Eleonora de Lucena
Fam�lias acompanham corrida pelo tel�o
Seis horas de torcida
Eleonora de Lucena
Rodolfo Lucena
Rapidamente a avenida se esvaziou. Os corredores sumiram na escurid�o. N�o consegui enxergar a largada do Rodolfo. Bati fotos a esmo da multid�o. Naquela hora, houve um empurra-empurra na cal�ada: retardat�rios queriam entrar na rua; familiares buscavam melhores posi��es; ambulantes montavam sua barracas.
Um cheiro de lingui�a queimada tomou conta do lugar onde eu estava. A largada da ultra e da maratona j� tinham acontecido. Agora, chegavam os corredores da meia-maratona, que sairiam 25 minutos depois. Havia troca de torcida nas cal�adas. Fam�lias inteiras deixavam o lugar da largada, enquanto outras tantas chegavam. Todos com m�quinas fotogr�ficas, lanches, mochilas com agasalhos.
Fazia calor, apesar de o sol ainda n�o ter aparecido. Resolvi fazer o caminho de volta at� a chegada, dentro da Universidade da Cidade do Cabo. Uns dois quil�metros acima. Hordas tiveram a mesma id�ia. No caminho, ainda pude ver os atrasadinhos da meia, correndo angustiados para a largada. Alguns certamente faziam a prova pela primeira vez. N�o escondiam um misto de ansiedade e medo no olhar.
Meia hora depois eu j� estava no grande gramado da chegada. O sol estava nascendo. Um tel�o enorme dava conta das �ltimas not�cias da corrida. Mostrava ao vivo os primeiros colocados. Entrevistas com especialistas e publicidade entremeavam a cobertura.
Muitas mesas e cadeiras estavam espalhadas pelo gramado. Aos poucos elas foram sendo tomadas pelas fam�lias. Vinham crian�as pequenas, av�s, m�es, pais. Traziam grandes sacolas como num mega piquenique coletivo. As barraquinhas de comida ficaram lotadas.
Come�ou um vaiv�m de pratos descart�veis com um caf� da manh� poderoso: carnes, ovos, p�es, feij�es. Se comia muito por ali. Fazia vento e alguns grupos se protegiam atr�s das barracas. As crian�as n�o se importavam com o frio e corriam por toda a parte.
De in�cio, a organiza��o tentou deixar bem-arrumado o espa�o.



                                                           
A mais sensacional, maravilhosa e esplendorosa torcedora com sua mais que merecida medalha
Mas, quando a primeira bateria de corredores chegou, fez-se uma onda de cadeiras para mais pr�ximo da linha de chegada. Havia arquibancadas. Mas elas foram engrossadas pelas cadeiras. O clima era de torcida. Foi assim at� o �ltimo corredor chegar, quase seis horas depois.
Faixas, cartazes, palmas, vibra��o. Um locutor entusiasmado anunciava o desempenho de v�rios corredores. Muitos eram saudados pelos nomes. Um boneco fazia palha�adas na reta final. M�sica forte ao fundo.
Quando o dia ficou quente mesmo, o gramado ficou pequeno. Faltaram cadeias e grupos inteiros sentaram no ch�o. Comeram, conversaram, fizeram alongamento. Sempre de olho no tel�o. Com as medalhas no peito, j� come�aram a planejar a pr�xima corrida.


                                                           
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