Logotipo da Citroën

Os Primeiros Desafios Quando André Citroën começou a vender carros com o seu sobrenome em 1919, ele já era um especialista em métodos de produção em massa e em tecnologia automotiva. Graduado em 1900 pelo mais famoso colégio de Engenharia da França, a Escola Politécnica de Paris, fundou sua primeira empresa em 1902 depois de completar o serviço militar. Registrou a patente de uma técnica de corte de engrenagens que havia descoberto na Polônia, cuja principal característica era o formato dos dentes em "V". Essas novas engrenagens tinham funcionamento mais suave e silencioso e eram mais eficientes na transmissão de força. A forma das engrenagens inspirou o conhecido duplo "chevron", emblema de todos os veículos produzidos por Citroën. Em 1907,

André Citroën descobre a indústria automobilística quando concordou em ajudar a Mors, uma problemática fábrica de carros sediada em Paris. Aceitou o desafio de recuperar a empresa e começou a trabalhar duro. Seus conhecimentos em organização e eficiência logo começaram a dar resultados. Em poucos anos, os carros Mors atraiam cada vez mais consumidores, a situação financeira da empresa melhorou e voltou a ter lucros. Em sete anos, a produção dos carros Mors cresceu dezoito vezes.

Produção em série A Primeira Guerra Mundial eclodiu em 1914. André Citroën entrou para um regimento de artilharia e foi mandado para a linha de frente dos combates, onde notou que a falta de munições forçava o exército francês a economizar cápsulas. Como havia visitado a fábrica de Henry Ford nos Estados Unidos em 1912, Citroën familiarizou-se com os princípios de organização do trabalho. Ele acreditava que seria possível produzir 10 mil cápsulas de munição por dia, num primeiro momento. Em 1915, quando de folga, falou com as autoridades francesas e convenceu-as a montar uma fábrica de cápsulas. Dois anos depois, a fábrica entrava em operação. Construída em apenas quatro meses, especialmente para produzir munições, a fábrica atingia o impressionante volume de 50.000 peças/dia - algumas vezes muito mais. Como a guerra caminhava para o final, André Citroën voltou sua atenção para transformar a fábrica de munições numa fábrica de carros. Como Henry Ford, ele decidiu produzir um modelo simples com forte apelo popular. Antes da guerra, o consumidor comprava um chassi sem carroçaria e que era montado em rodas sem pneus.

Citroën revolucionou o mercado ao apresentar o Type A 10CV. Fabricado já com técnicas de produção em série, o Type A foi lançado com carroçaria completa incluindo quatro rodas de metal estampada com pneus, estepe, dois faróis e um motor elétrico de partida. Essa nova forma de produção foi um grande sucesso logo seguida pelos demais fabricantes franceses.

O Type A 10CV foi o primeiro de uma longa série de novos modelos, cada qual incorporando importantes avanços tecnológicos. O 5CV, por exemplo, apresentado no Salão de Paris de 1921 e logo apelidado de "Trèfle" (trevo), foi o primeiro carro realmente popular produzido em série na Europa. Carroçaria de metal

No Salão de Paris de 1924, André Citroën apresentou o B-10 "All Steel", que revolucionou a produção industrial de carroçarias. O processo de produção foi desenvolvido pela empresa americana Budd mas os fabricantes norte-americanos relutavam em aplicá-lo por considerá-lo moderno demais. As plataformas eram anteriormente feitas em madeira, onde as peças de metal eram afixadas. Depois das inovações introduzidas por André Citroën, elas seriam montadas numa estrutura também de metal. Por muitos anos, os projetos avançados e detalhes originais desenvolvidos por Andrè Citroën transformaram-se em exemplos seguidos no setor automotivo. Nesse período, a marca lançou importantes modelos como o B12, o B-14, o C4 e o C6 com motores de quatro e seis cilindros.

Utilitários: papel essencial da Citroën Desde o lançamento do Type A 10CV em 1919, André Citroën teve a visão de desenvolver uma versão chamada como "carro de entregas". Ele estava convencido do potencial comercial de veículos utilitários e continuou a desenvolvê-los. O modelo TUB, em 1939, e o Type H produzido entre 1948 e 1981, anteciparam os modernos veículos utilitários leves com tração nas rodas dianteiras, carroçaria monobloco de aço, assoalho liso e baixo para facilitar o serviço de carga, porta lateral deslizante, fácil acesso e posição avançada para o motorista.

Essa fórmula, ainda largamente utilizada nos dias de hoje, foi usada pela Citroën pela primeira vez numa época em que seus principais competidores ainda se preocupavam em reforçar a capacidade de carga de seus modelos de passageiros.

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