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| A Psicologia � uma ci�ncia dif�cil que pode ser encarada sob um enfoque individual ou coletivo. E neste �ltimo aspecto � muito importante porque como se sabe, a �sociedade� pode influenciar no comportamento psicol�gico do indiv�duo.
Pode-se ent�o estabelecer que o aspecto psicol�gico da ARBITRAGEM consiste em estudar o comportamento mental do �meio� em que decorre o jogo e determinar a conduta conveniente. Mas este �meio� tem um comportamento mental que se repete tantas vezes, que � poss�vel preparar e definir uma linha de conduta para resolver o problema cuja import�ncia � sempre suficiente para que os maiores conhecedores das regras do jogo e da t�cnica de arbitragem cumpram sua miss�o de �rbitro. Qualquer que seja a precis�o das linhas tra�adas, este aspecto da arbitragem requer um trabalho constante devido � extrema variabilidade dos elementos que podem perturbar, a todo momento, as bases fundamentais. Os elementos essenciais do meio s�o: o �rbitro, seus auxiliares, os jogadores, os t�cnicos, os dirigentes, os jornalistas e o p�blico. � evidente que estes elementos se perturbam entre si em propor��es vari�veis e a fun��o do �rbitro �, entre outras, servir de catalisador destes diferentes comportamentos derivados de processos influenciados, permanentemente, por choques mentais inconscientes. � esta fun��o de catalisador psicol�gico que faz com que se diga, corretamente, que o �rbitro � o �diretor do jogo�, e � da maneira como ele desempenha esta fun��o que dependem o melhor ou pior desenrolar do jogo e o valor t�cnico e desportivo do jogo. Em rela��o aos JOGADORES E AOS T�CNICOS, o �rbitro deve ser compreensivo e humano mas decidido a cumprir a sua miss�o e assegurar a integridade do encontro no qual os jogadores empenham o m�ximo da sua pr�pria personalidade. � PARA ESTES SEGMENTOS QUE O �RBITRO DEVE DIRIGIR SEU TRABALHO EM PRIMEIR�SSIMO LUGAR. Deve ter a consci�ncia de que representa, no empenho de cada participante, o elemento de equil�brio dotado de amplos poderes dos quais ele deve servir-se com prud�ncia e oportunidade, na medida exata das circunst�ncias que lhe permitam reprimir a excita��o inevit�vel da disputa. � necess�rio, portanto, que se apresente em plena posse dos seus recursos, consciente da dignidade dos outros, assim como da sua pr�pria, sem receios, mas sem despotismo nem id�ias preconcebidas sobre os outros e sobre ele pr�prio. Em rela��o aos DIRIGENTES, deve ter a maior dignidade. Os dirigentes s�o indiv�duos que, como ele, fazem sacrif�cios e para quem um encontro � sempre uma prova a viver. S�o indiv�duos que trabalham para o esporte, o que os torna credores de considera��o. Em face disto, como para com os jogadores deve, na verdade, impor-se pela CORTESIA, DIGNIDADE e ISEN��O. Em rela��o aos JORNALISTAS, deve saber que eles s�o os cr�ticos como existem em todas as atividades (pol�tica, econ�mica, art�stica etc). S� refor�ar� a sua for�a psicol�gica reconhecendo que eles s�o indiv�duos que exercem uma profiss�o muitas vezes �til ao desporto, pelo que s�o credores de considera��o que n�o se justifica certamente, por qualquer concess�o publicit�ria nem por atitudes reservadas ou por antecipada desconfian�a. Em rela��o ao P�BLICO, deve, com todo o conhecimento de causa, prever que o desenrolar do jogo pode provocar rea��es muitas vezes sem objetividade, quer por imparcialidade, quer por ignor�ncia das regras. Deve mesmo n�o esquecer que h� indiv�duos que aproveitam um jogo para dar livre curso � sua exuber�ncia. CAUSAS E EFEITOS Sabe-se que todo trabalho cerebral corresponde a um estado ps�quico diferente, pela mesma raz�o que todas as modifica��es do estado psicol�gico perturba esse mesmo estado ps�quico. Isto quer dizer que durante um jogo o esfor�o de cada participante vai modificando, igualmente, o problema psicol�gico que ele imp�e a si pr�prio e aos outros participantes. Assim, o esfor�o, a fadiga e a tens�o s�o elementos perturbadores do problema psicol�gico. Deve-se juntar a isto o fen�meno derivado da coletividade dos problemas psicol�gicos (conseq��ncia da reuni�o de indiv�duos com os mesmos prop�sitos), imagine-se que dificuldades poder�o nortear o encontro. Por isso, o aspecto psicol�gico da arbitragem � um permanente conhecimento dos fen�menos, para os julgar e dominar. O �RBITRO Aquele que define quest�es por acordo das partes litigantes: aquele que dirige um jogo ou prova esportiva com direito de decis�o quanto ao seu desenvolvimento ou aos fatos disciplinares. �, pois, o indiv�duo bem formado na mais alta acep��o do termo, que deve se dedicar � arbitragem. O indiv�duo convencido de que pode vir a ocupar satisfatoriamente um lugar na arbitragem principia por estudar gradualmente as regras do jogo at� dominar nos pormenores, preparar-se fisicamente para cumprir com as exig�ncias da t�cnica a treinar-se assiduamente na aplica��o das regras. Embora OS �RBITROS EXCEPCIONAIS TENHAM NASCIDO FADADOS PARA T�O ELEVADA FUN��O, pode-se atingir categoria razo�vel com dedica��o. De qualquer modo, s�o indispens�veis: o interesse, o estudo e o m�todo. O �rbitro tem que estar atento � evolu��o do jogo e das regras, para se encontrar sempre inteiramente atualizado e dominando com seguran�a as causas do progresso para poder julgar os seus efeitos com crit�rio esclarecido. FORMA��O PSICOL�GICA DOS �RBITROS �O �rbitro deve conhecer-se�. Com efeito, para ser �rbitro, o indiv�duo deve ser dotado de um perfil moral bem conhecido: esp�rito puro, respeito pela dignidade dos outros e pela pr�pria; coragem, cortesia, justi�a, calma, auto dom�nio (equil�brio emocional), mod�stia etc. Por mais equilibrado que seja o indiv�duo � indubit�vel que ningu�m tem todas essas qualidades, no mesmo grau. � necess�rio, portanto, que quem se dedique � arbitragem se conhe�a, atentamente, para burilar a sua personalidade natural. Por outro lado, o �rbitro deve manter-se inalterado psicologicamente, pois sua personalidade pode ser alterada por elementos perturbadores, tais como: estado de sa�de, preocupa��es de ordem particular e apreens�o. Portanto, � necess�rio que, conhecendo-se bem, tenha franqueza, de levar em conta esses fen�menos essenciais para os dominar e reprimir os seus efeitos. Em rela��o aos seus auxiliares, o �rbitro nunca deve esquecer-se que as personalidades destes podem manifestar-se diferentemente da sua, e que, em presen�a dos mesmos fatos, podem ter rea��es diferentes. Deve, portanto, procurar compreender as rea��es de seus colegas a fim de agir em complemento. COMPORTAMENTO DO �RBITRO Conhecida as diversas causas, definir o comportamento do �rbitro consiste em tra�ar uma regra de atitudes pr�ticas para identificar essas causas e estabelecer, conseq�entemente, uma rela��o entre ele e os diversos elementos do jogo. Deve apresentar-se perante os dirigentes, jornalistas e colegas perfeitamente conhecedor dos problemas da sua personalidade e das suas preocupa��es. Antes e depois do jogo, deve adotar uma atitude de compreens�o discreta e reservada, demonstrando impress�o de firmeza e calma objetiva. MAS O MAIS DIF�CIL �, INCONTESTAVELMENTE O JOGO PROPRIAMENTE DITO Em primeiro lugar, � necess�rio ter consci�ncia da import�ncia do equipamento. Evidentemente que o h�bito n�o faz o monge, mas um vestu�rio correto confere, antecipadamente uma classe e uma dignidade que imp�em o �rbitro a todos os participantes do jogo. Outro elemento importante do comportamento psicol�gico: o �silvo do apito do �rbitro pode dar a impress�o de agressividade ou de inseguran�a. Ora, n�o � necess�rio nem uma coisa nem outra. As malditas �apitadelas� s�o t�o rid�culas como irritantes. E as malditas �APITADELAS� t�midas e hesitantes t�m a semelhan�a chocante com o ciciar duma exposi��o t�mida e pouco segura dos seus argumentos. � necess�rio que os �silvos de apitos� sejam n�tidos e de acordo com as circunst�ncias (en�rgico, segundo o ritmo da a��o). Mas em todos os casos deve ser inflex�vel. Diz-se em todos os casos, que a apitadela deve paralisar os jogadores e a a��o do jogo. Ao �rbitro, depois de intervir assim, resta fazer conhecer a sua decis�o e as suas conseq��ncias. � um dos comportamentos psicol�gicos mais importantes, porque os jogadores t�m necessidade de saber o que o �rbitro assinalou e qual a san��o aplicada. Os dirigentes, o p�blico e os jornalistas devem ser, igualmente, informados do mesmo modo, e, finalmente, os auxiliares: os ju�zes de linha e os apontadores t�m um certo n�mero de atos a observar. Ora, n�o h� maior motivo para confus�o ou desordem do que a incompreens�o da decis�o tomada. Os auxiliares hesitam sobre o que devem fazer. O p�blico toma v�rias opini�es. O apontador pede a individualiza��o da decis�o. Os jogadores, mais ou menos conscientes, procuram aproveitar-se da confus�o. Quando um silvo de apito interrompe o jogo, os gestos devem ser: calmos, corteses, firmes, apropriados e bem vis�veis para todos os interessados. Eliminar os gestos bruscos, nervosos, r�pidos e confusos que mal se v�em, que d�o a impress�o de incerteza e embara�o. Enfim, diz-se que o �rbitro deve fazer-se compreender tal como se usasse de palavras com clareza e sem nervosismo, mas sem lentid�o excessiva. Com efeito, o �rbitro � o condutor do jogo e deve diligenciar para que se processe dentro das regras e do seu esp�rito, pelo que n�o pode permitir aos participantes que as infrinjam. Deve, em todas as circunst�ncias, agir de modo que o jogo se processe normalmente, n�o fazendo de si a figura principal do espet�culo. Prof. Josebel Palmeirim Membro da Comiss�o de Arbitragem da FIVB Membro da Comiss�o de Arbitragem da CSV Presidente da COBRAV Fonte: http://www.cbv.com.br/cbv2008/arquivos/psicologia_arbitragem.doc acesso em: 25 de maio de 2009 |
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