Compulsão
Toda
recompensa é bem-vinda, venha ela de uma droga ilícita ou da
experiência vivida. Sempre que os neurônios dos centros encarregados
de reconhecer recompensas são estimulados repetidamente por
substâncias químicas ou vivências que confiram sensação de prazer,
existe risco de um cérebro vulnerável ficar dependente delas e
desenvolver uma compulsão. Por isso tanta gente bebe, fuma, cheira
cocaína, perde casa em jogo de baralho, come demais, faz sexo sem
parar e compra o que não pode pagar.
Toda vez que o cérebro é submetido a estímulos repetitivos
carregados de conteúdo emocional, os circuitos de neurônios
envolvidos em sua condução se modificam para tentar perpetuar a
sensação de prazer obtida. Esse mecanismo é conhecido por
neuroadaptação. Para o organismo, tudo o que traz bem-estar é bom e
deve ser repetido.
Por um capricho da natureza, entretanto, a estimulação repetida do
centro do prazer pode provocar ativação irreversível do centro da
busca, de modo que este permanece estimulado mesmo quando o uso da
droga (ou do fato vivenciado) já não traz mais prazer nenhum.
Comportamentos Compulsivos ou Aditivos podem ser entendidos como
atitudes (mal-adaptadas) de enfrentamento da ansiedade e/ou
angústia, trazendo conseqüências físicas, psicológicas e sociais
graves.
Algumas pessoas apresentam comportamentos com caráter compulsivo,
que levam a conseqüências negativas em suas vidas, como por exemplo,
recorrer ao uso abusivo do álcool, das drogas, à fuga do convívio
social, ao hábito intempestivo do vômitos.
Podem ainda comprar compulsivamente, sem levar em conta o saldo
bancário, comer compulsivamente, mesmo quando não se tem fome,
jogar, praticar atividades físicas em excesso, etc.
Os
Comportamentos Compulsivos hábitos aprendidos e seguidos por alguma
gratificação emocional, normalmente um alívio de ansiedade e/ou
angústia. São hábitos mal adaptativos que já foram executados
inúmeras vezes e acontecem quase automaticamente.
Diz-se que esses Comportamentos Compulsivos são mal adaptativos
porque, apesar do objetivo que têm de proporcionar algum alívio de
tensões emocionais, normalmente não se adaptam ao bem estar mental
pleno, ao conforto físico e à adaptação social. Eles se caracterizam
por serem repetitivos e por se apresentarem de forma freqüente e
excessiva.
A
gratificação que segue ao ato, seja ela o prazer ou alívio do
desprazer, reforça a pessoa a repeti-lo mas, com o tempo, depois
desse alívio imediato, segue-se uma sensação negativa por não ter
resistido ao impulso de realizá-lo. Mesmo assim, a gratificação
inicial (o reforço positivo) permanece mais forte, levando a
repetição.
Por
exemplo:
1 -
Se a pessoa é acometida pela idéia (contra sua vontade) de que está
se contaminando através de alguma sujeita nas mãos, terá pronto
alívio em lavar as mãos. Entretanto, se tiver que lavar as mãos 40
vezes por dia, ao invés de adaptar essa atitude acaba por esgotar.
2 –
Se a pessoa é acometida pela idéia de que seus pais sofrerão algum
acidente fatal, poderá conseguir alívio da angústia gerada por esses
pensamentos se, por exemplo, bater 3 vezes na madeira... Mas tiver
que bater na madeira 40 vezes por dia, ao invés de aliviar, essa
atitude acaba por constranger e frustrar.
3 – Se a pessoa tem um pensamento incômodo de que aquilo que acabou
de comer poderá engordá-la, terá alívio dessa sensação provocando o
vômito, ou tomando laxantes.