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Ensaios Experimentais de Psicologia
Ambiental . AQUÍFERO GUARANÍ PRESERVAÇÃO AMBIENTAL Afonso H Lisboa da Fonseca, psicólogo. Água, és o que nos traz vida. Os Vedas. O
Aqüífero Guaraní
é uma dessas abundantes dádivas da natureza. Mas uma mega
dádiva. Um mar de água doce subterrâneo, em sua maior parte no subsolo do
Centro-Oeste, do Centro-Sul e Sul do Brasil; abrangendo áreas significativas,
também, do subsolo da Argentina, do Uruguay e do Paraguay. Em
alguns lugares as águas do Aqüífero Guarani afloram à superfície. Em outros
ele pode ter até 1500m de profundidade, ou até mais. Assim, o Aqüífero
Guarani se situa numa área subterrânea entre estados do Centro-Oeste e do
Centro-Sul do Brasil, que, na superfície, abrange mais da metade da
superfície do estado do Mato Grosso do Sul, mais ou menos um terço do estado
de Goiás, toda a superfície do Triângulo Mineiro, mais da metade da
superfície do Estado de São Paulo, mais da metade da superfície do Estado do
Paraná, metade da superfície do Estado de Santa Catarina, metade da
superfície do Estado do Rio Grande do Sul, algo do subsolo do Mato Grosso; e
subsolo de milhares de quilômetros da superfície do Uruguay,
da Argentina e do Paraguay. O
maior reservatório de água doce subterrânea do mundo. O
Aqüífero Guarani -- que recebeu este nome porque está situado no sub-solo da região geográfica onde se localizou a
República sobrevivente dos Índios Guaranis, dizimados pela colonização --, se
formou em tempos remotos da geogênese. É uma estrutura
geológica dinâmica, que acumula imensidões de água pura; e que, ao mesmo
tempo em que perde, inevitável e sazonalmente, as suas águas, através da
tributação a cursos de água da superfície, e pelo consumo humano, é
reabastecido sazonalmente, também, pelas recargas decorrentes dos ciclos
geológico das águas. Existe assim um equilíbrio dinâmico de descarga e
recarga sazonal das águas do Aqüífero. Para
isso, ele tem afloramentos na superfície, que são pontos específicos desta
recarga. E, pontos igualmente de vulnerabilidade do aquífero,
na medida em que esses pontos de recarga podem ser também pontos por onde a
poluição, e a contaminação ambiental podem adentrar a sua pureza interior.
Estes pontos de recarga são assim pontos de sua vulnerabilidade, porque
através deles o aqüífero pode ser contaminado e/ou poluído. O
uso humano irracional de suas águas pode, também, alterar o equilíbrio de
seus ciclos de exaustão e de recarga. Em particular, quando consideramos que
na superfície de áreas de abrangência do Aqüífero Guarani se situam grandes
centros urbanos, como os do interior de São Paulo, do Triângulo Mineiro, de
Santa Catarina, do Paraná e do Rio Grande do Sul. Da mesma forma que se
situam enormes plantações, como as plantações de cana de Ribeirão Preto, e as
plantações de Soja, e outras. Que podem, pelo uso irracional, não
sustentável, de águas para a irrigação, alterar a dinâmica dos ciclos de
carga e descarga, e jogar agrotóxicos, inseticidas, fertilizantes, etc. para
dentro do aqüífero, através de suas áreas de recarga. O
desconhecimento é o problema e risco maior para o
Aqüífero Guarani. Na medida em que potencializa um uso irracional e
predatório de suas águas. O desconhecimento impede uma compreensão pelas
pessoas, e pela sociedade, da monumentalidade de
sua importância, de seus riscos, e da necessidade da política de uma proteção
ambiental, e de desenvolvimento sustentável. Podemos preservar por milênios o
Aqüífero Guaraní, e desfrutar de suas águas por
gerações e gerações, se não o poluirmos, e se compatibilizarmos a sua
proteção com um desenvolvimento sustentável. O
aqüífero se formou nos tempos geogênicos da terra.
No tempo em que os continentes primitivos -- blocos unificados de todos os
continentes do planeta -- se fragmentavam, no que mais ou menos veio a
configurar os continentes atuais, com a separação final das regiões do que
hoje são o litoral da África e o Litoral do Nordeste do Brasil. Na
região da superfície onde hoje está o aqüífero havia um imenso deserto, um
deserto ainda maior do que o deserto do Saara. A atividade geogênica constituía intensa atividade vulcânica e
cataclísmica. De modo que toda a região do deserto começou a ser subvertida,
e suas areias foram progressivamentea afundando,
para o que viria ser o subsolo, num período de Essa
rocha arenítica, decorrente de areia, é
intensamente porosa, e permite uma enorme capacidade de armazenamento de
água. Nas proporções geológicas que ela se formou no subsolo da região do
aqüífero, constituiu o imenso reservatório de água doce, sazonalmente
abastecido e reabastecido, por centenas de milênios, pelas águas de
superfície, no subsolo das imensas regiões do Mato Grosso do Sul, Mato
Grosso, Goiás, Minas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul; e
regiões da Argentina, Uruguay e Paraguay... Todo
esse processo de formação ocorreu há cerca de 250.000.000 de anos.
Constituído o aqüífero, ele manteve por todo esse tempo a dinâmica de
descarga e recarga de seu equilíbrio monumental. Nos últimos, e parcos, 200
anos, acelerou-se o crescimento das grandes cidades, que começaram germinar
nas regiões do aqüífero há mais ou menos 300 anos. No aceleramento do
crescimento das cidades, em particular das grandes metrópoles, veio o aumento
do consumo da água do aqüífero, a poluição, as plantações, e seus pesticidas
e outros agrotóxicos. Começando a colocar em risco o equilíbrio de sua
dinâmica de descarga e recarga, pela abertura indiscriminada de poços de
abastecimento e de irrigação; e começando a colocar em risco a pureza de suas
água, pela contaminação e poluição de seus pontos superficiais de recarga;
arriscando comprometer o seu uso e desfrute por gerações sem fim, caso a sua
preservação e desenvolvimento sustentável não consiga manter as condições de
possibilidade de seu equilíbrio, e das purezas de suas águas... No
meio científico, e mesmo no meio estatal, já existe o despertar de uma
consciência ambiental e ecológica com relação ao aqüífero. Já existe o
desenvolvimento de um programa multinacional, entre Brasil, Argentina, Uruguay e Paraguay, de estudo e
de preservação, e constituição das condições de seu desenvolvimento
sustentável. Mas o desconhecimento da sociedade em geral é muito grande, e
perigoso. A consciência ambiental crítica das sociedades pode garantir o
desenvolvimento de políticas de estado, e produção cultural compatíveis com a
preservação das condições de preservação ambiental e de uso racional e
ecológico do Aqüífero Guraní. Conhecer
o Aqüífero Guarani, sua monumental realidade geo e
ecológica é uma tarefa primordial da psicologia e da educação ambiental, e da
produção cultural ecológica. (Na
região existe um outro aqüífero, o Aqüífero Botucatu, menor do que o Aqüífero
Guarani, mas igualmente de grandes proporções). Os
principais riscos que corre o Aqüífero Guarani são: ·
O
desconhecimento por parte do meio científico, dos órgãos do estado, das
instituições da sociedade civil, e da sociedade em geral; ·
A
falta, pelo desconhecimento, de uma consciência ambiental crítica, que possa
determinar políticas de estado e produção cultural que façam frente aos
riscos que corre o aqüífero, e aos desafios de sua proteção ambiental e
desenvolvimento sustentável. ·
O
risco de contaminação e poluição das águas do aqüífero, através de sua
recarga, pela poluição superficial. Indicando a premente necessidade de
proteção de seus pontos superficiais e de recarga. ·
A
superexploração das águas do aqüífero, levando ao
desequilíbrio de seus ciclos naturais, e a uma redução na disponibilidade de
água, ou a um aumento no custo da exploração. ·
As
dificuldades de articulação institucional internacional, uma vez que o
aqüífero se estende quatro países. Bibliografia
consultada: OLIVEIRA,
Cecy Aqüífero
Guraní in Com Ciência Ambiental, ano 1, nº 4, 2006 pp.50-61. PROJETO
DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO AQÜÍFERO GUARANI. www.sg-guarani.org/index/index.php.
(em 16 de Março de 2007). SECRETARIA
DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO. http://www.ambiente.sp.gov.br/aquifero/principal_aquifero.htm
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