***** Di-Metil-Triptamina ( DMT )*****

�GUA E FOGO
UM CIP� E UMA FOLHA

A Hoasca ou
Ayahuasca
� uma decoc��o,
feita a partir do cip� Mariri ou Jagube e das folhas do arbusto Chacrona
ou Rainha, cujos princ�pios ativos s�o respectivamente as B
-carbolinas e a Dimetiltriptamina ( DMT ).
Aqui demonstraremos o comportamento qu�mico do ch�
Hoasca ou Ayahuasca no organismo humano, tendo como objetivo uma reflex�o sobre os
"Estados Alterados de Consci�ncia"
mediados por essa bebida.

Para um entendimento mais f�cil, reunimos os termos que
aparecer�o ao longo desse anexo:
A -
Sistema nervoso:
O sistema nervoso central comp�e-se da medula e do enc�falo.
O sistema nervoso perif�rico � constitu�do pelos nervos que emergem
da medula (nervos raquidianos) e do enc�falo (nervos cranianos).
B -
Subst�ncias ligantes:
S�o subst�ncias que
reagem com enzimas
(receptores). Os receptores podem pertencer a dois grupos: os que permanecem
fixos em uma membrana (como os neurotransmissores) ou podem estar dispersos
no citoplasma (como as enzimas tipo Mono Amino Oxidase - MAO). As subst�ncias
ligantes se ligam aos receptores a n�vel do sistema nervoso central para
produzir seus efeitos. As subst�ncias ligantes para chegarem ao sistema
nervoso central tem de passar por uma barreira seletiva existente entre o sangue
e o l�quido c�falo-raquidiano. Alguns ligantes passam somente quando
se apresentam em determinada concentra��o; outros n�o.
As subst�ncias ligante tem de chegar � barreira em uma
concentra��o adequada para penetrar no sistema nervoso central
e � um fator t�o importante em uma liga��o qu�mica
que, quando a concentra��o de um ligante aumenta, se d� a
liga��o Ligante-Receptor. Quando a concentra��o do
ligante diminui, a liga��o desfaz-se .
C -
Serotonina:
Subst�ncia ligante ou neurotransmissor modulador, ou seja, aquele
que aumenta ou diminui a intensidade das respostas dos indiv�duos a
est�mulos sensoriais. A Serotonina � um sensibilizador que reduz
o limiar entre o est�mulo e a resposta. A serotonina seria o que o pedal
de um piano � para as teclas: ele modula a intensidade do som emitido pelas
teclas (outros neurotransmissores).
D -
MAO:
A Monoamino-oxidase � uma enzima e um receptor sol�vel
cuja fun��o � controlar normalmente a a��o de
neurotransmissores, reduzindo por quebra (hidr�lise) a concentra��o
dos mesmos. O que interessa a n�vel dos neurotransmissores � que
a a��o destes n�o seja ininterrupta. O sistema nervoso s�
responde a pulsos e n�o a a��es continuas. A MAO controla os
n�veis de concentra��o de Serotonina e de outras subst�ncias,
como, por exemplo, a DMT.
E -
B
-carbolinas( Harmina, Harmalina, Tetrahidroharmina):
Subst�ncias alcal�ides derivadas do cip� Marir�
ou Jagube (Banisteriopsis caapi) inibidores da MAO. S�o chamados
IMAO
.
F -
DMT:
Subst�ncia alcal�ide presente na Folha Chacrona ou
Rainha (Psychotria viridis). A DMT (Dimetiltriptamina) � um agente ligante
tanto para a enzima sol�vel MAO quanto para os receptores de Serotonina.
A DMT sozinha � oralmente inativa, s� podendo atuar sobre os receptores
de Serotonina se n�o for quebrada pela MAO. No ch�, a DMT �
oralmente ativa porque est� associada a B-carbolinas inibidoras
da MAO que preservam a concentra��o da DMT. A DMT possui uma
f�rmula muito semelhante � da Serotonina e compete por seus receptores.

Abaixo os princ�pios ativos dos vegetais integrantes
do ch�:
BANISTERIOPSIS CAAPI
(Marir� ou Jagube) B-carbolinas:
6-metoxitriptamina -
tetrahidroharmina - harmina - harmalina
PSYCHOTRIA VIRIDIS (Folha Chacrona ou Rainha) Triptaminas:
monometiltriptamina - N,N-dimetiltriptamina (DMT) *
- 2-metil-1,2,3,4-tetrahidrocarbolina.
O CH� :
No cip�: harmina - harmalina - tetrahidroharmina
Na folha: DiMetilTriptamina

*
A DMT quando ministrada via intravenosa, intramuscular ou intraperitoneal
� ativa, embora seus efeitos difiram dos conseguidos atrav�s da bebida,
da qual � componente.
1
- Segundo Dennis McKenna
, da UCLA, Hopp e seus colaboradores descobriram que a harmina
tem uma significativa a��o antitripanoss�mica contra o
Tripanossoma lewisii. Essa conclus�o pode explicar o porqu� do uso
profil�tico da Ayahuasca na etnomedicina mesti�a contra a mal�ria e
parasitas.
2 - Peter Furst, em Alucin�genos y Cultura, afirma que "a
harmalina se parece com as subst�ncias que derivam da gl�ndula pineal
dos mam�feros. Em particular, a 10-metoxi-harmalina se parece com a harmalina
em seus efeitos subjetivos. Isso sugere que a harmalina possa derivar sua atividade
da imita��o de um metab�lito que normalmente participa do
controle dos estados de consci�ncia. "Os sistemas qu�micos ativos do
c�rebro humano s�o parentes pr�ximos das subst�ncias
que promovem o crescimento das plantas, incluindo v�rias que s�o
poderosamente psicoativas."
Terence McKenna, em
O Alimento dos Deuses, afirma que a semelhan�a entre a Serotonina e a
DMT � tal que "pode indicar a grande antiguidade do relacionamento
evolucion�rio entre o metabolismo do c�rebro humano e esses
compostos espec�ficos".
3 - Transcrevo aqui um trecho do livro O Alimento dos Deuses, de
Terence McKenna, bastante esclarecedor sobre a
Dimetiltriptamina (DMT), n�o s� encontrada na
Folha chacrona : "Na bacia Amaz�nica, alguns povos tribais t�m a
tradi��o de usar plantas que cont�m DMT. Eles usam a seiva
das �rvores Virola, parentes da noz-moscada, ou sementes torradas e
mo�das de Anadanthera peregrina, uma enorme �rvore leguminosa.
O m�todo geralmente usado � cheirar o material vegetal em p�.
O usu�rio precisa de um amigo que sopre atrav�s de um junco cheio do
p� fino primeiro em uma narina, depois na outra."

VISUALIZANDO O PALCO DOS EVENTOS
O ponto de contato entre dois neur�nios � chamado Sinapse e,
quase
sempre, � formado pela uni�o entre os terminais ax�nicos de
um
neur�nio e os dendritos de outro.
O impulso nervoso segue,
geralmente, este sentido:
Caminha do AX�NIO ----para-o--- >DENDRITO.
Enquanto a
transmiss�o de um impulso nervoso ocorre gra�as a
um fen�meno
el�trico, a transmiss�o entre dois neur�nios
efetua-se atrav�s
de subst�ncias qu�micas chamadas neurotransmissores,
esp�cies
de "mensageiros qu�micos". N�o h�, na verdade,
continuidade entre
dois neur�nios e sim um pequeno espa�o entre as
termina��es do
ax�nio e os dendritos, chamada Fenda Sin�ptica.
V�rias
subst�ncias j� foram identificadas como neurotransmissores,
por exemplo, a acetilcolina, a noradrenalina, a Serotonina, etc. A a��o
da DMT ocorreria na regi�o da Fenda Sin�ptica, onde coexistem os receptores
correspondentes aos tantos neurotransmissores quanto houver.

VISUALIZANDO OS EVENTOS
A Dimetiltriptamina (DMT), subst�ncia que se relaciona
com a
Mira��o, n�o � oralmente ativa, porque temos
uma enzima,
a Monoaminoxidase (MAO), presente nos tecidos perif�ricos
do
sistema nervoso central, que desmobiliza sua a��o.
A harmina e
harmalina, alcal�ides do grupo B-carbolina,
contidas no cip�, s�o chamados inibidores da MAO (IMAO), al�m de
terem seus pr�prios efeitos ente�genos. Os IMAO possibilitam,
assim,
a a��o da DMT.
A concentra��o de B
-carbolina
presente em uma dose � menor que o n�vel previsto para
que sua a��o
enteog�nica apare�a, por�m, muito
superior ao n�vel necess�rio �
atividade IMAO.
Existe um n�vel de concentra��o determinado que
permite
a a��o IMAO das B-carbolinas.
Os povos
nativos da Amaz�nia exploram brilhantemente esses
fatos em sua busca
de t�cnicas para obter acesso �s
dimens�es m�gicas cruciais para o
xamanismo. Ao combinar na
Ayahuasca plantas contendo inibidores da
MonoAminoOxidase, eles exploram h� muito tempo
um mecanismo
farmacol�gico(a inibi��o da MAO), que s�
foi descrita pela ci�ncia
ocidental na d�cada de 1950.

As rea��es do organismo de um indiv�duo
consumidor de Hoasca variam infinitamente, tendo como principais condicionantes:
A) A pr�-disposi��o pessoal (ps�quica, social
e org�nica) de cada consumidor.
B) A varia��o de concentra��o de psicoativos na bebida,
por ser ela o resultado de
um modo de produ��o emp�rico,
desprovido de padroniza��o cient�fica.
C) A varia��o de concentra��o de psicoativos da bebida,
pelos princ�pios ativos do
cip� estarem em fun��o com o
tipo de terreno em que � plantado, a esta��o do ano
em que �
colhido, etc.

Ver que as afirmativas da ci�ncia e da f� podem aproximar-se,
conviver e diminuir seus atritos � integrar o circuito
do
conhecimento
humano; o esp�rito complementando as verdades
da mat�ria e
vice-versa.
A Hoasca � mais um pretexto para as
especula��es cient�ficas a respeito da mente humana, � mais um
formulador de teorias. As pesquisas sobre a mente humana ainda
engatinham em dire��o a conclus�es, e a an�lise em laborat�rio
expressa em linguagem contempor�nea o mais antigo desejo humano
em compreender profundamente seu contato com a divindade.
Obrigado pelo seu acesso...
SA�DE, PAZ E FELICIDADE !
Qualquer coment�rio ou informa��o mande um E-mail
para: