Confiança
por Sílvia Song

Talvez o mundo não seja tão bonito quanto imaginamos. Muitas vezes nos decepcionamos, porque acreditamos na boa intenção das pessoas, que certas vezes existe só na nossa cabeça. E essas decepções nos fazem pensar se vale mesmo à pena acreditar nas pessoas, partir do pressuposto de que todos são inocentes até que se prove ao contrário. Será que é isso que é o certo? Não seria mais fácil simplesmente se fechar e não confiar em ninguém e só se a pessoa lhe der motivos, incontestáveis, ai sim dar seu voto de confiança?

É, realmente seria mais fácil, a gente se machucaria menos, mas eu não creio que isso é o certo. As suas desilusões anteriores não podem interferir em como você vai tratar as pessoas agora. Claro que com elas vêm o crescimento, a gente aprende muita coisa e parte da nossa ingenuidade acaba indo embora... Mas a nossa confiança de que as pessoas são boas, não pode ir embora! Porque afinal a pessoa que errou foi a anterior, as outras não têm culpa disso, elas não fizeram nada pra receber frieza.

Se todo mundo merece uma segunda chance, como que a gente pode negar a primeira? Se errando as pessoas já merecem o perdão, é justo não dar a oportunidade pra elas errarem? Você acha mesmo isso certo?

Eu prefiro acreditar nas pessoas e correr o risco de me machucar, do que não acreditar e perder a oportunidade de amar. É talvez eu seja sim a última das ingênuas, mas eu vou continuar acreditando, me decepcionando e o mais importante amando. Porque a vida sem amor, não é a mesma coisa.

Uma vez eu li que:

“Rir é correr o risco de parecer tolo...
Chorar é correr o risco de parecer sentimental...
Estender a mão é correr o risco de se envolver...
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar o seu verdadeiro eu...
Defender seus sonhos e ideais diante de todos é correr o risco de perder as pessoas...
Amar é correr o risco de não ser correspondido...
Viver é correr o risco de morrer...
Confiar é correr o risco de se decepcionar...
Tentar é correr o risco de fracassar...
Mas os riscos devem ser corridos porque o maior perigo é não arriscar nada.

A pessoa que não corre nenhum risco, não faz nada, não tem nada, não é nada. Elas podem até evitar sofrimento e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.”

Eu acredito nisso e é por isso que eu aceito correr esse risco. Eu acho que vale a pena, porque “evitar a felicidade com medo que ela acabe é o melhor meio de ser infeliz”.


 
 

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