PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO - PARTE 1

1. Concepção Filosófica e Pedagógica

Apresentação:


         A Escola de Educação Básica Francisco Mazzola orientará sua ação pedagógica administrativa e financeira através deste Projeto, documento em construção coletiva permanente, politicamente comprometido com a Proposta Curricular do Estado de S.C. e com os Parâmetros Curriculares Nacionais. Possui como princípio o Sócio - Interacionismo e como Linha Filosófica o Materialismo Histórico  Dialético. Sua ação pedagógica centra-se na linha de desenvolvimento dos Projetos Pedagógicos, abrange a contemplação dos Temas Transversais, com o objetivo de envolver o conhecimento historicamente produzido numa reflexão crítica da realidade social , na busca de cidadania. Entendemos que o ser humano é social e histórico, através de sua atividade e relação com objeto-mundo, constrói tanto o mundo como a si próprio. Consideramos que o conhecimento é patrimônio coletivo e portanto deve ser socializado.  Desta forma a escola pretende construir um espaço de socialização, sistematização e construção de um novo saber, a partir da mediação do professor visando sempre a inclusão e a diminuição da evasão e repetência.
 
5  - Filosofia da Escola
 
         Desenvolver o processo de mediação na formação de cidadãos com capacidade de pensar e agir mediante a elaboração de conhecimento científico erudito e universal.
         Pretendemos com essa filosofia a formação de um aluno crítico, autônomo e participativo. Essa concepção busca garantir os direitos e deveres preconizados pela constituição da República Federativa do Brasil nos artigos 5º 6º  e 14º, bem como os estabelecidos no estatuto da criança e do adolescente, cap IV, art 53 a 59 (anexo I), visando assim diminuir as diferenças sociais e construir uma sociedade mais humana.
 
Objetivos gerais da Escola
 
§        Instrumentalizar os alunos pelo conhecimento científico, erudito e universal visando a construção de sua cidadania.
§        Desenvolver a concepção Pedagógica Sócio-interacionista.
§        Estabelecer relações democráticas a nível de autoridade e poder na unidade escolar.
§        Realizar Capacitação para profissionais da educação sempre que se fizer necessário em nossa Escola.
 
Objetivos Específicos
 
§        Assessorar os professores na construção, desenvolvimento e execução de seus planos de Ensino e respectivos Projetos.
§        Assessorar professores no processo de avaliação e recuperação, para que esta deixe de ser meritocrática e seletiva e se tome parte integrante do processo de construção e elaboração do conhecimento.
§        Oferecer aos alunos orientação quando aos métodos de estudo, orientação profissional, orientação sexual, prevenção de drogas, programa de assistência social, ecológica… 

§        Organizar atividades culturais e de lazer com o objetivo de atrair os pais para uma participação efetiva no processo educativo da escola.
 
 
6. Marco Referencial
 
         Seguindo metodologia de DANILO GANDIM estabelecemos o Marco Referencial da escola com trabalhos de grupos seguidos de plenária. O resultado foi o seguinte:
 
Marco Situacional
 
         Começamos discutindo os problemas que afligem a humanidade e chegamos às seguintes conclusões: a força do mercado nas relações econômico - sociais, a invenção de valores que toma conta das sociedades ditas modernas, o problema da globalização e a rapidez da evolução tecnológica, tem como ponto negativo a distância cada vez maior entre pobres e ricos e como positivo a formação de uma consciência à nível mundial para a humanização de todo este processo. As sociedades capitalistas são as que mais produziram este quadro ao endeusarem o individualismo e consumismo. É preciso retomar valores como: solidariedade, fraternidade, justiça social, cidadania, coletividade, participação.
  
Marco Doutrinal.
 
         Elegemos como modelo de sociedade a DEMOCRACIA,  com a participação igualitária de todos na produção e distribuição do saber e da renda. O HOMEM como sujeito, produto e produtor de sua história, crítico e detentor do conhecimento científico. O MUNDO histórico, em constantes movimentos e transformação, assim como a sociedade que modifica-se pela ação de homens,  mulheres e  natureza. EDUCAÇÃO com relativo poder de transformação social, deve ser de boa qualidade, instrumentalizando os alunos pelo conhecimento científico  a exercer sua cidadania. CURRÍCULO como algo que supere a compartimentalização, os conteúdos fechados, priorize a produção coletiva, ensine a ler o mundo o que trabalhe com insegurança e incerteza. CONTEÚDO como algo historicamente produzido e vinculado ao processo de construção do conhecimento. ESCOLA como espaço onde se reelabore o conhecimento escolar, que produzirá a transformação social, coletiva, democrática, mesmo para os que estão fora dela.
 
A Concepção Sócio – Interacionista  


         Baseada nos trabalhos de Lev Semionóvich Vygotsky (1896-1934), sustenta que a aprendizagem deve ser entendida na sua relação com o desenvolvimento humano. Diz Vygotsky: “A tarefa real de uma analise do processo educativo consiste em descobrir o aparecimento e o desaparecimento destas linhas internas de desenvolvimento, no momento em que se verificam, durante a aprendizagem escolar. Esta hipótese pressupõe necessariamente que o processo de desenvolvimento não coincide com o da aprendizagem; o processo de desenvolvimento segue o da aprendizagem, que cria área de desenvolvimento potencial”.  
 
Zona de Desenvolvimento Proximal
 
Vygotsky desenvolveu uma abordagem inovadora para explicar a interação entre o desenvolvimento e a aprendizagem: a Zona de Desenvolvimento Proximal. Ela corresponde as funções que ainda não amadureceram na criança, mas que estão em maturação. 
         Para ele, a Zona de Desenvolvimento Proximal e um indicativo tão importante da capacidade mental das crianças quanto o Nível de Desenvolvimento Real que define o que elas já são capazes de fazer sem ajuda. 
         Enquanto o Nível de Desenvolvimento Real caracteriza o desenvolvimento de forma retrospectiva, a Zona de Desenvolvimento Proximal o faz de forma prospectiva: ela permite delinear o futuro imediato da criança e seu estado dinâmico de desenvolvimento. 
         Como você já viu, os processos de desenvolvimento não coincidem com os processos de aprendizado. Ambos começam a atuar desde o primeiro dia de vida da criança, mas nunca são realizados em igual medida ou em paralelo. Ao contrario, interagem com rupturas e transformações, sob influência das peculiaridades do meio sócio-histórico. 
 
 
Conceitos cotidianos e científicos
 
         O conhecimento é construído pela interação do sujeito com o seu meio social, mediado por um sistema de símbolos ou conceitos. 
         A formação dos conceitos se inicia na primeira infância e evolui até que as funções intelectuais superiores estejam plenamente desenvolvidas na adolescência. Nesse processo, a fala é o principal mediador. 
 
Marco operativo
 
Socialização do conhecimento
         
         Socializar o conhecimento significa garanti-lo a todos, através de políticas que zelem pela inclusão e não pela exclusão. Isto tem diversas implicações nas políticas educacionais e nas posturas dos educadores. 
         A História mostra que existe uma relação direta entre o poder e o conhecimento considerado mais legítimo em cada tempo. Concentração de conhecimento leva a concentração de poder nas mãos de poucos. Já a socialização facilita a democratização do poder. 
         Socialização é sempre de riqueza – seja ela material ou intelectual. Adotar esta opção filosófica e política implica, também, capacitar as pessoas para buscar alternativas sociais de melhor distribuição da riqueza. Cabe aos educadores estimular o desenvolvimento de uma maneira de pensar autônoma e transformadora.  Para socializar o conhecimento numa perspectiva universal é importante valorizar a realidade dos alunos como ponto de partida para trabalhar conhecimentos que expliquem essa realidade, e, ao mesmo tempo, o mundo. 
         Um exemplo: utilizar as medidas da sala de aula para exercitar o cálculo de área; desta primeira mediação, partir para interações concretas com a natureza (lago, rio, montanha) e com a sociedade, sua infra-estrutura econômica, suas relações sociais. 
 
O Sócio - interacionismo
 
         A concepção sociointeracionista de aprendizagem, é também chamada de socio-histórica ou historico-cultural. Conforme esta concepção, a influência do meio sociocultural é determinante na formação das funções psicológicas superiores. A criança e o conhecimento se relacionam através da interação social, isto é, da atividade conjunta, mediada. 
         A construção do conhecimento e um ato coletivo. Em outras palavras, o conhecimento não existe sozinho, está sempre impregnado em algo humano (pessoa, livro, aparelho, meio sociocultural), reflete as formas de produção e as relações de uma determinada sociedade. 
         Não é possível separar o biológico do social, pois desde o nascimento a criança está em contato com os outros. Sob esta perspectiva, o papel do professor e fazer a mediação entre a herança sócio-histórica da espécie humana e os alunos. 
         Dois estudos são essenciais para compreender a fundamentação sociointeracionista do desenvolvimento infantil. Eles foram realizados por Vygotsky e por Henri Wallon (1879-1962). Ao longo dos fascículos que resumem a Proposta Curricular de Santa Catarina, estes estudos serão abordados sob diferentes ângulos. Veja a seguir uma introdução. 
 
Vygotsky e Wallon
 
         Lev Semiónovich Vygotsky e Henri Wallon deram uma importante contribuição teórica e prática para superar as limitações com que eram tratados os fenômenos psicológicos. Eles construíram suas teorias sobre desenvolvimento humano partindo da mesma concepção sobre o ser humano e a realidade: o materialismo histórico. 
         Vygotsky e Wallon conceberam que a relação do sujeito com a realidade acontece através de mediações. Elas permitem que o sujeito seja transformado pela natureza, que por sua vez e transformada por ele. A diferença entre os dois autores consiste na interpretação sobre o que e considerado o principal mediador nessa relação: para Vygotsky, e a linguagem; para Wallon, é a emoção. 
 
 
O papel da linguagem
 
         As pesquisas de Vygotsky – e posteriormente as de seus discípulos – mostraram que a formação da consciência humana se vincula diretamente às práticas e as formas de cultura existentes. Segundo essa concepção, o sistema simbólico mais apropriado para formar a mente e a consciência é a  linguagem verbal.           A palavra é o instrumento direto da formação de conceitos, ela é o microcosmos da consciência. A linguagem é o meio fundamental do pensamento e está vinculada ao desenvolvimento do gesto, do desenho, do jogo e da escrita. Por sua vez, a atenção proporciona a base necessária para o desenvolvimento dos conceitos. 
         Daí o grande peso do papel exercido pelos adultos na aprendizagem: a linguagem que eles utilizam – e eles próprios – são elementos mediadores na formação do psiquismo da criança. È através dos sujeitos mais experientes que a criança distingue e estabelece objetivos para seu comportamento; repensa relações entre objetos; reavalia o comportamento do outro e depois o seu; desenvolve novas respostas; aprende a generalizar e adquire traços de caráter.           Em suas obras, Vygotsky defendeu a hipótese de que a linguagem é social desde a origem. Suas investigações permitiram um novo avanço teórico: a definição do conceito de instrumentos psicológicos – mediadores que ajudam na tarefa de processar a generalização. Vygotsky cita como instrumentos psicológicos: a língua, formas de numeração e cálculo, mecanismos mnemotécnicos, simbolismos algébricos, obras de arte, escrita, esquemas, diagramas, mapas, desenhos e todo tipo de signos convencionais.           O que esses instrumentos tem em comum éo fato de serem criações artificiais da humanidade – portanto, elementos da cultura. Eles se transformam em elementos aos quais as crianças atribuem um significado (valor), pelo fato de servirem para encontrar respostas as questões que lhes são apresentadas. Vygotsky passou a chamar esses estímulos de “signos”, selecionando neles o atributo de ter significado e sentido.  


O papel da emoção
 
         Os estudos de Wallon consideram que a emoção é a primeira linguagem da criança, sua primeira forma de sociabilidade. Atos que no recém-nascido eram puramente impulsivos e motores passam a ser atos de comunicação a medida que a criança se desenvolve. As emoções e o intelecto se articulam de maneira mutuamente dependente ente, dinâmica e significativa (por exemplo, uma criança que já domina a linguagem, ao falar em público, gagueja). 
         Quando a criança começa a articular significados no contato com os membros da família, a emoção passa a ser uma manifestação psíquica. Em outras palavras, já existe elaboração mental. Conceitos e afetos interagem num complicado sistema e são, de certa forma, resultado do meio social histórico. 
         Wallon insiste no papel dos conflitos dialéticos na origem e no desenvolvimento do psiquismo. Sua teoria estabelece a existência de estágios do desenvolvimento da personalidade do ser humano. Cada estágio se constitui de um conjunto original de condutas. Na idade escolar, ele chama atenção especial para as “disciplinas intelectuais”, em que a atenção e a memória são centrais.          Vygotssky também se dedicou ao estudo das emoções. Ele buscou estudar o desenvolvimento cultural do ser humano na sua totalidade – o que inclui o desenvolvimento da personalidade da criança e de sua concepção  de mundo.   


7. TEORIA DA ATIVIDADE


 DOS DIFERENTES SIGNIFICADOS DO TERMO “ATIVIDADE”  


                            Na língua portuguesa, o significado mais usual do termo atividade está estreitamente ligado ao de ação ou qualquer ação ou trabalho específico (Ferreira, 1988:70).  Esse significado, que é sem dúvida um dos atribuídos corretamente  ao termo - porém o que implica menor esforço intelectual para compreendido foi o que se cristalizou na educação.  Explicando melhor: a educação brasileira passou, através das décadas, a designar por atividade toda e qualquer ação realizada por alunos na relação com seus professores ou isoladamente.
            Copiar do quadro, fazer exercícios do livro didático, fazer redações, realizar exercícios físicos, foi (e em muitos casos continua sendo) igualmente considerado atividade, independente das condições em que essas ações ocorram.  Assim, mesmo que um aluno realizasse exercícios, por ordem do professor, sem nenhuma vontade e sem ver nenhum sentido nesses exercícios, passou a ser normal dizer que esse aluno estava realizando uma atividade.  Ou mesmo que um grupo de alunos estivesse copiando um conteúdo do quadro, sem ter despertado seu interesse para ele e sem perceber nexo desse conteúdo com sua vida, considerava-se que isto era uma atividade, da mesma forma que quando o aluno realizasse ações de forma consciente e motivada.
          É importante atentar para a possibilidade de, a partir desse significado, considerar atividade uma ação, por mais passividade que ela contenha na sua execução.  Ou seja, um aluno que copia do quadro porque o professor manda, mas não quer, por sua vontade, fazê-lo, age, mas age como ser passivo, que faz porque outro (que é agente) quer que o faça, mas não porque queira ou veja algum sentido no que faz.  Essa possibilidade decorre da apreensão parcial do significado de atividade compreendendo-a como qualquer ação, esquecendo um outro significado, talvez mais filosófico, de que a atividade é a ação de um sujeito ativo, o que implica considerar a vontade e motivação para agir.
          É, portanto, no contexto da língua portuguesa, no nível do senso comum, que a educação brasileira incorporou um significado parcial do termo atividade, criando uma tradição de considerar atividade toda e qualquer ação realizada pelos alunos.  Esta tradição fez com que se colocassem no mesmo nível operações, ações e atividades, como se todas fossem atividades.  Fazê-lo com tanta eficácia que, atualmente, um texto como este, se não acompanhado com explicações como as que serão feitas na seqüência, corre o risco de não ser compreendido ou o que é pior, de significar pouco para tantos quantos não tiveram contato com a Teoria da Atividade, decorrente da Psicologia Histórico Cultural, elaborada pela Academia Soviética de Psicologia, com a contribuição de Lev Seminovich Vygotsky (1896 – 1934) e seus colaboradores e co-pesquisadores.           No âmbito dessa teoria, o termo assume um significado mais complexo.  Atividade não é qualquer ação. É um conjunto de ações que têm uma finalidade, uma motivação e uma profunda vinculação com a vida do agente.  Portanto, muito do que foi tradicionalmente chamado de atividade não pode ser assim considerado no contexto desta teoria.  Exemplos como os citados anteriormente, de copiar conteúdos do quadro sem perceber claramente um motivo para isso ou realizar exercícios do livro didático, somente porque o professor ordena que se o faça, não são de forma nenhuma atividades, porque não são realizadas nas condições para que assim possam ser consideradas, ou seja, não têm um motivo para o agente, não têm para ele uma finalidade e nem uma vinculação com sua vida.
             Na seqüência deste texto, procuraremos fazer um exercício de compreensão da atividade no âmbito da Teoria da Atividade, situando-a historicamente e num contexto teórico-prático determinado.
 
DA TEORIA DA ATIVIDADE
 
             A Teoria da Atividade é uma decorrência da Psicologia Histórico Cultural. de Vygotskv, Leontiev, Luria e outros pesquisadores da Academia Soviética de Psicologia. É, portanto, uma teoria educacional ligada à concepção de aprendizagem sociointeracionista, adotada pela Proposta Curricular de Santa Catarina, por ser a concepção da qual podem derivar práticas pedagógicas que dão conta de socializar a aprendizagem, isto é, de romper com práticas tradicionais de ensinar bem a quem aprende facilmente e não ensinar a quem tem alguma dificuldade de aprender.
            Essa teoria não é uma elaboração de Vygotsky, uma vez que o mesmo, coordenando pesquisas na área da psicologia da aprendizagem, conseguiu viver até a elaboração de uma sólida base teórica para a compreensão do processo de aprendizagem e de desenvolvimento, como resultado da interação social.  A doença e a morte não permitiram a continuidade de sua contribuição na elaboração de uma base teórico-prática para a ação pedagógica dentro da Psicologia Histórico Cultural, para além da compreensão do processo de aprendizagem e do desenvolvimento.
          Essa tarefa coube aos que o sucederam na condução das pesquisas, após sua morte prematura.  Leontiev (1903 - 1979), seguido por Davidov, coordenaram as pesquisas  sobre uma base teórico-prática para a ação pedagógica após a morte de Vygotsky, na Rússia.  Lomspcher (1932 ... ) e Fichtner (1942 ...) despontam hoje como grandes expoentes mundiais da Teoria da Atividade. Estes últimos já estiveram em Santa Catarina, em 1996 e 1998, conheceram a Proposta Curricular e deram contribuições para um melhor entendimento da concepção sociointeracionista no seu contexto.
Para situar o professor-leitor com mais propriedade consideramos importante retomar alguns aspectos já insistentemente abordados na Proposta Curricular de Santa Catarina nas suas edições de 1991 e 1998.
    Naqueles textos, afirma-se que a aprendizagem ocorre no contexto da Zona de Desenvolvimento Proximal, ou seja, o ser humano não aprende o que já aprendeu (Nível de desenvolvimento Real), uma vez que repetir o que já se sabe não é aprender, porque aprender implica apropriar-se de algo novo. O ser humano também não aprende coisas com as quais não consiga estabelecer relações, ou ainda, das quais não tem a mais leve noção, ou seja, o que está para além do seu Nível de Desenvolvimento Potencial.
    Explicita-se, também, que a aprendizagem se dá pela apropriação e elaboração de conceitos, que é um processo ativo (ninguém aprende se não agir na direção de aprender). A apropriação e a elaboração de conceitos são dois processos que, mesmo sendo possível serem compreendidos em separado, ocorrem de forma tão imbricada que um não ocorre sem o outro.  Assim, é correto afirmar que alguém se apropriou de determinado conceito se tiver, também, elaborado em nível mental esse mesmo conceito. Dizendo de outra forma: eu só aprendi o que é um televisor, por exemplo, quando eu fui capaz de pensar, por mim mesmo, numa ação minha, esse objeto; ou quando fui capaz de operar, mentalmente, com esse conceito, embora essa elaboração não seja uma ação autônoma, que prescinde dos outros.
          Para que esse processo de apropriação ocorra, é necessária a mediação de instrumentos e signos. Por instrumentos, entendemos os objetos existentes exteriores ao sujeito, que são utilizados como meios para estabelecer a relação de um sujeito de aprendizagem com um conceito.  Por exemplo, uma imagem, um texto escrito ou uma fala sobre o televisor, para quem não sabe o que é, é um instrumento (por ser objeto existente, exterior ao sujeito), e que pode servir para iniciar um processo de apropriação e elaboração do conceito de televisor. Uma vez compreendido o que é um televisor, consegue-se operar com a idéia ou conceito do televisor, sem a necessidade da presença de qualquer objeto exterior (instrumento) que me remeta a ele. Trata-se de utilizar o signo (que pode ser compreendido como um instrumento internalizado, operado em nível mental). Essa apropriação/elaboração é um processo ativo, ou seja, o sujeito que se apropria e elabora conceitos o faz se quer e se tem um motivo para isto.  Esse motivo precisa, não raras vezes, ser provocado. Numa atividade de aprendizagem, por exemplo, não pode o professor esperar que os seus alunos tenham um motivo, por eles mesmos, para realizá-la. É sua responsabilidade provocar esse motivo nos alunos. É o que chamamos de motivação.
          A partir deste ponto, inicia-se, neste texto, uma conexão mais próxima com a teoria da atividade. Primeiramente, é importante frisar que o entendimento dessa teoria permite uma compreensão mais adequada da concepção Histórico-Cultural de aprendizagem, ou melhor, supera o risco de compreender aquela concepção como uma variante do ambientalismo (o que observa freqüentemente nos entendimentos que circulam entre nós).  Explicando melhor: quando afirmamos que o ser humano é resultado das interações sociais, de alguma forma estamos pressupondo uma inter-ação, isto é, um processo ativo. Isto, no entanto, nem sempre é suficientemente esclarecido no discurso sociointeracionista.
        O risco de dar um caráter ambientalista à concepção Histórico-Cultural torna-se muito menor quando da compreensão de que “o sujeito é, visto como resultado: a) de sua carga biológica; b) de sua própria atividade; c) processo histórico-social de sua vida” (Fichtner, 1994: 4). Com essa compreensão, consegue-se perceber que, além das interações sociais, se assinalam como fatores da constituição dos sujeitos a sua carga biológica (pressuposto fundamental para ser biologicamente humano) e a sua própria atividade (que torna suficientemente claro que a interação social é obrigatoriamente ativa, ou seja, o sujeito não está mergulhado passivamente num conjunto de relações, mas sempre inter-age).           Outro aspecto importante de ser percebido é que atividade humana não é um processo natural.  O ser humano age impulsionado por motivos; age em função de finalidades e faz com interesse o que tem vinculação com sua vida.  Assim, pode se dizer que, em qualquer setor da vida humana, atividade é o que se realiza com motivo, com finalidade. A atividade, assim compreendida, não consiste de ato isolado. Constitui-se de um conjunto de ações e operações direcionadas por um motivo, para atingir determinada finalidade.
                Assim, se desejo ardentemente ser aprovado em um concurso, todas as ações (que não têm uma finalidade em si mesmas, mas têm sua finalidade na atividade) e as operações (ações que já tenho automatizadas) que realizo em função da aprovação nesse concurso fazem parte dessa atividade. Exemplificando: a ação de ler livros ou textos preparatórios para o concurso, a elaboração de textos para testar minha proficiência nas temáticas do concurso, que são ações (porque dependem de um esforço consciente para serem realizadas), não têm, em princípio, uma finalidade em si mesmas. Têm sua finalidade na aprovação do concurso. O mesmo ocorre com as ações automatizadas, as chamadas operações, como por exemplo, o andar até a biblioteca, o retirar os livros da estante, o folhear os livros, o manusear lápis e papel. Não têm uma finalidade em si mesmas, mas sua finalidade está na aprovação no concurso.
             A realização do concurso, esta sim, é uma atividade, porque tem um motivo (a aprovação); há uma finalidade na sua realização (a aprovação) e há uma profunda relação dele com minha vida porque representa uma melhoria na carreira profissional e, em conseqüência, da própria qualidade de vida.  Para sua realização, no entanto. é necessária a materialização de diversas ações (que dependem de um esforço consciente) e operações (ações que não dependem de um esforço consciente, porque automatizadas).
            Esse concurso do exemplo, no entanto, é uma atividade para mim, porque sou eu que o realizo.  Não é uma atividade para quem eventualmente me incentiva a fazê-lo, por mais motivo que esse outro também veja na minha aprovação.  A atividade é minha porque sou eu que estou agindo na direção de sua finalidade, ainda que outros possam auxiliar-me.
 
DA ATIVIDADE DE APRENDIZAGEM
 
             O mesmo dito a respeito da atividade em geral vale para a atividade de aprendizagem, posto que esta, antes de ser aprendizagem, é atividade. Ou ainda, a atividade de aprendizagem é uma atividade qualificada, como especificamente de aprendizagem. 
            Assim, é condição para uma atividade de aprendizagem que aquele que aprende (o aluno) tenha um motivo para aprender, veja uma finalidade em aprender e sinta uma relação do aprendido com a sua vida.  Vale ressaltar que, por mais motivos que o professor tenha, por mais que ele veja uma finalidade  e por mais sentido que faça para ele o que quer ensinar aos alunos, se o mesmo não ocorrer com eles, não ocorre uma atividade de aprendizagem.  Pode tornar-se uma atividade de ensino, porque atende a finalidades e motivos do professor, mas não é atividade de aprendizagem porque não atende a motivos e finalidades dos alunos.
                Como é possível, então, falar em atividades de aprendizagem, se só podem ser trabalhadas com os alunos temáticas de seu interesse, se o processo pedagógico é de responsabilidade do professor que, em tese, deve saber que conceitos são importantes de serem apropriados pela geração mais jovem? Trata-se de cair num novo espontaneísmo, abrindo-se mão do que os professores consideram significativo para os alunos aprenderem, em função dos interesses imediatos destes?
          A teoria da atividade, no que tem de específico para entendimento da aprendizagem e a estruturação de formas de trabalho que permitam que a mesma se realize com mais propriedade, por ser decorrente da concepção Histórico-Cultural de aprendizagem, não abre mão da socialização dos conceitos universais e significativos, dos conhecimentos das ciências das artes considerados importantes e que fazem parte da tradição cultural, e nem da direção e da responsabilidade do professor sobre o processo pedagógico.  Por isso, além de não eximir o professor da responsabilidade de dirigir o processo pedagógico, o que implica determinar, neste contexto, que conceitos devem ser apropriados pelos alunos, através de que conteúdos das diferentes disciplinas, agrega a responsabilidade de tornar o processo de apropriação e elaboração de conceitos determinados em algo que tenha motivo e finalidade para os aluno que tenha relação estreita com suas vidas.
            Trata-se de partir de problemas (sejam eles problemas materiais ou problemas conceituais), trazer esses problemas para a materialidade da vida dos alunos, para que eles percebam que há uma relação real entre eles e os problemas propostos (não uma relação de “faz-de-conta”); apresentar esses problemas de forma realista e intrigante, de modo que os alunos estejam motivados e vejam finalidade na discussão e solução dos mesmos.                   Lompscher (1996: 93) acena para uma possibilidade de estruturar atividades de aprendizagem, como processos de abstração/concreção/abstração, numa visão facilmente compreensível a partir do entendimento do processo de apropriação/elaboração de conceitos científicos. Por isso, é prudente iniciar este raciocínio com uma retomada, mesmo que superficial, da apropriação/elaboração dos conceitos científicos, já tratados com propriedade na Proposta Curricular de Santa Catarina (1991 e 1998) para voltarmos, posteriormente, às estratégias de estruturação de atividades de aprendizagem, segundo Lompscher (op.cit). 
Já nos é familiar o entendimento de que os alunos se
apropriam/elaboram os conceitos científicos a partir de noções genéricas que lhes são oportunizadas; atribuem um sentido pessoal a esses conceitos, a partir de suas vivências e conhecimentos e chegam, posteriormente, ao significado universal do conceito.  Entenda-se, aqui, que a atribuição de um sentido pessoal a algo é uma forma ativa de elaboração conceitual, mas provisória. Ativa, porque parte do próprio sujeito essa atribuição de um sentido, e está diretamente vinculada aos seus saberes, sensações, sentimentos e crenças pessoais. Por exemplo, para quem não conhece um aparelho de “Fac simile” (FAX) e recebe uma primeira explicação do que é, está recebendo, de outro, uma primeira conceituação genérica de FAX.  A partir daí, há um processo ativo de atribuição de um sentido pessoal ao objeto FAX, a partir do que o sujeito sabe sobre transmissão de informações à distância. Se, por exemplo, esse sujeito já conhece telefone e telex, tenderá a utilizar seu conhecimento acerca desses objetos, juntamente com outros, para dar um sentido pessoal ao FAX. É importante ressaltar, aqui, que somente é possível a esse sujeito dar um sentido ao objeto, à medida que consegue estabelecer relações entre aquele objeto e aquilo que sabe. Isto eqüivale a dizer que só é possível dar sentido a algo a partir do que se sabe, o que significa, também em termos mais simples, que só se aprende a partir do que sabe (tendo-se o devido cuidado de não compreender que repetir o que já se sabe é aprender). Voltando ao exemplo, o sujeito que está conhecendo o FAX pode, entre outros sentidos possíveis, atribuir-lhe o sentido de telefone que transmite cópias de imagens impressas ou de telex que não usa teletipos. O ato de atribuir um sentido (ainda que pessoal) ao FAX um claro indicativo de um processo de elaboração conceitual que é, por si só, um processo ativo, posto que não é possível atribuir um sentido pessoal a um objeto sem uma ação nessa direção (mesmo que essa ação seja puramente mental).  Não quer dizer, no entanto, que esse processo de elaboração conceitual esteja completo.  Se o sujeito do exemplo permanecer nesse ponto (o da atribuição de um sentido pessoal ao objeto) terá, sem dúvida, elaborado um conceito, ainda que não seja esse o conceito científico de FAX. Se esse exemplo for utilizado no âmbito da educação escolar, que tem como finalidade a apropriação e a elaboração de conceitos científicos, esse processo precisa continuar até que o sujeito tenha superado o sentido pessoal dado ao objeto FAX (que foi necessário para apropriação do objeto, na relação com os saberes previamente apropriados/elaborados) e tenha se apropriado do significado universal (válido em qualquer contexto) desse objeto, que passa pela apropriação de conhecimentos de decodificação e codificação eletrônica de sinais. Trazendo o exemplo do FAX para o que escreve Lompscher (op. cit.) sobre estratégias de estruturação de atividades de aprendizagem, a condição primeira é que os alunos sejam motivados a conhecerem o objeto. Se somente o professor perceber um motivo e uma finalidade para que seus alunos conheçam um objeto, o processo decorrente disso poderá ser uma atividade de ensino, porém não será atividade de aprendizagem. A apresentação do objeto em forma de um problema intrigante pode ser um bom começo, como por exemplo: como é possível mandar uma carta da escola para o Presidente da República, para que ele a receba em poucos minutos?  Uma discussão do problema, dependendo de como é conduzida, pode levar os alunos ao interesse de entenderem os processos que permitem com que se faça o que o problema propõe.  Permite, também, a condução para a percepção, pelos alunos, da vinculação dessa problemática com suas vidas. É importante ressaltar, aqui, que a discussão deve ser conduzida pelo professor, não deixa da correr livremente por onde os alunos queiram conduzi-la.
A apresentação de elementos conceituais genéricos a respeito do objeto permitirá aos alunos novos elementos para a atribuição de significados pessoais ao objeto.  Essa apresentação de elementos conceituais genéricos é o que Lompscher chama de uma primeira abstração do objeto. Isto significa um contato com o objeto, de forma genérica (por isto abstrata).  Por serem igualmente dados a todos, os elementos conceituais genéricos se põem de forma abstrata, isto é, não da forma como cada um compreende.
          A partir dessa apresentação genérica do objeto, é possível aos alunos atribuírem um sentido pessoal a ele, com base naquilo que já têm elaborado em nível mental. Isto é chamado por Lompscher como a concreção, ou a elevação do objeto ao concreto. Isto significa o diálogo pessoal que cada um estabelece com o objeto e lhe atribui um sentido que é, de certa forma, a síntese das elaborações mentais anteriores em diálogo como objeto.  Elevar ao nível do concreto, aqui entendido como o concreto mental, significa dar uma outra qualidade conceitual ao objeto, posto que, para cada um, ele pode ter sentidos diferentes, qualificados com a contribuição pessoal na elaboração do conceito neste nível. Em termos de educação escolar, repetimos, o processo de aprendizagem (que é também de elaboração) não pode parar por aqui, uma vez que a sua interrupção ou a sua consideração como acabada neste nível, acarretaria como resultado a elaboração do conceito do objeto como sentido pessoal atribuído a cada um (o que é chamado também como o concreto pensado ou a forma como cada um consegue concretizar o objeto em sua atividade mental).
          O que, segundo Lompscher (op.cit) é necessário para superar esse nível de elaboração conceitual ligado ao sentido pessoal atribuído por cada aluno (o concreto) é uma nova abstração, ou uma elevação do objeto ao abstrato. É importante atentar para o fato de que a anterior elevação ao concreto não resulta em um posterior rebaixamento ao abstrato, mas numa nova elevação, o que significa levar esse objeto a um nível mais elevado de abstração. Dito de outra forma: a) quando da elevação do objeto do conhecimento ao concreto ocorre um mudança qualitativa (o que é chamado aqui de elevação, por ser uma maneira mais complexa de entendimento), uma vez que, de uma forma genérica de conhecimento há a mudança para a atribuição de um sentido pessoal ao objeto; b) quando da elevação do objeto do conhecimento ao abstrato, nos referimos a esse momento como tal porque ocorre nova mudança para uma maneira ainda mais complexa de entendimento (conceito universal), que só é possível com a superação dos sentidos pessoais atribuídos ao objeto.  Essa superação, no entanto, não se dá pela pura e simples negação dos sentidos pessoais, mas pelo diálogo destes com o conceito universal.
          Em relação ao exemplo citado, trata-se de levar os alunos a superarem os sentidos pessoais atribuídos ao FAX, como (telefone que escreve ou como telex sem teletipos ou outro qualquer, para se apropriarem/elaborarem o significado universalmente aceito de FAX, o que implica, como dito anteriormente, na apropriação/elaboração de conhecimentos de decodificação e de codificação eletrônica, condutibilidade da matéria, transmissão por ondas, comunicação digital e outros.
            Atingindo esse novo nível de abstração, em que deve ter havido a apropriação/ elaboração do significado universal do objeto por parte dos alunos, não significa que o nível concreto de elaboração conceitual ou o nível de atribuição de sentidos pessoais ao objeto tenha sido apagado da memória dos sujeitos. Estes ainda poderão lidar, conceitualmente, com o FAX como telefone que escreve ou telex sem teletipos, mas saberão que o mesmo não é apenas aquilo, mas tem um significado universal e aceito por todos que o conhecem. Ou ainda, a relação do sujeito com o objeto já internalizado (em nível de conceito universal), quando for operar mentalmente com ele, pode continuar iniciando com o significado pessoal que um dia esse  sujeito atribuíra ao objeto, sem deixar de operar com o seu conceito universal.
                          As atividades de aprendizagem não ocorrem espontaneamente. Não é possível pensar um processo de aprendizagem baseado em atividades que vão surgindo, uma após a outra, de acordo com o interesse manifestado pelos alunos. O professor é responsável pela elaboração das atividades e pela sua condução. Isto implica selecionar e problematizar temáticas, apontar finalidades e criar motivos para os alunos quererem abordar as temáticas escolhidas.  Implica, ainda, conduzir o processo de abstração/ concreção/ abstração, numa perspectiva de apropriação/ elaboração de conceitos científicos. É importante lembrar que essas atividades, para se constituírem em atividades de aprendizagem, precisam despertar nos alunos a vontade de realizá-las. Do ponto de vista do professor, serão sempre apenas atividades de ensino.
                          O âmbito em que se devem desenvolver as atividades de aprendizagem é a Zona de Desenvolvimento Proximal dos alunos.  Propor atividades de aprendizagem para que os alunos aprendam o que já sabem (Nível de Desenvolvimento Real) não faz sentido uma vez que, como já dito anteriormente: a) não se aprende o que já se sabe; b) é difícil despertar o interesse dos alunos para trabalharem com o que não os provoca; c) necessário partir sempre do que os alunos já sabem.  Propor atividades para lidar com temáticas das quais os alunos não têm a menor noção também não faz sentido, posto que a aprendizagem é possível à medida que o sujeito que aprende consegue estabelecer relações com o objeto da aprendizagem.
  
8.4. Percentual de defasagem idade / série:
 
         A defasagem  idade / série do Ensino Fundamental se justifica pela repetência e tempo escolar interrompido.
         A defasagem idade / série do Ensino Médio se justifica também pelo tempo escolar interrompido devido a necessidade de trabalho e repetência.          A grande maioria trabalha na Indústria, Comércio, Agricultura, Construção Civil e serviços domésticos. Percebeu-se que a partir da implantação do conselho tutelar em 1997, diminuiu o índice de evasão e número de alunos que por conta própria ou por desejo dos pais permaneciam fora da escola. De 5ª à 8ª série percebe-se uma defasagem de conteúdo entre os alunos vindos de escolas do interior em relação aos alunos da nossa escola. Em relação ao Ensino Médio, 80% da clientela trabalha durante o dia. Este fator influencia de forma negativa na aprendizagem somada ao fato de que o aluno não dispõe em casa, ou não faz parte de sua cultura a aquisição de livros, revistas, Jornais, Computadores.


      Corpo Docente e Apoio pedagógico administrativo:


          Total de 75 funcionários, destes 51 são professores distribuídos entre o ensino fundamental e o médio.
Na prática o trabalho realizado é muito conflitante alguns profissionais procuram realizar o trabalho dentro perspectiva sócio interacionista. Outros não tem comprometimento ou ainda não tem a devida clareza do que seja esta perspectiva. A rotatividade de profissionais e a falta de habilidade comprometem o andamento do trabalho, bem como o desestímulo provocado pela sobrecarga de trabalho, pelo excesso de alunos nas salas de aula e pelas condições salariais.
         A Escola enfrenta sérias dificuldades em relação aos recursos humanos ocasionadas pelo afastamento de professores e funcionários com licenças. A democracia ainda não é exercida plenamente no que diz respeito a solidariedade, a participação ao coletivo. Raras decisões são coletivas ou construídas após ouvir seus interessados. Falta idéia de organismo para os segmentos da Escola. Falta consciência orgânica de unidade processual entre os envolvidos na prática educativa. Já existe alguma convicção de que a aplicação da perspectiva sócio interacionista conduza a uma educação de qualidade, sendo por isso propósito da escola a sua aplicação ainda que de forma lenta.
         O quadro de pessoal de apoio Técnico Pedagógico, procura seu aperfeiçoamento para sentir-se orgânico na realização do trabalho pedagógico mas ainda o trabalho é muito compartimentalizado e descomprometido.
         O fato da direção da escola ser um cargo político, compromete muito a organização e qualidade do fazer pedagógico. Nem sempre as pessoas tem a visão necessária em educação para desempenhar as funções que lhe são atribuídas.


 Família


          Na sua grande maioria descendentes de imigrantes Italianos. Predominam famílias com 2 a 3 filhos. Cerca de 70% das mães trabalham fora e deixam os filhos com o pai ou ainda com empregados. O grau de escolaridade  dos pais na sua maioria não ultrapassa o Ensino Médio. Sentimos atualmente que a necessidade de trabalho, o excesso de compromisso tem resultado na falta de orientação, e diálogo com os filhos. Esta questão vem dificultando o trabalho na escola.
         As famílias participam das reuniões em maior número quando se trata de pré-escola à 4ª série do ensino fundamental.
 
IV Desenvolvimento
 
         No planejamento anual coletivo definimos as atividades curriculares a serem desenvolvidas pela escola, durante o ano. Estas atividades, estão sempre sujeitas a replanejamento conforme necessidade  do estabelecimento.
         Para trabalhar a concepção pedagógica Sócio-Interacionista elegemos a interdisciplinalidade  como visão de totalidade, unidade contradição e conflito do conhecimento científico. Procuraremos na medida do possível realizar o trabalho através do desenvolvimento de subprojetos (anexo II).
         De 1ª à 4ª série cada professor, baseado no seu plano de ensino elaborado no início do ano letivo e com base nos estudos desenvolvidos pelos alunos e professores da turma anterior, elaborará junto com os especialistas e direção os projetos que pretenderão desenvolver naquele período letivo. A execução também deverá envolver alunos, pais e professores de outras séries num verdadeiro mutirão interativo. Estes projetos deverão estar de acordo com a filosofia e a concepção pedagógica adotada pela escola. O professor será mediador do consentimento na relação com seus alunos. Trabalhará com eles a produção de textos individuais e coletivos usando a pesquisa e a participação ativa como aliados indispensáveis. Os textos produzidos poderão resultar num livro da história da sala. Como mediador o professor estará trabalhando as zonas de desenvolvimento da criança: NDR, ZDP, NDP, NDR.
         De 5ª à 8ª série os professores procurarão elaborar os seus projetos de preferência por área respeitando-se a individualidade da disciplina. Os Especialistas e Direção participarão da elaboração, execução e avaliação do projeto junto com os pais, professores e alunos. A execução será um processo orgânico de mediação e o conhecimento trabalhado na sua totalidade. Os projetos deverão estar de acordo com a filosofia da escola, respeitando-se a especificidade de cada conteúdo programático de cada série, também poderá haver a interação entre professores e alunos do Ensino Fundamental e Médio com o envolvimento da comunidade. A pesquisa e a participação ativa serão aliadas indispensáveis. A produção do texto será trabalhada respeitando-se: NDR, ZDP, NDP, NDR.
          No ensino médio procuramos organizar o trabalho por áreas de conhecimentos, linguagens códigos e suas tecnologias, ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Objetivamos dar significado ao conhecimento escolar mediante a contextualização e evitar a compartimentalização mediante a interdisciplinaridade.
         Busca-se para o ensino médio uma formação geral, em posição a formação específica; o desenvolvimento de capacidades de pesquisar, buscar informações, analisá-las e seleciona-las; a capacidade de prender, criar, formular, ao invés do simples exercício de memorização.
         Para que a escola desenvolva o sócio- interacionismo precisa lançar mão de algumas estratégias e instrumentos como:
 
§        pesquisa grupal e individual
§        Monitoria: prevendo a diversidade do aprender
§        Trabalho de grupo: visando produção coletiva
§        Entrevista – gincana – viagem de estudos – Grêmios literários – jograis – varais literários – jornais… §        Festivais de teatro, poesia, dança, canto, conto… §        Recursos tecnológicos: Computador, Vídeo Retroprojetor…   
Na sala de aula o professor precisa trabalhar de forma democrática. Professor e alunos são sujeitos que interagem entre si na reelaboração e elaboração do conhecimento sempre a partir do conhecimento já dominado pelo aluno. A aprendizagem acontecerá quando, pela mediação do professor e do meio social a sala conseguir produzir um conhecimento sistematizado (científico). A interação entre os alunos e dos alunos com o professor e destes com o conhecimento. E numa aprendizagem incorporadora. ZDP. Nesse processo de mediação no qual se respeitam os diversos níveis de aprendizagem, todos aprendem e a escola terá garantida sua função social: a de socialização e produção do saber escolar. Por isso na sala de aula a relação entre alunos e professores acontecerão de forma democrática sendo a questão dos limites uma construção coletiva, assim como o conteúdo a ser trabalhado.
 
9. A avaliação


          No sócio-interacionismo o erro é visto como parte do processo de  construção do conhecimento, é articulador de novo saberes, sinalização do caminho a ser buscado na interação com o professor e companheiros. Assim a avaliação é parte integrante do processo. Ela dirá aos sujeitos o que se aprendeu e o que não se aprendeu e o porque disso. Não existe momento específico para acontecer. Ela detecta onde as coisa não foram bem e precisam ser retomadas. As notas ou conceitos poderão ser fruto de uma decisão coletiva a partir do que se conseguiu internalizar o conhecimento elaborado. O teste ou a prova serão instrumentos que auxiliarão num diagnóstico mais confiável. Assim a avaliação será diagnóstica e formadora.
         Ela não se refere apenas ao domínio de conteúdos específicos , mas também ao desenvolvimento de capacidade tais como: autonomia intelectual, pensamento crítico, formação ética. Importa avaliar o aluno como um todo, na capacidade de relacionar-se com o grupo, na iniciativa, no empenho para resolver problemas propostos e nas atividades lúdicas. O aluno deverá compreender como está sendo avaliado e a avaliação também poderá tornar-se um instrumento de aprendizagem, através do estímulo a auto-avaliação.
 
Recuperação paralela
 
         A recuperação acontecerá paralela ao processo educativo. Sempre que for detectado pela turma a necessidade de se retomar algum conhecimento não internalizado acontece a recuperação. Assim a recuperação existirá para recuperar conhecimento e não nota ou freqüência.
 
Instrumentos
 
Parâmetros curriculares: auxiliar na renovação da base curricular do ensino fundamental e Médio.
Projetos: os projetos objetivam organizar o trabalho e superar as práticas habituais.
 
Conselhos de classe: visando estudar as relações aluno/conhecimento/professor/escola, com a participação de todos os segmentos envolvidos (pais, alunos, professores, apoio técnico-pedagógico e direção).
Dias de estudo: objetivando capacitar recursos humanos dentro de própria unidade escolar.
Cursos de capacitação: procurando motivar seus profissionais a participarem desses eventos visando a qualidade de sua educação.
Reuniões administrativas: com o objetivo de repassar informações e discutir problemas de categoria.
Associação de pais e professores: buscando auxiliar no fortalecimento do discurso e da prática escolar.
Intercâmbio escola/comunidade: para organizar atividades culturais e de lazer com o objetivo de atrair os pais dos alunos, tornando-os parceiros de nosso trabalho.
Biblioteca escolar: com o objetivo de completar o trabalho de sala de aula através da pesquisa.
Temas transversais: com o objetivo de vincular o conhecimento historicamente produzido às questões sociais.
Calendário escolar: com o objetivo de organizar as atividades da escola.
 
         Além de todas estas atividades devidamente programadas, existem, no dia a dia, conversas informais com os pais, alunos e funcionários com o objetivo de aprimoramento do processo educativo. Também são realizadas atividades culturais e de lazer, tais como: festa junina, gincanas, teatros, esportes, feiras entre outras.
         Com o desenvolvimento de todas as atividades acima descritas, a escola vem obtendo alguns resultados positivos como:
§        Melhorias no relacionamento aluno/professor/conhecimento, diminuindo, assim, o índice de repetência.
§        O processo de avaliação coletiva a solidária desenvolvido em sala propicia a articulação de novos saberes. Deixa de ser meritocrático e seletivo, para se tornar parte integrante do processo de construção e elaboração do conhecimento.
§        A recuperação surge agora da necessidade de retomada de algum conhecimento não internalizado.
§        A concepção pedagógica do sócio – interacionismo praticada na escola, produziu a diminuição considerável do índice de evasão escolar. §        A prática pedagógica envolve atividades realizadas em sala e fora dela tais como: monitoria, trabalhos de grupo, viagens de estudos, produções teatrais, jornal escolar, poesias, danças, além do uso de recursos tecnológicos como o computador, vídeo, retroprojetor e som, envolvendo sempre que possível a comunidade escolar.
§        A reestruturação do regimento interno com a participação dos segmentos envolvidos no processo.
§        A realização de atividades em parceria com organismos não governamentais.
§        A mudança na prática pedagógica nos últimos anos tenta tornar a escola um espaço mais atrativo para os alunos e comunidade escolar.
Paulo Hentz, Mestre em Educação, professor da rede pública estadual, em exercício na diretoria de Ensino Fundamental / SED

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO - PARTE 2

Hosted by www.Geocities.ws

1