| Eleonora de Lucena | ||||||||||||
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| UltraMan |
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| Nos postos de �gua, a vontade de pegar refrigerante ou isot�nico � grande, porque sinto falta de doce. Venho tomando s� �gua e consumindo os sach�s a cada hora, mas agora o corpo parece pedir mais. Depois do 48, v�rias vezes cheguei a estender o bra�o para pegar isot�nico, mas larguei de medo de um revert�rio: desde o km 38, cresceu o n�mero de corredores parados na beira da estrada, amparados em �rvores, botando os bofes para fora. Eu n�o ia botar meu est�mago em testes de �ltima hora. Por isso, nem pensar nas batatas, bananas, cafezinho e at� chocolate oferecidos nesses �ltimos quil�metros. Agora era s� pensar na chegada, ver os outros corredores, achar que estava melhor que eles, eleger advers�rios e ir passando. Os que cruzavam por mim n�o faziam mais que a obriga��o, afinal eu era apenas um lerdo iniciante. Agora, eu ultrapassar sul-africanos e outros corredores de categoria, isso sim � que valia! Pois n�o � que, numa rampinha l� pelo 53, vejo o sessent�o da pena na cabe�a. O cara tinha vindo mais forte que eu a partir da metade da subida, mas tamb�m ca�ra de ritmo mais fortemente, porque sen�o eu n�o o teria alcan�ado (foi o que aconteceu com a loira grandalhona). S� que, a essa altura, chegar perto � mais dif�cil, passar, ent�o, s�o outros 500. Levo cerca de um quil�metro para emparelhar e seguir de sangue doce. Aproveito para caminhar mais um pouco, um trote e chego ao 55. Agora � s� correr para o abra�o. Que nada! Estamos em campo aberto, o sol vem com tudo e h� outra lombinha para ser subida. Vou caminhando por ela, quando um dos volunt�rios vem me incentivar, pergunta se preciso de ajudar para subir, emparelha comigo e faz uma imita��o de corrida, eu falo: �T� bom, meu�, e vou me embora, porque o cara est� l� para bater palmas, n�o ag�enta correr 30 metros. |
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| Eu ag�entei os 50 metros at� o topo da lomba e, a� sim, vi a descida que levava � entrada do est�dio e ao brete de chegada, onde uma pequena multid�o se acotovelava, aplaudindo discretamente os corredores. Discri��o n�o � minha caracter�stica principal, pelo menos na pista. Desci a rampa com tudo o que eu tinha no momento, para entrar no brete trotando forte, erguendo os bra�os, gritando �Brasil� para a a turma, que come�ou a aplaudir e gritar tamb�m. Eu segui correndo, vi o p�rtico, gritei �Eleonora�, mas ela n�o estava l�. O p�rtico tamb�m n�o era o de chegada, mas apenas enfeite no brete, ainda faltavam uns cem metros. Pela frente uns caras iam lentos, um sujeito caminhava, de cabe�a baixa, e eu abri a passada, mexi os bra�os, que tinha que dar o arranco final, gritando �Brasil, Brasil�. E, agora, sim, vi a Eleonora, pertinho da linha de chegada, que era minha, desta vez e para sempre. Passei em 6h11min02 no meu cron�metro, 6h12min25 no tempo oficial (veja aqui as estat�sticas detalhadas da prova). Fui cumprimentado pela diretora de prova, bebi um refrigerante e cheguei at� a Eleonora. O beijo da vit�ria, abra�os e mais um trof�u especial, um corredor feito em arame, constru�do naquela manh� mesmo por um artes�o local, sob a orienta��o da Eleonora. Sa�mos para a foto sob a bandeira brasileira, que esta l� por mim, eu por ela, �nico brasileiro nesta edi��o da Two Oceans Marathon. Antes de ir embora, aproveito para uma massagem reparadora. A massagista � uma senhora grandona, gorda, alemoa, parece uma daquelas cozinheiras da col�nia. Pois a mulher j� fez uma Two Oceans e meia (na segunda, parou na metade e seguiu de carro) e completou a Comrades em 10h42min40, acompanhando o pai, que fez o percurso de quase 90 km modestas 16 vezes. Essa � a �frica do Sul dos ultras. E agora sou um deles. Fim |
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