| Passos - X O Deus que eu conhe�o �Seu computador j� pode ser desligado� � a frase em laranja brilhava na tela preta e Jonas esfregava os olhos, cansado. A m�quina desligada colocava o escrit�rio num s�bito e denso sil�ncio. Ele apanhou as impress�es para uma �ltima olhada e as guardou na pasta �l�sobre a mesa, com um bocejo. Levantou, afastou as persianas para ver a noite fria que fazia l� fora, recolheu algumas coisas e colocou dentro da maleta. Lembrou ent�o do h�bito de todos os dias, antes de ir embora: sentou-se outra vez, tomou a B�blia que ficava de p�, ao lado do micro, � frente de alguns outros livros, e ap�s uma breve ora��o, abriu-a onde a p�gina estava marcada e leu. �Santifica-os na verdade. A tua palavra � a verdade� dizia Jesus (Jo�o 17:17). Leu mais uma por��o de coisas, mas aquela frase era que atra�a sua aten��o. �Santifica-os na verdade�, a eles, os disc�pulos. Jonas inclu�do. Trancou o escrit�rio vazio, ligou o alarme, movimentos autom�ticos. A lufada de vento o fez puxar o z�per do blus�o at� o queixo. Abriu o carro, atirou a pasta no banco de tr�s sentou-se fechando a porta com o m�ximo de pressa. Deu a partida pensando na frase das Escrituras. Lembrava outro texto que dizia �verdade�, qual era mesmo? Sim, �Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ningu�m vem ao Pai se n�o por mim.� Dirigia pensando naquilo. A verdade nos santifica, a palavra nos santifica, Jesus � a verdade. Jesus � a �palavra�, o �verbo� (Jo�o 1:1). Jesus nos santifica, um verbo, uma a��o, sempre. Estava muito cansado. Decidiu guardar aquele fio de racioc�nio para outra hora. Ligou o r�dio quando o carro parou no farol. Esta��o 1: Vinte e duas horas e quarenta e tr�s minutos (carro desce a ladeira e entra � esquerda). Jonas pensava: Preciso conferir o contrato da Perez . Esta��o 2: ... em exposi��o, demonstram o incr�vel poder da palavra... (carro p�ra de repente, para evitar um cachorro). Jonas sorria: Ai, que fome! Meu reino por um prato de sopa. Miojo serve. Que hora pra esse cachorro estar na rua! Esta��o 3, cantando: ...and if a ten ton truck/crashes into us/to die by your side/well the pleasure and the privilege is mine... (carro contorna a pra�a e adentra a avenida). Jonas ruminava: By your side, by your side. Ai, como isso me faz pensar naquela pinta... Em cima da boca da garota da igreja! O celular tocou. Que bom � Jonas suspirava � menos solid�o. Colocou o aparelho no vivavoz. Uma mancha no canto direito do seu campo visual. Um estampido, peda�os de vidro caindo sobre ele, um som horr�vel, muito muito alto. Durante algum tempo, Jonas n�o saberia dizer quanto, no meio de um borr�o escuro ele julgava ver as bailarinas que um dia vira no Municipal. Aos poucos a consci�ncia voltava, entorpecida, fragmentada. Ecos, luzes. O gosto de sangue na sua boca � era sangue? Jonas pensava: um acidente! O farol estava vermelho para ele. A sensa��o de n�o poder mover os membros � das coisas mais angustiantes que algu�m pode sentir. Na primeira vez que isso acontece, o senso de impot�ncia, de insufici�ncia, s�o capazes de sufocar algu�m. Jonas tentou relaxar um pouco, respirar. Alguma coisa comprimia seu peito, ele sentia a cabe�a pesada, devia estar de cabe�a para baixo. E agora? Lembrou aquela manh� na praia, quando por entre o verde das montanhas, o azul do mar com seus contornos rosa e o dan�ar dos botos, Deus lhe falou um discurso mudo, que lhe secou as l�grimas e devolveu o norte, o sentido. O borr�o escuro cresceu, ele julgou ver no centro dele uma luz, mas n�o sabia dizer se era verdade. Um zunido insistia em seu ouvido. Mais alguma coisa. Um celular que tocava? Lembrou da primeira vez que conversou sobre f� com C�lio, num almo�o no chin�s... O cora��o lhe aquecia! Lembrou dos momentos quando lia Caminho a Cristo na sua casa, aquela noite de sexta quando entendeu. Lembrou das coisas que transformaram sua vida, o livro de J�, o livro de Hebreus, a semana de ora��o na igreja. Do lado de fora do carro algu�m chorava e gritava desesperado. Jonas sabia que n�o tinha dom�nio sobre o menor dos m�sculos de seu corpo, mas a impress�o que tinha � de que ele sorria. E agora? Bom, n�o desespero. N�o terror. �O caminho. A verdade. A vida. Eu sei em quem eu creio� Jonas sentia-se sorrindo, porque conhecia seu Deus. O borr�o cresceu, a luz que havia no centro diminuiu at� apagar. Depois foram os sons desencontrados l� de fora e o resto era sil�ncio. ----------------------------------------------------------------------------- Ellen G. White, Caminho a Cristo, cap�tulo "O Deus que eu conhe�o", ps.85-89: �Muitas s�o as maneiras pelas quais Deus procura revelar-Se a n�s e p�r-nos em comunh�o com Ele(...) A Natureza fala sem cessar aos nossos sentidos (...) Deus nos fala por meio de Suas opera��es providenciais, e pela influ�ncia de Seu Esp�rito sobre o cora��o (...) Deus nos fala a n�s por Sua palavra (...) Ao contemplarmos assim os temas celestiais, nossa f� e amor se fortalecer�o, e nossas ora��es ser�o cada vez mais aceit�veis a Deus, porque a elas se misturar�o cada vez mais a f� e o amor. Ser�o inteligentes e fervorosas. Haver� mais constante confian�a em Jesus, e uma di�ria e viva experi�ncia em Seu poder de salvar perfeitamente a todos os que por Ele se chegam a Deus.� Marco Aur�lio Brasil Lima |
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