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O Dinheiro Se Vai. E a Criatividade? Também?

 

 

Nossa! Como é bom estar de volta (de novo). Como vão todos?

Eu nem acredito em quanta coisa aconteceu nesse país e no mundo enquanto estávamos de férias. Desde dinheiro em cueca até atentados. Esse mundo está mesmo mais rápido, e nós ficando mais lentos (eu li isso em algum lugar). E continua muito perigoso. E eu, como sempre continuo sem dinheiro, rezando pra tropeçar num diamante bem grande. Mas vocês acharam nossas férias longas? Desculpem pessoal, nós podemos, porque o site É NOSSO!

Esse é o meu segundo texto depois da volta (essa parte aqui é nova), mas na verdade é o primeiro que devia ter sido “publicado” há muito, muito tempo atrás numa galáxia muito distante quando o Estroft ia ser atualizado e não foi (é isso mesmo adivinhou, somos um bando de preguiçosos).

Primeiro eu gostaria de fazer umas perguntas: O que é que a Panini e a Conrad estão pensando que eu sou? Eles acham que dinheiro cai do céu ou o quê? Tá certo que eles lançaram edições muito boas, com bom papel, boas capas e posters. Talvez eu é que esteja maluco por pagar o preço que eles cobram por uma revista dessas. Nesse tempo em que ficamos parados site parado: Sandman Prelúdios e Noturnos = R$ 60,00 (e tem mais um esse mês); Marvels = R$ 24,90; Batman Ano Um = R$ 19,90 (comprado pela segunda vez); Ficar com cara de idiota e se sentir culpado cada vez que paga por um absurdo desses = Não tem preço.

E aquelas edições de Vagabond e de Dragon Ball (é são legais, mais o precinho)? Eu acho que eles tão perdendo a noção. Sem falar na Enciclopédia Marvel e em Elektra Assassina, que sumiram das bancas de repente.

Interferência do Daniel : E ainda tem o cinema, na semana em que fui ver O Castelo Animado do Hayao Miyasaki, por sinal foi muito bom, eu recomendo (mais o meu filme preferido do Miyasaki continua sendo Porco Rosso, muito bom). Sabe quanto estava o ingresso de cinema aqui no Rio de Janeiro? R$10,00 e R$16,00 (nos fins de semana). Assim não há bolso que resista até o fim do mês. Deve ser por isso que DVD é tão bom, principalmente para aqueles filmes que você quer ver de novo assim que sai do cinema. Você compra (tá certo é mais caro que cinema), leva pra casa, não precisa devolver, assiste deitado, de cabeça pra baixo ou como você quiser, leva quem você quiser pra ver (pra assistir do jeito que você quiser de novo hehehehe), sem nenhum idiota falando, assiste até enjoar, perde uma semana vendo os extras (que não tem no cinema), você pode até fazer pipoca! E depois pode jogar o filme naquela pilha de coisas que fica no canto do seu quarto. Eu já comprei filmes muito bons que custaram mais barato que ir ao cinema, como Cães de Aluguel (do Tarantino). Sempre tem uma promoção de DVDs naquela loja perto da sua casa. Fim da Interferência.

Tudo bem, a decisão de comprar ou não é só de quem gosta de quadrinhos, mangás, ou seja, lá o que for, mas eles podiam ajudar um pouco afinal esses preços são absurdos em qualquer lugar do mundo. Eu já reclamei desse abuso e vou continuar reclamando. E eles ainda têm a coragem de por a culpa toda no papel, até perderam a vergonha e agora nem explicam mais os aumentos de preços. Eu nem preciso reclamar dos preços das outras revistas (as que não são edições especiais) não é mesmo. Daqui a pouco eu vou ficar nervoso e eles vão acabar perdendo o meu dinheiro, afinal eu paro de comprar quadrinhos, quando eu quiser (é sério, não sou viciado).

OK, OK, vamos reclamar mais um pouco. Eu aindei lendo algumas revistas de como desenhar (porque eu estou enferrujado, não eu quase já virei um fóssil, pois não desenhava há muito tempo). Eu sempre odiei aqueles exercícios de fazer círculos e depois construir a cabeça e depois cobrir com nanquim e depois apagar as linhas...Bom, acredito que a maioria de vocês saiba a que me refiro e imagino que ninguém morra de amores por esses exercícios (tem muito louco por aí, nunca se sabe). O fato é que esses exercícios são muito chatos, mas eu sei são importantes. Seja para mangá, HQ, ou desenho convencional, não me sai da cabeça que eles são apenas fórmulas.

Agora me digam quais mangás e HQs, não usam essas fórmulas? Poucos com certeza ousam quebrar essas fórmulas. Tá bom, eu sei que cada artista tem o seu estilo e não estou dizendo que todo mundo desenha igual. Mas fora Vagabond e Chonchu (que é não é um mngá Japonês) que foram um pouco além do desenho simples do mangá, apresentando desenhos mais detalhados. Quais os outros mangás que quebram essa fórmula? Sem falar nos títulos em que os autores param de repente ou nos que tem sua história prolongada por causa dos leitores e ainda dos cortes da censura americana (que na minha opinião deviam ser proibidos pois alteram uma obra de arte original).

Nem falo das HQs pois há uma verdadeira onda de relançamentos das histórias mais antigas nesse mercado, e muitas das histórias dos super-heróis acabaram se tornando uma verdadeira bagunça. Os desenhos de HQ estão, na minha modesta opinião, há muito tempo “industrializados”. É claro tanto nos mangás quanto nas HQs existem grandes artistas. Mas aos meus olhos parece que tudo se torna cada vez mais comercial e com isso sobra menos espaço para a criatividade dos artistas (ou roteiristas), como se existisse um “modo de fazer” para os heróis (e de fato existe).

Mas de tempos em tempos aparecem uns caras que fazem tudo diferente ou que resolvem experimentar novas maneiras de fazer velhas coisas, como o grande Will Eisner ou como Frank Miller. E então são considerados gênios (mesmo depois de um Cavaleiro das Trevas 2). E se nós, pobres mortais que desenham, resolvermos inovar e fazer alguma coisa completamente diferente? Com certeza não seríamos contratados, a menos que alguém resolvesse apostar no nosso trabalho. È claro que criar algo novo é muito difícil, mas porque não tentar? Porque não podemos fazer? Lógico que leva tempo, mas certamente aprenderemos muito enquanto tentamos quebrar barreiras.

Não me considero um grande conhecedor de HQs e mangás (daqueles que sabem de tudo), mas essa é a minha opinião. È isso que vejo, a criatividade perdendo para a indústria, a arte virando um simples produto vendido pelas grandes e poderosas editoras. Talvez alguns concordem com o meu ponto de vista e muitos discordem (oh polêmica), mas não tenho mesmo a intenção de ser uma voz solitária e que não escuta ninguém. Por isso concordando ou não, me mandem um email, ou melhor, se quiserem discutam na comunidade do Estroft no Orkut.

É isso! Até a próxima e abraços a todos.

 

Daniel

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