|
|
|
Em busca de um sexo bem melhor
Nos �ltimos 40 anos, as mulheres passaram por revolu��es surpreendentes. Depois de s�culos vivendo a ditadura do sexo para procria��o, experimentaram as loucuras do amor livre na d�cada de 70. Dez anos depois, foram obrigadas a repensar seu comportamento e partir para a pol�tica do sexo seguro em tempos de Aids. Agora, as mulheres est�o aprendendo a conviver melhor com uma fase natural da vida, mas at� h� pouco tempo cercada de mist�rios, mitos e considerada uma esp�cie de melanc�lico ponto final: o climat�rio - fase que antecede a �ltima menstrua��o (menopausa). � verdade que muitas mulheres ainda sofrem efeitos desagrad�veis t�picos deste per�odo, como o folcl�rico calor, mas, com a ajuda de novos medicamentos - e principalmente mais informa��o -, as mulheres est�o demonstrando como � poss�vel passar pelo climat�rio e chegar � menopausa sem perder a energia, a vitalidade e a beleza. Ovula��o Os principais sinais Cerca de 80% das mulheres no climat�rio apresentam algum sintoma cl�nico. Destas, 20% sentem manifesta��es intensas, 50% m�dias e 20% de baixa intensidade - Menstrua��es com intervalos ou volume irregular Quando o fol�culo atinge um certo tamanho, come�a a produzir o estr�geno - horm�nio feminino - que � liberado para a circula��o. Ao mesmo tempo, o fol�culo maior cresce tanto que "estoura" e libera um �vulo para ser fertilizado (ovula��o). Com o passar do tempo, no entanto, v�o restando apenas os fol�culos que respondem menos � a��o estimulante do FSH. Al�m de serem fol�culos mais velhos, tamb�m est�o em muito menor n�mero. Dessa forma, os poucos fol�culos que restaram nessa fase n�o crescem e n�o produzem mais estr�geno. A ovula��o come�a a se tornar cada vez mais irregular at� acabar definitivamente. E como a progesterona s� � produzida se ocorre a ovula��o - � este horm�nio que promover� altera��es no �tero para que o �vulo se fixe, dando in�cio � gravidez, na hip�tese de fecunda��o -, n�o haver� produ��o suficiente deste horm�nio, deixando as menstrua��es irregulares at� que elas tamb�m terminem. Essa revolu��o, natural e esperada, acaba deixando, no entanto, o organismo da mulher mais vulner�vel. Por causa do fim da produ��o do estr�geno, por exemplo, aumentam as chances de doen�as cardiovasculares. Isso porque o estr�geno � um dos protetores da mulher contra esses males. Ele aumenta a produ��o do colesterol bom (HDL), que ajuda a evitar o dep�sito de gordura nas art�rias e tamb�m diminui o colesterol ruim (LDL), que faz a a��o inversa. � tamb�m nesta �poca que se elevam os riscos de desenvolver a osteoporose, doen�a caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos. A perda de c�lcio, que come�a logo depois que a mulher atinge o seu pico de massa �ssea (por volta dos 25 anos), tende a crescer � medida que a quantidade de estr�geno no organismo vai diminuindo. "Nos primeiros cinco anos depois da �ltima menstrua��o, essa perda pode chegar a 1% a 4% de massa �ssea por ano", diz a ginecologista Suelly Coltro, de S�o Paulo. O estr�geno, nesse caso, tem a fun��o de melhorar a absor��o de c�lcio pelos ossos e pelo intestino. Sinais Combina��o - Os motivos para a desconfian�a est�o baseados em uma longa hist�ria. Quando a TRH come�ou a ser usada, utilizava-se apenas estr�geno, exatamente pelo fato de ele ser o horm�nio que mais traz benef�cios. O problema � que o estr�geno utilizado sozinho por muito tempo pode levar ao aparecimento de c�ncer de endom�trio (revestimento interno do �tero). Mas se descobriu, depois, que bastava usar a TRH combinada (estr�geno mais progesterona) que esse risco desaparecia. O que existe hoje, na verdade, � uma preocupa��o em torno da TRH e sua rela��o com c�ncer de mama. Ainda n�o se tem consenso cient�fico sobre a exist�ncia dessa rela��o, embora grande parte dos trabalhos mostre que a terapia de reposi��o n�o causa esse tipo de tumor. Ao contr�rio, j� se sabe, por exemplo, que uma mulher que venha a desenvolver c�ncer de mama ter� uma sobrevida maior aos tratamentos - viver� mais ap�s uma cirurgia, quimioterapia ou radioterapia - se tiver feito TRH em rela��o �quela que n�o fez simplesmente porque estar� em melhores condi��es cardiovasculares e gerais de sa�de. H� ainda outra lista de benef�cios da TRH. Estudos j� comprovam a redu��o na incid�ncia do mal de Alzheimer (doen�a degenerativa que tem a dem�ncia como uma de suas principais caracter�sticas) com o uso de estr�geno. Outra pesquisa, publicada recentemente pela revista The Lancet, uma das mais conceituadas publica��es cient�ficas do mundo, mostra que, comparando-se mulheres de uma mesma faixa et�ria, aquelas que faziam uso da TRH aparentavam oito anos menos que as do grupo sem tratamento. Isto porque o estr�geno - ele de novo - tamb�m aumenta o teor de col�geno da pele (o col�geno � a subst�ncia que d� sustenta��o � pele). Existem ainda outras op��es para reduzir os riscos de osteoporose e doen�as cardiovasculares, al�m da TRH. Um exemplo � a droga raloxifeno. Dispon�vel no Brasil desde 1997, o raloxifeno atua de forma seletiva, liberando a entrada do horm�nio estr�geno nas c�lulas dos ossos, cora��o e outros tecidos ao mesmo tempo que bloqueia sua a��o nos tecidos da mama ou do �tero. Como se v�, com a ajuda da ci�ncia - e tamb�m a partir de uma nova maneira de ver a vida - a mulher vai aprendendo que o climat�rio nem de longe marca o come�o do fim. � apenas mais uma revolu��o.
Em busca de um sexo bem melhor Nada de deixar frustra��es debaixo do travesseiro. Para felicidade geral do casal, as mulheres come�am a mudar de atitude em rela��o � sexualidade. "Em menos de uma d�cada, a brasileira passou a se importar bem mais com a pr�pria sa�de e satisfa��o sexual", diz a psiquiatra e sex�loga Carmita Abdo, de S�o Paulo. Para fazer essa afirma��o, a especialista se baseia no aumento da presen�a feminina no consult�rio dos terapeutas sexuais e servi�os e institutos de sa�de, fen�meno que ainda n�o ocorria no come�o dos anos 90. No servi�o que coordena, o Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl�nicas de S�o Paulo, por exemplo, em 1993 havia seis vezes mais homens do que mulheres em tratamento. Hoje, s�o atendidos dois homens para cada mulher. � uma revolu��o entre os len��is. � mais do que compreens�vel. Afinal, a sexualidade � um dos indicadores para ava-liar a qualidade de vida de uma pessoa, segundo a Organiza��o Mundial da Sa�de (OMS). Isso d� id�ia da import�ncia de tentar resolver os conflitos, as tens�es e as ang�stias sexuais: quanto melhor a vida na cama, melhor a vida fora dela (os outros tr�s crit�rios considerados pela OMS s�o a manuten��o da vida profissional, a conviv�ncia familiar e o lazer f�cil). E sexo bom, para os terapeutas sexuais, � aquele que se faz como a pessoa deseja, desde que n�o esteja interferindo nem limitando a liberdade sexual do parceiro. O problema, por�m, � atingir o que reza essa defini��o. Por falta de informa��o, timidez ou conformismo, � gigantesco o n�mero de mulheres infelizes na cama (leia quadro ao lado). A queixa de dificuldade para atingir o orgasmo, por exemplo, est� presente em cerca de 65% das consultas sobre sexo, segundo os c�lculos de Carmita Abdo. Tr�s situa��es servem de cen�rio para os casos de anorgasmia (falta de orgasmo): aus�ncia de desejo, desinteresse pela rela��o sexual e tend�ncia a escapar dela. Num tipo frequente de anorgasmia, a mulher sente desejo, mas n�o consegue entrar na fase de excita��o e lubrifica��o que vem antes da descarga energ�tica do orgasmo. Em outros casos de anorgasmia, a mulher tem desejo e capacidade de se excitar, mas n�o chega ao cl�max. "J� nos casos de disfun��o sexual geral, a mulher tem o desejo, a lubrifica��o e o orgasmo preservados, mas sente dificuldade em se envolver eroticamente e usufruir do contato sensual durante o sexo", explica o sex�logo Oswaldo Martins Rodrigues J�nior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade e da Federa��o Latino-Americana de Sociedades de Sexologia e Educa��o Sexual (Flasses). Para todas essas situa��es existem op��es de tratamento, como a psicoterapia individual de tempo limitado, com dura��o de 12 a 20 sess�es e encontros semanais.
Viagra Mas n�o � s� a falta de orgasmo que impede o prazer. A pouca vontade de fazer sexo, por exemplo, preocupa. Al�m de motivos como excesso de trabalho, tripla jornada e stress, a falta de desejo �s vezes pode ser consequ�ncia de sintomas f�sicos associados a doen�as como press�o alta (alguns medicamentos para controle da hipertens�o tamb�m est�o na lista de subst�ncias com chance de reduzir a libido) e problemas cardiovasculares, pois � uma rea��o natural tentar poupar-se de esfor�os para proteger o cora��o. Dores articulares, reum�ticas e at� o sedentarismo podem golpear a vontade de fazer sexo na medida que reduzem a flexibilidade que facilita os movimentos corporais. A depress�o tamb�m tem papel importante entre os inimigos da disposi��o sexual. Penetra��o
Di�logo |