| As primeiras coisas cap�tulo 8 |
|||||||||||||||||
| Fren�tico solo | |||||||||||||||||
| Um solo de piano punha totalmente l�rica � no sentido sentimental da palavra � a atmosfera dentro do carro de Bruna. Ela respirava essa atmosfera olhando o reflexo das altas copas das �rvores no seu p�ra-brisa at� sentir-se suficientemente arrebatada para dar a partida. Deu a r� e saiu pela avenida Higien�polis, mas antes mesmo que cruzasse a rua Sabar� lembrou-se que a m�e lhe pedira para revelar o filme da �ltima viagem de seu pai e se chegasse em casa sem as fotos receberia g�lidos olhares. Subiu a Sabar�, entrou na Maranh�o e passou novamente em frente ao Mackenzie, continuando a descer a Dona Veridiana. Havia um laborat�rio de revela��o por ali, em algum lugar. Ia vagarosamente na procura do lugar, assobiando a m�sica que come�ava a crescer em dramaticidade, lenta mas perceptivelmente. Certamente devido ao hor�rio, pr�ximo do meio-dia, ela cruzou com uma multid�o vestida de branco. Eram os estudantes de Medicina, residentes, m�dicos e enfermeiros da Santa Casa de Miseric�rdia e do Hospital Santa Isabel que saiam ruidosamente para lotar os restaurantes de comida por quilo da regi�o. Uma nada bem-vinda lembran�a do quarto de hospital que ocupava de tempos em tempos. Sentiu nas narinas o odor caracter�stico de hospital e isso lhe provocou um ligeiro mal estar, tanto que foi obrigada a desviar a vista. Passou pelo laborat�rio que procurava sem o ver e foi chegar no Largo de Santa Cec�lia, indecisa sobre que dire��o devia tomar. S� podia tomar a direita, ent�o para l� enveredou antes que os carros de tr�s come�assem a buzinar. Tornou a entrar � direita, subindo devagar uma ruazinha desconhecida, bastante tranq�ila. Pensava nas muitos omiss�es que cometera nos �ltimos dias. Omitira � m�e que as gengivas come�avam a sangrar novamente quando escovava os dentes, omitira os suores noturnos e as palpita��es. Se ela insistisse mais em perguntar, talvez. Se demonstrasse mais interesse. Bruna envergonhou-se por sentir car�ncia de aten��o da m�e. Tinha j� vinte anos, que estupidez! Conhecia o jeito dela, sabia que se importava, l� do jeito dela... Incomodava a m�e nem perguntar, sequer olhar em seu rosto. Bastaria isso pra ver a mentira estampada, ela sempre detectava suas mentiras! Bruna j� sentia havia alguns minutos, desde o mal estar que sentira h� pouco, aquele suor caracter�stico na testa, mas fez o poss�vel para ignor�-lo, contudo, antes que chegasse ao final da pequena rua desconhecida a vis�o escureceu-se. O instinto a fez jogar o carro para um lugar vago � direita, subindo a guia com a roda da frente. Tentou abrir a blusa, sufocava, mas suas m�os n�o respondiam. A cabe�a jogada para tr�s, ofegava, respirando com muita dificuldade, um calor violento percorria-lhe o corpo. Os funcion�rios de um estacionamento e uma mo�a que trabalhava em uma vidra�aria do outro lado da rua aproximaram-se curiosos para ver o que acontecia. A m�sica enfim atingia o seu cl�max, mudando toda a atmosfera no interior do autom�vel. |
|||||||||||||||||
| cap�tulo seguinte | |||||||||||||||||
| cap�tulo anterior | |||||||||||||||||
| p�gina inicial do conto | |||||||||||||||||