| Eleonora de Lucena | ||||||||||||||||
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| No campo de esportes da UCT, faltando poucos metros para a chegada |
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| Dor, sol e decis�o |
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| Parei pouco antes do km 44 para o tr�nsito passar. A� veio a consci�ncia de quanto a musculatura estava enrijecida. O quadr�ceps est� uma pedra, parece querer saltar pele afora a cada passada. A panturrilha se comporta melhor, mas tamb�m lateja. O sobe-desce ladeira est� cobrando o seu pre�o, s� n�o posso parar. �Atravesso a rua caminhando e engreno de novo. O calor parece ser mais forte, mas acho que nem tanto, talvez a sensa��o seja ampliada pelo cansa�o, que j� est� pegando. E a� vem mais uma daquelas armadilhas: pouco antes do 45, depois de uma descida, a gente faz uma curva para a direita apenas para rodar uns 300 metros e voltar pelo mesmo caminho para s� ent�o seguir para a frente. T�pica bobagem para completar quilometragem. � quando decido caminhar at� o retorno. Na curva de volta, passa por mim uma garota que corre ao lado do pai ou algu�m bem mais velho que ela, e incentiva: �Vamos l�, s� faltam 11�. �T� bom, vamos l�, eu falo, e engato uma primeira para passar a dupla, que � grandona e forte. Pelos dois quil�metros que se seguem, vamos assim, eles me passam, eu emparelho, eles caminham, eu vou embora, caminho eu, eles ganham a estrada. Mais importante que eles, por�m, � quem vejo l� longe, numa sombra de estrada, caminhando de cabe�a baixa: a loirona de Pret�ria, que tinha se desgarrado do nosso grupo l� atr�s, antes do 25. Fiquei pensando de novo nas conversas sobre ritmo, sobre se conhecer, sobre for�ar antes do tempo e aproveitei para abrir a passada, chegar mais perto, quem sabe d� para dar um susto nessa a�, que corria toda orgulhosa e agora � gente como todo mundo. Bom, eu me falava isso para me incentivar, mas o certo � que ela ainda estava longe. Cada vez mais perto, por�m. |
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| Numa das rampas do caminho, emparelho, caminho um pouco, ela caminha, corre, eu fico para tr�s, na descida seguinte arranco e vou, adeus loira de Pret�ria. Agora sigo em outro padr�o: � calor de verdade, est� pr�ximo dos 30 graus, em cada posto de �gua pego um monte de sach�s para molhar a cabe�a, a nuca, passar nas coxas que sofrem. Desde os 35, mais ou menos, cresceu a presen�a de esta��es de fisioterapia. Garotas e rapazes que fazem massagem nos corredores, ajudam no alongamento, d�o uma for�a para tentar colocar o sujeito na pista de novo. N�o parece que eles voltem: os corredores ficam l� atirados, com atendimento cinco estrelas. Cada vez que aparece a placa anunciando a tal de esta��o de fisioterapia, minhas pernas parecem dizer que � para parar, eu mesmo me digo que tudo que quero � uma massagem... Que nada! Para segurar a dor, o �nico rem�dio � ficar firme num ritmo s�. Caminhar um pouco, para aliviar, e seguir trotando �s vezes mais forte, �s vezes mais fraco, mas sem perder a balada, sem dar tranco. No 50, paro para mais uma foto e calculo, pela lembran�a do desenho da altimetria da prova, que pela frente s� h� planos e descidas. Mas � engano. O sobe-desce � a marca principal, ainda que haja trechos bem planos e que os desn�veis n�o sejam grandes. Mas a�, com o sol das 11h30 nos costados, qualquer dois, tr�s metros parece lomba. Para vencer, al�m da vontade de terminar, tamb�m ajuda bastante o incentivo gritado pelo p�blico, que come�ou a crescer a partir do km 48, mais ou menos. Muitos gritam meu nome, que trago escrito no peito, chamando � responsabilidade. Um l�, quando me v�, avisa a fam�lia e grita: �The Wild Man from Borneo!�. Em corridas passadas, j� fui apelidado de Rei Le�o, Jesus Cristo, Sans�o e Bin Laden, mas O Selvagem de Born�u � a primeira vez. |
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| Continua | ||||||||||||||||
| �ndice | ||||||||||||||||