Depoimento da artista:
A
cor que liberta da utilização descritiva e literária,
deve ser tomada com toda a riqueza da sua vida própria.
O tema pode ser criado pela construção
colorida apenas ou por mera alusão.
As relações entre as cores são como as
relações numéricas. O nascimento de um
quadro faz-se em função de ritmos, ou seja do
abstrato. Tudo se processa interiormente. Constroem-se pela
cor e prepara-se no espírito. Sua execução
final não permite reflexão.
Um pintor trabalha sempre e não apenas diante do cavalete.
É preciso que cada uma das suas intervenções
atinja a expressão de uma nova pesquisa, ou antes, um
aperfeiçoamento do ele há de procurar toda vida
exprimir. As cores são notas de uma linguagem poética
que exprime estados de alma. Temos de partir de novas bases
para construirmos. É-nos necessário humildade
diante desse trabalho e perante nós próprios.
O ofício do artista é indispensável à
criação social mesmo nos domínios práticos.
A obra de arte autêntica é expressão da
vida interior. Por ser uma obra completa e harmoniosa essa deve
ser alicerçada em um ofício real e prosaico de
trabalho e pesquisa.
Agora
trata-se de reaprender a pintura. Para isso importa encontrar
criatividade, técnica, conhecimento e sensibilidade.
Abre-se uma visão de infinita riqueza ao que sabe olhar
as relações das cores entre si, os contrastes
dissonâncias... e os efeitos de umas cores agindo sobre
outras. A isso vêm-se juntar o ritmo – o elemento
essencial da composição – que é a
estrutura básica: o movimento baseado nos números.
Como na poesia escrita, não é a conjunção
das palavras que conta; é o mistério criado que
origina (ou não) um valor emocional. E assim acontece
com as cores: é poesia o mistério de uma vida
interior que se desprende, irradia e comunica. A partir daí
pode-se criar livremente uma linguagem nova.
Novos
depoimentos:
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Pintoras, força e talento
Sob a coordenação e curadoria da Artista Plástica
Do Karmmo Ferreira instalou-se, no Clube do Congresso, o
I Salão Feminino de Artes Plásticas de
Brasília, com o objetivo de difundir o trabalho plástico
de artistas procedentes de todo o Brasil, sendo quinze convidados
especiais e 110 artistas estreantes, o que dará à
mostra a importância especial de desvendar valores.
Este Salão será um marco na história artístico-
cultural de Brasília, e certamente exercerá uma
decisiva influência no meio artístico e no panorama
da pintura brasileira.
“Rachel de Queiroz no catálogo da exposição
escreve”:
“Na pioneira Brasília, o 1º Salão Feminino
de Artes Plásticas está justamente situado iniciativa
que abre caminho para as mulheres numa especialidade em que
a contribuição dos homens sempre teve esmagador
peso majoritário.
É aliás argumento constante dos chauvinistas masculinos
esta indagação negativista:quem já viu
mulher entre os grandes gênios da pintura? As rivais de
um Rambrandt, de um Ticiano, de um Rafael, de um Goya?
Pois as mulheres estão agora respondendo que é
só dar tempo ao tempo, que não houve falta de
gênio específico houve timidez e preconceito e
falta de oportunidade. Vencidos a timidez e o preconceito,criadas
as oportunidades e pintoras surgem com força e talento
como será fácil ver na mostra ora apresentada.
E não é apenas na exclusividade de as pintoras
femininas que se caracteriza o pioneirismo deste 1º Salão
Feminino: ele inova igualmente promovendo uma exposição
em que não há premiação, nem seleção
prévia de concorrentes. É mais num gesto belamente
democrático vemos artistas de nome feito, premiadas em
salões oficiais, apresentando-se ao lado de principiantes
e desconhecidos, permitindo que seus trabalhos e seus nomes
consagrados sirvam como atração maior para o evento
em que se oferece oportunidade a todas, em termos de plena igualdade
e sem espírito de competição.
Brasília
1976 (Rachel de Queiroz)
Espaço Cultural Petrobrás.
Mostra de Artistas Novos. (1985)
- Tentando situar a atual e sempre emergente pintura de Do Karmmo
Ferreira ao lado dos seus colegas, sem cair num discurso crítico
- podemos rapidamente perceber o seu engajamento com a temática
social.
Seu traço, suas pinceladas rápidas
e decididas se mesclam em um cromatismo ao mesmo tempo exuberante
e harmonioso, tem sabor de Brasil, transportando você
com energia mágica para o mundo preocupado e preocupante
em que vivemos.
- Do Karmmo, através do seu talento
deixa claro uma busca irresistível até o homem
e seu trabalho.
- Esquecendo os maneirismos das máquinas, andróides
e robôs, Do Karmmo surpreende prendendo em seus quadros
seres vivos atuantes, com alma, cheiro e cores. Libertando-os
logo a seguir em cada ângulo, em cada atitude. Fica inscrito
nesta mostra o estilo inconfundível da artista.
(Antonio Pacot). Crrítico /Globo -comunicações.
O RIO QUE EU VEJO (ECO 92)
O artista está diretamente inserido no sonho das manifestações,
vive imenso, consolidando sua presença reinterpretando
uma outra realidade. É um fator existencial multifacetando
o universo inesgotável, onde prevalece o individual;
o toque mágico que difere um ser do outro em toda a sua
amplitude.
A lua cheia modifica a copadas árvores?... Sua intensa
luz será realidade na medida em que o homem ignora a
função do Sol? O “mundo das realidades”
é amplo e como tal se coaduna com título desta
mostra: “ RIO QUE EU VEJO”.
São percepções, técnicas e emoções
diferentes. O importante é observar o fazer e, para onde
quer que se volte, poder constatara a linguagem de cada um,
presente no amadurecimento da tarefa, no manuseio e domínio
dos meios materiais e instrumentos. Nessa visão destca-se
Do Karmmo, entre outros
A arte inspeciona todas as estruturas, examinando desde a máquina
até as atitudes e escolhas próprias. Todos possuem
um “olhar” e jamais deverão direcioná-lo
com outros olhos que não os seus.
Esta coletiva abrangente enfoca a finalidade da existência
e melhor aproximação dessa consciência,
permitindo o público co-participar , admirar e questionar
a cadeia de sonhos dessa cidade, num convite carioca, mútuo
de ressuscitar e continuar os testemunhos.
(Vicente de Pércia) Crítico de arte
Galeria de Arte Guignard (1985)
Do Karmmo Ferreira
“Pela variedade dos seus temas, pela superação
dos elementos objetivos, enriquecidos de rico subjetivismo,
Do Karmmo Ferreira consegue realizar uma mensagem que transcende
a visão limitada dos sentidos e revela, toda a riqueza
criadora do verdadeiro artista.
Em Do Karmmo Ferreira encontramos bem vivo o anseio de transcender
em sua pintura, os elementos do mundo objetal, algo que não
está na cor, no movimento ou na luz da velha técnica
impressionista”
(E. Victor Viscontii – Revista Brasília).
Festival Vinícius de Moraes
(UFRJ – 1993)
Rosa de Hiroshima
Música, Teatro, Cinema, Literatura, Fotografia, Dança,
Artes Pláticas
Exposição individual
Enriquecendo mais sua programação, o festival
teve o prazer de incorporar em suas atividades,palestras feitas
pelo Profº. Domício Proença Filho que falou
sobre “Poesia de Vinicius de Moraes: Dimensões”
e pelo Profº. Carlos Alberto Afonso que discutiu o tema:
“Vinicius de Moraes, o poeta e o povo” e nesta oportunidade
foi apreciada a exposição individual da Artista
Plástica, Do Karmmo Ferreira. pictoricamente representativa
de algumas das obras do “Poeta”
Galeria de Arte Marly Faro- Individual (1994)
Chegou a hora sem dúvida nenhuma para a apresentação
desta artista singular.
Do Karmmo Ferreira chega com um trabalho novo e trava com o
espectador uma espécie de diálogo com as imagens
texturizadas, geradas pela imensa criatividade e pela poética
interior.
Sua tela não é mais
um simples tecido esticado em chassi, mas sim um o palco de
intensos encontros onde os pigmentos e outros materiais conhecidos
ou não, são a base para a liberação
da forma. A mágica acontece quando, com pincéis,
espátulas rolos e colagens a pintura surge tridimensionalizada.
Sua arte diz ao mesmo tempo, da delicadeza e firmeza; ímpeto
e elegância; da tensão e calmaria.Indica mais do
que qualquer coisa, que formas abstratas transcendem a realidade
comum a todos nós.Do Karmmo Ferreira
responde a todos nós, as nossas emoções
mais íntimas, quando pega uma tela em branco e com gestos
rápidos, simples e objetivos, cria seu verdadeiro mundo
em uma erupção de cores, as quais vão dando
forma ao que ela tem de melhor, dentro de si. Ssaldá-la
é uma honra! (Marly Faro-1994).
Espaço BNDS---individual 2002
Artista plástica carioca Do Karmmo Ferreira,mostra em
suas telas cores , traços e cores que traduzem toda a
energia e a força da artista que sempre viu na arte o
motivo primordial para sua jornada.
Seu trabalho traduz a força com que enfrenta os problemas
do cotidiano e,enfocando o EXPRESSIONISMO, abstrai suas pinceladas
com cores fortes e movimentos precisos.
Formada pela Escola Nacional de Belas
Artes (1979 ), suas obras já conquistaram espaço
em eventos , no Brasil e exterior e pela qualidade e extensão
de seus trabalhos, foi e é objeto de elogiosas referências
pelos críticos mais destacados do país.
Frederico de Morais--Crítico e Escritor
DURANTE TODO O SEU CAMINHO COMO ARTISTA
PLÁSTICA,PINTORA ,CURADORA E CRÍTICA DE ARTES,PARTICIPA
DOS MOVIMENTOS ARTÍSTICOS NO BRASIL E EXTERIOR.
É DETENTORA DE VÁRIOS PRÊMIOS ,TROFÉUS
,MEDALHAS E MENÇÕES.
OUTORGADA COM O TÍTULO DE COMENDADORA,MANTEM ATIVO O
“PAUMAR
CENTRO DE ARTES”
E UM INTERCÂMBIO ARTÍSTICO ,APOIANDO OS ARTISTAS
BRASILEIROS E DO EXTERIOR.
Do
Karmmo Ferreira
Rio de Janeiro / 2008
SIMPLICIDADE
DO MODELO
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Desafio
do Artista
Do
Karmmo Ferreira (Maria do Carmo Lopes Ferreira) pinta desde
1968.
Em
sua vivência, tudo fora contra sua arte.
Batalhadora,
num enigma belicoso contra os empecilhos, vence barreiras sabendo
sempre colocar os problemas nos em seus devidos lugares.
Forte como seus traços é um exemplo da “Mulher
pela Arte”.
Pintora
despojada vai fundo naquilo que almeja, procurando, nas tintas
e pincéis, expressar seus sentimentos, suas emoções
num expressionismo lírico que poderá passar por
abstração.
De
certa forma é, à medida que as relações
de padrões e cores são
mais importantes que a representação.
Ligada
ao real expressivo por tradição, a artista persegue
o justo ponto de equilíbrio entre a razão, fiel
ao modelo, e a emoção que leva ao gesto largo
e forte.
Nenhum
expressionista escapa inteiramente ao seu gesto carregado de
energia que restringe a manifestação das angústias
humanas e as próprias soluções formais.
A
pintora é isso: energia e força traduzida pelas
cores, formas e traços em interação, além
das texturas marcantes.
Flávio Aquino.
Rio/RJ, 1982.