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Comer, beber, viver


Descobertas da ci�ncia ajudam na hora de escolher o que incluir e o que tirar do card�pio para melhorar a sa�de

A sabedoria popular ensina que as pessoas s�o o que comem. Agora, a ci�ncia est� assinando embaixo. Os cientistas est�o identificando - um a um - os componentes respons�veis por esses benef�cios. E o que j� se descobriu sobre os efeitos dos alimentos para a mulher � suficiente para planejar uma dieta que atenda aos pedidos do organismo.

Nutrientes indispens�veis para a mulher
Garanta a presen�a das vitaminas e dos minerais fundamentais para a sa�de feminina na sua alimenta��o di�ria

Nutriente: Vitamina A e betacaroteno
Algumas fun��es: regenara��o dos tecidos, fortalecimento do sistema de defesa do organismo
Fontes alimentares: leite e derivados, peixes, f�gado, �leos. Betacaroteno nos vegetais de cor amarela, alaranjada e verde-escuro

Nutriente: Vitamina B 6
Algumas fun��es: participa��o no controle dos sintomas da tens�o pr�-mentrual
Fontes alimentares: ovo, f�gado, farelo de trigo, rins, soja, mel�o, aveia, amendoim e nozes

Nutriente: �cido f�lico (ou Vitamina B 9)
Algumas fun��es: participa��o nos mecanismos de multiplica��o das c�lulas
Fontes alimentares: folhas verdes, br�colis, espinafre, laranja, aspargo, trigo, arroz integral, levedo de cerveja

Nutriente: Vitamina C
Algumas fun��es: fortalecimento das defesas do corpo, melhora da absor��o de ferro
Fontes alimentares: frutas c�tricas, abacaxi, laranja, caju, acerola, goiaba, tomate, morango, couve-flor

Nutriente: Vitamina D
Algumas fun��es: participa��o no aproveitamento de c�lcio
Fontes alimentares: gema de ovo, leite, �leo de f�gado de bacalhau, margarina, manteiga, sardinha

Nutriente: Vitamina E
Algumas fun��es: aux�lio na forma��o das gorduras; preven��o de radicais livres
Fontes alimentares: cereais integrais, g�rmen de trigo, espinafre, ovos, castanhas, soja, br�colis

Nutriente: C�lcio
Algumas fun��es: manuten��o �ssea, preven��o da osteoporose, participa��o no controle da press�o arterial
Fontes alimentares: leite, queijos, iogurtes, sorvetes, br�colis, feij�o, peixe e nozes

Nutriente: Ferro
Algumas fun��es: preven��o da anemia
Fontes alimentares: f�gado, carnes, feij�o e vegetais verdes-escuros

Nutriente: Zinco
Algumas fun��es: atua��o no metabolismo dos a��cares, fortalecimento da resist�ncia imunol�gica
Fontes alimentares: cereais integrais, nozes, sementes, ostras, f�gado

Fonte: nutricionista Maria Luiza Ctenas / C2 Editora e Consultoria em Nutri��o

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As pesquisas apontam, por exemplo, que � o c�lcio - essencial para a manuten��o dos ossos e preven��o da osteoporose - o mineral mais deficit�rio no organismo feminino. "A maioria das mulheres dificilmente ingere os 1000 mg di�rios recomendados", alerta a nutricionista Maria Luiza Ctenas, da C2 Editora e Consultoria em Nutri��o. Como a melhor fonte de c�lcio � o leite e seus derivados, a recomenda��o � servir-se de tr�s por��es por dia. A monotonia � mesa pode ser quebrada com o aux�lio de alimentos enriquecidos com c�lcio (como leites especiais) e, se for o caso, suplementa��o. O excesso de sal e de prote�nas de origem animal prejudica o aproveitamento do mineral, assim como laxantes, diur�ticos e a cafe�na (presente no caf�, bebidas � base de cola, ch� preto e chocolate). Outra estrela da dieta feminina � o �cido f�lico, uma vitamina do complexo B. Sua falta � frequente e est� entre a principais causas de malforma��es cong�nitas da medula �ssea do feto. Dada sua import�ncia, a suplementa��o para prover os 400 microgramas di�rios foi aprovada para mulheres em idade f�rtil pela Food and Drugs Administration (FDA) organismo americano que regulamenta alimentos e medicamentos. O mineral est� presente em pequenas quantidades principalmente em vegetais folhosos.

Envelhecimento -
A lista de nutrientes reivindicados pelo organismo feminino, segundo a especialista Margo Woods, da Tufts University, em Boston (citada no livro O corpo da mulher, Ed. Campus), inclui tamb�m as vitaminas antioxidantes A, C, E, a vitamina B6 (piridoxina), zinco e ferro. Al�m de cumprir fun��es importantes no metabolismo, as vitaminas antioxidantes - alguns tipos encontrados hoje at� em biscoitos enriquecidos - protegem as c�lulas da a��o dos radicais livres, mol�culas em desequil�brio que aceleram o envelhecimento. E muitos ginecologistas recomendam doses extras das vitamina A e B6 (piridoxina) e do mineral magn�sio no per�odo pr�-menstrual para diminuir a reten��o de l�quidos e sintomas como a irritabilidade e dor de cabe�a. Diminuir a dose de gordura no card�pio feminino � mais uma estrat�gia lucrativa. "As gorduras devem representar entre 25% e 30% das calorias totais", explica Maria Luiza. Estudos indicam, por exemplo, que a gordura � a fonte de 34% das calorias consumidas diariamente pelos americanos. Mas basta pensar um pouco no card�pio di�rio para fazer modifica��es simples, tirando os excessos e melhorando o tipo de �cidos graxos (o outro nome das gorduras) levados boca adentro, com bons ganhos para a sa�de. A medicina aconselha, para o bem das art�rias e das veias, que dois ter�os da cota di�ria de gorduras sejam do tipo polinsaturado (encontrado em �leos vegetais, nos peixes de �guas profundas, como o salm�o e em leites enriquecidos) e monoinsaturado (presente no azeite de oliva e �leo de canola). Em vez de acrescentar mais colesterol como fazem as gorduras de origem animal, os �cidos graxos do azeite de oliva e o �mega 3 dos peixes e alimentos enriquecidos, por exemplo, diminuem o mau colesterol, assim como as fibras. "Ajustar o card�pio melhora a sa�de em qualquer idade", assegura a nutricionista Maria Luiza.

Os males da nossa alma
Jornada tripla de trabalho, padr�es de beleza inating�veis e outras cobran�as tornam as mulheres mais vulner�veis a doen�as como depress�o, ansiedade e stress

Os poetas costumam afirmar que n�o h� nada mais misterioso do que a alma feminina. Um pouco de exagero talvez. Mas � verdade que a alma da mulher tem meandros �s vezes incompreens�veis aos olhos do mundo e aos seus pr�prios. � a tristeza que surge aparentemente sem motivo, � a impaci�ncia que beira o insuport�vel �s v�speras da menstrua��o, � o choro que vem f�cil diante de mais uma tarefa que parece imposs�vel no trabalho. Ainda h� quem chame isso de fragilidade. Pura bobagem. Motivos n�o faltam para que a mulher viva nessa montanha-russa emocional. A come�ar pelo sobe-e-desce dos horm�nios, que a acompanha todo m�s, interferindo nos seus humores. Somadas a essa caracter�stica inexor�vel, h� a press�o pelo desempenho impec�vel na empresa, a cobran�a pelo corpo perfeito, pela m�e presente, pela mulher imbat�vel na cama. Esse redemoinho de altera��es e cobran�as torna a mulher mais vulner�vel �s chamadas doen�as da alma - depress�o, ansiedade, stress, anorexia e bulimia. Estima-se que a incid�ncia da depress�o seja duas vezes maior em mulheres do que em homens. Um estudo feito pelo instituto de pesquisa americano Roper Starch Worldwide mostrou que h� 20% mais mulheres estressadas do que homens. E anorexia e bulimia, dist�rbios de alimenta��o causados pela obsessiva meta de perder peso, predominam entre as mulheres. Apesar de sombrio, � importante saber que esse quadro pode mudar. Conhecer melhor esses males � o primeiro passo.

Stress

Lembrar-se de que at� Deus precisou descansar no s�timo dia � uma dica para quem quer evitar ou sair do stress, problema caracterizado pelo excesso de adrenalina, horm�nio cuja fun��o � preparar o organismo para se defender. Quando a quantidade � moderada, os especialistas chamam de fase de alerta. "Ela acontece quando, por exemplo, acaba o combust�vel do carro e voc� est� sozinha procurando um posto de gasolina. De repente, voc� encontra uma pessoa estranha. Automaticamente seus m�sculos se preparam para correr", explica a psic�loga Marilda Lipp, diretora do Centro Psicol�gico de Controle do Stress. "O que � prejudicial � sa�de � se esse estado de alerta se prolonga. A pessoa entra na segunda fase, a de resist�ncia", diz.

Acordar cansado e ter lapsos de mem�ria imediata s�o pontos de identifica��o desse est�gio. Nas mulheres, ocorrem tamb�m hipersensibilidade emotiva, corrimentos e interrup��o do fluxo menstrual. Como tratamento, h� a terapia, que ensina a lidar e se adaptar �s situa��es. Rem�dios para as doen�as causadas pelo stress tamb�m s�o receitados - antidepressivos, no caso de depress�o, por exemplo. Mas nada disso far� efeito se n�o houver mudan�as de h�bito: deitar cedo, dan�ar, praticar esportes, ir ao cinema. Aprender t�cnicas de relaxamento e fazer massagens, ioga e tai chi chuan tamb�m s�o aconselhados.
O QUE �: Estado caracterizado por excesso de adrenalina (horm�nio que prepara o corpo para se defender). Quando prolongado, pode levar a outras patologias, como �lceras ou depress�o.
CAUSAS: Problemas financeiros, profissionais, doen-�as, uso de �lcool, agita��o, inseguran�a.
SINTOMAS: M�sculos enrijecidos (normalmente os ombros se elevam), acelera��o dos batimentos card�acos, ins�nia, falta de apetite, irritabilidade.
GRUPOS DE RISCO: Pessoas muito competitivas, perfeccionistas, viciadas em trabalho, com tend�ncia ao isolamento, quem n�o sabe dizer n�o, quem tem contato direto com o p�blico ou grande responsabilidade e pouca autonomia para decidir.
TRATAMENTOS: Psicoterapia, massagens, t�cnicas de relaxamento e rem�dios quando necess�rio.

Anorexia e bulimia
Controlar a alimenta��o para n�o ganhar peso � saud�vel, mas ficar abaixo do peso recomendado para altura e idade e ainda por cima preocupada em n�o ganhar um grama � doen�a. Esse � o problema de muitas jovens e adolescentes que sofrem dos transtornos alimentares (bulimia e anorexia). As v�timas da bulimia normalmente t�m de 20 a 30 anos. Primeiro, elas comem muito de uma vez s� e depois provocam v�mitos ou se exercitam at� a exaust�o para emagrecer. O problema atinge nove mulheres para cada homem e cerca de 4% da popula��o feminina. J� a anorexia pode come�ar como uma inocente dieta e terminar em completa aus�ncia de apetite. A doen�a afeta de 0,5% a 1% da popula��o e 95% dos pacientes s�o adolescentes. "Um dos fatores que levam a mulher a ser a principal v�tima desses transtornos est� relacionado � criminosa cultura das dietas e o conceito de que apenas as magras s�o belas e bem-sucedidas", afirma T�ki Cord�s, coordenador geral do Ambulat�rio de Bulimia e Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl�nicas de S�o Paulo (Ambulim). N�o existe preven��o para esses transtornos e o ideal � que as fam�lias prestem aten��o ao comportamento das jovens. Segundo Cord�s, cerca de 60% das pacientes de bulimia se curam. No caso da anorexia, os �ndices de recupera��o s�o menos otimistas: cerca de um ter�o se cura, um ter�o melhora e um ter�o torna-se doente cr�nico.

BULIMIA:
O QUE �: Depois de ingerir muita comida, a mulher provoca v�mitos.
SINTOMAS: Dor de est�mago, cansa�o, desmaios, n�useas, diarr�ia, irregularidade menstrual, depress�o (� importante lembrar que os epis�dios devem acontecer duas vezes por semana durante tr�s meses seguidos).

ANOREXIA:
O QUE �: A jovem se nega a manter o peso ideal para sua idade e altura e usa recursos para emagrecer cada vez mais.
SINTOMAS: Pele seca, queda de cabelo, olhos fundos, press�o baixa, depress�o, irritabilidade, obsess�o por exerc�cios f�sicos, perda excessiva de peso em per�odos curtos.
CAUSAS DOS DOIS DIST�RBIOS: Obsess�o em se enquadrar dentro do padr�o de beleza, predisposi��o gen�tica e psicol�gica e influ�ncia familiar.
GRUPOS DE RISCO: Adolescentes de 12 a 20 anos (anorexia), jovens de 20 a 30 anos (bulimia), j�queis, estudantes de Nutri��o e de Educa��o F�sica, atletas, bailarinas, modelos, quem j� sofreu transtornos alimentares.
TRATAMENTO PARA OS DOIS DIST�RBIOS: Deve ser feito por equipe multidisciplinar (psic�logo, nutricionista, terapeuta ocupacional, cl�nico geral). N�o h� medica��o espec�fica para anorexia. No caso da bulimia, antidepressivos ajudam. Paciente e fam�lia devem fazer terapia.

Depress�o
� natural ficar triste com a morte de um parente querido. Mas isso n�o deve impedir que a vida continue, certo? Nem sempre. Em alguns casos, a pessoa n�o consegue sair do estado de tristeza. "A vida perde a gra�a e o deprimido se isola", resume o neuropsiquiatra Rubens Pitliuk, de S�o Paulo. O tratamento muitas vezes requer medica��o, que depender� do tipo de depress�o, da personalidade e do hist�rico familiar. Segundo Pitliuk, o importante � levar o tratamento at� o fim para evitar reca�da. Quando ela acontece, a chance de apresentar nova crise � de 70%.

O QUE �: Estado melanc�lico que dura, no m�nimo, duas semanas e pode se estender por muitos anos.
CAUSAS: Desequil�brio na quantidade de subst�ncias que fazem a comunica��o entre os neur�nios, em especial a serotonina e a noradrenalina, predisposi��o gen�tica ou de personalidade, incapacidade de lidar com situa��es dif�ceis, traum�ticas ou frustrantes e parto.
SINTOMAS: Incapacidade de sentir alegria, des�nimo, apatia, dificuldade de concentra��o, perda do apetite sexual, movimentos lentos ao falar e andar, dificuldade de tomar decis�es, pensamento recorrente sobre morte e tentativas de suic�dio, dist�rbios do so-no, interpreta��o negativa da realidade.
GRUPOS DE RISCO: Mulheres de 30 a 50 anos, filhos de m�es (10% de chance) e pais depressivos (30% de risco), perfeccionistas, usu�rios de drogas para emagrecer, anor�xicas, portadores de transtorno obsessivo compulsivo, s�ndrome do p�nico ou timidez.
TRATAMENTO: Antidepressivos e terapia

DEPRESS�O P�S-PARTO:
Depois do nascimento do beb�, muitas mulheres sofrem do blues puerperal, uma tristeza profunda que afeta entre 50% e 80% das mulheres entre o terceiro e o d�cimo dia p�s-parto. Os principais sintomas s�o: tristeza, explos�es de choro sem motivo, sensa��o de incapacidade de cuidar do beb�, sentimento de culpa. Em geral, desaparece naturalmente. Cerca de 15% das mulheres, no entanto, sofrem de depress�o p�s-parto. Elas perdem o interesse e o prazer de viver, t�m altera��o do sono e de apetite e muitas vezes rejeitam o beb�. Se os sintomas durarem mais de duas semanas, � importante procurar ajuda, segundo a psiquiatra M�rcia Britto, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl�nicas de S�o Paulo. O tratamento � feito com terapia e medicamentos.

Ansiedade
A ansiedade pode ser doen�a quando a preocupa��o � desproporcional aos fatos, incontrol�vel e vem acompanhada de sintomas f�sicos como taquicardia, ins�nia, sudorese, boca seca e n�usea. Entre os dist�rbios graves de ansiedade, est�o: transtorno de p�nico e o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). De acordo com M�rcio Bernik, coordenador do Ambulat�rio de Ansie-dade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl�nicas de S�o Paulo, as pessoas cujo perfil se enquadra nos grupos de risco devem ficar bastante atentas aos principais sinais do problema. As formas de tratamento variam. Geralmente s�o usados antidepressivos, tranquilizantes e psicoterapia. "A medica��o � indicada at� o de-saparecimento dos sintomas, com manuten��o por mais de um ano", explica. Ap�s a suspens�o dos rem�dios, 80% dos pacientes que sofrem de transtorno de p�nico podem voltar a apresentar os sintomas.

TRANSTORNO DE P�NICO:
O QUE �: Caracterizado por crises de p�nico que se repetem de maneira inesperada, com sensa��o de mal-estar e perigo ou de morte iminente.
SINTOMAS: Falta de ar, tontura, m�os geladas, taquicardia, formigamento. Os sintomas duram alguns minutos e a crise passa em at� 40 minutos. A maior parte das v�timas s�o mulheres dos 22 aos 44 anos.
CAUSAS: As crises podem ser desencadeadas pelo uso de estimulantes (coca�na, rem�dios para emagrecer), varia��es hormonais da fase pr�-menstrual e stress.
GRUPOS DE RISCO: Estressadas, mulheres a partir da adolesc�ncia at� os 35 anos (principalmente no pr�-menstrual e p�s-parto), hereditariedade e dependentes de �lcool.
TRATAMENTO: Antidepressivos e terapia comportamental.

O tempo n�o � sempre um vil�o
Mente e corpo ativos s�o decisivos para a sua qualidade de vida amanh�

Pense em voc� com mais de 70 anos. Certamente ningu�m se imagina com dores nas articula��es, tremores ou problemas para andar. Mas a verdade � que a idade avan�ada traz consigo o risco progressivo de manifesta��o de doen�as como a artrite, a artrose e o mal de Alzheimer. Envelhecer, entretanto, n�o � a senha para que essas doen�as se instalem. Quem se cuida e investe na pr�pria independ�ncia tem maiores chances de escapar de algumas doen�as ou de ter sintomas mais amenos. Segundo um estudo da Universidade Federal de S�o Paulo (Unifesp), a autonomia emocional e financeira � um dos fatores mais importantes para a manuten��o da sa�de f�sica e mental na terceira idade e para diminuir os riscos de sofrer dos males abaixo.

OSTEOPOROSE
Um ter�o das mulheres desenvolver� depois da menopausa a osteoporose, doen�a caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos. Agravada pela falta de estr�geno na menopausa - o horm�nio feminino � indispens�vel para a renova��o �ssea -, a doen�a fragiliza o osso e causa fraturas principalmente nas v�rtebras e nos quadris. Segundo estat�sticas, aos 60 anos, 30% das mulheres apresentam fraturas nas v�rtebras. Aos 80 anos, um ter�o das mulheres e um sexto dos homens quebram os quadris - metade deixa de andar e 25% morrem seis meses depois por embolia ou infec��es. "� preciso fazer o diagn�stico precocemente, pois a doen�a costuma ser descoberta s� quando acontece uma fratura", diz o reumatologista Jos� Goldenberg. Os exames para detec��o precoce em geral come�am aos 45 anos, com testes para medir a massa �ssea (densitometria �ssea). Tamb�m � importante ter alimenta��o rica em c�lcio (leite, seus derivados, peixes e verduras), tomar sol (favorece a absor��o da vitamina D) e fazer atividade f�sica leve. No climat�rio, a reposi��o hormonal ajuda a prevenir a doen�a. "O uso de horm�nios deve ser recomendado ap�s avalia��o ginecol�gica", alerta o geriatra F�bio Nasri. Uma das �ltimas novidades em rem�dios � o raloxifeno, que, bem indicado para mulheres, reduz � metade a incid�ncia de fraturas decorrentes da osteoporose na p�s-menopausa.

ARTRITE
� uma inflama��o das articula��es que causa dores, perda de movimentos, de massa e de for�a muscular. Ainda n�o se sabe por que as mulheres s�o mais vulner�veis � doen�a. Uma das suas formas mais comuns � a artrite reumat�ide, que atinge, em m�dia, tr�s mulheres para cada homem. Ela dificulta os movimentos das m�os, punhos, cotovelos e joelhos. A finalidade do tratamento � aliviar a dor, melhorar a mobilidade e recuperar as articula��es, explica Em�lia Sato, presidente da Associa-��o Brasileira de Reumatologia. Como a doen�a � cr�nica e se manifesta em surtos, nas fases sem sintomas n�o h� necessidade de medica��o. "Outros recursos importantes s�o a fisioterapia e a terapia ocupacional com aparelhos e palmilhas para manter a fun��o das articula��es", indica o reumatologista Jos� Goldenberg.

ARTROSE
Tamb�m chamada de osteoartrose, � uma doen�a degenerativa em que ocorrem les�o e perda das cartilagens - tecido flex�vel que reveste os ossos dentro da articula��o. Esse processo pode levar � deforma��o das articula��es. � outro tipo de reumatismo frequente entre as mulheres. N�o se sabe ao certo sua origem, mas predisposi��o gen�tica, altera��es do sistema de defesa e fatores mec�nicos (traumatismos e les�es) est�o entre as principais causas. Os cuidados variam com o caso. "Podem-se associar exerc�cios � medica��o ou, em casos extremos, indicar tratamentos com cortisona, sempre com cuidado por causa dos efeitos adversos, como incha�o", esclarece Goldenberg. Atualmente, utilizam-se analg�sicos, antiinflamat�rios e at� cirur-gias para coloca��o de pr�teses no lugar das cartilagens desgastadas. As esperan�as est�o voltadas para os resultados de estudos com novas drogas orais e injet�veis com o poder de restaurar as cartilagens.

MAL DE ALZHEIMER
� mais comum � medida que a idade avan�a, atingindo 0,6% da popula��o acima de 65 e 69 anos e cerca de 25% dos pessoas com mais de 80 anos. A doen�a � consequ�ncia da perda progressiva de neur�nios (c�lulas do c�rebro), provocando dem�ncia, diminui��o da mem�ria e preju�-zo da orien-ta��o temporal e espacial. Mulheres de idade avan�ada, pessoas que tiveram les�es durante o parto ou sofreram traumatismos cranianos graves t�m mais chances de manifestar o problema. O mal de Alzheimer vitima cerca de tr�s vezes mais mulheres do que homens pelo simples fato de que as mulheres vivem mais. "Os descendentes de pessoas com Alzheimer e que t�m a propens�otendem a manifestar os sintomas mais precocemente", alerta o neurologista cl�nico Paulo Monzillo, do Hospital Israelita Albert Einstein, de S�o Paulo. Pessoas que mant�m o c�rebro ocupado com leituras, estudo regular ou outras atividades que fa�am pensar aumentam a prote��o. "Elas t�m maior quantidade de circuitos neuronais ativos, criando um tipo de "reserva cerebral", explica Monzillo. Como n�o existem m�todos que permitam o diagn�stico definitivo, os m�dicos avaliam o avan�o dos sintomas de dem�ncia por meio de testes neuropsicol�gicos e exames que medem a irriga��o sangu�nea do c�rebro. O mal de Alzheimer n�o tem cura definitiva, mas os rem�dios usados no tratamento melhoram a mem�ria e retardam a progress�o da doen�a.

MAL DE PARKINSON
A doen�a � uma perda progressiva das habilidades motoras causada pela falta do neurotransmissor dopamina - uma das subst�ncias que fazem a comunica��o entre as c�lulas nervosas, envolvida na realiza��o de alguns movimentos autom�ticos do corpo, como andar e escrever. Os sintomas da doen�a, de maior incid�ncia ap�s os 55 anos, s�o tremores de repouso, rigidez muscular, redu��o da velocidade dos movimentos, dist�rbios do equil�brio e da marcha. O tratamento mais usado � a reposi��o da dopamina, que atenua os tremores e a dificuldade de andar. Alguns pacientes com menos de 60 anos podem ser submetidos, com bons resultados, � cirurgia para estimula��o de regi�es cerebrais para diminuir ou acabar com os principais sintomas da doen�a. A mais nova arma para tratar o mal de Parkinson, entretanto, consiste na coloca��o de um eletrodo nas partes do c�rebro respons�veis pelos sintomas. Ligado a um pequeno aparelho, o eletrodo descarrega impulsos el�tricos para regular o funcionamento dos circuitos nervosos. At� hoje n�o se descobriram os motivos que levam uma pessoa a desenvolver a doen�a. Mas os avan�os na medicina permitem que os pacientes possam levar uma vida praticamente normal e retardar a progress�o da doen�a, quando medicados corretamente.

INCONTIN�NCIA URIN�RIA
Aproximadamente 20% das mulheres com idade entre 20 e 65 anos t�m algum grau de perda involunt�ria da urina. O desencontro entre o funcionamento da bexiga e o esf�ncter da uretra (m�sculo que controla a libera��o ou reten��o da urina) pode ser causado por infec��es, disfun��es nervosas, enfraquecimento dos m�sculos causado pela obesidade, parto natural ou idade avan�ada. Nos casos de incontin�ncia urin�ria por esfor�o (perda depois de movimento brusco ou correr, espirrar, andar), se o escape for leve h� chances de corre��o com exerc�cios para refor�ar a musculatura da uretra. Tamb�m se pode recorrer a medicamentos para estimular o t�nus muscular, tomados diariamente. Metade das mulheres com incontin�ncia possui a bexiga hiperativa (contra��o fora de hora), tratada com medicamentos para diminuir essas contra��es anormais. "A reposi��o hormonal tamb�m exerce papel importante na preven��o do problema porque melhora o t�nus dos tecidos da uretra e bexiga", segundo o urologista Lu�s Augusto Rios, chefe do setor de Urologia Feminina do Hospital do Servidor P�blico, de S�o Paulo. Um dos m�todos mais eficazes para a corre��o da incontin�ncia urin�ria � a cirurgia conhecida por sling, que consiste na coloca��o de um suporte por baixo da uretra da paciente para bloquear os escapes de urina. Com chances de 90% de sucesso nas mulheres, o sling tradicional usa tecidos tirados da musculatura abdominal da paciente. Mas j� foi desenvolvida uma nova t�cnica para realizar a opera��o com n�ilon, igualmente eficaz.

Efeito domin�
Parentes e amigos tamb�m se beneficiam da decis�o de adquirir h�bitos saud�veis e melhorar a disposi��o

Nunca homens e mulheres tiveram � disposi��o tanta tecnologia para tratar as doen�as. Jamais, por�m, essa mesma medicina que inventou f�rmulas e equipamentos t�o sofisticados insistiu tanto no ensinamento de que a melhor receita para uma boa sa�de � o pr�prio modo de vida. Simples como um ovo de Colombo. H�bitos saud�veis, pessoas saud�veis. E as mulheres n�o s� est�o saindo na frente em busca desse estilo como acabam levando com elas quem estiver por perto. "Cerca de 70% a 80% dos que me procuram para mudar seus costumes s�o mulheres. Elas t�m mais consci�ncia, se questionam mais e influenciam as pessoas", assegura o escritor e terapeuta corporal S�rgio Savian, diretor do Movimento Mudan�a de H�bito, de S�o Paulo.

De fato, acompanhar de perto as mudan�as que a ado��o de h�bitos causa em algu�m � fascinante. Um obeso envergonhado torna-se alegre. A pele sem vi�o de um fumante ganha brilho. O corpo sem defini��o de um sedent�rio transforma-se numa silhueta atraente. � quase inevit�vel que, quem est� do lado, seja acometido de uma vontade louca de embarcar nesse novo ideal de vida. Dessa forma, quem muda provoca um formid�vel efeito domin�.

Foi o que aconteceu com a estudante Tatiana Pereira, 19 anos, fumante desde os 15. Ela achava que n�o sobreviveria sem o cigarro. "Mas um dia achei que havia chegado a hora e parei definitivamente." Empolgada com a atitude da filha, a artista pl�stica Mara Piccinin Pereira, 46 anos, decidiu acompanh�-la. Mara ensaiou algum tempo, mas s� deixou de fumar depois que seu irm�o teve um infarto. "A m�dica disse que, se ele n�o fosse fumante, o ataque n�o teria sido t�o grave", diz ela. O susto mais a boa vontade da filha a levaram a tomar a decis�o que ela adiou por 29 anos. "Os primeiros dias foram dif�ceis. Sentia uma vontade muito forte", conta Mara. Juntas, as duas venceram o v�cio e saboreiam os benef�cios da decis�o - mais f�lego no pulm�o, pele mais brilhante e sensa��o de vit�ria.

A analista de recursos humanos, Marialva Marques, 34 anos, � outra mulher que virou do avesso a pr�pria vida e influenciou muita gente. Obesa, Marialva sofria de depress�o, sentia-se insatisfeita e sozinha. "Estava entrando em um quadro de compuls�o alimentar. S� quando minha condi��o se tornou incontrol�vel, vi que deveria alterar meus h�bitos", conta. Ela procurou os Vigilantes do Peso e, uma semana depois, tinha perdido tr�s quilos e meio. Hoje, quase um ano depois, tem 30 quilos a menos. "Antes, subir uma rua �ngreme era um mart�rio, agora fa�o caminhadas no m�nimo tr�s vezes por semana", conta.

Reviravolta
Depois de tantas transforma��es, seis amigos de Marialva j� procuraram ajuda nos Vigilantes do Peso. A estudante de Administra��o Dolores Carpena, 20 anos, foi uma delas. Na sua pr�pria reviravolta, ela emagreceu um quilo e meio em duas semanas de tratamento. "Voltei a comer legumes e verduras e passo longe dos fast-foods", declara. Nessa corrente, entrou tamb�m a advogada Silvia Frange, 23 anos. "Depois que vi a Marialva t�o magrinha, resolvi procurar os Vigilantes", afirma. H� quatro meses Silvia pesava 106 quilos. Hoje, comemora 13 quilos a menos.

Vontade
Mudar o comportamento, no entanto, exige vontade. "A pessoa deve ter paci�ncia, disciplina e eleger metas", explica a fisiologista e nutr�loga Claudia C�sar, coordenadora do Programa de Tratamento da Obesidade da Universidade de S�o Paulo. A estudante de Decora��o Roberta de Andrade, 17 anos, sabe bem do que Claudia est� falando. Em 1997 ela buscou ajuda no programa coordenado pela nutr�loga. Quando come�ou o tratamento, Roberta tinha 112 quilos. No fim daquele ano, chegou a 95 quilos. A mudan�a pegou Roberta de surpresa. "Achei que poderia continuar emagrecendo sozinha e abandonei o tratamento", diz. Depois disso, entrou em depress�o, engordou e, este ano, voltou para o programa. Em suas idas e vindas, Roberta incentivou a m�e, Margarida Houf de Andrade, 45 anos, a modificar seus h�bitos alimentares e hoje as duas frequentam o programa. Margarida come�ou em maio e, em dois meses, emagreceu um quilo. "Passamos a comer mais verduras e legumes e paramos de ir ao McDonalds", conta Roberta.

J� a empres�ria T�nia Poppa, 46 anos, colocou todos em casa para correr. F� de exerc�cios f�sicos desde a adolesc�ncia, depois que seu segundo filho nasceu ela come�ou a correr. "Meu marido achou que estava maluca, mas depois que participei da primeira competi��o ele ficou emocionado e decidiu me acompanhar", lembra. Carla, 19 anos, filha mais velha da empres�ria, tamb�m aderiu ao esporte dos pais. Todos os domingos os tr�s correm na Cidade Universit�ria, em S�o Paulo. Ganham mais sa�de e tamb�m mais uni�o.

 

Virada total
Alguns passos para mudar de h�bitos - e escolher os mais saud�veis

N�o se fa�a de v�tima da situa��o
- Tem gente que s� consegue diferenciar se um h�bito � bom ou ruim se distanciando de seu dia-a-dia. Viajar ou fazer uma terapia possibilita que a pessoa avalie seus costumes
- Calcule quanto tempo, dinheiro e sa�de lhe custam um h�bito ruim
- Prepare-se para enfrentar algum transtorno. Toda mudan�a provoca rea��es f�sicas e emocionais
- N�o desista antes do tempo. Trinta dias � um bom per�odo para que a nova situa��o seja assimilada e d� prazer
- Durante o processo, valorize sua atitude, sinta-se uma vitoriosa
- Perdoe suas reca�das. Tenha bom humor e, assim que poss�vel, retome o processo

 

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