| Armagedom 2� parte |
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| ... - Fernando, Fernando! Temos sido bons amigos, n�o? Seu olhar me desnorteia. Respondo que sim sem pensar. - Voc� n�o sabe, mas v�rias vezes tive a oportunidade de te dizer que voc� n�o morreria. Voc� acreditou, claro, e sabe por que? Eu abano a cabe�a. - Porque � verdade!! Voc� n�o est� vivo? ele me chacoalha com firmeza e eu tenho que concordar. Claro, estou vivo! - Mas � o diabo continua, com sua voz sedutora � Ele n�o quer isso. Ele aponta a cidade Santa e eu tremo. O diabo solta uma sonora gargalhada. - Medo, Fernando? Larga de bobagem, homem. Olha � sua volta! Veja quantos somos! Voc� pode tudo, homem, tudo! Voc� est� vivo e vai continuar assim! Sinto a adrenalina tomar conta de mim e logo tamb�m eu estou gritando e esbravejando improp�rios na dire��o das muralhas brilhantes. Vejo uma janela com uma grande sacada repleta de plantas maravilhosas, que jamais antes eu vira, e decido: aquela vai ser a minha casa, custe o que custar! Sou aproveitado no grupo dos construtores de catapultas. Fui convencido que essa arma n�o � t�o ultrapassada, que apesar de outros estarem cuidando de bombas at�micas e explosivos de todo tipo, essa arma medieval ainda � capaz de fazer um grande estrago. Iremos com for�a total pra cima da cidade. Todo tipo de engenho b�lico, tudo o que o homem, inspirado pelo diabo, foi capaz de construir com o fito de ceifar vidas vai estar em a��o. A cidade parece dormir em sil�ncio. Est�o com medo, decerto. Trabalhar ao lado de homens e mulheres de todas as ra�as, gente que viveu mil�nios antes de mim, � muito excitante. N�s nos entendemos. Nos olhos de todos a raiva dAquele que h� pouco cham�vamos �bendito�. Entendemos que apenas Este se interp�e entre n�s e a vida eterna na cidade ocupada agora por aqueles fracos e covardes. Vejo homens enormes levantando toras, malhando ferro, arrancando do solo tudo o que ele ainda tem para dar, e participo com empenho e af�. Lembro do menino que matei dentro de minha garagem e sinto um gosto agrad�vel na boca, uma vontade de reviver aquilo. � hora da batalha! O sinal soa alto. Vejo o diabo com seus asseclas conferenciando com os maiores estrategistas militares de todos os tempos. � incr�vel. Ali est�o Gengis Khan, Absal�o, Hitler, Napole�o Bonaparte, �tila e tantos outros. Como temer? Como duvidar da vit�ria? Estamos nas m�os do que h� de melhor em termos de destrui��o e mortic�nio. A organiza��o � perfeita, os l�deres sabem o que est�o fazendo e ent�o nos agrupamos. Subo em uma colina para ver melhor e o que vejo � esplendoroso! Bilh�es de pessoas cercando a cidade, arrastando os engenhos militares que v�o logo logo estremecer cada cent�metro daquela constru��o imponente. Espero que n�o danifique muito, porque aquela casa vai ser minha. Se algu�m tentar tom�-la antes eu juro que mato, seja l� quem for. Estamos a postos. Ficamos em sil�ncio por um momento. Sente-se no ar a expectativa pela vit�ria iminente. O Diabo est� de p� acima de um elevado, e faz um gesto para que esperemos um pouco. Todos temos os olhos fitos nele, at� que um brilho familiar se faz notar. Acima da cidade h� uma plataforma do outro mais brilhante que algu�m j� viu, e sobre ela um trono. Cristo est� ali, assentado. Aquele � o trono do Deus Vivo, do Senhor dos Ex�rcitos. Que vis�o! Ah, que vis�o! Parece que um rio de fogo desce do trono, e h� anjos voando ao redor em sincronia perfeita, estamos todos embasbacados e nossas m�os fraquejam nos gatilhos. Tentando afastar os olhos numa tentativa desesperada para n�o vacilar, vejo acima do muro, entre tantas outras cabe�as, como que destacada entre elas, Fl�via, a minha esposa Fl�via. Claro, ela tinha de estar l�. E me olha com tristeza. No seu olhar eu vejo n�o uma m�goa, nem revolta contra os des�gnios de Cristo, mas uma melancolia estranha, certamente pela decep��o com a minha obstina��o em lutar contra Jesus e contra os que mantinham o Seu testemunho e guardavam Seus mandamentos. Volto-me para o meu companheiro ao lado. � um chin�s enorme, vestido de peles e com ar terr�vel, mas que agora parece petrificado. Ent�o lhe pergunto: - O que vai acontecer? 12/2001 |
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