A SAGA WAMPYROS XI

Prólogos

-|- Primeiro Round | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |
-|- Segundo Round | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | Final|

Epílogos


Escritores: Dani Steele | Takayama | Pablo Lopes | Lázaro | Radamés | Sen-Nefer | Nosferatu | Vivi

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 1

por DANI STEELE

 

"Há uma linha boa entre gênio e loucura.
Eu apaguei aquela linha ".


 
A lua brilhava no céu, e ela estava tão enorme e redonda. A brisa fresca tocava sobre seu rosto e isso fazia com que se sentisse ainda mais morta, mais fria, porém não tão quanto o seu interior mórbido. No entanto, a morte não significa muito para alguém como ela. Não digo isso por ser uma vampira, uma imortal. Não...! Definitivamente! A morte é apenas uma passagem, um caminho para sua nova existência. Isso era o que todos no Egito acreditavam, assim como ela também mantinha essa crença e talvez tenha sido a mesma crença que a fez se tornar tão autoconfiante e até mesmo um pouco louca. Hoje, ela estava apenas na porta entre aqueles dois mundos. Ela podia caminhar como um deles, mas na verdade a garota nunca fez parte daquilo, um ser humano normal. Khepri era especial, dotada de poderes, sabedoria, além de sua própria aparência macabra, muito antes de ter se tornado o que ela era. Afinal, naquela noite ela voltava a se perguntar quem ela era agora. Aquela vampira recém criada estava em busca de respostas, mergulhada em seus próprios pensamentos enquanto caminhava e pensava em seu criador, porque ele não havia acordado ela, porque ele teria abandonado e descumprido sua promessa de estar ao seu lado para sempre. A cada passo talvez estivesse mais próximo de encontrá-lo, afinal era o que Pablo Lopes havia deixado subentendido, ou talvez, fosse apenas o que Khepri quisesse acreditar naquele momento.
Os olhos azuis, albinos, quase esbranquiçados se voltavam aquele homem que caminhava ao seu lado, fitando-o discretamente por baixo da longa mecha de seu cabelo loiro. Ela tentava manter seus pensamentos atentos a sua volta, àquela rua tão estranhamente brilhosa que fazia com que a garota baixasse seu rosto deixando seus cabelos cair sobre os olhos. Toda aquela luminosidade machucavam seus olhos que eram tão frágeis. Porém, lá estava aquele corpo aparentemente tão frágil, andando e seus pensamentos vagueando para tão longe. Então, voltava a pensar naquele portão. Um portão de ouro que separava o mundo dos mortos e mundo dos vivos.
Talvez fosse apenas uma porta sem um real significado, nada além de lendas e crensas. A garota pensava que talvez os mortos e os vivos poderiam conviver juntos.
Os dois juntos no mundo dos mortos. Assim como os dois andando juntos, no mundo dos vivos. Isso seria a mesma coisa? Ela se perguntava. Apenas parece, mas não é. Talvez fosse apenas um mundo invertido, uma realidade alternativa a qual os seres humanos viviam,  e uma outra realidade o qual os mortos habitavam. Ou talvez não fosse nada. Apenas mais um de seus devaneios.
No fundo ela sabia a resposta. Cada um deles, vivos e mortos utilizarão um corpo o qual foi destinado a ocupar, e este mesmo corpo lhe ditaria se você está vivo ou morto. Isto é, se você tiver consciencia de quem você é, e escolher qual lado do portão deseja habitar.
Derrepente, Khepri novamente se despertou pelo som da batida do coração daquele homem que estava ao seu lado. Ela olhava para ele e o sentia tão vivo, mas talvez fosse apenas seu corpo aquela casca deliciosa a qual era tentava ignorar. Não estava com fome. O que era logicamente uma enorme mentira. Os vampiros estavam sempre com fome, alguns podiam simplesmente se controlar, se condicionar, mas porque ela se controlaria e continuaria a ignorar aquela fome? Porquê seu criador ordenou? No momento ela o mantinha vivo apenas porque precisava dele. Então sorriu docemente para ele, correspondendo sua receptividade de um jeito cínico e debochado enquanto ele não parava de falar coisas que não estava interessada em ouvir. Contudo, ele era esperto o suficiente para captar que não poderia confiar nela. Talvez ele estivesse a usando também para seus objetivos ou ele não teria voltado para aquele lugar o qual não pensava em voltar tão cedo.

-  Chegamos! - Dizia Pablo parado em frente à enorme Mansão retirando do bolso um chaveiro, abrindo a porta principal, para logo em seguida entrar e posteriormente convida-la para que ela entrasse também.

A jovem garota arqueava a sobrancelha e olhava atentamente para todos os lados um tanto quanto desconfiada. No entanto, estranhamente ela conseguia se sentir mais a vontade naquele lugar. Não demorou para que a garota em sua enorme velocidade segurasse ele pelo pescoço pressionando suas unhas vagarosamente enquanto girava seu corpo junto com o dele jogando-o devagar contra a parede que estava ali próximo a eles, mantendo o peso do seu corpo suavemente contra o dele enquanto ela falava séria.

- Tá, onde estão todos esses seus amigos? Não tem ninguém aqui.

- He He He! Eu não sou vidente, bruxo, essas coisas. Está com medo de mim é?

Ao ouvir aquele comentário irônico a garota o soltou irritada lhe dando as costas, ao observar que ele nem se assustava com ela. Então decidiu caminhar pela enorme sala tentando prestar atenção se ouvia algum barulho, mas estava silencioso demais aquele lugar.

- Não estou com tempo para suas piadas. Onde estão eles?

- Não faço ideia. Mas eu vou comer e beber alguma coisa. Fica a vontade! Não demoro. Se alguém chegar diga que está comigo para que você não seja morta por algum deles.

- Gostei da ideia. Estou com muita… muita… fome.

- Trarei um vinho com sangue para você para me acompanhar ou você prefere um suco com sangue? Você é bem novinha, já tem idade para beber? Ok.. não me olhe assim. Acho que sim. Qual seu tipo sanguineo preferido?

- O seu.

- Eu não estou no catálogo.

- Não me importo que esteja. Isso o torna ainda mais especial.

- Obrigado, mas não! Eu já volto. Fique ai.

- Tudo bem, vamos fazer do seu jeito. __ Dizia a garota com um tom de voz misterioso, se afastando dele para logo em seguida se sentar no sofa. Pouco depois Pablo retornava trazendo uma jarra de sangue para ela com uma taça. Ele não se sentia muito confortável e tinha até certa repulsa com aquele líquido ali tão perto dele. Apenas abaixava longe de sua vista, assim como de sua narina. Estava acostumado com aquilo, infelizmente, e lá estava novamente ele, um mortal no meio de um lugar o qual ele não se sentia tão bem como antes. Porém aquilo era passado, ele tinha um motivo para estar ali, muito mais importante do que tudo aquilo.

- Viu, nem demorei tanto assim. __ Ele havia comido algo na cozinha e torcia para que ela ficasse satisfeita e esquecesse dele. Enquanto ela se levantava do sofa e se aproximava dele lentamente, segurando com cuidado a jarra e a taça. A jovem retribuia com um sorriso, colocando o liquido no objeto para logo em seguida levar até sua boca para saborea-lo. Quando então a mesma fechava os olhos achando estranho o gosto, deixando cair o copo e a jarra no chão, fazendo com que os vidros se quebrassem em milhares de pequenos pedaços de cristais, sujando todo o lugar.

- Isso é horrível! - retrucava ela indignada, tentando engolir aquele líquido intragável que estava na sua boca, achando estranho o sabor pois fora a primeira vez que bebia do sangue refrigerado.

- Desculpe pela sujeira. Vocês tem lacaios aqui para limpar isso não?

- Tudo bem não se preocupe com isso. - respondia com certo ar de preocupação ao vê-la se aproximar. No entanto, ficava mais tranquilo por ver que ela se mantinha aparentemente calma. Pablo preferiu se afastar e sentar-se do outro lado quando a jovem agarrou o braço dele tão forte jogando-o com brutalidade para o alto fazendo-o cair deitado em cima da mesa, fazendo um enorme estrondo, derrubando no chão um enfeite de vidro que se quebrava e espalhava no chão várias rosas vermelhas, assim como a água que escorria pela mesa e banhava o chão.

Pablo franzia a testa ao receber aquele impacto. Porém, não havia sentido muita dor,  apenas o susto de ser arremessado daquela forma, nada agradável.

Quando pensou em reagir aquilo e se levantar, sentiu o corpo da mulher pulando em cima dele sobre a mesa, mantendo ele preso ali. Os pés dela pisavam firme sobre as coxas dele, com cuidado, quando a mão direita dela apertava o tecido da blusa dele, fazendo com que suas unhas afiadas arranhasse superficialmente parte do seu peito, rasgando sua blusa, deixando um filete de sangue escorrer, enquanto a outra mão velozmente ia em direção ao rosto dele inclinando-o para o lado, e suas presas se deixavam a mostra. Rapidamente sua boca ia em direção ao pescoço, enquanto deitava seu corpo sobre o dele. Acontecendo tudo muito rapidamente, mas assim que ela ia morde-lo a garota sentiu algo afiado em seu peito que a fez recuar seu corpo para trás, desfazendo aquele ar de satisfação que ela tinha no rosto ao ver uma estaca afiada apontada para seu coração.

- Desgraçado!

- Pode me xingar não ligo, mas agora saia! Quem gosta de dominar aqui sou eu.

A garota ria debochada apoiando suas mãos sobre o peito, rastejando por cima dele, recuando e se afastando para sair de cima. Quando estava quase descendo, seus olhos batiam sobre aquele pequeno corte cujo sangue de Pablo escorria. Aquilo fez com que a garota passasse a língua nos próprios lábios, abaixando a cabeça devagar para dar uma longa lambida sobre ferida, quando derrepente os dois escutaram um barulho enorme chamando atenção deles. 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 2

por TAKAYAMA

Apenas um Conto de Fadas

“O bambu que se curva é mais forte
que o carvalho que resiste”
Provérbio japonês

 

Monte Fuji, uma semana atrás.

Já havia mais de meia hora que estava esperando a porta do Yomi esperando por ele, sabia que ficar devendo para um Deus não seria boa coisa, mas o motivo de nosso encontro ser em frente a boca do inferno me deixava ainda mais apreensivo, o que poderia ele querer de mim justamente ali?
Sou tirado de meus pensamentos quando um raio corta o céu e ele se mostra a mim em suas vestes brancas, de seus olhos saem raios e suas mãos ainda estão azuladas pela concentração dos mesmos.

- Está faltando um chapéu para completar o figurino. Digo somente para tentar esconder minha apreensão.
- Vejo que está habituado aos jogos dos humanos, pena que não retratam tão bem a verdade, de que serventia me teria um chapéu, sou o Deus do trovão, por que temeria tomar chuva?
- Deixa pra lá, qual motivo de ter me chamado?
- Você me deve um favor se lembra Kuei-Jin?  Preciso que tome das mãos de Amanojaku a espada do Yomi.
- Você não pode estar me pedindo isso, tira-la de um oni já foi difícil, imagine dele, ainda mais que os onis lá embaixo vão querer cada parte de mim assim que eu entrar.
- Você só terá que se ver com Amanojaku, quanto aos demônios que te esperam eles não tocaram naquele que possui a marca de Emma.
Ao dizer isso ele estica a mão direita, começo sentir meu peito queimar como se estivesse sendo marcado como gado com ferro em brasa, quando olho vejo que em meu peito está a marca de Emma  閻.
- Creio que agora não irão te perturbar, porém não demore muito, Emma não deixa sua marca ser usada por muito tempo.
- Isso seria quanto tempo?
- Agora 29:30 minutos.
-Maldito!

Me viro correndo e entro no Yomi, no primeiro passo um dos onis que protegem a entrada parte para cima de mim, preparo minha katana, mas ao ver a marca ele para estático e passo tranquilamente, mas meu trabalho apenas está começando, afinal o maldito demônio se esconde na parte mais escura do mundo dos mortos.
Depois de um tempo chego as portas do Makai, o mundo das criaturas mais vis que podem existir, mais uma vez os demônios que estão na porta me deixam passar tranquilamente, ao entrar sinto meu peito queimar mais uma vez, e vejo que o símbolo de Emma fica um pouco mais claro, meu tempo está acabando, percorrer todo o Yomi consumiu muito meu tempo, por sorte dou de cara com um dos seus asseclas.

- Preciso falar com Amano.
- Ele não te espera.
- Diga a ele que o homem que lhe trouxe a espada de Yomi está aqui.

Ele sai, depois de um tempo ele volta junto com outro Oni, ficam ao meu lado e então Amanokaju aparece, e junto a espada em suas mãos.

- Ora, ora quem é vivo sempre aparece, se bem que no seu caso...
- Não vim aqui para conversas.
- E pelo selo no seu peito também não veio com muito tempo né?
- Preciso da espada Amano e agora.
- E quem disse que vou entrega-la, ela é minha por direito e parte do acordo que você me devia se lembra?
- Mas agora um Deus está procurando por ela, então creio que seja melhor você dar o que ele pede.
- Não me importo com os deuses, estou em um lugar que até eles têm medo de colocar os pés, então esse selo no seu peito para mim nada representa, e creio que em alguns minutos também não representara nada para os demônios que aqui estão, então se você quer a espada terá que me tirar a força.
- Não seja por isso.

Tiro minha katana de seu descanso e parto para cima de Amano, o demônio desembainha a Yumi e vem para o contra-ataque, o que mais me espanta é que seus asseclas não entram no combate, me pergunto por se seria por causa do selo, porém não tenho tempo para pensar, qualquer erro e poderá ser meu fim, afinal apenas um toque da espada e viro pó.
Amano tenta de todas as formas me encurralar contra os portões do Makai, mas suas tentativas são em vão, visto que seu corpo grande não lhe dá a mesma mobilidade que eu tenho, mas sua forca compensa, cada golpe da espada me joga um passo para trás, o que me faz pensar que tenho que usar a força dele como arma.
Deixo ele me encurralar contra o enorme portão, continuo a me defender de seus golpes e ataca-lo de alguma forma, tento um corte pela lateral, porem ele se defende, e com um chute me coloca de joelhos, ele tenta um golpe direto em minha cabeça, mas antecipo colocando minha espada em minha frente.

- Vejo que hoje sera o fim de sua existência kuei-jin, e nada mais justo que no final você esteja de joelhos perante mim.
- Esse foi sempre seu maior defeito Amano, confiança extrema.

Apoio minha perna esquerda no chão e usando toda minha forca eu consigo forçar meu corpo para o lado esquerdo, fazendo a espada dele fincar no chão, com a força que ele estava colocando ela crava no chão me dando tempo suficiente de cortar sua mão fora com um único golpe da minha katana. Ele se afasta segurando sua mão amputada, aproveito e pego a espada e começo a passar pelos portões, mas meu peito queima novamente e vejo que o selo sumiu completamente, e os dois Onis capangas de Amano estão vindo em minha direção.
Corro o mais rápido que posso, não tenho tempo para entrar em uma briga agora, ainda mais que Amano já está atrás de mim, sua mão já cresceu novamente, mas além deles qualquer outro espirito do Yomi quer minha pele, afinal não faço parte dali e apesar de minha condição meu corpo é um prato cheio aos olhos deles, olho para trás para ver onde estão meus perseguidores e não percebo um demônio me pegar pelas pernas, consigo agir rapidamente e com um rolamento estou em pé novamente, porem meus inimigos agora estão bem mais perto de mim, consigo ver os portões do Yomi, mas rapidamente uma centenas de espíritos se colocam a minha me fazendo parar.

- De nada adiantou correr com um rato Takaiama, você se esqueceu que está em meus domínios.
- Seus? Creio que Shinigami não gostaria de ouvir isso.
- Calado, você não sabe de nada do que está para acontecer, por que acha que deuses estão atrás da espada do Yomi?
- Não estou aqui procurando motivos, apenas fazer o que fui chamado pra fazer.
- Tolo, você acha apenas que ela serve para destruir demônios e espíritos do Yomi? Ela faz bem mais que isso, ao tocar um corpo vivo a alma que reside nele se torna parte da espada, e automaticamente parte daquele que a segura.
- E o que isso tem a ver, o que um deus iria querer com a alma de um humano?
- De um humano normal? Nada, mas um que perdeu a alma, foi tocado pela chama da morte e teve sua alma recuperada, esse sim é um humano que chamaria muito a atenção de todos.

Na mesma hora penso em Pablo, como assim ele seria importante? O que os deuses poderiam querer com ele?

- Se perguntando o que os deuses querem com seu amigo? Apenas destruí-lo meu caro, ele é uma anomalia, ele fere o conceito de yin e yang, ele não está morto, porem podemos dizer que de certa forma também não era para estar vivo, ele está no meio, porém não existe meio, não para um humano, ele rompeu o tecido das dimensoes, sua alma é o ponto de ligação para o inicio de uma mudança nos mundos paralelos, mas eu vejo mais que isso, com a alma dele posso me tornar mais forte, posso ser o rei do Meikai.

Percebo que enquanto o demônio fala um círculo se formou em minha volta, e a cada instante ele se fecha cada vez mais, empunho as duas espadas em minha mão e me preparo para luta, quando de repente um clarão ofusca minha visão, penso ser Raiden que veio em meu auxilio, mas vejo que na verdade se trata de Hachiman, o deus protetor dos guerreiros, vestido em trajes de guerra samurai ele gira suas duas katanas fazendo que todos sejam lançados para longe, rapidamente ele me empurra pelos portões me fazendo voltar ao monte Fuji.

- Voce foi corajoso demais para um kuei-jin.

- Obrigado Hachiman-san, mas por veio em meu auxilio?

- Para muitos voce era um guerreiro apenas quando estava em sua vida no Ningenkai como um humano, mas sei que a essencia do guerreiro ainda vive em voce, e tambem porque sei que o que esta por vir.

- Como assim o que esta por vir?

- O que Amano disse não é mentira, seu amigo ao voltar a vida como um humano normal rompeu as barreiras das dimensões, o tecido que as separava foi rompido, e agora seres que apenas eram lendas para contarmos as crianças se tornarao reais.

- O que quer dizer com isso? E como poderei eu ajudar se estes seres estão por vir?

- Primeiramente precisara de uma ajuda.

Ao falar isso ele retira as armas de minhas maos, tanto a espada do Yomi como minha katana, segurando as duas juntas uma enorme luz comeca  a brilhar, ate mesmo fecho os olhos e sinto minha pele queimar como se fosse o proprio sol a me tocar, rapidamente tudo passa e vejo ele apenas com uma arma na mão. Mas não uma arma comum, e sim a junção de minha katana com a arma do fogo do Yomi.

- Pronto creio que isso lhe ajudara, quando ao que estar por vir, por acaso já ouviu em fabulas infantis?

- Você esta me falando de contos de fadas? Historias que contamos para crianças, por acaso você quer me dizer que vou enfrentar o lobo mau. Digo totalmente descrente.

- Vejo que sua mente ainda esta fechada meu ser da noite, apesar de sugar o ki para se alimentar consegue não enxergar o que esta em frente ao seus olhos, estas historias não eram para crianças dormir, e muito menos fantasiosas como os conglomerados de entretenimento os descrevem, mas você vera, vá ate seu amigo ele é a chave de tudo.

Ao terminar a frase ele some, desço o monte e vou direto para o aeroporto, minha família ainda possui um jato particular.

Rua da mansão, dias atuais.

As vezes me esqueço como é andar entre os humanos, como suas manias e atitudes ainda me surpreendem, e como um dia eu também fui assim, não nesse tempo, não com esses modos, mas também tinha minhas manias e meu jeito de levar a vida, sentado no banco de trás da limusine que me trouxe me leva até a mansão me perco em pensamentos.
Lembro do tempo que era apenas mais um ser humano normal e como tudo parecia tranquilo ao lado de Suzuky, ela era a flor da manha dos meus, e por ela sou o que sou hoje, para poder vingar a mulher que amei me transformei no ser que sou, em um kuei-jin, porem rapidamente volto minha atenção para o mundo real, onde vejo o que parece ser um portal se abrir bem em frente a mansão e dele sair 6 criaturas humanoides.
Suas peles eram de cor marrom bronzeada e seus braços não condiziam com a estrutura de seus corpos, eram maiores em comprimento, o que as vezes os faziam se arrastar pelo chão, seus corpos eram cheios de musculos, e muitas vezes pareciam disformes, suas faces lembravam a mistura de homens com porcos, seus dentes eram irregulares e alguns chegavam a babar, porem em suas mãos traziam clavas e maças que conseguiriam cortar a limosine ao meio, mas creio que mesmo sem elas eles seriam capazes do mesmo feito somente usando suas mãos.
O motorista para atônito quando percebe o que estava a sua frente, saio do carro rapidamente já com minha katana, agora imbuída da chama do Yomi, paro em frente ao enorme portão da mansão, nesse momento percebo que alem de fortes cada um devia ter uns 3 metros de altura.

- Parem por ai criaturas.

Um deles me olha e parece me analisar de cima a baixo, então resmunga algo que não consigo entender para outro que esta ao seu lado que apenas balança a cabeça em sinal de negação, não entendo o que esta acontecendo, porem desvio rápido quando um deles tenta me acertar com a enorme maça em sua mão, pulo para o lado e desfiro um golpe rápido e forte contra meu oponente, consigo abrir um corte em seu peito, mas me espanto ao ver que ele não virou pó como eu imaginava, e essa distração em custa caro, outro com uma clava em sua mão me golpeia e como uma bola de beisebol sou lançado contra as portas da mansão.
O impacto faz com uma das abas da porta se abra, e caio dentro do roll central da mansao, me surpreendo ao ver Pablo caido ao chão com uma vampira albina sobre ele, ainda masi que o o mesmo tinha um corte em seu peito que parecia ter feito por ela.

- Toucinho?

- Vejo que aderiu a alguns fetiches humanos meu amigo?

- Não é isso o que você esta pensando, minha nova amiga aqui estava tentando saciar sua sede como meu sangue.

- Você tem que rever seus conceitos de amizade enta..

Somos interrompidos pelo ataque dos seres que saíram do portal, um se lança para cima do Pablo rapidamente, mas ao invés de atacá-lo com sua clave apenas tenta pega-lo em suas mãos, mas o ex vampiro salta rapidamente para trás para não ser pego.

- E esses são amigos seus toucinho?

- Pare de me chamar assim, nao sei na verdade o que essas coisas sao, mas pelo que vejo estão atras de voce.

- Sabia que iria ser desejado, mas meu gosto é pela beleza do sexo feminino, e essas coisas nao são nenhuma nem outra.

Mais um vez o enorme monstro investe contra Pablo tento ir ajudá-lo mas uma clava se poe me minha direção, consigo desviar e uso a mesma para subir no dorço do humanoide e enfiar minha espada em um de seus olhos fazendo com que o mesmo saia gritando e trombando com seus aliados, Pablo também consegue afastar seu inimigo usando Hildebrane.

- Vejo que nao perdeu a pratica apesar de sua nova condição meu amigo.

- E voce continua fazendo acobracias para se mostrar.

- Sua amiga ali nao vaio ajudar? Seria de muita valia.

- Creio que ela esteja um pocuo perdida até mesmo sobre sua atual condicao.

Percebemos então que os humanoides se recomporam e estão pronto para mais uma investida, nos preparamos para a batalha com nossas espadas em punho quando um grito ecoa pelo salão.

- Parem

O os seres para imediatamente e se dividem um trio para cada lado, mostrando no centro um grande lobo, muito maior que os lobos comuns, na verdade em suas quatro patas ele tem a altura de um homem médio, o lobo então se coloca de pé ao poucos vai se transformando em um homem, peludo, porem um homem.

- Malditos lupinos, o que um lobisomem pensa ao entrar dentro desta mansão, e ainda mais com essas bestas como capangas. Diz Pablo.

- Creio que esta me confundindo com alguém meu querido humano, eu sou o filho do vento norte, o mais novo entre meus irmãos, mas para vocês sou apenas historias para aterrorizar seus filhos, eu sou aquele que vocês chamam de Lobo Mal, e vim aqui para pegar sua alma.

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 3

por PABLO LOPES

Anomalia fabulosa

 

Sede da mansão em NY.

- CARALHOOOOOOOOOO!!!!!!! O “lobo mau” em pessoa veio nos visitar. - Digo gritando em tom sarcástico de espanto. O que falta agora, os três porquinhos?

- Cala a boca humano, como eu disse, vim aqui buscá-lo. - Diz com ódio.

- Antes de mais nada, não posso perde a oportunidade (pisco para Dani). Mas que olhos grandes você tem.

- Não me irrite.

- Que nariz grande você tem. (seguro o riso)

- Grrrrrrrrr!!!!! - Rosna o lobo

- E que boca grande voc….- Quando sou lançado por um vento muito forte, que joga todos da sala contra a parede. Bato minha costas, perco todo o ar de meus pulmões e caio pra frente, batendo forte contra o chão. Me levanto, cuspo sangue e vejo o grande lobo voltando sua boca a posição normal, saindo do que parecia ser um assopro.

- Isso doeu (gemo baixo). Aqui lobinho, você entra na nossa casa, quebra nossa porta, assopra cuspindo na gente, diz que vai pegar a minha alma e acha que tá tudo bem? (seguro forte Hywelbane e assumo a posição de combate, Toucinho também). continuo… Não sei se você lembra, tu foi derrotado por 3 porcos numa historia e por um caçador em outra. Acha mesmo que vai dar conta de três vamp.. (pauso, respiro) dois vampiros e um viking?

     Como um gato arisco, Danielle lança grunhidos guturais, abre suas mãos e mostra suas unhas em posição de ataque. Toucinho, com sua face completamente neutra, mexe devagar sua perna, pronto para um salto. Enquanto isso olho pro decote da branquela e penso: “Eu pegaria”. Com um gesto de cabeça o lobo ordena que os trolls entrem, eles começam a correr em nossa direção. Takaiama salta, faz uma pirueta no ar e cai em cima de um deles, decepando uma de suas orelhas. Branquela se joga na direção do outro troll, passa rasgando seu ventre com suas unhas, o troll se curva de dor segurando suas tripas que caem.
Sem minha agilidade sobre humana, aguardo a chegada do monstro, com suas mãos cruas ele tenta me pegar, me desvencilho passando por entre seu braço desferindo um golpe com a espada, que corta sua pele jorrando sangue. Ele gira seu corpo enorme, aproveito sua lerdeza e aplico outro corte, agora nas suas costas. Enquanto isso o lobo corre até mim, e em uma bocada segura mais que a metade do corpo, prendendo meus braços. Deixo Hywelbane cair e sem força fico preso, o lobo corre. Takaiama tenta vim atrás, em sua distração leva uma marretada do troll sem orelhas que o joga contra parede. Tudo se apaga.

Em algum lugar.

            Acordo todo babado e preso dentro de uma cela, com dores por todo o corpo. Olho em volta e as paredes são feitas de pedra, a porta a minha frente é de madeira grossa maciça, presa com tiaras de metal, no meio pouco acima tem uma especie de portinhola gradeada. Me sento na “cama de feno” e olho pra cima, o sol entra por uma janela com grades grossas, levanto e pulo segurando-as e olho pra fora. Pelas grades eu vejo um grande vale todo coberto de grama verde, com uma floresta escura ao fundo, bem longe. Pássaros passam voando e cantando, olho pra baixo e percebo que estou em uma especie de castelo, no alto de uma montanha, e ao seu redor um vilarejo, várias bandeirolas coloridas penduradas enfeitam a cidade. Parecia algo que saia de um conto de fadas...C O N T O  D E  F A D A S. Puta que pariu!!! Eu não sonhei, pensei que estava de ressaca ou sobre efeito de alguma droga quando o “lobo mau” invadiu a mansão….(penso).

- Aloooooo, tem alguém aí? - Grito forte por mais de uma hora até cansar, quando alguém ao lado diz algo.

- Senhor, não insista, não grite mais, eles sempre nos ignoram. Me chamo João e o senhor?

- Me chamo Pablo. Minha voz sai rouca de tanto gritar.

- Ahhh!!! A “chave” que tanto falam.

- Chave?

- Sim, você é a chave que vai nos tirar deste inferno.

- Você diz a prisão? Se for isso, pode desencanar, tentei arrebentar esta porta e não consegui nem se quer arranha-la.

- Não este tipo de chave, pelo que eu ouvi os guardas falarem, você servira para abrir uma ponte entre seu mundo e o nosso. Pois você vive entre mundos, pois parece que já foi vivo, depois morto e agora é vivo. E também foi gerado por um Deus...também não entendi, só sei que serei grato a você para sempre por nós libertar. Me explica o que é você, de qual conto de fadas você saiu?

- Conto de fadas? Eu sou um vampir….humano.

- Vampir? Que isso meu lorde?

- Bom, como explico….. Assim, o vampiro da ficção gótica era uma criação literária feita para confrontar a moralidade pudica vitoriana com a sexualidade descarada. Vampiros de verdade, alguns são muitos parecidos com eles, mas no geral bebemos sangue, somos imortais, so podemos sair a noite. Basicamente isso.

- Igual a Rainha Grimhilde, que toma banho em sangue de virgens do reino para se manter jovem e linda para sempre.

- Quem?

- A madrasta da branca, nunca ouviu falar?

- Ahhh tá, aquela que tem 7 anões a seu dispor?

- São 3 agora, ela matou alguns.

- Mas em?

- Dizem que, esta parte não aparece nos contos oficiais, que o tempo que ela ficou morando com os anões, ela era forçada a fazer coisa que não gostava, era assediada e abusada. Fingiu suicido, o príncipe veio, beijou ela...enfim, a historia você conhece. Assim que foi coroada rainha, mandou para forca alguns anões, outros morreram em tortura.

- João, você chamou aqui de inferno, mas pelo que eu lembro todas as historias tem finais felizes.

- Sim e não, acontece que desde que “nascemos”, revivemos todos os dias as nossas historias repetidas vezes, não temos controle sobre nossos destinos e rememoramos para sempre tudo. Imagina que todos os dias eu sou enganado, entro na casa de um casal, seduzo sua esposa, roubo e mato eles, TODOS OS DIAS. Nossa vida é um inferno, todos os dias Branca revive seus traumas, Humpty Dumpty cai de seu muro e se quebra, a vovozinha é comida pelo lobo.

- Mas vocês são fabulas, e foram criadas para ser assim. Nasceram de um inconsciente coletivo, da necessidade nossa de contar historias...

     Paro de falar ao ouvir passos em marcha no corredor que param logo em frente. “Para trás” gritam. Dou três passos para trás e fico em posição de combate. A porta se abre, e entra um homem vestido de príncipe, cheio de frescura, cabelos loiros, sorriso perfeito, de fato encantador. Quando ele começa falar, me sinto enfeitiçado por suas palavras, pelo seu carisma, algo além do normal, como se eu não conseguisse desviar a atenção. Tento me concentrar ao máximo. Ele fala:

- Bom dia senhor Pablo, vejo que já acordou. Gostaria de agradecer por tudo que você ainda ira fazer por nós, falo em nome de todos do reino. Será lembrado para sempre como um grande herói.

- Eu vivi o suficiente para não mais morrer como herói. Discordo com dificuldade.

- (sorriso) Mantenha a calma, tudo dará certo. Estamos apenas aguardando o retorno do pessoal que enviamos para buscar um item que esqueceram. O lobo não manteve a calma quando fora lhe buscar e acabou deixando sua espada para trás.

- Se já conseguem passar para meu mundo, porque precisa de mim? Digo olhando para aquele sorriso e penso: “Que dentes brancos e lindos)

- Temos apenas uma fresta, precisamos de uma porta. Você é a chave, sua espada é a porta. Além disso, graças a maldição que vivemos, todos os dias somos tragos de volta para cá. Bom, mandarei lhe trazer o almoço. Até logo.

      Assim que o príncipe encantador sai, sinto-me fraco, como se minha força de vontade tivesse sido sugada. Caio de joelhos no chão e começo a orar pela minha liberdade, para fugir com o vento as minhas costas. Estou distante demais e com poder de menos, mas sei que quando os relâmpagos vierem, quando o mar se erguer nas alturas e desabar, quando as florestas lamentarem e a própria terra tremer sob meus pés. Eu saberei que os deuses do norte terão me ouvido.

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 4

por LÁZARO

Irmãos Infernais

 

No outro dia comecei a explorar novamente a biblioteca de Edgar.  Muitos livros e pergaminhos.
Sabia que dentro daquela propriedade havia muitas coisas. Talvez passagens secretas e objetos antigos e perigosos.
Um pequeno mapa achado dentro de um livro com data de 1872 me guiou até uma sacada da parte leste da propriedade. Notei após apalpar toda a área que um tijolo estava mal rejuntado.
Raspei com um abridor de carta. Escavei toda a lateral do tijolo massudo, e notei que era um tijolo falso. Dentro havia uma caixa de carvalho pequena, bem talhada à mão, em seu interior um saco de tecido. Fui até o escritório e ao abrir, uma pedra alaranjada transparente que rolou na mesa. Ao tocar, um grande brilho invadiu o local.

********

Fui sugado para dentro do grande clarão. Por alguns minutos parecia ser como um turbilhão de ar. Logo em seguida meu corpo atingiu algo sólido, ergui-me rapidamente. O clarão continuava, e aos poucos foi sumindo.
Ao fim, notei que estava em um tipo de caverna, branca e fria. Notei ao centro um grande bloco de gelo. Me aproximei e pude ver que algo havia sido talhado em seu centro. Ao observar notei que em sua volta na parte inferior também havia algo que não pude decifrar, como no bloco.
Uma sombra surgiu e me preparei para uma defesa e um ataque. Uma face surge e me espanta ao notar que se trata de minha amada Laila. Baixo a guarda e me aproximo, tentando entender como ela podia estar ali.
Abraço-a, notando algo diferente. A empurro com força para longe de mim.


- Quem é você?
- Sou eu!
- Sei que não é. Quem afinal é você e onde estou?
- Hahahaha... Difícil enganar você, como me falaram. Mas não quis acreditar. - com um gesto de mãos, uma névoa se fez presente, envolvendo Laila, se desfazendo dando origem a face de uma mulher tão branca quanto o ambiente.
- Sou a rainha branca, de uma terra que já foi gelada, em outra dimensão. Aqui será seu túmulo depois que conseguir o que quero.
- Nunca ouvi falar de você.
- Meu mundo se chama Nárnia.


Com suas unhas armadas, ela parte para um ataque direto, atingindo meu ombro. Um ferimento certeiro lacera a pele aonde se localizava um rastreador. Caindo no chão.
Com outro movimento de mãos o chão se abre e o rastreador cai na água gelada sendo carregado pela correnteza. O chão se fecha assim como se abriu.
Agora Nicolai não poderia me ajudar.
Com um sopro gelado, vejo vários cristais de gelos se fundirem em uma espada. Sou atacado por várias vezes, defendendo-me com os punhos.  Os vários cortes surgem deixando escapulir filetes com pequenas e grandes quantidades de sangue, banhando todo o ambiente, e principalmente o bloco central.
Percebo agora que a figura geométrica se trata não apenas de um bloco de gelo, e sim um altar.
O sangue agora penetra em canaletas tanto do chão como do altar, criando um pentagrama e figuras de várias culturas antigas, como celtas, gregas, e outras somente vistas em locais nos quais muitos nunca tiveram coragem ou permissão para entrar, como símbolos demoníacos e angelicais.
Alimentados com meu sangue, os símbolos de magia são ativados. Sou arremessado para o altar e preso.

- ATRIL FRATHR COLIART HECTER ZUARTH FREETIG SAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIINDOOOOOOO.

Um encantamento, e mesmo com todos os meus esforços, não consigo me mexer.
De alguma forma começo a ser consumido pela energia do encantamento e entro em uma espécie de transe, minha visão fica turva e apenas a escuridão me domina.
Mas antes vejo o vulto de uma mulher que ataca a feiticeira branca.

- M I....N..EEEE.RRrr.v a................. - sou consumido.

Continuo deitado sem sai do meu cativeiro mágico. A bruxa dá uma gargalhada fugindo.

– Hahahahaha está quase concluído, em breve teremos as essências de cada um de vocês.

Minerva tentava me acordar, e ao me tocar nota que meu corpo parece vazio.

 

*******************

Cidade de Nova Iorque. Já está em altas horas para os humanos, mas para os seres da noite apenas começando.  A fome me consome, e não vejo a hora de chegar a um bom restaurante com um bom e variado cardápio.
Dentro de um taxi, me encaminho para a boate mais popular da cidade. Entro direto sem problema, e as mulheres barradas na entrada imploram para serem convidadas.
Algumas dissimuladas me cumprimentam como se fossemos conhecidos. Tudo vale para penetrar dentro de locais como esse covil de seres manipuladores e oportunistas da alta sociedade. Pessoas sem escrúpulos que fazem tudo que der na telha. Alto luxo com um preço bem caro: A alma.
Além de nós, predadores hehe.
Olho em volta e, como se estivesse em uma horta, puxo duas morenas com corpos desenhados e sorrisos brancos como de comercial de creme dental.
- ESTÃO COMIGO. - grito para o segurança, pois o ambiente na portaria já estava um tumulto e falatório.
O som alto só permitia conversas ao pé do ouvido. E as meninas queriam beber.
Chamei o garçom. – O QUE ELAS QUISEREM. - gritei em meio ao som alto.
- E O SENHOR, O QUE BEBE?
- DEPOIS... GOSTO DO MEU DRINQUE MAIS APURADO. - sorri.
As mulheres bebiam e dançavam de forma sexy, notei que algumas se conheciam na pista de dança. No embalo da dança se beijavam de forma quente e sexual. Notei também que ao toque dos lábios e línguas algo era trocado entre suas bocas. Drogas sintéticas que embalavam aquela tribo.
A uma certa altura da noite, resolvi experimentar os efeitos do que havia sido consumido. Entrei na pista de dança, e no ritmo agarrei a escolhida, enquanto a outra me agarrou por trás. Dançando notei que suas pupilas estavam dilatadas. O efeito do álcool e das drogas as deixava vulneráveis.  Beijei-a.  Um gemido foi a resposta após cada centímetro de seu lindo e suculento pescoço ser lambido, enquanto minha mão tocava seu corpo. Primeiro seu ombro descendo para seu seio, barriga e seu sexo. Ninguém via ou ligava para o que acontecia. Era o antro de pecadores e libertinos.
Com carícias violava seu sexo, após elevar com cuidado seu minivestido. Sua amiga continuava a alisar minhas costas, agora lambendo minha nuca e tocando meu tórax definido.
No meio da multidão notei que apenas um homem com cavanhaque observava a cena. Talvez apenas um novato voyeur naquele antro. Bebia uma dose de uísque como se fosse água, sem apreciar a iguaria.
Não ligo. E continuo minha diversão. Falo ao pé do ouvido de minha escolhida. Logo em seguida saímos da pista de dança driblando a multidão. Seguimos até o banheiro feminino. Entramos em um dos toalhetes e fechamos a porta. Ela começa a me beijar e retribuo.
Acaricio suas nádegas, depois suas costas até atingir sua nuca. Beijo seu pescoço. E com um puxão leve e forte projeto seu pescoço para trás. Continuo a beijar, passo a língua e finalmente minhas presas. Ela geme, e toco seu sexo com minha mão.
Bebo o sangue que é jogado dentro de minha garganta. Sinto minhas pupilas se dilatarem e todo meu corpo aquecer em um frenesi. O sangue batizado me deixa eufórico, mais feliz. Com habilidade, ela abre minha calça e expõe meu sexo. Agora meu corpo explode em um tesão sem limite. E meu pênis é guiado com a mão suave de minha vítima.
O ato é consumido ali. Aos gemidos altos ora pela pressão dos corpos, ora pela pressão da sucção de minha boca em sua jugular. Sua boca entreaberta mostra o momento de sua realização total como mulher. Observo com o canto do olho enquanto me alimento. Sinto seu cheiro e a sinto desfalecer em meus braços. Deixo-a cair lentamente sobre a tampa do vaso sanitário. Resolvi mantê-la viva. Pois agora cada parte do meu corpo ardia como se estivesse no próprio inferno.
Saio do toalhete e lavo o rosto. Ando como se estivesse embriagado. Encosto na parede por uma meia hora e começo a me adaptar àquela essência.
Na saída da boate resolvo não pegar taxi. A noite está convidativa e resolvo caminhar, talvez por estar mesmo bela ou por eu estar sentindo um orgasmo misturado com drogas sintéticas. Aquele sangue corria com uma velocidade intensa dentro de meu corpo, e minha mente estava mais aflorada do que nunca.
Logo a alguns metros, um homem alto com seus cabelos e olhos negros esbarra em mim. Passo a mão por dentro de minha roupa para ver se algum dos meus pertences fora levado.  O homem nota minha ação e vem em minha direção.
- Qual é?  Está pensando que sou ladrão?
O cheiro de álcool exalado por ele se faz presente, sua voz já não consegue ser entendida claramente. Resolvo dar as costas e continuar meu caminho.
Olho para trás a procura do homem, que havia sumido, e recordo a face dele. O cara da boate.
Após algumas quadras, noto algumas mulheres de diversão beirando as ruas atrás de um dinheiro fácil.
Uma mulher linda com sua calça de couro preto e uma blusa branca me chama atenção. Nunca notara uma mulher tão bonita, principalmente entre aquelas meretrizes.
- Quer se divertir, senhor?
Paro. Ela é diferente. Humm...
- Qual seu nome?
- Mary. E o seu? Que ir para algum lugar neutro ou em sua casa? Para ficarmos à vontade? Onde você mora?
- Em um lugar gelado. - respondo com rispidez, afastando. Algo está errado. Muitas perguntas para uma puta.
- O que houve? Não faço seu tipo?
Continuo a caminhar. Ouço passos rápidos atrás de mim, e ao virar sou acertado por um soco da linda mulher. Me defendo, e ela ataca novamente.
Bato em sua face com as costas da mão e ela cai, levantando-se logo em seguida com uma adaga. Algo muito caro para uma puta de rua. Ela assovia, partindo novamente para um ataque frontal.
Enquanto a prostituta tenta me esfaquear, esquivo e a chuto no estomago. Ela se contrai e volta para outro ataque. Vejo que tem práticas de luta.
Ela é rápida e mortal. Enquanto bloqueio a sequência sou surpreendido por um estalo e algo contornando meu pescoço. Seguro com minhas mãos e giro, e reencontro a face do meu agressor. O maldito bêbado, que parece bem sóbrio.
Realizo uma alavanca jogando meu peso para trás. A puta parte para cima com sua adaga, puxo meu agressor e como esperado reage, puxando novamente como um cabo de guerra. A lâmina corta a corda e sou liberto.
Respiro, me afastando do local. Meu pescoço queima devido ao atrito do chicote.  Me afasto e entro em um beco, e me camuflo entre os lixos para poder respirar.
- John, onde ele está? Você o perdeu...
- Cale sua boca Mary. Se você não tivesse bancado de atriz já poderíamos ter pego nossa presa e recebido nossa recompensa.
- Não quero apenas a recompensa, quero estar dentro quando o grande prêmio for dividido. Procure.
- John e Mary, caçadores de recompensa? Que diabos está acontecendo? - respiro me preparando para fugir. Me sinto lento.
Aguardo uns 10 minutos e saio do esconderijo. Agora já sei com quem estou lidando. Caminho uns 100 metros. Vejo que todo o local está seguro. Me afasto.
Me engano ao notar um novo ataque acontecendo, com chutes e socos.
- Além de vampiros, o que mais vocês caçam?
- Nossa especialidade é bruxa. Mas gostamos do desafio de caçar um vampiro. Principalmente devido à proposta.
Sou calado antes que pudesse tentar descobrir do que a vaca estava falando.  Um golpe profundo atinge meu braço direito.
Noto que não há sangue, apenas um brilho amarelado.  O braço se incendeia e vira cinza. Logo em seguida meu corpo começa a queimar e cada pedaço de mim se incendeia e sou desintegrado. Uma brisa leve arrasta todas as cinzas.
Os caçadores ficam surpresos.
- DROGA, A MALDITA BRUXA ESTÁ CONSEGUINDO SEPARAR O LADO DEMÔNIO DO LADO VAMPIRO. AHHHHHHHHH! - Grita enfurecida Mary.

************************

No meu cativeiro, Minerva vela meu corpo. Notando que uma pequena quantidade de luz surge de meu corpo e começa a desintegrar.
         Assim como no inicio em que peguei a pedra alaranjada, senti meu corpo entrar em um novo turbilhão. Sinto como se estive vazio. Consigo me ver e logo em seguida outra imagem minha surge em minha frente. A imagem tinha uma coloração levemente avermelhada. Seus olhos eram amarelados.
Suas mãos são lançadas para frente, tentando me tocar. Até que eu ergo a minha. Ao tocar, nossos corpos são atraídos e fundidos.  Agora me sinto completo.  Mais forte, com a vontade de causar o caos. A mesma vontade que senti quando ataquei a prole de Nosf.
Fogo, trevas, caos. Essas palavras não fogem de minha mente.
Lembranças da terra de Volk penetram em minha mente. Acredito finalmente que a essência de meu pai começa a me dominar.

Começo a rodar a cidade atrás dos irmãos infernais para mostrar quem realmente conhece o inferno. Mas minha busca é em vão.

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 5

por RADAMÉS

Maat Hotep

 

- Radamés!! Deixe-o ir!! Não há mais nada a fazer! – gritava Maat, correndo o telhado dos prédios desesperada, me observando perseguir por um beco a criatura flamejante. Eu não podia deixá-la escapar, não depois do que havia causado horas antes. Ainda era possível ver o sangue escorrendo e pingando de suas malditas garras.
- Pare agora mesmo criatura infernal!!!  - minha voz retumbou ao longo do beco, quando num lapso de instante ele se virou, arremessando uma torrente de chamas na direção do beiral onde Maat estava, fazendo-a desequibrar e cair próximo a uma fileira de lixeiras.
- Como ousa elevar a voz dessa forma a alguém que ja lutou lado a lado contigo, vampiro? – ele falou de forma enigmática, estendendo a mão em direção a vampira.
- O que está fazendo?? Não!!! – me desesperei ao ver que Maat se levantava e caminhava a contra vontade na direção do maldito, que a segurou firme pelo pescoço, fazendo-a olhar para mim.
- O que vai fazer agora Radamés? O que vai fazer quando minha mão crepitante derreter o pescoço dela e separar-lhe a cabeça?
- Não faça isso!!
- Olhe para ele vampira... Olhe... E depois me diga qual foi a sensação, quando eu lhe encontrar pessoalmente lá no inferno.... – ele terminou, com sua mão ja ficando incandescente.

....

- NÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!

 

Rua Green, uma hora antes.


- Você está muito lento para um vampiro. Talvez seja o peso da idade. – ela disse, ao ouvir minhas passadas logo atrás dela. – Radamés? – ela se espantou, quando percebeu que na verdade eu ja não estava mais ali.
- E você muito confiante minha pequena – eu a surpreendi, sussurando em seu ouvido. Ela sobressaltou de imediato, jogando o corpo pra trás e refazendo a guarda.
- Nada mal egipcio... nada mal... – ela relaxou.

Os olhos dela eram duas noites completamente sem estrelas. Tão profundos que, qualquer mortal ou até mesmo nós, se fossem tragados por aquela escuridão, dariam tudo para de lá nunca mais voltar. Maat-Hotep havia me encontrado, quando eu quase fora destruído pela segunda vez. Muito tempo depois de nossa ultima batalha contra Hella, dirigi-me a Onnu*, e depois a Nekhem*, a primeira das cidades, o santuário supremo de Hórus. Lá eu esperava enterrar a espada sagrada, mas este não era seu destino. Ao contrário, algo me fez perder a consciencia dentro do grande templo, caindo em completa escuridão. Quando dei por mim, uma mulher abafava meu corpo com uma pesada manta, extinguindo o resto das chamas que consumiam minha pele, jogando um de meus braços por cima de seu delicado ombro. Eu mal conseguia abrir os olhos, tamanha a dor e a ardência que sentia nas pálpebras. O pouco que eu conseguia enxergar, me possibilitava notar os vários corpos ensanguentados e espalhados pelo caminho. Homens trajando vestimentas cerimoniais, provavelmente seguidores de castas sacerdotais muito antigas, os mesmos seguidores que talvez estivessem pondo fim à minha não-vida. Saímos do templo, fugimos de Nekhem, nos ocultamos nas vielas empoeiradas de cada cidade egipcia. Até o meu total reestabelecimento, Maat-Hotep estava sempre por perto, trazia-me belas mulheres para que bebesse do sangue diretamente do seio febril, e depois sem que eu soubesse arrancava-lhes o coração, num misto de prazer e ciúmes... Quando me recuperei totalmente, ela contou-me onde estava a espada solar, cuidadosamente guardada, envolta em pesados e volumosos tecidos aveludados, escondendo a morte pelo toque da luz. Isto fora há muito tempo. Num tempo em que caminhar já não mais me importava depois que havia perdido totalmente o paradeiro de Iset-Nefret.

- Ainda aí chorando Radamés? – ela quase captara meu ultimo pensamento.
- Tá ficando boa nisso hein garota? Está desenvolvendo muito rápido.
- Sabes bem que eu também não sou tão nova assim vampiro. – retrucou.
- Ei Maat espere... Tem algo errado... – eu a interpelei, vendo-a tomar a direção dos muros da mansão.
- Mas o que foi? Temos que andar logo! Pela quantidade de mensagens deste tal de Nosferatu, alguma coisa interessante deve estar acontecendo lá e... – ela foi interrompida pelo estouro vindo do acesso lateral norte, seguido de uma intensa nuvem de chamas que subia iluminando o breu noturno. Já era possível ouvir sirenes ao longe, dois carros de bombeiros a caminho.
- Mas que droga! Maat, vá pelos fundos, você saberá qual é a passagem. Encontre-me no grande salão. Vou pelo outro lado – disse, vendo-a saltar o imenso muro e sumir por entre as arvores desfolhadas. Corri com velocidade sobrenatural em direção à explosão, quando percebi vários de meus irmãos caídos pelo jardim. Mais à frente algumas criaturas que eu já não via há tempos também abatidas, bem como também outras que poderia jurar que só havia visto em “O Senhor dos Anéis”...
- Mas o que foi que houve por aqui... – eu continuava agora em passos mais cuidadosos, esperando pelo pior. Minhas garras já estavam proeminentes, e meus caninos já imploravam por seu destino. A espada Hórus ardia em minha bainha, esperando por seu momento glorioso. Um grunhido ensurdecedor ecoou vindo do corredor central.

Quando apontei no final do corredor, vi um gigantesco lobo em combate com Nosferatu e Sen-Nefer. Alguns outros irmãos, como Vivi e Takayama ajudavam os demais vampiros com as outras criaturas míticas. Havia uma garota nova, sua pele reluzia tão pálida quanto os lábios da própria morte. Algo nela me era familiar, algo nela me remetia à destruição.

- Atrasado pra festa dessa vez hein egipcio? – ironizou Sen, enquanto tentava executar uma gravata sem sucesso naquele pescoço descomunal.  Nosferatu aparecia logo atrás, se jogando por debaixo das pernas do grande lobo, riscando com suas katanas os volumosos tornozelos, que agora pendiam coágulos de sangue. A criatura começou a arquear. Ao pousar um de seus joelhos no chão, eu vi reluzir em suas costas o objeto que ela tentava usurpar dali: Hildebrane.
- Rápido Radamés! Não deixe esta besta sair com a Hildebrane daqui! – gritou Vivi, enquanto dava cabo de mais um troll.
- Apenas um lobo em tamanho GG... Isso não será dificil... – puxei a Hórus da cintura fazendo-a brilhar apontando na direção do inimigo, quase no mesmo instante em que Maat caiu fortemente nas costas do lobo enquanto ele ainda estava agachado, tentando arrancar a espada viking de suas costas, quando um som estridente percorreu todo o ambiente.
- Afastem-se todos vocês. Esta criatura insignificante tem algo que agora me pertence. – ecoou a voz, que ardia em chamas nos nossos ouvidos, fazendo a pequena Maat-Hotep se contorcer em dor e ser arremessada à parede oposta, já quase no final do corredor.  Um círculo de fogo se formou ao redor do imenso lobo, e uma figura disforme e envolta em fogo foi emergindo do chão, como se ali houvesse um elevador ou algo do tipo. Seu rosto estava oculto num turbilhão de labaredas. Quando sua silhueta já se apresentava totalmente visível, percebemos que o vulto pousava levemente sua mão avermelhada sobre o cabo da espada de Pablo.
- Enfrentei alguns destes no passado... Como são tão frágeis e manipuláveis, não importa o tamanho que tenham, não é mesmo? Basta que executemos a nota certa... – sua rubra mão já ganhava tons alaranjados, os densos pêlos próximo à cabeça já fediam a queimado. – Me espanta que estejam gastando tanta energia para derrotar tão vil criatura. – arrancou a espada Hildebrane e a cravou profundamente nas costas do Lobo-Mau até o guardamão, fazendo seu corpo pender pra trás, seu tórax se esvaziando num grito ensurdecedor até se tornar uma leve lamúria misturada a saliva e sangue. Quando o imenso lobo já não era mais que um cadáver inerte, o novo inimigo o ergueu ao alto ainda com a espada ardendo em seu interior, e na sequencia o fez entrar em combustão, iluminando todo o ambiente com aquelas chamas infernais.
- É assim que se faz. – terminou, dando as costas. Neste instante Nosferatu voou em sua direção, mas a entidade percebeu o movimento e se virou já cravando suas descomunais garras no abdomen do vampiro, empurrando-o, até suas costas encontrarem a parede uma das paredes. Ele torceu a mão para que a ferida se dilacerasse ainda mais, e quando ele esboçou a intenção de transpassá-lo, um forte golpe acertou a criatura arrancando-a do lugar, fazendo-a parar a metros de distância de Nosf, que agora estava caído e vertendo muito sangue.

Sem entender de onde e como aquele golpe devastador tinha lhe acertado sem que houvesse antevisto, novamente ele fora alvejado. Era como se o próprio ar o tivesse atacando, inúmeras vezes, era possível observar algo ricocheteando seu corpo, arrancando filetes de sangue. Uma olhar mais aguçado, e então percebi  que se tratavam das lâminas de ar, moldadas a partir de um dos movimentos da espada Gassan. Olhei para o lado oposto, Sen-Nefer estava com ela em punho. Uma nova rajada de lâminas de ar, e dessa vez o inimigo caiu de costas, sem entender ainda o que o estava acertando.

- Tome Vivi, preencha os buracos do Nosf com esta coisa, e tire-o daqui. Em alguns instantes ele estará de volta ao combate – entreguei-lhe um de meus preparados à base de ervas alteradas misticamente, a mesma pasta regeneradora sempre utilizada para restaurar nossos guerreiros após as sangrentas batalhas, e corri na direção da criatura que já se levantava e batia em retirada levando a espada Hildebrane.

Sem enxergar mais nada a meu redor, com a visão totalmente focada naquele maldito, eu corria, e em minutos já estava do lado de fora da mansão, com ele o tempo inteiro mais à frente, sempre mais rápido, as chamas que o envolviam e serpenteavam ao vento, como se fossem longas madeixas brilhantes e alaranjadas. – PARE IDIOTA! VENHA LUTAR! – eu gritava, mas ele não esboçava reação à minha provocação, seguia descendo a rua, tomando a direção das docas.

Num dado instante, percebi Maat correndo pelos telhados, gritando para que eu o deixasse ir. Já estávamos no beco, a alguns poucos metros de avistarmos as docas, quando uma torrente de fogo a acertou, jogando-a nas lixeiras. Ela se levantou quase como uma marionete, e caminhou até o inimigo, que agora estava estacado, com sua face amorfa e oculta pelas chamas dessa vez voltada na minha direção. Quando ela deu os ultimos passos, ele a segurou no pescoço, a segurou com a mesma mão ainda banhada com o sangue de Nosferatu.

- O que vai fazer agora Radamés? O que vai fazer quando minha mão crepitante derreter o pescoço dela e separar-lhe a cabeça?
- Não faça isso!!
- Olhe para ele vampira... Olhe... E depois me diga qual foi a sensação, quando eu lhe encontrar pessoalmente lá no inferno.... – ele terminou, com sua mão ja ficando incandescente.
- Radamés... Não se preocupe, eu o encontrarei novamente, como sempre o fiz, aconteça o que acontecer. Este é apenas mais um corpo, eu não me importo... – disse Maat-Hotep enigmaticamente, enquanto seus olhos ganhavam uma tonalidade diferente, o abismo negro agora dava lugar a um castanho profundo, quase cinza, me remetendo à visão das frias lápides que já fizeram sombra às sepulturas que um dia esconderam meu maldito caixão.
- Até breve, meu amor... – sua voz foi sumindo, quando percebi, em questão de segundos, que o Ká de Iset-Nefret deixava o corpo de Maat-Hotep, antes que a mão da criatura se incendiasse, fazendo a cabeça da vampira cair sobre seus pés.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOO!!!!! MALDITO FILHO DA PUTAAAAAAA!!! – minha espada Hórus se incendiou neste exato instante. Agora seria fogo contra fogo.
- Venha Radamés. Despeje este ódio todo em mim. Tenho uma dimensão inteira para conquistar. Farei de lá meu segundo inferno... E quando eu subjugar todas as criaturas de lá, o ex-vampiro Pablo Lopes e esta espada aqui serão a chave para eu manter aberto um portal dimensional com este mundo, por onde eu marcharei com meu novo exército e...
- Sem ar, sem combustão. Não é mesmo seu merdinha? – um novo golpe e na sequencia um fluxo giratório se formou ao redor do inimigo. Uma colunata em espiral foi tragando todo o ar que cercava a criatura, até que as chamas ficassem azuis, quase se extinguindo.
- Esse golpe é novo hein Sen.... – eu rangi os dentes, vendo o vampiro pousar como uma flecha entre mim e a criatura. – mas agora saia da minha frente. Quero acabar com ele...
- Você não está em condições. Isso agora é entre mim e ele. – disse, apontando o dedo para a criatura, que agora já não conseguia mais esconder o rosto. Ainda assim disforme, mas que lembrava um rosto bastante conhecido.

Sen-Nefer abaixou o dedo, e deu um passo pro lado, segurando a Gassan com as duas mãos junto ao corpo, colocando-a na posição horizontal e prosseguiu:

- Há quanto tempo, não é mesmo Lázaro?

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 6

por SEN-NEFER

A Verdade Está Lá Fora

 

Adentrei o grande salão, ajoelhei-me com uma perna só tocando o chão e a mão esquerda apoiada na outra.
- O Senhor mandou me chamar? – digo abaixando levemente o queixo evitando olhar diretamente para o grande mestre que estava sentado em sua cadeira de madeira talhada.
- Você ouviu as notícias? Estes ataques estão se tornando cada vez mais comuns. Corpos sem vida, basicamente ressecados, como troncos de árvores velhas. Andam dizendo por aí que o Devorador de almas veio a mando do próprio Satã roubar as almas dos pecadores.
- Ouvi dizer senhor, mas sabemos que não se trata de um devorador.
- Preciso que você resolva isso Sen. O quanto antes...
- Mas porque eu? Você tem ótimos lacaios aqui que podem dar conta disso. – digo interrompendo o mestre.
- Já perdi “homens” de mais e até onde me consta, você e a criatura já lutaram juntos em outras batalhas. Além do mais você tem as espadas Gassan, o seu amigo egípcio tem a Hórus e não podemos esquecer da Hildebrane Vocês precisam pará-lo antes que ele encontre Ela.
- Sim senhor. Verei o que posso fazer. – Levantei-me, girei sobre os calcanhares e parti.


***

Mansão Wampyros

                Chego a grande porta de madeira, toco a campainha. Já não pisava ali havia muito tempo, não me sentia confortável em entrar. Aguardo algum tempo e ninguém aparece.
                - Devem estar em alguma caçada louca. –Penso, enquanto aperto o botão de discar tentando em vão falar com Radamés.
                Caminho até a Harley parada em frente aos portões e desligo o celular. Ligo a moto e parto.
                Reduzo a velocidade e estaciono ao lado das outras motos que se encontravam no estacionamento. A música tocava alta. O som crepitante das chamas dentro de um barril de ferro mantinha uma pequena área aquecida naquela noite fria. Algumas gangs de motociclistas se reuniam ali. Entre um whisky barato, música alta, pessoas falando ao mesmo tempo, um casal se agarrando atrás de uma árvore, queda de braço rolando numa das mesas, percebo onde encontraria quem eu estava procurando.
                Caminhei lentamente olhando fixamente dois caras escorados numa anteparo de madeira que separava a varanda da pequena escada de três degraus. Um deles acendia um cigarro de maconha enquanto o outro, um careca barbudo grande e mal encarado ao perceber minha chegada, cutuca  o seu amigo maconheiro, cruza os braços e aperta as sobrancelhas por trás dos óculos escuros.
- Esta área é apenas para os vips, diz dando um passo para frente.
- Isso mesmo meu irmão. É melhor você dá meia-volta antes que alguém se machuque. Sacou? – diz o maconheiro, pegando um taco de baseball  que estava escorada no anteparo, soltando a fumaça em minha direção.
Paro, sorrio e retiro os óculos escuros.
O maconheiro caminha em minha direção levantando o taco. – Você é surd...ahhh – O grito abafa o som do braço estalando fazendo o corpo do homem curvar-se de dor girando em direção ao chão onde minha bota encontra sua cara fazendo-o cuspir alguns dentes da boca.
- Calma aí irmão. Diz o grandão levantando os braços enquanto caminha para trás um passo de cada vez.
- Onde está o Nosf? – pergunto num tom de raiva.
- Cara ele está aí dentro. Só não diz que eu deixei você passar senão eu tô fodido.

Subo o pequeno lance de escadas e abro a porta. Quando olho para trás o cara corria mais rápido que eu podia imaginar devido seu tamanho.

- Porra Nosf. Você já teve seguranças melhores. – digo zombando da situação.
- Ora ora. A que devo a honra de te encontrar por aqui egípcio?
- Preciso da sua ajuda. E de todos os que você puder reunir.
- Não vai me dizer que tem mais um deus maluco solto por aí aterrorizando a área?
- Pior que isso meu amigo. Posso dizer que alguém está tentando voltar do inferno.
- Caralho véi. Demônios? Faz tempo que não caço uns. – diz Nosferatu engatilhando uma doze de cano curto, enquanto mastiga a ponta de seu charuto fedorento.
- Lembra do Lázaro, o vampiro do gelo? Pois é. Ele está comandando a festa. Ao que tudo indica o tal do Volk está usando ele para conseguir a Hildebrane. Precisamos montar guarda na mansão, falar com o Pablo e reunir os nossos irmãos de sangue.


***

Ocultando-me nas sombras movo-me furtivamente, o mais rápido que posso. Observo Lázaro com o corpo em chamas segurando Maat. Sei que não conseguirei impedir o que ele está prestes a fazer, mas sei que preciso tirar meu irmão egípcio dali. Lázaro está levando Radamés para uma emboscada. Ele sabe que a Hórus pode detê-lo.
Volk, o demônio por trás de Lázaro sabe que o sacrifício de Maat, envolverá Hórus em  dor e vingança.  O sangue obscurecerá a visão da verdade e envolvida pela sombra da dor, a arma de luz se tornará a arma de trevas guiada pelas mãos do demônio.

- Você não está em condições. Isso agora é entre mim e ele.
- Sen-Nefer. O amarniano louco que decidiu viver como andarilho. Ainda fugindo de sua besta interior? Eu posso sentir o seu medo. – diz Volk. Quando vocês vão aceitar sua real essência? O real propósito de suas vis existências? Vocês são arautos do caos.
- Cale-se maldito. Não vamos permitir que você prossiga com isso.
- Vocês?  - pergunta o demônio.

Uma explosão acontece nas costas de Lázaro jogando seu corpo para frente.

- Isto é pelo Nosf, seu filho da puta. – diz Vivi jogando para o lado a pequena bazuca ainda fumegando.
Alguns filhos de Nosf surgem pulando dos telhados, vindo por trás da Vivi com correntes, porretes e tudo o mais partindo pra cima de Volk que se ergue flutuando do chão.
- Veeeeeeermes! – grita Lázaro abrindo os braços de forma arqueada fazendo seu corpo queimar, consumindo em chamas os asseclas de Nosferatu liberando uma onda de choque que me empurra para trás.
- O fim está próximo. Vocês sabem onde me encontrar. – diz o demônio sugando as sombras para baixo de si abrindo um grande buraco negro no chão. Tragam a novata eu tenho algo comigo que interessa a vocês. Diz antes de sumir totalmente assim como as sombras retornam para onde estava.

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 7

por NOSFERATU

A Chegada de Reforços

 

 

Nosferatu e sua inseparável Tamara, a bela vampira de cabelos vermelhos, encontram-se no interior da Mansão Wampyros, quando Sem-Nefer entra pela porta principal.

            _ Porra Nosf. Você já teve segurança melhoras. Diz o Vampiro egípcio com cara de deboche.

Sen-Nefer faz um breve resumo, para o casal de vampiros, do que está acontecendo. Nosf, com cara de quem não entendeu nada do que ouviu, com uma doze de cano curto engatilhada nas mãos, mastigando o resto do charuto que estava em sua boca, olha para Tamara e diz:

_ Entre em contato com meus dois generais, diga que mandei reunir todos os filhos disponíveis, teremos barulho dos grandes. _ Ela pega o celular, pressiona algumas teclas e diz:
_ Seu pai quer todos aqui, com todo o armamento que tiverem, Imediatamente. _ desliga o telefone e vê seu companheiro engatilhando uma Doze de cano curto e dizendo para o vampiro recém-chegado.
_Caralho véi. Demônios? Faz tempo que não caço uns.
Nosf, acompanhado por Tamara, se direciona para o andar superior da mansão, enquanto diz para Sem-Nefer.
_Aguarde um momento egípcio, já volto. Fique à vontade por aí, A Mortal não ta em casa mesmo. O Pablo, que agora é ex vampiro, ta por aí com uma novata branquela, acho que ta querendo virar vampiro de novo, ou então ta querendo ser a refeição de alguém, sei la.

No andar superior, no quarto que é ocupado pelo casal de vampiros, Nosf abre um armário, onde se encontra várias armas de diversos calibres, bem como farta munição.

_ Com qual dos meus filhos você falou? Pergunta Nosf para Tamara.
_ Falei com a Jessica, ela estava acompanhada do seu outro General, o Ricardo, disseram que vão reunir todos e estarão aqui o mais rápido possível. Ela disse que trará também as gêmeas que podem abrir portais interdimensionais, acredita que elas possam ser muito uteis.
_ Perfeito. Escolha suas armas e vamos voltar ao salão principal aguardar a chega dos outros para traçar nosso plano. Não entendi nada do que o egípcio disse, muito menos esse lance do Lazaro estar comandando tudo, mas não vou perder a oportunidade de cortar algumas cabeças, seja de lobo, demônio, gnomo, fada e o caralho a quatro.
_ Ok meu amor, mas por favor, desta vez tome bastante cuidado, estou com um pressentimento terrível, e não sei o que faria sem você ao meu lado. Você sabe que nunca me engano com essas minhas sensações.
_ Mulheres.... Todas iguais, nunca deixam de ser mãe de alguém. _ Diz o vampiro fazendo cara de bebe chorão para sua companheira.
_ Você é um palhaço mesmo, eu aqui toda preocupada com você e ainda fica tirando uma com a minha cara? _ A bela vampira coloca a mão na nuca de Nosf, segura forte os cabelos dele e puxa sua boca ao encontro a dela, para um longo beijo apaixonado. _ Não se atreva a morrer e me deixar sozinha, vou atrás de você nem que seja no inferno.
Neste momento escutam sons de batalha vindos do andar inferior.
_ Acho que a festa vai começar mais cedo. _ Diz Nosf com seus olhos já cintilando entre o vermelho e o negro. Armados até os dentes, ambos se dirigem para fora do quarto, em direção aos sons de espadas, urros e gritos de dor.
Assim que chegam a salão principal, se deparam com Sen-Nefer e a novata vampira albina, entre outros, confrontados por seres estranhos, semelhantes a enormes Trolls, portanto pesadas clavas, aparentemente liderados por um enorme lobo. Tamara não pode deixar de notar a surpresa na face de seu companheiro.
 _ O que foi querido? Conhece esse lobisomem? Meio grande para o padrão que estamos acostumados, não concorda?
_ Nunca vi mais gordo. Mas uma coisa é certa, isso aí não é um lobisomem.
_ Não? Como assim? O que é então?
_ Eu não sei.
_ E como se mata isso?
_ Aaaa.....isso nós vamos descobrir agora. _ Diz o vampiro sacando suas catanas imediatamente imitado pela jovem de cabelos vermelhos que o acompanha.

Nosf se joga contra o enorme ser semelhante a um lobisomem, desferindo poderosos golpes com sua catana, fazendo jatos de sangue atingirem as paredes e os moveis próximos. Enquanto isso, Tamara saca duas pistolas desert eagle .50, douradas e investe contra os Trolls.

_ Que porra é essa Sen-Nefer? De onde saiu esse bicho? _ Grita Nosf, em meio a batalha para o amigo egípcio. _ Parece que meus golpes, apesar de feri-lo não são capazes de detê-lo. E essa catana tem fios de prata na lamina, ideal para matar lupinos.
_ Ele não é um lobisomem Nosf. Acho que prata não quer dizer nada pra ele.
_ Caralho egípcio, eu sei o que ele não é, preciso saber o que ele é, pra poder acabar com esse filho da puta. E onde está o outro egípcio? Quando a gente precisa daquele merda pra ajudar, ele toma um chá de sumiço. Aposto que aquele pervertido ta praticando necrofilia com alguma múmia por aí.
Como se houvesse escutado o chamado de Nosf, Radamés entra pela porta da mansão.
_ Atrasado para a festa dessa vez hein egípcio? Ironizou Sen, pulando sobre o pescoço do enorme lobo, tentando em vão, executar uma gravata.

Nosferatu teve a ideia de atacar a criatura por baixo, no intuito de derruba-la, afinal, “quanto maior...maior o tombo. ” Com suas catanas, desfere golpes nos tornozelos, enquanto escorrega por entre as pernas da criatura, que começa a arquear e se ajoelha. Neste momento, ouve a voz de Vivi, dizendo para Radamés pegar a espada Hildebrane que estava cravada nas costas do lobo. Maat-Hotep pula sobre as costas da criatura, quando um som estridente preenche os ouvidos do vampiro, fazendo seus tímpanos queimarem como se estivessem em brasa viva, deixando-o tonto por alguns instantes. A figura de um ser envolto em chamas emerge do chão em um círculo de fogo, pousando a mão incandescente sobre o cabo de Hildebrane, para depois crava-la nas costas do enorme lobo que padece envolto em chamas rubras.

O novo inimigo da as costas, Nosf, sentindo o momento de distração da criatura, voa em sua direção, com sua catana em punho, mas, surpreendentemente, o vampiro é surpreendido por um rápido movimento de seu oponente, que crava as garras descomunais em seu abdome, para em seguida girar o punho, fazendo a ferida abrir e jorrar sangue, Nosf podia sentir os enormes dedos da criatura rasgar suas entranhas. Antes de perder completamente suas forças e ficar inconsciente, ele ainda pode ouvir um som de desespero, vindo de Tamara, mas não conseguiu vê-la.

Nosf desperta em outro cômodo, ainda na Mansão, ao seu lado encontram-se Vivi e Tamara, ele tenta se levantar, mas é contido por um suave toque de Tamara, e pela dor, quase insuportável em seu abdome.

_ Alguém pode me explicar que diabo era aquilo? _ Perguntou o vampiro, visivelmente irritado. Mas antes que suas acompanhantes respondessem alguma coisa, a porta do quarto se abre, dando passagem a Jessica e Ricardo, os experientes generais do exército de “Filhos de Nosf”. Após um leve movimento de cabeça em cumprimento as vampiras, ambos, ajoelham-se ao lado do leito de Nosf.
_ Perdoe-nos a demora mestre, reunimos nossos irmãos o tão rápido quanto possível.  Mas já estamos todos aqui, inclusive as gêmeas que podem abrir portais interdimensionais. Trouxemos também vasto armamento e munição. Estamos prontos pra qualquer coisa deste mundo, ou de qualquer outro. Diz Ricardo, com os olhos voltados para o chão, em profundo sinal de respeito a seu criador.
_ Receio que não meus filhos, receio que não _ Responde o vampiro, em tom de preocupação.
_Chega de conversa _ Interrompe Vivi _ Você disse vasto armamento, onde estão esses brinquedinhos?
Jessica abre a pesada maleta que traz consigo, tirando algumas peças que começa a monta-las com surpreendente habilidade.
_ Isso está do seu agrado Vivi? _ pergunta a general, estendendo para a vampira, uma pequena bazuca. _ Alguns de meus irmãos estão no piso inferior, com outras belezinhas, tão atraentes quanto esta aqui.
_ Acho que isso vai servir _ Diz, pegando o armamento, e esboçando um discreto sorriso.
_ Então, vamos resolver isso de uma vez_ Grita Nosf, esfregando as mãos e tentando se levantar, com visível expressão de dor. _ Eu não pude ver a face do filho da puta que fez isso, mas tenho a impressão que conheço esse desgraçado.
_ Você vai ficar quietinho aqui comigo mocinho, só deixo você se levantar quando realmente estiver em condições de batalha novamente. _ Interrompe Tamara, com o jeito autoritário que só as mulheres possuem.
Nosferatu, percebendo que seria inútil relutar, acomoda-se na cama, olha para Tamara e simplesmente responde:
_ Sim sinhazinha.

Vivi, seguida pelos filhos de Nosf, parte para fora do quarto, deixando o casal de vampiros a sós. Nosf acende um dos seus conhecidos charutos, Tamara, após entregar-lhe uma cerveja que havia pegado no frigobar, senta-se em uma poltrona ao seu lado.

_ Essa meleca fedorenta que você colocou aqui, aposto que é coisa do egípcio. Confesso que está fazendo um ótimo trabalho, em instantes estarei em forma de novo, e aí minha querida, cabeças vão rolar, é uma promessa. Esse maldito não tem ideia do tamanho da caixa de marimbondos que ele cutucou.

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 8

por VIVI

 

Grécia – Ruínas do Oráculo de Delfos – Uma semana antes


Sentei-me entre as pedras das ruínas, que no meio da noite se tornava um lugar triste e vazio, bem diferente de quando as hordas de turistas invadiam durante o dia. A noite não, ele era somente meu. Meu e de meus fantasmas.
Fechei os olhos e respirei fundo, tentando sentir os vapores que antes nos induziam ao contato com Apolo, mas não consegui. Um lugar de tanto prestígio e riqueza, reduzido a pedras e poeira por um deus fraco… morremos todos sob as botas do cristianismo.
Lembrei dos anos de treinamento ali, de tudo que vivi antes de ser amaldiçoada e senti saudades, de tudo que fui, de tudo que poderia ter sido, e me senti tão sozinha, tão… vazia.

- Sibila, seu Pai se envergonha da sua fraqueza. Não foi essa a criatura fraca que ele escolheu para ser sua sacerdotisa uma vez.

Levantei os olhos e vi ali na minha frente, um soldado grego por entre as brumas. O elmo que levava debaixo do braço, couraça e cnêmides de ouro reluziam como se estivéssemos no meio de um dia ensolarado. Ele se curvou em saudação:

- Sou Heitor, príncipe de Troia.
- Não existe mais Troia, ou Heitor, ou Sibila, ou Delfos, não vê? – Disse estendendo os braços para mostrar os escombros - Somos todos pó e névoa num mundo estranho. Estamos mortos você e eu, só que você possui a bênção de descansar nos Campos Elísios com todos os Heróis.

Ele riu. Foi um som tão claro e transformou aquele rosto sério em um muito belo. Os olhos brilhavam de diversão, fechei as mãos em punho fincando as unhas na palma para segurar a vontade de deslizá-las pela barba densa. Como Helena pôde escolher Páris? Pensei - É certo que os Heróis desfrutam de seu descanso merecido após todas as guerras que travamos, mas estou aqui para dizer que sua hora chegará, pequena Sibila, mais cedo do que você pensa, talvez mais demorada do que deseja.

- E quem fala agora por enigmas aqui Heitor? Apolo tomou você também como oráculo?
- Por desta vez, serei o transmissor das palavras dele a você, mas também tenho algo meu a lhe dizer.
- Pois diga!
- Fui general de um grande exército. Travei muitas guerras, conheci generais em minha vida nesta terra e no após, e posso lhe dizer que ganhamos as batalhas com o sangue, suor e lágrimas dos soldados, mas que só podemos ganhar uma guerra com inteligência e astúcia. Troia não caiu pelos mil navios trazidos por Agamenon ou pelos mirmidões de Aquiles, foi o Cavalo de Ulisses que fez a cidade virar cinzas. Una seu conselho de guerra e pensem, não ajam como cães selvagens à vista do sangue fresco.
- Não estamos em guerra, lindo. Acho que bebeu demais de onde veio. – Eu sorri.
- Ah, estão sim. Você precisa voltar para casa.
- Mas que droga! De novo?
- Sim, mas desta vez o espólio valerá a pena. Vá para casa.
Ele se afastou, sumindo por entre a névoa. Mas antes de desaparecer completamente, fez outra reverência olhando em meus olhos e dando um sorriso. - Nos veremos de novo, linda.

 

Mansão Wampyros - Dias atuais


Irrompemos pelas portas estilhaçadas da Mansão. Fui diretamente à mulher que não conhecia e estava sentada em cima da mesa olhando alheia para a bagunça em torno da sala. Agarrei o pescoço dela com uma das mãos e levei o corpo até a parede próxima com uma pancada.

- É ela que o Lázaro pediu, não é? A novata?
- Calma Vivi – Pediu Radamés
- Calma? Calma?!? Eles estão com o Pablo! Ele é humano! Meus deuses, ele pode estar morto a esta altura...tremi e soltei o corpo dela, que se caiu no chão. Comecei a andar pela sala – Se eu tiver que escolher entre ele e essa criatura patética não vou pensar nem duas vezes!

A albina se levantou com graça, tirando fiapos imaginários da roupa. – Desculpe, acredito que não fomos apresentados.... Eu vim com o Pablo.

- Não me faça cortar você em duas com a espada dele, sua maldita. Tenho certeza que foi por sua culpa que essa merda conta aconteceu por aqui. – Gritei apontando o dedo na cara branca dela.
- Ah, Vivi.... Na verdade... eles vieram atrás do Pablo mesmo – Takaiama falou. – Você chegou quando o Pablo havia sumido, mas viu o quanto eles queriam a espada dele.
- Mas ele falou sobre “a novata” – insisti – Só pode ser ela. O que ele iria querer com o Pablo, Hildrebane e ela juntos? Qual é a novidade desta vez?
- Não é somente a espada dele, Horus também, e a Gassan – comentou Sen-Nefer
- E minha Yomi – Takaiama contou sobre as aventuras vividas antes de chegar na Mansão.
- Pelo que percebi, eles precisam das espadas e do Pablo para abrir um portal e conseguir passar para nosso mundo. – Sen-Nefer parecia pensar em voz alta – Mas, o que a branquela aí tem a ver com tudo?
Steele só levantou os ombros com indiferença. Parecia não estar interessada.
- Talvez devêssemos perguntar a este camarada aqui – Nosferatu chutou um dos trolls, o que parecia estar em melhor estado, que xingou de forma bem clara. – Tamara e eu vamos...
- Ele é meu – eu disse, movimentando os ombros para liberar a tensão e rindo enquanto pegava o bicho por um dos pés e arrastava para o porão – vamos ver se ele sabe falar grego também.
Ninguém contestou.

Algumas horas depois, volto para a sala. Estava coberta de sangue, com roupas e cabelos encharcados pingando pelo assoalho que havia sido limpo enquanto estive ausente.

- Puta merda garota, espero que não tenha bebido dessa merda além de ter tomado banho. Isso aí não tá coçando não? – Sen-Nefer perguntou rindo.
- Está parecendo a Carrie a estranha – Tamara comentou. Nosfe engasgou e tossiu tentando disfarçar o riso.
- Não bebemos sangue de sacrifícios, só nos banhamos dele – Eu comentei, torcendo os cabelos e deixando cair mais sangue no chão. – Achei que ele não fosse aguentar muito, mas me surpreendi. Já tinha começado a estripá-lo quando ele começou a falar... tinha até esquecido que não era diversão... mas enfim, o que ele sabia é que o Pablo e a branquela aí são anomalias, pontos fora da curva e por isso chaves das portas para outros mundos. As espadas são catalizadoras de energia já que cada uma corresponde a um poder diferente, um deus de um panteão diferente.
- E como vamos resolver isso? Katayama questionou.
- Já que parece que para funcionar temos que ter as espadas e os sangue dos dois, eu acho melhor dar um fim nela. É a forma mais rápida e lógica – eu disse.
- Está louca? Não vamos matar ninguém, pelo menos por enquanto – Radamés disse. - Mas e o Pablo? Onde ele está?
- O monstrinho não tinha idéia, as ordens eram vir aqui e buscar o Pablo e Hildebrane mas ele não sabia para qual dos mundos iria. Só o Lobo Mau. Ele não se deu conta que era massa de manobra.
- Lobo Mau... – Radamés falou – É sério isso?
- Bom, até onde sei ele vem de um dos mundos e pelo jeito alguém daqui pode ter visitado o lugar e usado como base para as lendas que a gente conhece por aqui. Sei lá. A gente vai ter que fazer uma visitinha a essa terra de faz de conta. As meninas podem ajudar não é Nosfe?
- Mas claro! – Ele bateu as mãos nos joelhos e levantou da poltrona – Vamos fazer uma festa!

 

Na prisão

Pablo está sentado com as costas contra as pedras frias da prisão, pensando em como iria escapar dessa vez. João estava cochilando em outro canto e não era de muita ajuda.
De repente, uma agitação desperta a atenção dos dois, que correm para as barras. Um coelho de cartola aparece correndo.

- Estamos atrasados! Vamos! Vamos!
- Sr. Coelho, se não percebeu estamos trancados aqui! – João reclamou
A tranca da porta se abre como por mágica – até o sorriso do Gato de Ceshire surgir e depois todo o corpo. – Não estão mais! Agora, sigam o coelho branco!

Eles correram. Passaram por cima dos guardas caídos no chão desacordados e subiram as escadas em direção à liberdade.
Ou não.

 

 

 

CONTINUA...