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Estroft

Alienado?

 

 

Falaê! E aqui estamos, de volta a mesa suja semanal. Pode-se chamar isso de mesa suja mesmo, ta tudo tão sujo no recinto onde digito essa coluna, que não tem outra palavra, se não, suja, pra descrever a situação.

E a situação ta crítica, mesmo assim eu não sei de quase nada, só um papo ou outro que chega pela boca dos outros, mas a conversa já ta tão diluída que eu já consigo ter noção de tudo como se o pensamento fosse meu. Sorte ter amigos, conhecidos, desconhecidos, falantes que me passam a informação numa proporção tão básica, tão simples, que fico até feliz em estar levemente informado sobre alguma coisa.

Quando a TV por assinatura (GatoNET) foi embora, eu “filosofei” sobre quais eram os motivos de eu retornar pra uma TV aberta falida, que como diz o Ricardo (ainda desaparecido), a sub-televisão brasileira. E sabe qual foi à conclusão? Não tinha motivo algum. Todos os canais estão cada vez piores, isso sem falar nas falsas promessas (SBT, com seus filmes), lavagem cerebral (Record), abuso da inteligência do telespectador (Band e RedeTV, com Gilberto Barros e Luciana Gimenez), mais abuso de inteligência (Globo, principalmente com sua novela falida América, que será, em breve, reconhecida como “mais um sucesso, de Glória Pérez”, mulher ruim mesmo). Mas não vou falar de televisão não, já chega esse “review” por alto dos canais. Acontece que, por abandonar a TV eu ouvi diversas vezes, que eu era “alienado”, claro, eu sabia o significado da palavra, mas pra essa coluna, fui atrás do que o dicionário dizia (pra encher de texto mesmo =P).

Alienado:

Uso: informal.
 3    que ou aquele que sofre de alienação, que vive sem conhecer ou compreender os fatores sociais, políticos e culturais que o condicionam e os impulsos íntimos que o levam a agir da maneira que age

3.1 que ou aquele que, voluntariamente ou não, se mantém distanciado das realidades que o cercam; alheado

O que abandonar a televisão não faz? Admito, estou distante da informação sim, só torço pra que a previsão do tempo me dê uma boa notícia de frente-fria (aliás, parece que tem uma se aproximando), porque encima da minha casa tem uma falha na linha do equador, que passa bem aqui, nem a ciência explica. E aos cariocas que gostam do calor, olha, me desculpem, mas ou vocês não trabalham ou tem um belo de um ar-condicionado o tempo todo.

Aliás, estou distante das noticias porque elas estão muito chatas, primeiro que o tão amado “mensalão” (eu queria matar o filho da mãe que inventou essa palavra), amado porque, estranho ou não, o povo gosta, virou um reality show impressionante, eu queria saber qual foi a audiência desse rouba-rouba do governo. Outra, é que a incrível pergunta foi feita num momento nada haver: “você é contra ou a favor do comércio de armas de fogo no Brasil?” Nem, sei se a pergunta é essa, mas tudo bem. Os dois lados da moeda das armas são podres, as propagandas choráveis, os artistas persuasíveis, os fatos idiotas e o povo perdido. Ou vai me dizer que alguém se acha nessa besteira? Besteira porque não é hora disso, eu adoraria que resolvessem o problema dos tiroteios diários, mas parece que de agora em diante, verei armas sendo “comercializadas” (?) da mesma forma que a maconha é vendida...

Lembra quando eu disse que recebia noticias prontas, em papos com amigos? O meu momento alienado/fuga? Pois é, quando o povo não entende direito o que ta acontecendo de verdade, e só quer saber se esse país vai pra frente ou não, acaba ouvindo que tem que “apagar” armas ou “se proteger”. Bizarro. As propagandas não são para um povo alienado, mas são idéias condensadas vindas da cabeça de alguém, que quer ser o dono da maldita verdade, ou seja, pra que lado podre ir? Cada um que escolha, eu preferia nem me meter no assunto... Três reais de multa pra assistir a mágica da democracia...

Esse meu momento “longe” das notícias, me deixa às vezes sem tempo pra escrever alguma coisa por estar fazendo outras. Ainda assim as bobagens continuam fluindo, em um ritmo desacelerado, mas fluindo. Acho que essa semana me recupero. O texto da última atualização foi uma merda² (ao quadrado), a dessa semana, provavelmente merda³.

Das merdas da semana, acabei relembrando os Mamonas Assassinas e uma música deles se encaixa exatamente no andar do governo nos últimos 15 anos, a música é “Vira-Vira”. Tem haver com muita coisa e se você olhar a letra, lotada de múltiplos sentidos, vai notar como foi roubado (“me passaram a mão na bunda/ ainda não comi ninguém”), suruba (“Fui convidado pra uma tal de suruba”), mensalão/ Roberto Jefferson como herói (“Oh Maria essa suruba me excita”), entre outras, veja a letra e boa semana.

 

Vira-Vira – Mamonas Assassinas

Fui convidado pra uma tal de suruba,
Não pude ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa,
Toda arregaçada não podia nem sentar.

Quando vi aquilo fiquei assustado,
Maria chorando começou a me explicar.
Aí então eu fiquei aliviado,
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda,
E ainda não comi ninguém!

Ó Manoel olha cá como eu estou
Tu não imaginas como eu estou sofrendo
Uma teta minha um negão arrancou
E a outra que sobrou está doendo

Oh Maria vê se larga de frescura
Que eu te levo no hospital pela manhã
Tu ficaste tão bonita monoteta
Mais vale um na mão do que dois no sutiã

Roda, roda e vira...

Oh Maria essa suruba me excita
Arrebita, arrebita, arrebita
Então vai fazer amor com uma cabrita
Mas Maria isto é bom que te exercita
Bate o pé, arrebita, arrebita
Manoel tu na cabeça tem titica
Larga de putaria e vá cuidar da padaria.

Roda, roda vira...

 

Te mais!

 

Rond !

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