Soneto
social 6
Vaidade
Vaidade
das vaidades tudo somente vaidade dizia o rei profeta sobre a vida.
Eis à máxima do mais sábio de todos os reis o abençoado famoso Salomão.
Vaidade nas mãos socorrendo também nas em eternas súplicas estendidas.
Vaidade no olhar, no andar, no falar, no comer - até na poesia na
inspiração!
Vaidade
no amar e sonhar, no desejar, no esperar, até mesmo, na saudade.
Vaidade batom universal de todas às civilizações no passado, no
presente!
Porém ela se esconde com disfarce tal que,
até esquecemos ela, à vaidade.
Simplesmente é veia onde corre sangue. A própria
pele à envolver a gente.
Martírios
dos mais fracos, apogeu dos poderosos... Mas a todos contamina.
Eterna porque viverá em todos os tempos, enquanto existir a humanidade.
Negada veementemente de propósito apontada como uma venal serpente.
A
vaidade atinge todos: do mais velho ancião sábio a mais infantil
menina.
Dizem. Foi ela quem nos fez nos primórdios, perder à sonhada eternidade.
O estigma do
pecado humano - em todos os séculos, deformando a gente.
Edvaldo Feitosa - 2003.
(Direitos autorais reservados sob o nº 180859)
* Fundação Biblioteca Nacional *
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