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Frágil e delicado batimento
Stress, excesso de trabalho, fumo e outros hábitos antes
masculinos entram na vida das mulheres e as tornam cada vez mais vulneráveis aos
problemas do coração
Os primeiros sintomas do infarto apareceram durante uma palestra sobre turismo para um
auditório lotado de executivos. Aos 38 anos, Yanick Valtier Franco sentia fortes dores
nas costas e uma azia inacreditável. Bem-sucedida profissionalmente, saudável, magra,
esportista e faixa preta de caratê, ela jamais imaginou a possibilidade de ter um infarto
durante uma viagem de negócios. E nem sonhava com a colocação de duas pontes de safena
e uma mamária para restabelecer a circulação cardíaca. "Só sobrevivi porque
tinha um bom condicionamento físico e a resistência de uma camponesa", avalia
Yanick. Depois do infarto, ela trocou a vida badalada de superexecutiva por um cotidiano
regrado, mais calmo, com tempo reservado para o filho, a leitura e o descanso.
"Aprendi a ouvir meu corpo e mudei minha mente", diz a executiva, atualmente
supervisora-geral de Novos Negócios do Canal Shoptime. Ela também tirou a carne e a
manteiga do prato, acrescentando legumes no vapor e um pouquinho de vinho, além de
despedir-se de uma vez do uísque. Caminha todos os dias e continua no caratê. "Meu
coração parou nove segundos e eu só pensava no que me ligava à vida, como o meu filho.
Percebi que sou mortal e, por isso, valorizo as coisas que me dão prazer", diz
Yanick.
Mulheres na mira
A executiva Yanick enfartou há nove anos, quando ainda era menor a atenção dada ao
coração da mulher. Hoje é diferente. Não faltam estudos sobre as especificidades da
condição feminina e sua relação com os males do coração. E as estatísticas revelam
que a preocupação é mais do que justificada. Levantamento do Ministério da Saúde
mostra que, em 1990, a proporção de mortalidade por infarto entre mulheres era de 25 por
100 mil habitantes. Em 1997, o índice subiu para 42 por 100 mil. Na base do aumento de
males cardíacos entre as mulheres estão mudanças no estilo de vida, com jornadas de
trabalho excessivas, alta competitividade, tensão emocional, alimentação inadequada,
colesterol alto, hipertensão, sedentarismo e tabagismo, justamente os principais fatores
de risco para as doenças cardiovasculares
| Inimigos principais COLESTEROL ALTO
Existem dois tipos de colesterol: o HDL (colesterol bom) e o LDL (colesterol ruim). O
excesso deste último leva ao estreitamento e ao entupimento das artérias coronárias
FUMO
A nicotina e o monóxido de carbono - agentes liberados pelo cigarro - diminuem o calibre
dos vasos sanguíneos, dificultando a passagem de sangue
PRESSÃO ALTA
A relação entre os níveis de pressão arterial e a incidência de doenças coronárias
é diretamente proporcional. Quanto mais alta a pressão, maior é o risco do aparecimento
da doença
SEDENTARISMO
Juntamente com o tabagismo e a hipertensão arterial, a inatividade física é um dos mais
importantes fatores de risco para as doenças cardiovasculares
OBESIDADE
Perder peso pode ser uma medida de muita importância para o controle de problemas como
diabetes e colesterol elevado, intimamente relacionados ao desenvolvimento e à
progressão de doenças cardiovasculares STRESS
O stress, ou tensão emocional, é um mal que atinge muitas mulheres. Para as que possuem
problemas cardíacos ou pressão alta, o stress pode agravar a doença e dificultar o
tratamento |
Anticoncepcionais
A esses problemas, somou-se a ingestão das pílulas anticoncepcionais. Sabe-se que o
estrogênio semi-sintético das pílulas pode levar ao crescimento da incidência de
formação de coágulos nas artérias e veias, o que pode interromper a irrigação do
músculo cardíaco, levando-o ao infarto (a redução na dose deste hormônio nas
pílulas, ocorrida nos últimos 30 anos, no entanto, baixou significativamente esse
risco). Não bastasse, no período que antecede a menopausa, chamado de climatério, os
riscos para o coração se elevam. É fácil entender por quê. O hormônio estrogênio
fabricado pelo próprio corpo da mulher é um grande aliado do coração porque estimula a
dilatação dos vasos, facilitando o fluxo sanguíneo, mesmo quando já existe o depósito
de placas de gordura estreitando seu calibre (arteriosclerose). "Após a menopausa, a
proteção hormonal oferecida pelo estrógeno produzido pelos ovários diminui, aumentando
as chances de doenças cardio-vasculares entre as mulheres", explica o cardiologista
Antônio de Pádua Mansur, coordenador do Núcleo de Estudos do Coração da Mulher
(Nepcom), do Instituto do Coração, em São Paulo.
A vida sedentária que muitas mulheres levam hoje também conta muito. A praticidade do
carro, o telefone celular e a agenda sempre lotada acabam impedindo as mulheres de adotar
atividades em que possam exercitar o corpo. É uma péssima novidade na vida feminina,
historicamente acostumada a fazer muito exercício, mesmo que fosse enquanto lavava roupa
ou levava os filhos para um passeio. E, por outro lado, a ciência confirma cada vez mais
a importância do exercício. Para se ter uma idéia, um estudo feito pelo Instituto
Nacional de Saúde Americana, nos Estados Unidos, mostrou que caminhar diariamente 30
minutos reduz em 40% as chances de ataques cardíacos para homens e mulheres. "Se
duas mulheres com a mesma idade e problema de saúde forem internadas, a sedentária
ficará no hospital o dobro do tempo daquela que pratica alguma atividade física
regular", assegura o médico Nabil Ghorayeb, diretor da Sociedade Brasileira de
Cardiologia.
Como evitar as doenças cardiovasculares
· Consulte um médico e controle
permanentemente as taxas de seu colesterol
· Pare de fumar e procure ajuda médica se
não conseguir
· Consulte um médico para avaliar e
controlar periodicamente a pressão arterial
· Mantenha uma alimentação saudável, rica
em frutas, verduras e fibras. Evite o consumo de alimentos frios ou gordurosos. O consumo
de sal e de bebidas alcoólicas também deve ser evitado. Controle o peso
· Irritabilidade, insônia e queda de
rendimento podem ser um alerta
· Controlar melhor as emoções, dividir
tarefas e responsabilidades, bem como planejar melhor suas atividades, ajudam você a
prevenir o stress
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Prevenção
A melhor maneira de prevenir as doenças cardiovasculares é cultivar hábitos que
melhorem a saúde (leia quadro abaixo). As mulheres que possuem casos de doenças
cardiovasculares na família devem começar a fazer exames de colesterol e pressão a
partir da adolescência. O mesmo vale para aquelas que não possuem problemas na família,
mas apresentam fatores de risco pessoais, como tabagismo e sedentarismo. Nem sempre,
porém, a prevenção é suficiente para evitar ataques cardíacos. Nesses casos, podem
entrar em ação drogas potentes e já disponíveis no mercado, desenvolvidas para
combater os fatores associados às doenças cardiovasculares como as vastatinas (contra o
colesterol) e anti-hipertensivos (contra a pressão alta). Outra aliada da prevenção é
a aspirina (ácido acetilsalicílico). "Estudos mostram que o uso diário de aspirina
por tempo prolongado reduz em cerca de 30% a 40% as chances de novos episódios agudos de
angina, infarto e morte súbita", garante o cardiologista Antônio Mansur.
Intervenção
Entre as medidas de intervenção pós-infarto estão a angioplastia, que
consiste no desentupimento mecânico das artérias coronárias com o uso de
trombolíticos - substâncias que dissolvem os coágulos do coração. "Para diminuir
as chances de reincidência da formação de coágulos, a angioplastia ganhou o reforço
do Stent - uma prótese de aço inoxidável que alarga a artéria entupida e reduz as
chances de que ela seja obstruída novamente", explica o cardiologista Expedito
Ribeiro. O mais importante, no entanto, é que as mulheres se conscientizem de que somente
com a mudança de hábitos poderão deixar o coração bater mais feliz.
Outros caminhos para a cura
Cada vez mais pessoas procuram ajuda em técnicas da medicina alternativa como a
acupuntura, o shiatsu e os florais
A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que um em cada cinco habitantes do
planeta procura assistência médica em terapias não-convencionais. Ou seja, busca ajuda
em massagens, chás, luzes, cores, aromas e outras opções oferecidas pela chamada
medicina alternativa. Essa procura tão expressiva é reflexo da insatisfação com a
medicina tradicional. É compreensível. Baseada na administração de remédios -
eficazes, é verdade - mas que muitas vezes apresentam efeitos colaterais tão incômodos
quanto os males que combatem, a medicina ocidental também costuma pecar pela falta de
cuidado na relação médico-paciente. Isso sem falar da resistência que muitos
especialistas ainda manifestam quando se trata de avaliar a importância das emoções no
desenvolvimento de muitas doenças.
Na medicina alternativa, em geral os remédios não apresentam efeitos colaterais. Os
especialistas se dispõem a ouvir um pouco da história de cada um. Afinal, eles acreditam
que corpo, mente e alma não podem ser separados em compartimentos que não se misturam.
E, embora a ciência tradicional ainda não tenha respaldado e confirmado a eficácia de
várias dessas técnicas, a prática mostra que muitas, de fato, funcionam. Conheça a
seguir opções oferecidas por algumas delas para amenizar males comuns do corpo feminino.
Stress
FLORAIS: A combinação do Olive com o Rescue Remedy alivia a tensão. O primeiro
funciona como tônico revitalizante, recuperando a força física esgotada pelo stress,
enquanto o Rescue Remedy tem efeito tranquilizador.
FITOTERAPIA: É empregada a raiz da erva kava-kava: (Piper methysticum) sob a forma de
cápsula. A planta tem ação contra a ansiedade e a depressão e não causa dependência
nem sedação.
SHIATSU: A massagem desfaz a tensão muscular acumulada e reequilibra os fluxos de
energia dentro do organismo.
Insônia
AROMATERAPIA: Uma gota de óleo de lavanda no travesseiro é suficiente. O aroma
aumentaria a produção de melatonina, hormônio relacionado ao sono.
MEDICINA CHINESA: Segundo a técnica, a insônia é causada por distúrbios da mente,
problemas na corrente sanguínea ou por deficiência de energia. A fórmula magistral
chinesa "Suan Zao Ren Tang" harmoniza a mente, ajuda a irrigação sanguínea e
a circulação de energia.
ACUPUNTURA: O tratamento estimula os pontos relacionados com o fígado (responsável
pela irritabilidade e pelo ódio), com o rim (ligado ao medo e à angústia) e com o baço
(vinculado à preocupação e à culpa). Esses sentimentos, de acordo com a técnica,
estão ligados à insônia.
Prisão de ventre
CROMOTERAPIA: A cor indicada é o amarelo, que atuaria como ativador energético
das funções peristálticas.
FITOTERAPIA: As ervas mais apropriadas são a cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana) e o
sene (Cassia sp). Elas têm substâncias que aumentam os movimentos peristálticos e
diluem o conteúdo intestinal. É contra-indicado na menstruação e em caso de
hemorróidas.
REFLEXOLOGIA: É preciso massagear os pontos reflexos das regiões afetadas, como
intestino grosso e reto. Para garantir o bom suprimento de energia para os intestinos,
estimulam-se pontos reflexos da parte infe-rior da coluna.
Cólica menstrual
CROMOTERAPIA: Há duas cores indicadas. O verde, que agiria sobre o aparelho
reprodutor, sistema muscular e cardiovascular como energia dilatadora e antiinflamatória.
E o azul, que teria efeito calmante e analgésico.
FITOTERAPIA: São indicados o funcho (Foeniculum vulgare) e anis-estrelado. O gengibre
também pode ser usado sob a forma de pastilhas ou na alimentação.
AROMATERAPIA: Indica-se o uso de óleo essencial de lavanda da seguinte forma: diluir
dez gotas em dois litros de água quente, embeber um pano e aplicar a compressa quente
sobre o ventre até que ela atinja a temperatura do corpo. Em seguida, repetir o processo.
Habitualmente, 20 minutos são suficientes para amenizar as dores. O calor tem efeito
relaxante e a lavanda atua sobre a musculatura exercendo um efeito analgésico.
Suor excessivo
ANTROPOSOFIA: Dependendo do caso, pode-se tratar com talcos à base de calêndula e
de amido.
AROMATERAPIA: São indicados banhos quentes com uma mistura de dez gotas de palma rosa,
uma colher de sopa de leite e uma colher de sopa de óleo de semente de uva, duas vezes
por semana, durante um mês. O banho estimula a eliminação de toxinas que causam o
problema.
CROMOTERAPIA: O verde equilibra a transpiração e o rosa ajuda a eliminar as toxinas
que causam o problema.
Corrimento vaginal
ANTROPOSOFIA: O odor indica patologia. Pode ser feito um tratamento local, com
banho de assento de chá de camomila. Além disso, o tratamento pode ser feito
utilizando-se ervas da família botânica das Labiatas, que incluem a manjerona, o
manjericão e a tormentila. Mais conhecidas como temperos, essas ervas ajudam na
digestão, evitando gases, distúrbios menstruais e estimulando o bom funcionamento do
ovário.
FITOTERAPIA: São usadas as seguintes ervas: tanchagem (Plantago major), sálvia
(Salvia officinalis), barbatimão (Stryphnodendron barbadetimam). Todas têm ação
antimicrobiana e são usadas sob forma de banho de assento.
ACUPUNTURA: Segundo a técnica, o corrimento ocorre quando há excesso de umidade no
corpo. A má alimentação contribui para agravar este problema. É necessário estimular
os pontos associados ao baço, que, quando perturbado, produz umidade excessiva, e também
trabalhar os pontos dos rins, que, em caso de deficiência, não conseguem eliminar essa
umidade.
Glossário
ANTROPOSOFIA: Exercida por médicos, é ba-seada na compreensão ampla do ser humano,
constituído por corpo, alma, individualidade (esta última regente do sistema de defesa
do corpo). O tratamento é feito com recursos da natureza e estimula a participação
ativa do paciente no processo de cura.
ESPECIALISTA CONSULTADO: Ricardo Ghelman, professor do departamento de Histologia e
Embriologia da Universidade de São Paulo, com formação em Medicina Antroposófica.
ACUPUNTURA: Baseia-se no estímulo de pontos e meridianos, por meio de agulhas, com
objetivo de equilibrar a circulação energética do corpo.
ESPECIALISTA CONSULTADO: Wu Tou Kwang, cirurgião vascular e diretor de Centro de Estudos
de Acupuntura e Terapias Alternativas
SHIATSU: Técnica de massagem oriental que trabalha os mesmos pontos da acupuntura. Neste
caso, o estímulo é feito com os dedos. ESPECIALISTA CONSULTADA: Luisa Sato, terapeuta.
AROMATERAPIA: Utiliza óleos essenciais presentes nas plantas aromáticas para tratar
patologias de ordem física e emocional. ESPECIALISTA CONSULTADO: Fernando Amaral,
aromaterapeuta com formação na Suíça.
REFLEXOLOGIA: O tratamento é feito pela aplicação de pressão nos pés, onde existem
pontos relacio-nados a regiões particulares do corpo, chamadas "zonas
reflexas". ESPECIALISTA CONSULTADA: Maria Amélia Alcântara Machado, reflexologista
e terapeuta ocupacional.
FLORAIS: Baseiam-se no princípio de que as flores possuem uma vibração energética
capaz de regular a energia do ser humano. ESPECIALISTA CONSULTADA: Sônia Nair de Freitas
Marinho, terapeuta floral.
CROMOTERAPIA: Terapia que se utiliza das cores do espectro solar (vermelho, laranja,
amarelo, verde, azul-celeste, azul-índigo e violeta) para restaurar o equilíbrio
físico-energético em áreas do corpo atingidas por disfunções. Cada cor tem
determinado comprimento de onda e frequência, o que propicia uma atuação diferenciada
sobre o organismo humano. ESPECIALISTA CONSULTADA: Cleonice Antunes Ferreira Maluf,
cromoterapeuta holística.
FITOTERAPIA: Utiliza-se do poder medicinal das plantas para curar e prevenir doenças e
desequilíbrios orgânicos. ESPECIALISTA CONSULTADA: Paula Ferrari, fitoterapeuta e
engenheira agrônoma.
MEDICINA CHINESA: Terapia holística baseada no empirismo. Defende que nenhuma doença
pode ser compreendida se não estiver relacio-nada ao contexto. ESPECIALISTA CONSULTADO:
Lo Der Cheng, cardiologista pós-graduado em Medicina Tradicio-nal Chinesa na Universidade
de Beijing.
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