1974. Sedã de dois volumes, media 4,63 metros de comprimento. Por ser mais baixo e moderno que seu antecessor, parecia maior, mas era na verdade 21 cm mais curto. Nas laterais destacavam-se os três grandes vidros, que tinham certa inspiração no irmão menor, o GS.
Conforto nas auto-estradas, resistência nos piores caminhos: o CX era
apreciado pela suspensão e chegou a ter êxito em alguns ralis
Na frente o destaque ficava para os bonitos faróis trapezoidais. No meio da grade preta, o double chevron, o símbolo de dentes de engrenagem que ficou famoso em todo o mundo. Na traseira as lanternas verticais completavam o conjunto ousado. O pára-brisa, com um só limpador, era grande assim como o vidro traseiro -- o carro tinha quase três metros quadrados de área envidraçada. A visibilidade era ótima.
Como é tradição Citroën, o capô alongado em cunha estava presente. Sobre este, uma pequena elevação à esquerda para a entrada de ar interna. De perfil era muito bonito e suas linhas fluidas faziam jus à denominação: o coeficiente aerodinâmico, ou Cx, era de apenas 0,37, muito bom para a época, para um carro com estas dimensões e sem pretensões esportivas. O modelo anterior, o DS, fora o primeiro automóvel com linhas definidas baseadas em estudos feitos em túnel de vento.
O anúncio diz tudo: "Primeiro aviso: antes de dirigir em altas velocidades,
assegure-se de que seu carro não está se preparando para decolar"
A suspensão hidropneumática garantia muito conforto aos ocupantes e uma estabilidade excepcional. O corretor de altura mantinha o carro sempre no mesmo nível. Era regulado por uma pequena alavanca, ao lado do freio de estacionamento, com três opções: baixo, adequado às ótimas estradas européias; normal, para o uso em cidades; e alto, para terrenos acidentados e esburacados. A suspensão, claro, era independente nas quatro rodas e a tração dianteira. O carro até hoje é referência como "estradeiro", seja em auto-estradas, seja em caminhos estreitos e tortuosos.
O motor básico, do CX 2000, era um quatro-cilindros transversal de 1.980 cm3 e potência de 102 cv, com carburador de corpo duplo e comando de válvulas no bloco. Sua velocidade máxima era de 174 km/h. A versão CX 2200, de 2.170 cm3, atingia 112 cv e final pouco superior, 179 km/h. O estepe ficava no mesmo compartimento, solução já aplicada ao DS. Em ambos a capacidade do tanque era de 68 litros e o câmbio tinha quatro marchas. Para a versão 2000 era oferecida uma caixa econômica, com relações mais longas. Os quatro freios eram a disco, sendo os dianteiros ventilados.
Por dentro o conforto era muito bom para até cinco passageiros. O motorista dispunha de uma interessante indicação de distância de frenagem e de velocímetro, que não eram nem digitais nem analógicos: um espécie de lupa ampliava a indicação de um instrumento parcialmente oculto, garantindo fácil leitura sem ocupar muito espaço no painel.
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